Investidura e transmissão de poderes

hauriouPara Maurice Hauriou (na imagem) importa repensar a clássica teoria da delegação da soberania que “procede da mesma metafísica de tudo se reconduzir a um único princípio”. Tenta, assim elaborar uma nova teoria da investidura que não implique uma transmissão do poder. Porque investir alguém num determinado poder é dizer‑lhe: “exercerás um poder próprio, mas em meu nome e no meu interesse”.

O que levaria a uma clara distinção entre a nação e o governo: “a natureza dos poderes do governo é serem direitos de dominação: ele exerce o direito de fazer leis, de administrar a justiça, de exercer a ação direta para a realização dos seus objetivos dado que é o mais forte, exerce‑o como poderes próprios, com uma total autonomia. Se deixar de ser o mais forte, a sua autonomia pode ser limitada por um controlo da nação, mas porque é que o poder de dominação deixaria de lhe ser próprio?”.