Partido Histórico (1854)

rodrigo da fonsecaEm 1854 um conjunto de políticos em oposição ao grupo de Fontes e de Rodrigo da Fonseca (na fotografia) começam a estruturar-se, embora sem constituírem um partido formal, mas inspirando-se nas figuras de Alexandre Herculano e Vicente Ferrer Neto Paiva. Invocam então o facto de serem históricos na oposição ao cabralismo. Com efeito, há dificuldade na escolha de um termo qualificador para o grupo. A expressão regenerador está assaltada pelo situacionismo. A expressão liberal ainda é ensaiada, tal como a de progressista. O nome setembrista é redutor, porque os membros do grupo não se reduzem ao setembrismo. Aliás, um dos inspiradores, Herculano, sempre se qualificou como cartista, apesar da oposição à Revolução de Setembro, que revogou a Carta, e ao cabralismo, que restaurou a Carta. Dois anos depois, em 1856, já emerge uma Comissão Eleitoral Progressista de Lisboa, com o apoio de Herculano. Em 1858, o mesmo Herculano ainda apela para que se organize e se dê vida ao partido liberal. Um grupo que, como assinalava Ramalho Ortigão em 1885, se constituiu sobre os resíduos do antigo partido setembrista, em oposição à clientela regeneradora de Rodrigo da Fonseca Magalhães e de Fontes Pereira de Melo. Dele se destacaram, entre 1862 e 1876, os reformistas, de Sá da Bandeira, Alves Martins e Saraiva de Carvalho, que, pelo Pacto da Granja, se voltaram a fundir sob o nome de Partido Progressista. O líder da unificação foi Anselmo Braamcamp, uma grave e entristecida figura, alquebrada, nostálgica, levemente céptica … um dos últimos da geração dos Passos, dos Cabrais, de Saldanha, de Sá da Bandeira, de Herculano, de Garrett, de José Estevão, do Sampaio da Revolução, e de Rodrigo da Fonseca. Aliás, os progressistas acabaram por adquirir o vício dos seus rivais, quando emergiu a liderança de José Luciano, a velha raposa, autor de duas frases que o definem: se fossemos a fazer política com gente honesta, ficávamos só com meia dúzia de pessoas; o meu Partido não é que me leva ao Poder – sou eu que levo o meu partido ao poder.

Em 5 de setembro de 1856 é emitido o manifesto da comissão eleitoral progressista de Lisboa. Já antes, em 3 de julho, O Portuguez anunciara que o partido progressista anunciaria em breve o respetivo programa, contrariamente do que fazia o grupo de Rodrigo e Fontes  que nunca tivera um programa formal.

Cronologia

  • Primeiro Governo de Loulé.
  • Governo de Loulé, de 6 de junho de 1856 a 16 de março de 1859. Mobiliza nomes como Sá da Bandeira, José Jorge Loureiro, Júlio Gomes da Silva Sanches, Elias da Cunha Pessoa, Vicente Ferrer Neto Paiva, Carlos Bento da Silva, António José de Ávila, Gromicho Cordeiro, José Silvestre Ribeiro.
  • Vencem as eleições de 9 de novembro de 1856, quando se assumem como progressistas históricos, contra os progressistas regeneradores, adeptos do governo de Saldanha. Voltam a vencer as eleições de 2 de maio de 1858, aparecendo já como os ministeriais, enfrentando os coligados, isto é, a junção de cartistas e miguelistas. Nestas eleições Herculano chega a ser eleito por Sintra, mas recusa a exercer o mandato, instalando-se em Vale de Lobos.
  •  Nas eleições de 1 de janeiro de 1860, já sob o governo de Terceira, apenas elegem 15 deputados.
  •  Segundo governo de Loulé.
  • Voltam ao governo em 4 de julho de 1860, de novo sob a presidência de Loulé, até 17 de abril de 1865, como António José de Ávila, Belchior Garcez Pereira, Carlos Bento da Silva, Alberto António Morais de Carvalho, Tiago Augusto Veloso da Horta, Sá da Bandeira, Anselmo José Braamcamp, Gaspar Pereira da Silva, José da Silva Mendes Leal, José Gerardo Ferreira Passis, João Crisóstomo, marquês de Sabugosa, D. António Aires Gouveia, Lobo de Ávila, Matias Carvalho de Vasconcelos. Vencem as eleições de 22 de Abril de 1861 e de 11 de setembro de 1864.
  •  Terceiro governo de Loulé.
  • Surge finalmente um terceiro governo histórico, de novo presidido por Loulé, entre 11 de agosto de 1869 e maio de 1870, com José Luciano, Anselmo Braamcamp, Joaquim Tomás Lobo de Ávila, Maldonado Eça, Luís Augusto Rebelo da Silva, José da Silva Mendes Leal. Conseguem 89 deputados as eleições de 13 de março de 1870, mas são derrubados pela Saldanhada de 18 para 19 de maio de 1870.
  • Nas eleições de 4 de setembro de 1870 conseguem apenas 20 deputados.