Terrorismo

A prossecução de um objetivo proclamado como político através de meios violentos ou da intimidação. Método revolucionário que força a população a cooperar com os subversivos através de uma especial forma de violência, o terror. Teve origem na Rússia czarista, sendo paradigmático o movimento A Vontade do Povo.

No século XX teve especial intensidade na década de oitenta onde se inventariaram cerca de 4 000 incidentes do género. Muitos terroristas modificaram radicalmente a respetiva atitude depois de conquistarem o poder e alguns deles até atingiram o status de Prémio Nobel da Paz, como aconteceu com o líder judeu Menachem Begin ou com o líder palestiniano Yasser Arafat. A utilização da violência para a conquista do poder é muitas vezes invocada visando atacar um poder considerando um estado de violência mais violento que os atos de violência dos grupos terroristas.

O método terrorista foi, aliás, utilizado pelas resistências ao nazi-fascismo, desde os liberais aos partisans, invocando o terrorismo de Estado estabelecido. Da mesma forma, o terrorismo foi utilizado pelos movimentos de libertação nacional anticolonialista do Terceiro Mundo, cujos líderes chegaram a ser reconhecidos oficialmente como interlocutores pelas organizações internacionais.

Alguns deles chegaram mesmo a ser recebidos pelo próprio Papa, como fez Paulo VI com os três líderes dos movimentos de libertação nacional da Guiné, Angola e Moçambique que aí combatiam militarmente a soberania portuguesa. Há assim um espaço de ambiguidade entre o terrorismo a luta de libertação nacional e a resistência libertadora e o único padrão utilizado tem sido a eficácia do resultado e a possibilidade do vencedor poder decretar a qualificação justa para o grupo que o apoiou, passando o combatente de terrorista a resistente ou a libertador.

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