Partido Regenerador (1851)

SaldanhaLogo em junho de 1851 começa a organizar-se uma associação eleitoral de apoio à nova situação liderada por Saldanha (na fotografia). As reuniões decorrem no palácio do falecido duque de Palmela, com Reis de Vasconcelos a manobrar. Saldanha vai convidando José Bernardo da Silva Cabral e Lavradio, circulando como organizadores da mesma Reis de Vasconcelos, Rebelo da Silva e Almeida Garrett. Saldanha chega a convidar Lavradio para presidir à associação, mas este recusa. E Saldanha diz-lhe que que então sairá José Bernardo da Silva Cabral, mas não José Lourenço da Luz. Lavradio observa que o fim verdadeiro da associação era o de minar a Administração para a fazer cair, e, já se sabe, para a substituir por aqueles que a tinham minado ou feito cair.Para o mesmo memorialista, desde 15 de maio que todos recuam pour mieux saute. Saldanha vira-se para todos os partidos, mas não satisfaz, e todos estão convencidos da sua incapacidade.

Cisões entre os novos situacionistas

Prosseguem as rivalidades na formação do grupo de apoio ao novo situacionismo. Saldanha lista os nomes de José Maria Grande, Aguiar, Ferrão e Silva Sanches. José Bernardo da Silva Cabral opõe-se a Grande, Aguiar e Ferrão. Em 12 de junho, L. A. Rebelo da Silva emite uma carta-circular como secretário do centro eleitoral de apoio à situação: sendo conveniente consolidar a situação atual, cooperando sinceramente os amigos da ordem, de progresso sensato e da Monarquia Constitucional, para ela não engane as esperanças do país, por falta de oportuna direção, diversas pessoas, zelosas do bem público e dedicadas aos princípios de justo melhoramento, entenderam que não se devia demorar mais tempo a organização de um centro eleitoral que dê garantias às liberdades declaradas na Carta, não as sacrificando, todavia, às inovações de uma fatal exaltação.

Procuram-se nomes para a direção do novo centro situacionista. Em 30 de junho, os nomes mais falados para a direção do centro de apoio à nova situação são os de Lavradio, Rodrigo da Fonseca, visconde de Algés, Garrett, Aguiar, Silva Sanches e José Maria Grande (Lavradio, III, p. 366).

Organizam-se os cabralistas. Os cabralistas organizam um centro composto por João Rebelo da Costa Cabral, Padre Lacerda e Caldeira, onde Terceira seria o chefe e José Castilho o redator do jornal. Em 26 de junho, José Bernardo da Silva Cabral escreve carta a Saldanha onde se declara da oposição por causa do decreto eleitoral. Este, José Lourenço da Luz e Monteiro  das sete casas passam de grandes regeneradores nos mais ativos oposicionistas (Fronteira, parte VIII, p. 430). As reuniões ocorrem na casa de Terceira, em Pedrouços e participam também Fronteira e António José de Ávila.

As novas sensibilidades segundo Lavradio

Segundo Lavradio, o duque de Saldanha, só, cheio da sua glória, um dia quer proteger os setembristas, outro dia é o homem da moderação, no outro o da espada e quer levar tudo à força: finalmente, não é nada; Loulé, tem bom senso, é liberal, deseja a ordem, não lhe falta ambição, é preguiçoso, mas o seu maior defeito é ter-se ligado com os desordeiros, posto que eu esteja persuadido de que eles o não dominam. Soure, tem pouco saber e ainda menos talento, mas está dominado pelos homens de movimento rápido e desordenado; Pestana é honrado e ilustrado, mas não é homem de Estado; Franzini é uma boa criatura, honrado, desejando o bem, mas é o homem dos infinitamente pequenos e, como a sua consciência o não acusa de nada, vive em perfeita beatitude; Jervis é uma cabeça vazia, ou, se contem alguma coisa, é ar.

Governo de Saldanha de 22 de maio de 1851 a 1856

São mobilizados para o governo o barão de Francos, o barão da Luz, Marino Franzinim Ferreira Pestana, Joaquim Filipe de Soure, Loulé, Jervis de Atouguia, Silva Ferrão, Fontes Pereira de Melo, António Luís de Seabra, Rodrigo da Fonseca, Almeida Garrett e Frederico Guilherme da Silva Pereira.

