Neto, António Lino (1873-1961)

netoAdvogado e professor de economia do Instituto Comercial e Industrial de Lisboa. Passa depois a professor de direito industrial no Instituto Superior Técnico. Vice-reitor da Universidade Técnica entre 1938 e 1942.

Fundador e dirigente do Centro Católico Português, eleito em 1919. Director do jornal católico A União, orgão do CCP, desde 19 de janeiro de 1920, assumindo uma postura centrista, contra a ala monárquica dos católicos, expressa pelo jornal A Época, dirigida por Fernando Sousa (Nemo).

Do seu grupo, apoiado pela Igreja oficial e pelo próprio Papa, faz parte António de Oliveira Salazar. Em  maio de 1920 escreve que a Igreja  é a mais bela democracia que tem visto o mundo e a primeira democracia de todos os tempos. Nemo contesta, baseando-se em Charles Maurras. Também Pequito Rebelo em A Monarquia havia criticado o presidente do Centro Católico Português, em Março desse ano. Em  dezembro de 1922 António Maria da Silva elogia António Lino Neto.

Em 21 de outubro de 1923, declara que o centro não é um partido político, embora represente uma influência de natureza política. Não pretendemos instalar-nos no poder nem confundimos legislação com regime. Em  24 de novembro seguinte, toma posição sobre o governo nacionalista de Ginestal Machado: é necessário que a atmosfera de confiança que por toda a parte se vem desenvolvendo contra os políticos se não se acentue mais nem torne possível entre nós movimentos como os que lá for a determinaram a ascensão ao poder de Mussolini em Itália e de Primo de Rivera em Espanha.

Em janeiro de 1924 considera que o governo de Álvaro de Castro é um ministério de pessoas categorizadas. Acrescenta que a minoria católica condena e reprova, por fundamentalmente prejudicial ao povo, qualquer facto revolucionário, venha ele dos governantes com o nome de “golpe de Estado”, venha dos governados com o nome de “jornada gloriosa”. Condena todas as ditaduras sejam as de um regime, como a de Mouzinho da Silveira, as de um partido, como a de João Franco, ou as de um homem, como a de Sidónio Pais. Alerta contra os messias porque a solução da crise nacional está em cada um de nós, cumprindo simplesmente, mas inteiramente o nosso dever. Em abril de 1924 profere conferência no Funchal: O Estado Moderno, Sindicalismo e Congreganismo. Ainda reúne a direcção do Centro Católico em 17 de dezembro de 1931, quando esta organização decide não enfrentar a União Nacional.

Biliografia

A Questão Agrária, 1908

A Questão Administrativa. O Municipalismo em Portugal, 1911