Joanismo – 1823-1826

Os realistas moderados

O movimento militar desencadeado em 27 de maio de 1823 que leva à revogação da ordem vintista é extremamente complexo. Com efeito, os vencedores não são apenas os elementos da fação rainhista, mas também novas forças, assentes num partido médio, de cariz moderado, bem disseminado nos quartéis, que não estava nem com os vintistas nem com os rainhistas. Nele vai assentar D. João VI e os homens que passam a circular no paço da Bemposta.

São os tais realistas moderados que aconselhavam o rei a adotar instituições constitucionais. O infante D. Miguel começa por ser a síntese desse novo paralelograma de forças e ainda o fazem proclamar que o rei daria uma constituição  aos seus povos tão alheia ao despotismo como da licença. E nessa via estão um Bernardo Sá Nogueira, um João Carlos Saldanha, um Pamplona (Subserra), um Mouzinho da Silveira, um Vila Flor (o futuro duque da Terceira), bem como o inevitável Palmela. Lidera-os então o marquês de Loulé.

Com efeito, tudo começa em 27 de maio, quatro dias depois de Fernando VII ter sido instalado no trono de Madrid pelo exército francês, ao Serviço da Santa Aliança.  O Regimento de Infantaria 23, que saía de Lisboa em direção a Almeida, detém-se em Vila Franca de Xira e, muito sediciosamente, começa a vitoriar o rei absoluto. Não tarda que D. Miguel, instigado pela mãe, se dirija ao local, enquanto várias guarnições de Lisboa começam a desertar e a dirigir-se para o local, ficando apenas na capital o regimento de Infantaria 18, comandado por Jorge Avilez, de guarda ao Palácio da Bemposta. Não tarda que os soldados deste regimento comecem também a seguir os gritos de Vila Franca e a maltratar os vintistas.

A primeira proclamação de D. João VI/José António Guerreiro

Numa primeira fase, D. João VI, na Bemposta, acompanhado por Mouzinho da Silveira, José Máximo da Fonseca Rangel e José António Guerreiro, emite uma declaração, inspirada por este último, onde critica fortemente a atuação de D. Miguel[1].

A segunda proclamação de D. João VI /Pinto Pizarro

Numa segunda fase, desloca-se para Queluz, mas vários soldados e populares, logo o aclamam como rei absoluto e até lhe arrancam do corpo os laços ditos constitucionais. Numa terceira fase, a conselho do Marquês de Loulé, decide dirigir-se para Vila Franca, acompanhado pelo mesmo e por Mouzinho da Silveira. Numa quarta fase, quando estaciona na Póvoa, emite uma segunda proclamação, redigida por Pinto Pizarro, onde determina a necessidade de reformas constitucionais.

Entre Vila Franca e Santarém

Há, com efeito, dois polos nesta revolta. Uns ficam em Vila Franca, com D. João VI e os moderados. Outros seguem para Santarém D. Miguel e os rainhistas. Entretanto, se alguns sediciosos permanecem em Vila Franca, nomeadamente Taipa e Saldanha, outros, sob o comando de D. Miguel, então acompanhado por Pamplona, instalam-se em Santarém. Isto é, em Vila Franca ficam os que preferem o Palácio da Bemposta, enquanto em Santarém se fixam os adeptos do Ramalhão.

A terceira proclamação de D. João VI/ Gomes de Oliveira

Finalmente, o rei chega a Vila Franca e logo manda chamar D. Miguel que aceita submeter-se ao pai e recebe o prémio da nomeação como generalíssimo. Surge, então, uma terceira proclamação do monarca, desta feita inspirada por Joaquim Pedro Gomes de Oliveira.

Como então reconhecia nas agonizantes Cortes vintistas o deputado Ferreira de Moura, o poder militar, o rei, a Nação, os seus representantes, são os quatro interlocutores desta peça célebre. O poder militar diz que deve ser modificada a Constituição. El-rei, vendo-se desamparado da força, e supondo haver uma variação na vontade nacional, pareceu-lhe inclinar-se à maioria desta vontade pondo-se da parte do poder militar; e neste sentido outra vez reconheceu que na vontade da Nação está a soberania.

