Silva, António Maria da (1872-1950)

Antonio_Maria_da_SilvaEngenheiro de minas. Militante da Carbonária e do PRP. Maçon desde 1902, aparece implicado na tentativa golpista de 28 de Janeiro de 1908, sendo também um dos principais elementos da atuação subversiva do 5 de Outubro de 1910. Figura-chave da I República.

Por quatro vezes ministro e outras tantas vezes presidente do ministério.

Começando em 1911 como deputado pelos independentes, logo adere ao partido democrático, assumindo a liderança do partido nos anos vinte, depois do abandono de Afonso Costa. Em 14 de Maio de 1915, integra a Junta Revolucionária que derruba Pimenta de Castro, logo aparecendo como Grão-Mestre Adjunto da Maçonaria.

Em 1917 já integra o diretório do partido democrático, chegando a estar detido com o processo de implantação do dezembrismo. Depois de 1919, assume-se como líder da ala direita dos democráticos, os chamados bonzos, à qual se opunham os canhotos, liderados por José Domingues dos Santos, e da qual se distanciavam os centristas de Vitorino Guimarães.

Nomeado Administrador dos Correios depois de 5 de Outubro de 1910. Segundo Cunha Leal, As Minhas Memórias, II, p. 194, era um diletante de confusionismo, caracterizando-se a sua oratória pela dispersão, como se entendesse que a palavra tinha sido dada ao homem para ocultar o seu pensamento.

Mas nunca discursava sem ter à frente uma série de cartapácios que nunca consultava. Em 1926, a diplomacia britânica considera-a como potencial líder autoritário de Portugal, face aos modelos de repressão utilizados contra os sindicalistas e os anarquistas. Tem, nos anos vinte, papel idêntico ao de José Luciano no crepúsculo da monarquia. Também ele é um honesto manipulador de desonestos.

Como conta Adelino da Palma Carlos, quando lhe perguntava porque nomeava tantos monárquicos, ele dizia: os republicanos já cá os tenho, preciso é de apanhar os outros. Chefia o último governo da I República, aliado a Bernardino Machado, o presidente eleito depois da renúncia de Manuel Teixeira Gomes. Proclama, então, não sou da esquerda nem da direita, sou do partido republicano. Autor de O Meu Depoimento, redigido em 1943 e publicado em 1974 e 1981: I Da Monarquia a 5 de Outubro de 1910, Lisboa, 1974; II Da Proclamação da República à Primeira Guerra Mundial (1914-1918), Lisboa, 1981.

Ministro do fomento do governo de Afonso Costa, de 9 de Janeiro de 1913 a 9 de Fevereiro de 1914. Ministro do fomento no governo de Afonso Costa de 29 de Novembro de 1915 a 15 de Março de 1916. Ministro do trabalho e da previdência social no ministério da União Sagrada, presidido por António José de Almeida, de 17 de Março de 1916 a 25 de Abril de 1917. Ministro das finanças no governo de Sá Cardoso, de 3 a 21 de Janeiro de 1920. Presidente do ministério de 26 de Junho a 19 de Julho de 1920, acumulando as finanças. Presidente e ministro do interior, de 6 de Fevereiro de 1922 a 15 de Novembro de 1923, acumulando o interior. Presidente e ministro da guerra, de 1 de Julho a 1 de Agosto de 1925. Presidente e ministro do interior entre 17 de Dezembro de 1925 a 30 de Maio de 1926. Autor de O Meu Depoimento, redigido em 1943 e publicado em 1974.