Governo de Manuel Maria Coelho (1921)

Manuel_Maria_Coelho_(foto)De 19 de outubro a 5 de novembro de 1921 (17 dias).

28º governo republicano. 14º governo pós-sidonista. 1º governo outubrista[1].

  • Na presidência e no interior, Manuel Maria Coelho. Como ele próprio confessou, só governou três dias, estando todo o demais tempo em crise[2];

  • Na justiça, Vasco Guedes de Vasconcelos (não tomou posse) e António Augusto de Almeida Arez, desde 22 de outubro (este era reconstituinte e assumiu funções sem apoio do respetivo partido);
  • Nas finanças, Francisco António Correia. Antigo membro da Liga de Acção Nacional e ex-ministro dos negócios estrangeiros de António Maria da Silva, de 26 de junho a 19 de julho de 1920, na qualidade de independente;
  • Na guerra, José Cortês dos Santos;
  • Na marinha, Vítor Macedo Pinto (não tomou posse) e Francisco Luís Ramos (desde 21 de outubro);
  • Nos negócios estrangeiros, Alberto da Veiga Simões; 
  • No comércio e comunicações,  António Pires de Carvalho;
  • Nas colónias, sucessivamente nomeados Carlos Henrique da Silva Maia Pinto (não tomou posse),  José Eduardo de Carvalho Crato (não tomou posse) e Manuel Maria Coelho interino;
  • Na instrução pública, António Alberto  Torres Garcia (não tomou posse) e Manuel de Lacerda de Almeida (desde 22 de outubro);
  • No trabalho, Alfredo Pinto de Azevedo e Sousa, interino até 25 de outubro e, desde esta data Alfredo Pinto de Azevedo e Sousa;
  • Na agricultura, Antão Fernandes de Carvalho.

Outubro de 1921

Às 22 horas e 45 minutos do dia 19 de outubro, António José de Almeida investe Manuel Maria Coelho. Pouco antes, Agatão Lança informa-o dos atentados[3].

Primeiro governo outubrista, reunindo chefes da insurreição e gente respeitável. Muitos não tomam posse para não se confundirem com os assassinos. O presidente do ministério era um antigo revoltoso do 31 de janeiro de 1891.

Libertado o assassino de Sidónio Pais, José Júlio Costa, que se encontrava detido no hospital Miguel Bombarda. A ação é levada a cabo por 300 civis armados. É levado para o Centro Republicano António Maria de Baptista, onde foi homenageado. Segue para o Norte, em regime de clandestinidade.

Atentado contra Alfredo da Silva em Leiria. Preso Tamagnini Barbosa. A única organização política que apoia o novo governo é o grupo popular de Júlio Martins, mas já sem a participação de Cunha Leal. António José de Almeida apresenta a demissão, mas manifestação de autarcas, no dia 30 de outubro,  fá-lo recuar.

Funerais de António Granjo em 24 de outubro. Cunha Leal discursa: a fera que todos nós e eu açulamos, que anda à solta, matando porque é preciso matar. Todos nós temos culpa! É esta maldita política[4].

Lopes de Oliveira diz então: foi a desordem em que caímos que vitimou agora, canibalmente, alguns dos nossos.

Jaime Cortesão: os crimes que se praticaram não eram possíveis sem a dissolução moral a que chegou a sociedade portuguesa. Por trás das espingardas que vararam António Granjo, há outras armas mais perigosas e asassinas. Chamam-se elas o egoísmos das classes, e, em especial, das mais altas; a inércia e por vezes a corrupção do poder; a esterilidade dos mais elevados organismos políticos da nação que se debatem em mesquinhas disputas.

Nos dias 24, 26 e 27 o governo levava a cabo a prisão dos principais implicados nos atentados de 19 de outubro.

Em 30 de outubro, manifestação de homenagem ao Presidente da República que havia declarado querer demitir-se[5].

Novembro de 1921

Governo demite-se em 3 de novembro por temer intervenção estrangeira. Fala-se na chegada de navios de guerra ingleses, franceses e espanhóis.

[1] Fernando Tomás Rosa Gouveia, Orgânica Governamental…, p. 49 (33º ministério; 12º do mandato presidencial de António José de Almeida); Oliveira Marques, p. 731.

[2] Damião Peres, p. 316.

[3] Damião Peres, p. 313.

[4] Damião Peres, p. 315.

[5] Cunha Leal, II, p. 310; Damião Peres, p. 320.