Tolerância

A tolerância é um dos tais valores que se mede sobretudo pela intolerância. Tem, sobretudo, a ver com a tolerância religiosa, com a liberdade de cultos. Não nos esqueçamos também que o próprio conceito de soberania nasceu conjunturalmente no seio de um Estado em guerra civil religiosa, constituindo primacialmente um expediente teórico destinado a propagar a tolerância e a conciliação entre grupos incapazes de se coordenaram pelo princípio do cujus regio.

Adepto da tolerância e também membro destacado do partido dos malcontents ou politiques, Jean Bodin. É desta intenção de unidade religiosa que vão resultar as perseguições aos cristãos, mais por uma Razão de Estado do que pela intolerância religiosa, até ao momento em que pelo Edito de Tessalonica, de 380,o feitiço se volta contra o feiticeiro e o cristianismo se vai transformar na religião oficial do Império:ordenamos que…todas as pessoas abracem o nome de cristãos e católicos, declarando que os dementes e insensatos que sustentam a heresia e cujas reuniões não recebem o nome de igrejas, hão‑de ser castigados primeiro pela justiça divina e depois pela pena inerente ao incumprimento do nosso mandato, mandato que provém da vontade de Deus.

Para Locke a vox populi não é vox Dei: os que negam a existência de um poder divino, não devem ser tolerados…Suprimindo a crença em Deus, tudo se dissolve…Ninguém pode reivindicar em nome da religião, o privilégio da tolerância, se elimina completamente toda a religião, professando o ateísmo.

Neste sentido Mill vai procurar os princípios fundamentais dos fundadores do liberalismo, como os de Locke da tolerância, considerando que a liberdade é procurar o nosso próprio bem à nossa própria maneira mas de tal forma que não tentemos privar os outros da liberdade deles ou entravar os respetivos esforços para a obter.

Tolerância em Mill

Tal como dizia Voltaire, que Popper cita a tolerância é a consequência necessária do reconhecimento de que somos falíveis: errar é humano, e todos nós cometemos erros permanentemente. Então perdoemo‑nos uns aos outros as nossas loucuras. É este o fundamento do direito natural.