Tito em vez de Nero

O rei que não quis ser Nero, mas Tito, conforme a alternativa que lhe fora posta por Mouzinho da Silveira que o acompanhou, e decidiu-se pelo meio-termo da proclamação de 31 de maio que apareceu afixada nas ruas de Lisboa e terá sido inspirada pelo mesmo Mouzinho da Silveira e pelo futuro radical anti pedrista e futuro ordeiro, Rodrigo Pinto Pizarro: a salvação dos povos é sempre uma lei suprema, e para mim uma lei sagrada: esta convicção que há sido o meu farol nos arriscados lances em que a Providência me tem colocado, ditou imperiosamente a resolução que tomei ontem, com mágoa minha, de separar-me de vós por alguns dias, cedendo aos rogos do povo, e aos desejos do exército, que me acompanha ou me precede… A experiência, esta sábia mestra dos povos e dos governos, tem demonstrado, de um modo bem doloroso para mim e funesto para a nação, que as instituições existentes são incompatíveis com a vontade, usos e persuasões da maior parte da monarquia… é mister modificar a constituição: se ela tivesse feito a ventura da nação, eu continuaria a ser o seu primeiro gabinete; mas quando a maioria de um povo se declara tão aberta e hostilmente contra as suas instituições, estas instituições carecem de reforma. Cidadãos: eu não quero nem desejarei nunca o poder absoluto, e hoje mesmo o repito: os sentimentos do meu coração repugnam ao despotismo e à opressão: desejo sim a paz, a honra e a prosperidade da nação… não receeis por vossas liberdades; elas serão garantidas por um modo, segurando a dignidade da coroa, que respeite e mantenha os direitos dos cidadãos.

A procura da moderação

Segue-se, no dia 1 de junho, um novo governo onde tenta conciliar-se a moderação pró-britânica de Palmela, com a moderação pró-francesa de Pamplona (Subserra), firmada numa outra proclamação, provinda da pena de Joaquim Gomes de Oliveira, o avô de Oliveira Martins[2]. E em 18 de junho já se cria uma junta para a reforma da lei fundamental, onde tenta voltar-se àquele cartismo que fora de Pinheiro Ferreira, da Academia das Ciências, de São Luís e do conde do Funchal. É nessa junta que Palmela procura distanciar-se tanto dos vintistas (seita perversa e ambiciosa) como dos rainhistas (poucos, obscuros facciosos, aproveitando-se do apoio que lhes subministrar a revolução recente de Hespanha).

Considerava que os constituintes  queriam o rei destinado a figurar como escravo coroado de uma democracia soberana. Enquanto os povos, oprimidos pelo mais cruel despotismo conheceram que os tiranos que os oprimiam debaixo dos sonoros nomes de liberdade, igualdade e segurança, encobriam a mais vil hipocrisia, o egoísmo o mais refinado. Assim salienta que o objetivo da junta é o de preparar a promulgação de um código destinado, não a desenvolvimento de teses vãs e abstratas teorias, mas que sirva para garantir praticamente os direitos mais essenciais e para assegurar sobre bases mais sólidas a prosperidade pública.

Mas tudo passava a depender das forças que dominassem a tropa e das pressões diplomáticas, ao contrário daquilo que alguns analistas proclamam, pensando apenas nas desavenças domésticas.

Regresso do rei a Lisboa

Em 5 de junho, D. João VI regressa a Lisboa. Vem num carro descoberto, fidalgos desatrelam as mulas de arrastam o reio em delírio pela cidade. D. Miguel, vestido de campino, acompanha o pai. No dia 6 é derrubado o monumento que no Rossio havia sido erigido à vitória liberal.

O projeto constitucional

Falhou a hipótese de um novo código constitucional, mas eliminaram-se as principais leis do vintismo. Junta para a reforma da lei fundamental é criada em 18 de junho e composta por José Joaquim Rodrigues de Bastos, João de Sousa Pinto de Magalhães, Francisco Manuel Trigoso de Aragão Morato, António José Guião, arcebispo de Évora, Francisco de Borja Garção Stockler, José António Faria de Carvalho, José Maria Dantas Pereira, D. Manuel de Portugal, José António de Oliveira Leite de Barros, Manuel Vicente Teixeira de Carvalho, marquês de Olhão, Ricardo Raimundo Nogueira. A primeira reunião da junta é em 7 de julho, com um significativo discurso de Palmela.