Cronologia

  • Governo de Terceira/Aguiar desde 16 de março de 1859 a 4 de julho de 1860.
  • Eleições de 1 de janeiro de 1860.
  • União entre Regeneradores e Históricos nas eleições de 9 de julho de 1865.
  • Governo da fusão de Aguiar de 4 de setembro de 1865 a janeiro de 1868.
  • Nas eleições de março/abril de 1868, apenas 13 deputados regeneradores.
  •  Nas eleições de 13 de março de 1870, 14 deputados regeneradores.
  •  Apoiam o governo de Ávila desde 29 de outubro de 1870.
  •  Nas eleições de 9 de julho de 1871, 22 deputados regeneradores.
  •  Governo de Fontes de setembro de 1871 a março de 1877.
  • Este primeiro governo fontista, o terceiro regenerador, dura cerca de cinco anos e mobiliza Rodrigues Samapaio, João Andrade Corvo, Barjona de Freitas, António Cardoso Avelino, Jaime Constantino Freitas Moniz, António Serpa e Lourenço António de Carvalho.
  •  No escrutínio de 12 de julho de 1874, apuram-se 78 mandatos regeneradores e avilistas.
  •  Apoiam o governo de Ávila de março de 1877 a janeiro de 1878.
  •  Governo de Fontes de janeiro de 1878 a junho de 1879.
  • O segundo governo fontista, e quarto regenerador, dura cerca de dezasseis meses, com os mesmos nomes do segundo governo de Fontes, apenas acrescendo os de Tomás Ribeiro e Couto Monteiro.
  •  Nas eleições de 13 de novembro de 1878, 97 deputados regeneradores, para um total de 149.
  • Nas eleições de 19 de outubro de 1879, já sob o governo progressista de Braamcamp, 21 deputados regeneradores.
  •  Governo regenerador de Sampaio/ Fontes de março de 1881 a fevereiro de 1886.
  • Numa primeira fase, sob a presidência de Sampaio, até 14 de novembro de 1881, depois com a presidência de Fontes. São mobilizados Tomás Ribeiro, Barjona de Freitas, Miguel Martins Dantas, Hintze Ribeiro, António Serpa, Caetano Pereira Sanches de Castro, Júlio Marques de Vilhena, José de Melo Gouveia, José Vicente Barbosa du Bocage, Lopo Vaz de Sampaio e Melo, António José de Barros e Sá, Manuel da Assunção.
  •  Nas eleições de 21 de agosto de 1881, 122 deputados regeneradores.
  • Ao mesmo governo se agregam em 24 de outubro de 1883, os antigos constituintes, António Augusto de Aguiar e Manuel Pinheiro Chagas.
  •  Nas eleições de 29 de junho de 1884, 110 deputados regeneradores.
  • Nas eleições de 6 de março de 1887, sob o governo de José Luciano, desde fevereiro de 1886, 36 deputados regeneradores. Os dissidentes da Esquerda Dinástica conseguem 8 deputados.
  • Depois da morte de Fontes, em 22 de janeiro de 1887, realiza-se, a 20 de junho de 1887, uma reunião de regeneradores, em casa de Barbosa du Bocage onde é eleito António Serpa para suceder a Fontes Pereira de Melo. Os antigos constituintes e importantes marechais do partido não o apoiam. Já a velha jovem guarda o apoia, dado preferir uma liderança fraca, dita intelectual, vista como mera solução de transição. Oposição de Barjona de Freitas. António Augusto de Aguiar não votou. Jaime Moniz propôs o adiamento. Tomás Ribeiro, Andrade Corvo, Barros e Sá e  Melo Gouveia não compareceram à reunião.
  •  Nas eleições de 20 de outubro de 1889, 38 deputados regeneradores.
  • Os regeneradores voltam ao governo depois do Ultimato, conseguindo conciliar-se com a Esquerda Dinástica, mobilizando Lopo Vaz, João Franco e outros notáveis.
  • Nas eleições de 30 de março de 1890, 115 deputados regeneradores.
  • Nas eleições de 23 de outubro de 1892, sob o governo de Dias Ferreira, 52 deputados regeneradores.
  • Governo de Hintze Ribeiro, de fevereiro de 1893 a fevereiro de 1897.
  • Mobiliza João Franco, António de Azevedo Castelo Branco, Augusto Maria Fuschini, Bernardino Machado, João António Bs´rissac das Neves Ferreira, Luís Augusto Pimentel Pinto, Frederico Gusmão Correia Arouca, Carlos Lobo de Ávila, Artur Alberto Campos Henriques, José Bento Ferreira de Almeida, Luís Soveral, Jacinto Cândido da Silva e José Estevão de Morais Sarmento.
  •  Vencem as eleições de abril de 1894.
  • Vencem as eleições de 17 de novembro de 1895, em listas ditas de concentração monárquica.
  • Governo de Hintze de junho de 1900 a outubro de 1904.
  • Vencem as eleições de 25 de novembro de 1900.
  • Dissidência de João Franco em 14 de maio de 1901, saindo 25 deputados.
  • Vencem as eleições de 6 de outubro de 1901.
  • Vencem as eleições de 26 de junho de 1904.
  • Governo de Hintze Ribeiro de março a maio de 1906.
  • Apoiam, através de Júlio de Vilhena, o governo de Ferreira do Amaral.
  • Nas eleições de 5 de abril de 1908, 63 deputados regeneradores.
  • Dissidência de Campos Henriques em 1909.
  • Teixeira de Sousa na chefia dos regeneradores desde 23 de dezembro de 1909.
  • Governo de Teixeira de Sousa de 26 de junho de 1910 à queda da Monarquia.