Partido Popular Democrático (1974)

Logo em 3 de maio de 1974, três deputados da antiga ala liberal, Francisco Sá Carneiro, Pinto Balsemão e Magalhães Mota, anunciaram a fundação de um Partido Popular Democrático, marcado por uma orientação social-democrata, conforme havia sido enunciada em 15 de abril de 1971 pelo mesmo Sá Carneiro, numa entrevista concedida a um jovem jornalista do diário oposicionista República, Jaime Gama, onde o deputado do Porto declarou: amanhã se me pudesse enquadrar em qualquer partido, estou convencido de que, dentro dos quadros da Europa ocidental, comummente aceites iria para um partido social-democrata.

Os assistentes de Direito

Este grupo inicial contou desde logo com a colaboração de um valioso grupo de jovens professores e assistentes das Faculdades de Direito. De Coimbra vieram Mota Pinto, Barbosa de Melo, Figueiredo Dias, Costa Andrade e Xavier de Bastos; entre os lisboetas, contaram-se Sousa Franco, Rui Machete, Sérvulo Correia, Jorge Miranda e Marcelo Rebelo de Sousa. Na maioria eram docentes de direito político, mas não faltaram penalistas, todos  irmanados na defesa do rigor do Estado de Direito.

A axiologia personalista – Em quase todos eles, havia uma marca da militância católica e um certo consenso quanto a uma axiologia personalista, ao estilo da que era difundida pelos herdeiros de Emmanuel Mounier, quando a revista O Tempo e o Modo, fundada por Alçada Baptista ainda não degenerara em marxista e maoista.

A costela maçónica moderada

Imediatamente se junta ao grupo inicial um conjunto de republicanos históricos e de veneráveis maçons que não eram capazes de dar caução ao marxismo teórico em que se enredava o PS, como Nuno Rodrigues dos Santos, Artur da Cunha Leal, Olívio França e Emídio Guerreiro.

A social-democracia pós-59

A social-democracia que servia de ponto de encontro a todos estes heterogéneos percursos pouco tinha a ver com o marxismo e os movimentos operários do século XIX. Resultava, sobretudo, do prestígio que então alcançava o modelo do SPD que, depois de ter abandonado o programático marxismo em 1959, alcançava um enorme prestígio na Europa, principalmente com o estilo de Helmut Schmidt.

Breve integração no MDP

Em 11 de junho integra-se no MDP, participando no dia 26 do mesmo mês num comício deste movimento, realizado no Porto. Desliga-se do memso em 3 de novembro de 1974.

I Congresso

Realiza o I Congresso em Lisboa entre 23 e 24 de novembro de 1974, altura em que aderem ao partido Emídio Guerreiro, Artur Cunha Leal e Nuno Rodrigues dos Santos.

II Congresso

Entre 6 e 8 de dezembro de 1975 realiza-se em Aveiro o II Congresso. No dia 11, vinte e um deputados do PPD na Assembleia Constituinte, liderados por Carlos Alberto da Mota Pinto entram em dissidência, constituindo um grupo parlamentar independente.

Opções Inadiáveis

Documento das Opções Inadiáveis dinamizado por Pinto Balsemão, a que aderem Marques Mendes, Sousa Franco, Artur Cunha Leal, José Ferreira Júnior, Furtado Fernandes, Guilherme de Oliveira Martins, António Rebelo de Sousa, Jorge Figueiredo Dias, Manuel da Costa Andrade, Rui Machete, Servulo Correia, Nandim de Carvalho, Olívio França, José Alfaia, Jorge Miranda e Joaquim Lourença. Defendem uma linha política de centro-esquerda.

Candidatura de Soares Carneiro

Alguns dos dissidentes de 1975, regressam ao partido com a candidatura de Soares Carneiro, como é o caso de Mota Pinto.