Proibição das sociedades secretas – I

Pela carta de lei de 20 de junho de 1823, referendada por Falcão de Castro, no dia seguinte à saída do governo de Mouzinho da Silveira, eram formalmente extintas as sociedades secretas, proibindo-se a adesão dos funcionários públicos a tais associações. Segundo a interpretação dominantes, a proibição dizia respeito ao futuro, deixando imunes as adesões passadas[3][5]. Durante o mês de julho, são intensas as perseguições aos maçon, começando as mesmas a atenuar-se já durante  o mês de agosto. Apenas são expulsas duas pessoas do país (Silva Carvalho, que partira antes, e Agostinho José Freire). Mais frequente era a residência fixa for a de Lisboa, sendo abrangidas apenas cerca de três dezenas de pessoas. Mas Pato Moniz é desterrado para a Ilha do Fogo.

Rendufe

Executa a missão o novo intendente da polícia, Simão Ferraz, barão de Rendufe, que se instala no antigo palácio da Inquisição, no Rossio. Ver a forma como José Liberato é desterrado para a zona de Coimbra[4][6]

Em 24 de junho, o conde de Amarante regressa a Lisboa e é premiado com o título de marquês de Chaves.

Movimentações diplomáticas

Importantes movimentações diplomáticas, substituindo quase todo o pessoal deixado por Silvestre Pinheiro Ferreira. D. João  Luís de Sousa, feito conde de Vila Real é despachado para embaixador em Londres. D. António Saldanha da Gama é feito conde de Porto Santo e vai para Madrid. Em Paris, reintegrado o marquês de Marialva. O conde do Funchal vai para Roma. O visconde de Moncorvo, Cristóvão de Morais Sarmento passa de Londres para Copenhaga.

Carta de Metternich de 25 de julho põe reservas à convocação das Cortes portuguesas.

Em 10 de agosto de 1823 chega a Lisboa o novo representante francês, Hyde Neuville.

Saneamento de professores

Em 5 de dezembro de 1823, criada na universidade de Coimbra uma junta expurgatória (entre os seis elementos da mesma, Frei Fortunanto de São Boaventura) que propõe a expulsão de catorze docentes (um deles é Manuel António Coelho da Rocha) e de trinta e sete alunos. No segundo semestre de 1823, há uma infinidade de publicações antimaçónicas.

No dia 24 de junho de 1823 já o conde de Amarante entra em Lisboa à frente de 3 000 homens, recebendo o título de marquês de Chaves e, de Madrid, o embaixador António Silveira, visconde de Canelas, escrevia a Palmela informando-o que a proclamação de 31 de maio era vista como obra da política inglesa e que o embaixador destacado de Paris para Lisboa, Hyde de Neuville, recebera ordens para se opor à concessão de uma carta constitucional em Portugal, depois de uma reunião em Paris dos membros da Santa Aliança.

A abrilada

A fação rainhista, assim reforçada, e depois de beneficiar com o assassinato do marquês de Loulé em Salvaterra, no dia 24 de fevereiro de 1824, promove o golpe da abrilada de 30 de abril de 1824, onde são presos os líderes moderados que restavam como Palmela, Vila Flor e Mouzinho da Silveira. Mas a fação da Bemposta, com o apoio dos embaixadores da França e da  Grã-Bretanha, resiste e acaba por vencer. No dia 14 de maio, dá-se uma remodelação do governo, com a saída dos ministros rainhistas, nomeadamente Leite de Barros, que acumulava as pastas do reino e da justiça.

Em 4 de junho já se determina a convocação dos três estados à maneira tradicional. Isto é, o partido moderado e a pressão diplomática levavam a que se mantivesse incólume a constituição histórica, desenhando-se uma nova aliança entre os moderados e a fação conciliadora dos tradicionalistas, então representada pelo duque do Cadaval e pelo visconde de Santarém, que os primeiros pretendiam desvincular dos apostólicos rainhistas, representados por Leite de Barros.

Depois das Cortes eleitas em 1822 terem sido dissolvidas em 3 de junho de 1823, na sequência da Vilafrancada, a nova ordem joanina, marcada pela pressão da balança de Europa, tenta assumir como forma do poder a Constituição histórica, segundo a interpretação consensualista, naquilo que alguns qualificam como tradicionalismo reformista, nomeadamente pela tentativa de instauração de uma carta constitucional à maneira francesa, revogando-se consequentemente toda a legislação do revolucionarismo vintista, bem como o consequente aparelho institucional, ficando apenas de pé o Banco de Lisboa.  Neste sentido, há uma sincera tentativa de conciliação do regime tradicional com as novas ideias representativas.

