Organismo Político

Com base na perspetiva escolástica e nas atuais teses do sistemismo político, podemos dizer que um organismo político é um determinado corpo político (uma terra e uma população) dotado de poder político próprio, isto é, de um poder político obedecendo ao princípio do governo e ao da exclusividade. Começa, então, a distinguir-se entre o interior e o exterior, passando-se da segmentarização ao unitário e a polis já se assume como entidade desenvolvida e diferenciada. Mas o organismo político só atinge a sua plenitude quando é marcado pelos fins próprios do político. Quando visar unir um povo, espiritualizar uma terra, dar legitimidade ao poder e constituir uma comunidade. Com efeito, quando ao corpo político se junta o poder político, emerge um todo autossuficiente, uma comunidade perfeita, já dotada de autarcia. O povo passa a povo politicamente organizado. A sociedade eleva-se a comunidade. E em vez de um simples contrato, já surge uma comunidade, onde a vontade geral predomina sobre a vontade de todos. Com efeito, coube à neoescolástica peninsular um labor intelectual que teorizou a passagem do regimen societatis, típico da sociedade imperfeita, ao regimen civitatis, da comunidade perfeita. A partir desta alteração qualitativa, o conjunto de todos como singulares (omnes ut singuli) evolui para a perspetiva de todos como um universo (omnes ut universi), pelo que se impõe não a mera potestas dominativa, mas antes a potestas politica. Rousseau, nesta senda, vai defender a vontade geral como vontade da razão e vontade universal e o contrato social como o contrato original pelo qual todos os membros do povo limitam a sua liberdade exterior, para a receberem de novo como membros da comunidade. Nestes termos, a vontade geral passa a ser entendida como a ação do todo sobre o todo.