Prisão e Assassínio de Padres

afonsto costaEm 13 de Outubro de 1910 já estão presos 128 padres em Caxias, visitados pessoalmente por Afonso Costa (na imagem).

Nesse período morrem os padres lazaristas Bernardino Barros Gomes, irmão do antigo ministro da monarquia, e o francês Alberto Fragues, na residência de Arroios.

Bernardino Barros Gomes 

Nasceu em Lisboa, no dia 30 de Setembro de 1839.

Licenciado em Filosofia pela Universidade de Coimbra e tendo frequentado a Academia Florestal deTharandt (Alemanha) veio para a Marinha Grande em 1866, para fazer a planta cadastral do Pinhal, depois de ter estado desde 1863 nas Matas de Vale do Zebro e da Machada. Em 1879 passou a dirigir a Mata. Aqui se destacou como insigne Silvicultor e realizou obra incomparável.

Iniciou os Ordenamentos (trabalho que se elabora de 10 em 10 anos e tem por função programar todo o desenvolvimento do Pinhal, dando a conhecer também a sua situação geral), levantou a primeira planta rigorosa, criou a escrituração técnica do Pinhal, procedeu a vários estudos sobre sementeiras e resinagem, mandou construir os primeiros pontos de Vigia contra incêndios, instalou na Mata os primeiros postos de meteorologia.
Bernardino Barros Gomes que, no dizer do eng. Arala Pinto, foi o primeiro apóstolo da exploração técnica da floresta, era um homem inteiramente dedicado ao trabalho, tenaz e afável. Conforme relata Arala Pinto, Gomes era sempre pontual na chegada ao local de trabalho dentro da Mata, quer fosse perto ou longe, dormindo nas casas de Guarda para não perder o tempo da deslocação e partilhando as refeições dos subordinados.

Quando Bernardino Barros Gomes enviuvou, em 1879, fez-se membro da Congregação de S. Vicente de Paulo (Lazaristas). Ordenou-se presbítero em 1888, no Convento de Arroios, em Lisboa. Foi aí, no dia 4 de Outubro de 1910, que uma bala transviada o atingiu mortalmente. “Um santo e um sábio”- foram as palavras da imprensa da capital ao referir-se à sua morte.

A Marinha Grande não esqueceu o Mestre (como os seus colegas silvicultores o tratavam) atribuindo o seu nome a uma das ruas da Vila. Também os florestais portugueses, na Conferência Florestal de 1917, alvitraram que se lhe prestasse uma condigna homenagem. Assim, no dia do primeiro centenário do seu nascimento (30 de Setembro de 1939) foi inaugurado em Pedreanes um modesto mas significativo monumento em sua homenagem. Plantou-se também, no local, um pinheiro manso.

Nessa inauguração estiveram presentes quase todos os velhos e novos silvicultores, Regentes Florestais e um pelotão formado por Guardas Florestais. Fez o elogio do homenageado o Silvicultor Júlio Mário Viana. Assim se prestou homenagem àquele que, no dizer do eng. Arala Pinto, “palmilhava a pé ou a cavalo, sem mostras de canseiras, todo o emaranhado do Pinhal de Leiria, que não se julgava diminuído na sua dignidade nem na sua função ouvindo as opiniões dos seus subordinados, ou aceitando e pagando o leito ou a comida simples que o guarda florestal lhe poderia arranjar.”