No período imediatamente posterior à Vilafancada, ainda se tenta uma conciliação entre os joaninos do partido da Bemposta e os rainhistas, do partido do Ramalhão, mas quando estes procuram um passo em frente, com a Abrilada de 1824, os primeiros assumem inequivocamente a via da moderação, adepta do consensualismo tradicionalista, mas não conseguem levar à prática tais boas intenções, porque ficam prisioneiros da Realpolitik da balança da Europa, pagando a fatura do apoio dado pelo corpo diplomático durante a abrilada.

A sede do poder fica assim sujeita a uma série de pressões, destacando-se a atuação dos embaixadores britânico e francês, bem como toda uma rede de atuação das sociedades secretas que hipocritamente são proibidas. É também intensa a atividade dos apostólicos anti maçónicos, com especial apoio espanhol.

O governo resulta de um equilíbrio entre o partido da Bemposta e o partido do Ramalhão, onde a rainha tem já como principal instrumento o  conde de Basto. Surge, entretanto, uma terceira força, aquilo que podemos qualificar como o partido da Junqueira, que funciona junto do Cardeal Cunha, em íntima ligação com D. Carlota Joaquina. E não pode deixar de referir-se a fação dos Silveiras, mobilizadora dos meios militares e da nossa gentry, em íntima ligação com os rainhistas.

Marcante é sem dúvida a influência externa, principalmente pelo jogo de influências entre o embaixador britânico e o embaixador francês, regressando o conflito entre o partido dos pró-britânicos e o partido dos pró-franceses.

Política externa

O jogo da Santa Aliança – Metternich, logo em 25 de julho de 1823 põe reservas à convocação das Cortes tradicionais. Idêntica atitude de Chateaubriand manifestada em 12 de fevereiro de 1824. Conferência da Santa Aliança de 14 de agosto de 1824 assume posição contrária à convocação das Cortes.

Governo de Palmela/Subserra (1823-1825)

Governo nascido das circunstâncias revolucionárias da Vilafrancada, dito ministério dos inauferíveis direitos de El-rei. Conta com uma maioria de moderados, apoiantes do partido da Bemposta, isto é, de D. João VI, mas com alguns elementos rainhistas, do partido do Ramalhão. Instituído no dia 1 de junho de 1823, até 15 de janeiro de 1825. O governo tenta o estabelecimento de um novo código constitucional e revoga as principais leis do vintismo. Entretanto, há uma divisão entre os moderados, com uma fação pró-francesa, liderada pelo ministro da guerra e da marinha, Manuel Inácio Martins Pamplona Corte Real, conde de Subserra desde 1 de junho, e uma fação pró-britânica, liderada por Palmela, o ministro dos estrangeiros.

Mouzinho da Silveira chega a assumir a pasta da fazenda até 19 de junho. No reino, começa por mobilizar-se Joaquim Pedro Gomes de Oliveira, até 19 de março de 1824. Entre os representantes rainhistas, destaca-se o ministro da justiça Manuel Marinho Falcão de Castro, mas em 19 de março de 1824 entra no governo Leite de Barros, o conde de Basto, que trata de acumular as pastas do reino e da justiça. Contudo, com a Abrilada dá-se uma significativa alteração deste equilíbrio.

Em primeiro lugar, Leite de Barros abandona o governo, chamando-se Frei Patrício da Silva, o arcebispo de Évora para a pasta da justiça e entregando-se a do reino a Palmela.

Em Vila Franca, o rei constitui um novo ministério que, segundo Fronteira representava as ideias moderadas e conciliadoras, com a firme resolução de dar uma Carta Constitucional[5]. Por outras palavras, o partido da Bemposta vencia, para já, o partido do Ramalhão.

O governo, dito ministério dos inauferíveis direitos de El rei, contava, de início, com uma maioria de moderados e com dois elementos, considerados próximos da fação apostólica. Dividiram-se os moderados, com Palmela a assumir uma atitude pró-britânica e Subserra a aproximar-se dos franceses. Dito também governo Pamplona/ Palmela. Dos governantes, há dois maçons (Pamplona e Mouzinho). Não será exato qualificá-lo como o governo do partido absolutista.

