Governo de João Crisóstomo (1890-1892)

João Crisóstomo de Abreu e SousaDe 14 de outubro de 1890 a 17 de janeiro de 1892 (462 dias).

20º governo depois da Regeneração. 7º governo do rotativismo. 3º governo do reinado de D. Carlos.

  • Presidente acumula a pasta da guerra e em 25 de maio de 1891 são substituídos todos os ministros anteriores;

  • António Cândido no reino;
  • António Emílio Correia de Sá Brandão na justiça;
  • José de Melo Gouveia na fazenda;
  • António Enes na marinha e ultramar;
  • José Vicente Barbosa do Bocage nos estrangeiros;
  • Tomás Ribeiro nas obras públicas.

Em 24 de novembro de 1890:

  • Augusto José da Cunha substitui José de Melo Gouveia na fazenda.

Em 25 de maio de 1891:

  • Lopo Vaz de Sampaio e Melo substitui António Cândido no reino e passa a exercer a pasta de ministro da instrução pública, então restaurada;

  • Alberto António de Morais de Carvalho substitui António Emílio Correia de Sá Brandão na justiça;
  • Mariano de Carvalho substitui Augusto José da Cunha na fazenda;
  • Júlio de Vilhena substitui António Enes na marinha e ultramar;
  • Conde de Valbom substitui José Vicente Barbosa do Bocage nos estrangeiros;
  • João Franco substitui Tomás Ribeiro nas obras públicas.

O governo vai ser apoiado pela Liga Liberal. Sofrerá os efeitos da revolta republicana de 31 de janeiro de 1891.

Os republicanos estão divididos, especialmente pela campanha jornalística de Homem Christo contra Elias Garcia. Mas a unidade é estabelecida no congresso realizado no Porto de 5 a 7 de janeiro de 1891. Aprovado novo programa para o partido que foi publicado em 11 de janeiro de 1891.

Revolta republicana do 31 de janeiro de 1891. Conforme salienta Lopes d’Oliveira, desde o 31 de janeiro todo o programa republicano é Revolução.

Cortes reabrem em março de 1891 para votarem as bases do monopólio do tabaco e um grande empréstimo de 10 milhões de libras. Conde de Burnay emprestara 3 milhões de libras, com a condição de lhe ser concedido o monopólio do tabaco.

Adiado o parlamento no dia 1 de abril. Governo anuncia que vai governar em ditadura.

No dia 3 de abril, sentenças contra os implicados no 31 de janeiro. Dividem-se os monárquicos. Lopo Vaz, no Diário Ilustrado fala num erro judiciário. Contra ele, assumem-se Emídio Navarro no Novidades (já pedira o restabelecimento da pena de morte); Carlos Lobo d’Ávila no Tempo; Pinheiro Chagas no Correio da Manhã e Hintze Ribeiro n’O Português.

Em 7 de maio é suspensa por 90 dias a convertibilidade das notas de banco. Depois de uma corrida à conversão das notas, uma corrida ao levantamento dos depósito. O papel-moeda fica desvalorizado em cerca de 10%.

Sucessivas prevenções militares.

Perante a crise, o rei consulta por escrito José Luciano e António Serpa. Estes preferem a continuidade de Crisóstomo à chamada de Dias Ferreira. São Januário ainda foi encarregado de formar novo governo, mas não consegue mobilizar Mariano de Carvalho. Este jornalista, ligado à ala radical dos progressistas e grande amigo do prior da Lapa, havia regressado de Moçambique em 1890 e dizia ter planos financeiros para salvar o Estado. A recomposição levada a cabo por Crisóstomo assentava numa efetiva aliança de Lopo Vaz e Mariano de Carvalho e o governo deixa de ser extrapartidário.

No tocante à frente britânica, Valbom vai conseguir ajustar as bases do tratado de Londres em 28 de maio e apresentá-las na Câmara dos Deputados em 2 de junho. Apesar de tudo, José Falcão ainda proclama: eu supunha que havia coisas que não se podiam vender…Mas, depois da questão inglesa, ia desabar a questão financeira que se jogava entre banqueiros de Paris.

Mariano parte imediatamente para o estrangeiro. Acredita que a situação é um poço sem fundo, para onde me lanço de olhos abertos. Faz uma sucessão de adiantamentos, sem conhecimento dos seus colegas de governo, à Companhia Real, ao Banco Lusitano e ao Banco do Povo. A quebra da bolsa de Paris no outono impede que se concretize uma operação de grande empréstimo a Portugal.

Aires de Gouveia na Câmara dos Pares critica a perseguição aos republicanos, considerando-os como pequena minoria (23 e 25 de junho).

Decretado o curso forçado das notas de banco, em 9 de julho de 1891.

Conflitos entre os ministros Lopo Vaz e Mariano.

Em 15 de janeiro de 1892, João Crisóstomo confirma que Mariano fez adiantamentos à Companhia Real dos Caminhos de Ferro sem conhecimento do restante governo. Trata-se de um golpe de Lopo Vaz que terá dito: fodi o Zé Luciano e o Serpa. Mariano apresenta a demissão, proclamando: suponho que a minha carreira política está finda; esteja ou não esteja, há uma coisa para que fico vivo.

Começa a falar-se num governo de Lopo Vaz, mas este adoece e acaba por morrer em 1892. Chega a ser sondado o conde de Valbom, mas acaba por ser chamdo José Dias Ferreira, tendo na fazenda Oliveira Martins, um dos grandes inimigos de Mariano.

Pouco tempo durou o governo de Serpa, depois de ter sido assinado o Tratado de Londres em 20 de agosto de 1890. Em setembro, já caía o gabinete, pressionado, sobretudo pelo aparecimento de uma Liga Liberal, participada, sobretudo, por militares e presidida pelo deputado Augusto Fuschini e que tinha como objetivo pressionar o governo no sentido da defesa dos legítimos interesses de Portugal. Pensou-se na manutenção dos regeneradores no governo, chamando o velho Martens Ferrão, então embaixador em Roma, mas a solução acabou por ser o recurso a um outro octogenário João Crisóstomo de Abreu e Sousa que, de 14 de outubro 1890 a janeiro de 1892, vai formar um governo extra-partidário, apoiado pela Liga Liberal. Numa primeira fase, o gabinete reúne nomes ilustres como António Cândido, no reino, António Enes, na marinha e ultramar, Tomás Ribeiro, nas obras públicas, e Barbosa du Bocage, nos estrangeiros. Em 25 de maio de 1891 mobilizou para a pasta do reino Lopo Vaz e para a da fazenda, Mariano de Carvalho, enquanto Júlio de Vilhena surgia na marinha e ultramar e João Franco, nas obras públicas. Continuou a dança de personalidades que as circunstâncias iam queimando, contra a pretensão de Crisóstomo que pretendia um governo de apaziguamento e concórdia, mas que não conseguiu concretizar um grande empréstimo externo e teve de assistir a uma série de escândalos financeiros.