Social-democracia

Uma forma de socialismo democrático, defensora do pluralismo, da metodologia reformista não revolucionária e do intervencionismo do Estado nos domínios da economia e da sociedade, mas onde o pragmatismo supera a ideologia e a ideia de crescimento prepondera sobre a ideia de igualdade.

O modelo não tem um pai-fundador no plano doutrinário, albergando várias matrizes, desde o socialismo dito utópico e cooperativo ao próprio revisionismo marxista. Nasce, sobretudo, da experiência de certos partidos e movimentos políticos, sendo paradigmática a via seguida pelo SPD alemão quando, na última década do século XIX, decidiu aproveitar-se do sufrágio universal e ter uma intervenção política parlamentar, de acordo com as regras do jogo da formal democracia representativa.

Outro paradigma é o estilo de gestão do Welfare State seguido pelo partido social democrata sueco a partir da década de trinta do século XX, graças, sobretudo, à liderança de Tage Erlander. Depois de 1945 a social democracia assume-se como uma das principais forças políticas gestoras das democracias europeias ocidental, alinhando claramente contra o sovietismo, nomeadamente o SPD refundado na RFA por Kurt Schumacher, partido esse que no Congresso de Bad Godsberg de 1959 consagra o abandono formal dos restos programáticos do marxismo, assumindo a conciliação com os liberais e defendendo o modelo da economia de mercado.

Miguel Reale qualifica-a como ideologia omnibus, destinada a abrigar quem não se defina como liberal, conservador ou aquele que se apega ao statu quo, qualquer que ele seja. No Brasil, Fernando Henrique Cardoso assume a social-democracia, invocando a herança de Gramsci, juntando os adeptos do socialismo liberal, com os liberais-socialistas (este o qualificativo assumido por Norberto Bobbio).

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