Liderança de Balsemão

Depois da morte de Sá Carneiro, a liderança de Balsemão é alvo de uma oposição dita dos críticos onde se destacam Cavaco Silva, Eurico de Melo, Pedro Santana Lopes, Helena Roseta, Conceição Monteiro e José Miguel Júdice.

IX Congresso

Em 5 e 6 de dezembro de 1981, faz reeleger Pinto Balsemão. Este, demite-se de primeiro-ministro em 19 de dezembro de 1982. Segue-se a dissolução da Assembleia da República em 18 de janeiro de 1983.

Congresso de Montechoro (1983)

Depois da contestação do grupo da futura Nova Esperança, com Júdice, Santana Lopes, Marcelo Rebeleo de Sousa, Balsemão vai de vitória em vitória, até à derrota final, sendo substituído por uma troika, constituída por Nascimento Rodrigues, Eurico de Melo e Carlos Alberto da Mota Pinto, o novo homem forte do partido, com Nuno Rodrigues dos Santos elevado para o lugar honorário de presidente do partido. Passa a ser secretário-geral António Capucho. O Conselho Nacional revela que o partido está dividido em três grupos: os mota-pintistas, com a liderança de António Barbosa de Melo; os adeptos de Balsemão, liderados por Mota Amaral; os críticos do grupo de Lisboa, com Marcelo Rebelo de Sousa, José Miguel Júdice e Pedro Santana Lopes, apoiados pela antiga secretária particular de Sá Carneiro, Conceição Monteiro.

Nas eleições de 25 de abril de 1983, o PSD obtém 27,2%. Assina acordo com o PS em 4 de junho e entra no governo do Bloco Central que toma posse em 9 de junho com Mota Pinto como Vice-Primeiro Ministro de Mário Soares.

Rescaldo do Bloco Central

Depois da demissão do Mota Pinto, em 5 de fevereiro de 1985, sucede-lhe Rui Machete, tanto no governo como no partido.

Congresso da Figueira da Foz (1985)

Perante a candidatura de João Salgueiro, apoiada pelo situacionismo dos defensores do Bloco Central, nomeadamente Mota Amaral, aparece no XII Congresso, de forma surpreendente, Aníbal Cavaco Silva que se apresenta como intrasigente oposicionista do Bloco Central e com a surpresa de apoiar a candidatura presidencial de Diogo Freitas do Amaral que, entretanto, já havia sido desencadeada por figuras como Daniel Proença de Carvalho e Carlos Macedo.

Anos oitenta:

  • Depois da morte de Sá Carneiro, Pinto Balsemão é eleito Presidente do PSD pelo Conselho Nacional (13 de dezembro de 1980).
  • No VIII Congresso do PSD, vitória de Francisco Pinto Balsemão (dias 20, 21 e 22 de fevereiro de 1981), mas oposição interna consegue eleger um terço dos membros do Conselho Nacional (a lista é liderada por Eurico de Melo e Cavaco Silva; os balsemistas, por Leonardo Ribeiro de Almeida e Mota Amaral).
  • No IX Congresso do PSD no Porto, com reeleição de Pinto Balsemão (dias 5 e 6 de dezembro de 1981). Mas a assembleia da área metropolitana de de Lisboa do PSD presidida por Cavaco Silva critica a liderança de Pinto Balsemão, considerando-a cinzenta e frouxa (11 de junho de 1981).
  • Mota Pinto reinscreve-se no PSD, seis anos depois de ter abandonado o partido e depois de se assumir como mandatário da candidatura presidencial de Soares Carneiro (18 de junho de 1981).
  • No X Congresso do PSD em Montechoro (dias 25 a 27 de fevereiro de 1983). Balsemão é substituído por uma direção colegial, com Nuno Rodrigues dos Santos, a presidente, e uma troika constituída por Nascimento Rodrigues, Eurico de Melo e Mota Pinto. Balsemão, segundo então se dizia, vai de vitória em vitória até à derrota final. Na votação para o Conselho nacional, espelha-se a divisão: lista de Mota Amaral, 11; a de Barbosa de Melo, 11; a de Helena Roseta, 44; a de Santana Lopes, 2; a de Menères Pimentel, 2.
  • Mota Pinto vence Congresso do PSD de Braga, em 25 de março de 1984, reforçando as suas posições. Cresce a moção Nova Esperança, de Marcelo Rebelo de Sousa, José Miguel Júdice, Durão Barroso e Santana Lopes. Não se define o candidato presidencial do partido.
  • Mota Pinto demite-se do Governo e de Presidente do PSD (5 de fevereiro de 1985), sendo substituído no dia 10 por Rui Machete.
  • No XII Congresso do PSD, em 19 de maio de 1985, perante a candidatura de João Salgueiro, apoiada pelo situacionismo dos defensores do Bloco Central (nomeadamente Mota Amaral), aparece, de forma surpreendente, Aníbal Cavaco Silva.
  • O candidato de Boliqueime que, segundo as suas próprias palavras teria ido à Figueira para fazer a rodagem do automóvel, apresenta-se como intransigente oposicionista do Bloco Central.
  • Como fator surpresa adicional surge o facto de apoiar a candidatura presidencial de Diogo Freitas do Amaral que, entretanto, já havia sido desencadeada por figuras como Daniel Proença de Carvalho e Carlos Macedo.
  • Cavaco tem o apoio do grupo de Lisboa, com Marcelo Rebelo de Sousa, José Miguel Júdice, Pedro Santana Lopes e Durão Barroso e escolhe Fernando Nogueira como principal colaborador. Neste congresso é eleito presidente da comissão política, vencendo a lista de continuidade liderada por João Salgueiro.
  • PSD rompe a coligação governamental, em 4 de junho de 1985, depois de reunião de Soares e Cavaco Silva, onde este se propõe avançar com os pacotes laboral e agrícola (12 de junho de 1985).
  • Cavaco vai vencer sucessivas eleições, primeiro por maioria relativa e depois por maioria absoluta, criando aquilo que muitos qualificam como o Estado Laranja assente em várias zonas sociológicas, ditas do cavaquistão.
  • Acordo PS-PSD para a revisão constitucional, depois de negociações entre Fernando Nogueira e António Vitorino (14 de outubro de 1988).
  • O cavaquismo foi conseguindo escrever direito por linhas tortas. Perante um partido que vivia em regime de dupla personalidade, com um pé no Bloco Central e outro na Aliança Democrática, Cavaco Silva descobriu o ovo de Colombo de desfraldar bandeiras contraditórias, conforme as circunstâncias. No Congresso da Figueira da Foz acenou com o fretismo e, logo a seguir, nas eleições legislativas de 1985, assumiu-se como verdadeiro herdeiro da AD, ungido pelo facto de ter sido o primeiro dos respetivos ministros das finanças, insinuando que o verdadeiro e bom CDS estava com ele e, de certa maneira, conseguiu transformar essas legislativas numa espécie de primeira volta das presidenciais.
  • Depois de chegar ao governo e a partir do momento em que Freitas perdeu as presidenciais, optou por uma estratégia isolacionista que, desvinculando-se da derrota presidencial, procurou crescer à esquerda, partindo do pressuposto que a direita era terra conquistada. Daí os apelos à esquerda moderna, os elogios de Eduardo Prado Coelho, os convites ao Clube da Esquerda Liberal, a rédea solta de Carlos Pimenta e certo folclore culturalista.
  • A estratégia compensou. A mistura de Nicolau Maquiavel com as novas tecnologias da informação teve como resultado uma maioria absoluta que misturou certa extrema-direita sociológica com algumas faixas do ex-eleitorado da APU. Muitos reacionários da velha guarda enfeitaram-se de modernidade e antigos revolucionários acenderam velinhas ao sistema. Misturou-se o “tudo e o seu nada”, desde o anarqueirismo do quanto pior melhor ao eterno conformista, marcado pela “doença da ordem”.