Governo de Ivens Ferraz (1928-1930)

ivens ferrazDe 8 de julho de 1928 a 21 de janeiro de 1930 (562 dias).

5º governo da Ditadura.

  • Presidente acumula o interior e os estrangeiros;

  • Na justiça Silva Teles e depois de 15 de julho, Luís Maria Lopes da Fonseca;
  • Nas finanças, António de Oliveira Salazar;
  • Na guerra, Amílcar Barcínio Pinto;
  • Na marinha, Luís António de Magalhães Correia;
  • Nos estrangeiros, Ivens Ferraz . A partir de 27 de julho de 1929, Henrique Trindade Coelho. A partir de 11 de setembro de 1929, Jaime da Fonseca Monteiro;
  • No comércio, João Antunes Guimarães;
  • Na instrução pública, Francisco Xavier da Silva Teles. A partir de 11 de setembro de 1929, Eduardo da Costa Ferreira. A partir de 21 de dezembro de 1929, Vítor Hugo Duarte de Lemos;
  • Na agricultura, Henrique Linhares de Lima.

Em 8 de julho de 1929, surgia um novo presidente do ministério, o general Ivens Ferraz, que acumulava a pasta do interior[1]. Do anterior gabinete, aliás, só transitava Oliveira Salazar[2]. É neste governo que, com o ministro da Agricultura Linhares de Lima se institui a célebre Campanha do Trigo, ao mesmo tempo que os setores patronais, representados pela União dos Interesses Económicos, também protestam contra a política de crédito agrícola[3].

Em 21 de outubro de 1929, Salazar recebia uma manifestação dos municípios e insistia nos slogans de política de verdade, política de sacrifício, política nacional. O tom anti-político dos discursos de 1928, onde a imagem da casa preponderava, começa a ceder aos apelos a uma espécie de nova razão de Estado: num Estado que nós dividimos ou deixámos dividir em irredutibilidades e em grupos, ameaçando o sentido e a força da unidade da Nação, tenho defendido, sobre os destroços e os perigos que daí derivaram, a necessidade de uma política nacional.

[1] Figueiredo foi substituído por Lopes da Fonseca, em 8 de julho de 1929. Surgiam também novos ministros dos estrangeiros, Henrique Trindade Coelho, e da instrução, Francisco Xavier da Silva Teles.

[2] Sobre a matéria BRAGA DA CRUZ, pp. 823 ss. e MARCELLO CAETANO, pp. 38-39.

[3] O coronel Henrique Linhares de Lima exerceu as funções até 5 de julho de 1932. Foi, depois, presidente da Câmara Municipal de Lisboa e, a partir de 1934, ministro do interior. Natural da ilha do Pico, havia sido durante seis anos diretor da Manutenção Militar. A Campanha do Trigo, instituída em 16 de agosto e lançada em dezembro, que tomou como modelo a bataglia del grano de Mussolini, iniciada em 1928, assumiu como slogan um significativo: o trigo da nossa terra é a fronteira que melhor nos defende, recorrendo aos serviços do jornalista Rocha Martins. Sobre a matéria a edição da FEDERAÇÃO NACIONAL DOS PRODUTORES DE TRIGO, Evocando a Campanha do Trigo, Lisboa, 1955. A Campanha foi transformada em 1930 numa menos mobilizadora Campanha de Produção Agrícola que acabou por terminar em 1937. Ver também EUGÉNIO DE CASTRO CALDAS, A Agricultura Portuguesa no Limiar da Reforma Agrária, Lisboa, 1978, e JOSÉ MACHADO PAIS e outros, Elementos para a História da Campanha do Trigo, in Análise Social, nº 46, 1976, e nº 54, 1978.