Sacralização do Poder

monnerotComo refere Jules Monnerot (na fotografia), com o Renascimento, tentou transformar-se a política numa arte que lembra a medicina: o político como médico é, ao mesmo tempo, um homem que sabe, um homem que escolhe e um homem que atua. Resta saber, continuando a citar o mesmo autor, se, a partir de então, essa tendência humana para a sacralização do político não foi mais “a homologia do sagrado e do político.

Como a este respeito salienta Balandier “manifestam o poder enquanto força, associada às forças que regem o universo e nele alimentam a vida, e enquanto potência de dominação. Associam a ordem do mundo, imposta pelos deuses, e a ordem da sociedade, instaurada pelos antepassados do princípio ou pelos fundadores do Estado. O ritual garante a manutenção do segundo… Esta solidariedade do sagrado e do político, que faz com que os atos que lesam o poder ( mas não os seus detentores) sejam sacrílegos, apresenta formas diversas consoante os regimes políticos; deixa o sagrado em primeiro plano no caso das sociedades sem Estado, faz prevalecer a dominação exercida sobre os homens e as coisas no caso das sociedades estatais”. Outro autor como Leslie White refere mesmo que o Estado e a Igreja não passam de dois aspetos do mecanismo político do Estado tradicional. O Estado tem como missão garantir “a integridade do sistema sociocultural de que é uma parte” e quer conservar “o sistema como um todo”. Kelsen Quer libertar o Estado e o Direito daquilo que designa pela “névoa metafísica”, que os considera como algo de “sagrado na sua origem ou na sua ideia”. Pretende um “conhecimento do Estado isento de elementos ideológicos e, portanto, liberto de toda a metafísica e de toda a mística”. Para ele, “ao separar-se com toda a clareza a teoria do Estado da política – como Ética e Técnica social – de um lado, e a ciência natural e a sociologia naturalista, por outro lado, realiza-se o postulado da pureza do método”.