S. Luís, Frei Francisco de (1766-1845)

franciscoRetomam-se as teses deste consensualismo tradicionalista, criticando-se o desvio despotista do absolutismo: não é uma innovação, é a restituição de suas antigas e saudáveis instituições corrigidas e applicadas segundo as luzes do século e as circunstâncias políticas do mundo civilizado; é a restituição dos inalienáveis direitos que a natureza lhes concedeu, como concede a todos os povos; que os seus maiores constantemente exercitaram e zelaram, e de que somente há um século foram privados, ou pelo errado systema do governo, ou pelas falsas doutrinas com que os vis aduladores dos principes confundiram as verdadeiras e sãs noções de direito público. As Côrtes e a Constituição não são cousa nova n’estes reinos: são os nossos direitos e os dos nossos pais.
Basta atentar no tom da própria proclamação revolucionária de 24 de agosto: nossos avós foram felizes porque viveram nos séculos venturosos, em que Portugal tinha um governo representado nas Côrtes da Nação, e obraram prodígios de valor enquanto obedeciam às leis que elas sabiamente constituíam, leis que aproveitavam a todos, porque a todos obrigavam. Foi então que eles fizeram tremer a África,que conquistaram a Índia, e que assombraram o mundo conhecido, ao qual acrescentaram outro para aumentar ainda mais o renome das suas proezas. Nunca a religião, o trono e a Pátria receberam serviços tam importantes, nunca adquiriram, nem maior lustre, nem mais sólida grandeza, e todos estes bens dimanavam perenemente da Constituição do Estado, porque ele sustentava em perfeito equilibrio, e na mais concertada harmonia, o direito do soberano e dos vassalos.

Bibliografia

Manifestos de 1820, 1820