Sacerdotium/ Imperium

A partir do século XI, surge um conflito entre o Imperium e o papado, o Sacerdotium, quando este passa a reclamar poderes temporais, em nome da subordinação da ordem terrena à ordem divina, defendendo uma monarquia papal universal. Invoca-se inclusive uma apócrifa Doação de Constantino, segundo a qual este Imperador cedeu ao Papa a metade ocidental do Império.

O conflito vai prolongar-se pelos séculos XII, XIII e XIV, principalmente quando, com os Hohenstaufen, primeiro, se dá a divisão entre os guelfos e os guibelinos, e depois, entre o próprio papa e os vários reis. Numa primeira fase, o conflito teórico dá-se apenas entre os adeptos do poder temporal do papa, os hierocratas, que defendiam a superioridade da Igreja sobre os governantes temporais, e os anti hierocratas ou anti teocratas, partidários do Imperador, entre os quais se contam autores como João de Paris, Marsílio de Pádua, William de Ockham ou Dante Alighieri.

Contudo, a partir do século XIII, com a emergência dos reinos, a res publica christiana, deixou de ser apenas uma diarquia, passando a surgir a tricotomia sacerdotium, imperium, regna. Destacam-se então os autores marcados pelo renascimento do direito romano que, considerando que os reis são imperadores no seu próprio reino, tratam de praticar a imitatio imperii.

Mas é também na altura que, com São Tomás de Aquino, se procura uma media via, onde a Igreja passa a dispor de uma auctoritas superlativa que não absorveria a potestas civilis, apenas podendo intervir no poder temporal quando tal fosse necessário para a realização dos seus fins espirituais.