Governo de Veiga Beirão (1909-1910)

Francisco António da Veiga Beirão liderou o governo de Portugal de 22 de Novembro de 1909 até 26 de Junho de 1910 (Foto Wikipédia).De 22 de dezembro de 1909 a 26 de junho de 1910.

32º governo depois da Regeneração. 9º depois da desagregação partidária. 5º governo do reinado de D. Manuel II

  • Tenente coronel Francisco Felisberto Dias Costa no reino;

  • Artur Montenegro na justiça;
  • General José Matias Nunes na guerra;
  • Capitão de mar e guerra João António de Azevedo Coutinho na marinha e ultramar;
  • António Eduardo Vilaça nos estrangeiros;
  • José António Moreira Júnior nas obras públicas.

Todos os ministros são do partido progressista e todos com experiência governativa. Beirão diz ter o programa da Granja de 1876. Continua a batuta de José Luciano. Tem especial ligação aos ministros Vilaça e Montenegro, bem como ao líder parlamentar dos progressistas, António Cabral. O governo cai na véspera das eleições[1].

Por não ter sido escolhido, Júlio de Vilhena abandonou a chefia dos regeneradores em 23 de dezembro. Teixeira de Sousa é eleito chefe dos regeneradores em 16 de janeiro. Outra facção do mesmo partido, logo escolhe Campos Henriques.

Ataque da imprensa nacionalista ao novo governo, sendo especialmente visado Eduardo Vilaça. Este requisitara para o ministério Dantas Baracho que havia sido castigado pelo anterior ministro da guerra, Elvas Cardeira, quando publicou no Mundo cartas referentes a um desafio para duelo que enviara ao ministro[2].

Grandes cheias no Douro, em finais de dezembro.

Abertura das Cortes em 2 de janeiro.

Em 14 de fevereiro, decreto confirma a demissão dos irmãos Ançã.

Em fevereiro, surge a revista Alma Nacional de António José de Almeida.

Questão Hinton na CD. Afonso Costa lê cartas comprometedoras de pessoas ligadas ao paço (22 de abril)[3].

Congresso do Partido Republicano no Porto (29 e 30 de abril de 1910).

Escândalo da Companhia do Crédito Predial. Desfalque numa empresa presidida por José Luciano. O franquista Melo e Sousa, então governador do Banco de Portugal decide, com rigor, não apoiar a companhia (1 de maio)[4].

Morte de Eduardo VII em 6 de maio. De 16 a 27 de maio, D. Manuel II ausente do país para participar nos funerais do monarca britânico.

D. Manuel II em 14 de maio preside à sessão inaugural do Congresso Nacional, na Sociedade de Geografia de Lisboa. Organizado pela Liga Naval e tendo como objetivo o estudo dos problemas nacionais for a da ação mesquinha da política. Segundo o então presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa, Consiglieri Pedroso, em Portugal não havia apenas interesses políticos, mas sim, ao lado destes, outros que igualmente deviam ser atendidos.

Maçonaria organiza uma comissão de resistência para colaborar com a Carbonária. Fazem parte da comissão José de Castro, Miguel Bombarda, Machado Santos e Francisco Grandela, bem como dois representantes do diretório do PRP, António José de Almeida e Cândido dos Reis (14 de junho).

[1] Jesus Pabón, 101; Lopes De Oliveira, p. 378; Teixeira De Sousa, Para a História da Revolução, I, p. 27; António Cabral, p. 381

[2] Teixeira De Sousa, Para a História da Revolução, I, p. 86.

[3] Lopes de Oliveira, p. 380; Jesus Pabón, p. 102. Para uma perspetiva pormenorizada, Teixeira De Sousa, Para a História da Revolução, I, pp. 87 –97.

[4] Ver Teixeira De Sousa, Para a História da Revolução, I, pp. 98-105.