Tiranicídio

Assume particular destaque a teoria do tiranicídio. Se a anterior teoria escolástica considerava que o tirano apenas podia ser morto por representantes autorizados do povo, alguns autores escolásticos vão passar a defender que ele pode ser morto até por um indivíduo isolado.

Entre estes, o jesuíta espanhol Juan de Mariana (1536‑1624) que, em De Rege et RegisInstitutione, editado em Toledo em 1599, assume tal posição radical, que o coloca ao lado dos próprios monarcómanos. Para ele só a qualificação do tirano é que não pode ser arbitrária, exigindo‑se notoriedade ou prévia decisão da coletividade. O facto de ter dado como exemplo de justo tiranicídio, o assassinato do rei de França Henrique III, ocorrido em 1589, levou a que o livro fosse queimado publicamente em Paris, em 1610, na sequência do assassinato de um novo rei, Henrique IV.