Governo de Lacerda/Barros (1825-1826)

Em 15 de janeiro de 1825  já surge um novo governo, liderado por  Correia de Lacerda, no reino, e Sousa Barradas, na justiça, isto é, sem Palmela e sem Subserra. Os britânicos pressionaram no sentido do afastamento do último, mas o rei respondeu afastando também Palmela, remetendo o primeiro para embaixador em Madrid e o segundo para embaixador em Londres. Ainda tentou recorrer a Silvestre Pinheiro Ferreira, convidando-o para a pasta dos estrangeiros, mas este decidiu partir para o exílio de Paris, donde só regressaria em 1843[6].

As pressões franco-britânicas

Os britânicos pressionaram D. João VI no sentido da demissão de Subserra e o rei, cedendo, demitiu também Palmela. Pensou em nomear Silvestre Pinheiro Ferreira para os estrangeiros, mas este partiu para Paris nos finais de 1825. Entre os governantes, são maçons Lacerda e Barradas. Barbacena dava-se bem com A’Court. O barão de Rendufe volta ao cargo de intendente da polícia.

Um governo moderado

Um governo de moderados, maioritariamente adeptos do consensualismo tradicionalista, mas sem a participação de Palmela, despachado para Londres. Silva Dias chama-lhe uma resma de mediocridades independentes, um governo de puro expediente e de simples acalmação pela inércia[7].

Apenas dois dos membros do governo pertencem à maçonaria (Lacerda e Barros). Um dos mais destacados membros do partido apostólico é o cardeal-patriarca de Lisboa, D. Carlos da Cunha e Meneses, a partir do palácio do patriarcado à Rua da Junqueira (o futuro palácio dito de Burnay, onde está instalado o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas).

As amnistias

Publica uma série de amnistias à direita (os implicados no assassínio do marquês de Loulé) e à esquerda (os afrancesados e os vintistas).

Por decreto de 5 de junho de 1824 eram amnistiados os membros das sociedades secretas.  Isentados de perseguição todos quantos tivessem pertencido a sociedades secretas. Contudo, em 16 de julho de 1824, ainda são perseguidos alguns importantes esteios do vintismo, como João da Cunha Souto Maior; Bernardo Correia de Castro Sepúlveda; José de Melo e Castro Abreu; José de Sousa Pimentel Maldonado; José Pedro Cardoso; José Leite Pereira de Berredo; Sebastião Drago Valente de Brito Cabreira; Gil de Figueiredo[8].

Por decreto de 24 de junho, amnistiados os apostólicos.

A independência do Brasil

Prepara a carta-patente sobre a independência do Brasil. A influência inglesa é indisfarçável, com o governo obrigado a reconhecer Charles Stuart como plenipotenciário da parte portuguesa nas negociações com o Rio de Janeiro. Em 29 de agosto, o tratado do Rio de Janeiro, ratificado por D. João VI em 15 de novembro.

Segundo Trigoso, o caso é que os ingleses, isto é, o Ministério de Mr. Canning, depois de terem conseguido de El-rei D. João VI a demissão dos seus ministros e de terem extorquido d’Elle os poderes para Sir Charles Stuart … negociar o Tratado que declarou a independência do Brasil, tomou a peito um novo projeto, que era o de fazer que El-Rei desse uma nova Carta. O procurador deste negócio em Lisboa era Sir William A’Court … Os nossos liberais não ignoravam este projeto e faziam o que podiam para ele ir avante[9].

Governos durante a Vilafrancada

  • Governo de Palmela/Subserra (1823-1825)
  • Governo de Lacerda/Barros (de 15 de janeiro de 1825 a 6 de março de 1826)

Os embaixadores

Porto Santo em Madrid; Marialva em Paris; Funchal em Roma

Golpes de 1824       

  • Assassinato do marquês de Loulé em Salvaterra em 24 de fevereiro de 1824
  • Abrilada de 30 de abril de 1824

Dinâmica de governos:

Atores principais (junho de 1823)

  • Palmela. Ministro dos estrangeiros. Preside à junta de 18 de junho de 1823.
  • Subserra. Ministro da guerra e da marinha depois da Vilafrancada. Generalíssimo
  • Lacerda
  • Barradas
  • Conde de Amarante/ Marquês de Chaves

