Holismo

DumontDoutrina que privilegia os todos sociais (do grego holos, o todo), o todo na sua inteireza. Em termos gerais, todas as perspetivas que consideram que o todo é superior à soma das respetivas parcelas.

A expressão foi consagrada por Louis Dumont (na imagem), nos seus estudos sobre a Índia, ao considerar que o modelo holístico, onde o valor de uma pessoa deriva da sua inserção na comunidade concebida como um todo, se opõe ao modelo individualista da sociedade moderna, ocidental, onde o indivíduo constitui o valor supremo. A distinção entre o holismo e o individualismo corresponde à distinção de Tonnies entre comunidade, nascida de uma vontade essencial e orgânica, e sociedade, nascida de uma vontade refletida, ou àquilo que Wilhelm Sauer considera a oposição entre o nós e os eus. Qualquer um destes polos constitui mero tipo-ideal, dado que, na prática, qualquer sociedade vive da dialética entre estes dois tipos, havendo apenas preponderância de um deles sobre o outro. Popper utiliza a categoria para abranger todas as filosofias da história anti-individualistas. Em sentido estrito, o termo serviu para Auto qualificar as teses do sul-africano Jan Smuts (1870-1950).

Holismo da polis

A visão da polis como uma unidade substancial, onde há fusão dos respetivos membros num ser único, num todo contínuo. Difere da perspetiva tomista que entende a cidade como mero todo de ordem, como unidade de ordem, como unidade de relação, como unidade na diversidade. Se o holismo tende para o organicismo e para o totalitarismo, costuma salientar-se que a perspetiva tomista assuma uma perspetiva orgânica e totalista. Ambas as perspetivas divergem do atomicismo, quando assumem que o todo é mais do que a mera soma das partes. Neste sentido, São Tomás considera que o bem individual tem de submeter-se ao bem comum.