Partido Regenerador Liberal (1901)

O bloco governamental em 1901 estava dividido entre os hintzáceos e os francáceos ou endireitas, tendo até estes últimos apoiado os candidatos republicanos no Porto. João Franco, Campos Henriques e José Novais apoiaram a candidatura dos republicanos no Porto. Na Câmara dos Deputados os franquistas quase andavam de braço dado com Afonso Costa.Surgira também eleitos alguns desalinhados como Mariano de Carvalho, Fuschini e Dias Ferreira. E em 14 de maio de 1901, João Franco, com 25 deputados regeneradores instituiu a dissidência dos regeneradores liberais. Franco, não tendo ido para o governo, chegou a dizer: não me sabe o Poder dividido por dois. Proclamou também: pois há-de o País ser eternamente ludíbrio de progressistas e regeneradores. O homem, que personificava o protesto, não deixou de possuir, segundo as palavras de Bernardino Machado, um incontestável talento e grande poder de atração. Segundo as observações de Raul Brandão, como todos os impulsivos, tinha, na sua grande força, a sua grande fraqueza e gastou uma energia desmedida para resolver ninharias. João Franco era então apoiado por figuras como Fernando Martins de Carvalho, republicano até 1901, António José Teixeira de Abreu, amigo pessoal de Afonso Costa, Reymão Nogueira, Paiva Couceiro, José Tavares, José Alberto dos Reis e Alfredo da Silva. Segundo Raul Brandão, a grande força de João Franco foi, na realidade de protesto… Era um impulsivo: grande fraqueza e grande força. Procurava os obstáculos para os dominar e gastou uma energia desmedida a resolver ninharias (I, p. 230). Em 14 de maio, no Correio da Noite, José Luciano avisava: há uma coisa que aos governos nunca deve esquecer, que a lição da história a cada instante repete: à revolução do alto pode muito bem suceder que responda a revolução de baixo (Apud Raul Brandão, I, 231). Sobre ele, ver a perspetiva criativa do Padre Sena de Freitas, Psychologia Política do Conselheiro João Franco, Lisboa, 1909, bem como João Lopes Dias, Cartas Políticas do Conselheiro João Franco a Tavares Proença, Castelo Branco, 1964. Foi ele, na sua campanha para a fundação dos regeneradores liberais, que cunhou a expressão rotativismo, utilizada em sentido pejorativo, para a qualificação de um acordo entre dois partidos, entendidos como clientelas de dois homens para ludibriarem o país, feita a partir da ditadura eleitoral de 1901. Considerou que apenas existia um parlamento falsificado, porque, em vez de um sistema representativo, viveríamos num regime presidencial, dado que nenhum deputado representaria o corpo eleitoral, mas apenas o “placet” do presidente do conselho. Num discurso pronunciado em 16 de maio de 1903, por ocasião da inauguração do Centro Regenerador Liberal de Lisboa, defendeu a promulgação de uma lei eleitoral que garanta a possibilidade de representação de todas as vontades e interesses gerais ou locais, ainda que não tenham o beneplácito das clientelas partidárias; e a genuinidade e verdade dos atos e operações eleitorais. Isso se conseguirá com uma lei de pequenas circunscrições eleitorais, entregando as operações de recenseamento e ato eleitoral exclusivamente ao poder judicial e seus agentes Em 12 de fevereiro de 1901 deu-se a rutura formal entre Hintze Ribeiro e João Franco. 25 deputados afetos a João Franco abandonam o partido regenerador em maio de 1901. Forma-se o Centro Regenerador-Liberal em 16 de maio de 1903. João Franco enfrenta Pinto dos Santos num duelo (1 de junho).