Joanismo – Atores

  • Barradas, Fernando Luís Pereira de Sousa
  • Breyner, Pedro de Melo 
  • Canning, George 
  • Canning, Stratford 
  • Castro, Manuel Marinho Falcão de
  • Chateaubriand, François René 
  • Clinton, Sir William Henry 
  • Court, William A. Lord Heitisbury 
  • Durão, Carlos Honório Gouveia 
  • Figueiredo, Bernardo António
  • Gama, D. Alexandre de Saldanha da 
  • Guerreiro, José António 
  • Isabel Maria, Infanta D. 
  • Lacerda, José Joaquim de Almeida e Araújo Correia de  
  • Lavradio, 2º Conde do 
  • Lobo, Frei Francisco Alexandre 
  • Loulé, 1º Marquês de 
  • Loureiro, João Bernardo da Rocha 
  • Lousã, 3º Conde da 
  • Meneses, D. Carlos da Cunha e
  • Morato, Francisco Manuel Trigoso de Aragão 
  • Murça, 1º Conde de
  • Napier, Charles 
  • Neuville, Hyde de 
  • Neves, José Acúrsio Das 
  • Noronha, António Manuel de 
  • Oliveira, Joaquim Pedro Gomes de 
  • Pamplona Corte Real, Brigadeiro Manuel Inácio Martins 
  • Pando, José Maria 
  • Pedro IV, D. 
  • Pereira, Carlos Matias
  • Ponte, 7º Conde da
  • Quintela, Manuel Inácio da Costa 
  • Silva, Patrício da (Frei) 
  • Silveira, José Xavier Mouzinho da 
  • Silveira Pinto da Fonseca Teixeira, Manuel da
  • Silveira Pinto da Fonseca Teixeira, António da
  • Sobral, Hermano José Braamcamp de Almeida Castelo Branco 
  • Stuart Rothsay,  Lord Charles
  • Stubbs, Thomas William 
  • Taipa, 1º Conde da 
  • Torres, Joaquim José Monteiro
  • Xavier Dias da Silva, Cândido José 

[1] Na sequência da Vilafrancada, nomeado novo governo por D. João VI:

- Hermano José Braamcamp do Sobral, nos estrangeiros (recusa a pasta)

- José Maria das Neves Costa, na guerra

- José António Guerreiro, na justiça

- José António Faria de Carvalho, no reino (recusa a pasta)

- José Mouzinho da Silveira, na fazenda

- D. Manuel João Lúcio, na marinha

O governo, apesar de ter amplos poderes, nada determinou. Aliás, os ministros Neves da Costa, Faria de Carvalho e Braamcamp do Sobral passaram-se para Santarém, colocando-se ao lado de D. Miguel.

Cortes nomeiam, de 30 de maio a 2 de junho:

- José Máximo Fonseca Rangel para a pasta da guerra, em lugar de Neves da Costa

- Marciano de Azevedo para o reino, em lugar de Faria de Carvalho

- Francisco de Oliveira para os estrangeiros, em lugar de Sobral.

O general Jorge de Avilez Juzarte nomeado governador das armas da Corte, em substituição de Bernardo Sepúlveda em 28 de maio.

[2] – Manuel Inácio Martins Pamplona Corte Real (conde de Sub-Serra desde 1 de junho) na guerra e na marinha, com a função de ministro assistente ao despacho;

- Joaquim Pedro Gomes de Oliveira no reino (rainhista);

- Manuel Marinho Falcão de Castro na justiça (rainhista);

- José Xavier Mouzinho da Silveira na fazenda;

- D. Pedro de Sousa Holstein, conde de Palmela nos estrangeiros.

[3] Em 19 de março de 1824:

- Leite de Barros, conde de Basto passa a assumir as pastas do reino e da justiça (rainhista).

[4] Em 14 de maio de 1824:

- Frei Patrício da Silva, arcebispo de Évora na justiça

- Palmela assume o reino

[5] Fronteira, II, p. 354.

[6] – José Joaquim de Almeida e Araújo Correia de Lacerda no reino;

- Fernando Luís Pereira de Sousa Barradas no reino;

- Conde de Barbacena na guerra;

- Almirante Joaquim José Monteiro Torres na marinha;

- Conde de Porto Santo, D. Alexandre de Saldanha da Gama, nos estrangeiros

- Miguel António de Melo, futuro conde de Murça, na fazenda.

[7] I, II, pp. 906 e 907.

[8] Oliveira Marques, II, p. 36.

[9] Trigoso, pp. 229-230.