Melo, António Maria Fontes Pereira de (1819-1887)

António Maria Fontes Pereira de meloDepois de concluir o curso naval, serve no Real Corpo de Engenharia. Maçon, do mesmo grupo que Rodrigo da Fonseca, a loja Segredo, do Oriente Escocês, entre 1840-1841 e 1850. Secretário do governador de Cabo Verde, João Fontes Pereira de Melo, seu pai em 1840. Ajudante de campo de Saldanha na Maria da Fonte. Chefe dos regeneradores. Governador da Companhia Geral do Crédito Predial Português desde 1881. Morre em 27 de Janeiro de 1887. Aquele que até 1871 era depreciativamente considerado como o fontículo, consegue, pelo equilíbrio e pelo pragmatismo, captar uma ampla base social e política de apoio, com breves referências doutrinárias. Dizia-se liberal e conservador, mas desdenhava a restauração, apesar de herdar alguma coisa do estilo de Costa Cabral e de praticar muita da matreirice de Rodrigo da Fonseca. Se consegue mobilizar avilistas e constituintes, provoca também que os reformistas e os históricos se congreguem numa oposição progressistas que assume a bandeira da memória liberal, gerada pelo setembrismo e pela patuleia. E permite que muitas ideias novas se grupusculizem, desde os novos católicos do grupo A Palavra, aos socialistas e republicanos. O vulcão das novas ideias políticas europeias, perante a estabilidade governativa portuguesa consegue aqui entrar pelo puro prazer das ideias pensadas, gerando-se movimentos que nascem dos princípios e das abstracções e que têm tempo de adequação às circunstâncias. Com este governo, inicia-se um ciclo de estabilidade política. Se o primeiro governo de Fontes dura cerca de cinco anos e meio (1871-1876), não tarda um segundo governo do mesmo político, com cerca de dezasseis meses (1878-1879), depois de um breve intervalo de um governo de Ávila, com cerca de onze meses (1878). Entre os ministros de Fontes desses dois governos, destacam-se Rodrigues Sampaio, na pasta do reino, Andrade Corvo, nos estrangeiros e António Serpa, que substitui Fontes na pasta da fazenda, a partir de Agosto de 1872. São eles os três principais líderes dos regeneradores que, a partir de então, passam a identificar-se com o fontismo. Não tardará um novo ciclo de governação fontista entre 1881 e 1886.

Deputado da oposição moderada a Costa Cabral, eleito em Novembro de 1847.

Ministro da marinha do governo de Saldanha de 7 de Julho de 1851 a –52, substituindo Loulé.

Ministro da fazenda no governo de Saldanha desde 21 de Agosto de 1851 até 4 de Março de 1852, quando cede a marinha a Atouguia. Passa a acumular com as obras públicas, comércio e indústria, ministério criado em 30 de Agosto de 1852. Mantém em tais posições até 1856.

Ministro da fazenda no governo da fusão, de Joaquim António de Aguiar, de 4 de Setembro de 1865 a 4 de Janeiro de 1868. Acumula a pasta da marinha no mesmo governo.

Volta à  pasta da fazenda em 1871-1872; 1881-1883.

Ministro das obras públicas, comércio e indústria, 1852-1856; do reino, 1859-1860; da guerra. 1866-68; 1871-1877; 1878-79; 1881-86.

Presidente do Conselho por várias vezes: de 13 de Setembro de 1871 a 5 de Março de 1877 (acumulou sempre a guerra; a fazenda até 1872; a marinha desde 1875); de 29 de Janeiro de 1878 a 1 de Junho de 1879 (acumulou a guerra); 1881-86.

  • Filipe de Carvalho, Memória de António Maria Fontes Pereira de Melo. Resenha sucinta dos seus méritos e serviços ao país, Lisboa, 1887.