Governo de Hintze Ribeiro (1900-1904)

Hintz ribeiroDe 26 de junho de 1900 a  20 de outubro de 1904 (1578 dia).

24º Governo depois da Regeneração. 1º depois da desagregação partidária. 8º governo regenerador. 2º governo de Hintze. 7º governo do reinado de D. Carlos.

Promove as eleições de 25 de novembro de 1900; de 6 de outubro de 1901; e de 26 de junho de 1904.

As Cortes estiveram encerradas de 28 de junho de 1900 a 2 de janeiro de 1901; de 28 de maio de 1901 a 2 de janeiro de 1902; de 13 de maio de 1902 a 2 de janeiro de 1903; de 24 de junho de 1903 a 2 de janeiro de 1904; de 20 de abril de 1904 a 29 de setembro de 1904.

  • Presidente acumula o reino.

Os ministros constantes até 1903 são:

  • Campos Henriques na justiça;

  • Pimentel Pinto na guerra;
  • António Teixeira de Sousa, na marinha e ultramar e, depois de 1903, na fazenda;
  • Anselmo de Andrade na fazenda;
  • Capitão José Gonçalves Pereira dos Santos, nas obras públicas;
  • João Marcelino Arroio nos estrangeiros.

Em 23 de fevereiro de 1903:

  • Teixeira de Sousa passa da marinha para a fazenda, substituindo aqui Matoso dos Santos;

  • Manuel Rafael Gorjão assume a pasta da marinha;
  • Para os estrangeiros entra Wenceslau de Sousa Pereira de Lima,  substituindo Matoso dos Santos;
  • Alfredo Vieira Peixoto Vilas Boas, 1º conde de Paço Vieira, governador de Ponta Delgada,  substitui Vargas nas obras públicas.

Julho de 1900

Governo anuncia tradicional programa regenerador: liberdade, medidas de fomento, reformas fazendárias.

Suspensas as promoções no exército, logo em 7 de julho. Suspenso o código administrativo de José Luciano, em 21 de julho. Suspensas as promoções no exército, em 7 de julho.

No dia 30 de junho, assassinado em Monza o rei Humberto de Itália, irmão de D. Maria Pia. Atentado contra o xá da Pérsia em Paris no dia 3 de agosto.

Morte de Barjona de Freitas, em 23 de julho de 1900.

Agosto de 1900

Morte de Eça de Queirós em Paris (16 de agosto), no ano em que se publicava A Cidade e as Serras. Morrem também de Luciano Cordeiro (24 de dezembro de 1900); Serpa Pinto (28 de dezembro); Joaquim Tomás de Lobo d’Ávila, em 1 de fevereiro de 1901,  Tomás Ribeiro, em 6 de fevereiro de 1901, António Enes em 6 de agosto de 1901. Começa a publicar-se O Mundo (1900).

Setembro de 1900

Em 9 de setembro grande comício republicano contra as congregações religiosas. Governo encerra dois jornais republicanos. Pouco antes, em Paris, o conde Reilhac, de forma sensacionalista, anunciava depoimentos de antigas educandas do convento das Trinas.

Outubro de 1900

Dissolução da Câmara dos Deputados em 27 de outubro.

Novembro de 1900

Grande banquete republicano no Porto, o dia 4 de novembro.

Eleições em 25 de novembro. Vitória monárquica em Lisboa e no Porto. Henrique de Burnay vence o republicano João Chagas em Setúbal.

Pinto dos Santos e Luís Augusto Rebelo da Silva filiam-se no partido progressista. Em 7 de março, João Arroio rompe com Hintze Ribeiro. Chanceleiros considera que o governo está a agir contra a Carta.

Greve geral em Coimbra, dita revolta do grelo (março de 1903). Oliveira Matos e Dias Ferreira interpelam o governo sobre a matéria.

Eduardo VII visita Lisboa em 2 de abril.

Manifestação de protesto de cerca de 3 000 viticultores em Lisboa, promovida pela Real Associação Central da Agricultura Portuguesa (18 maio de 1903).

Em 3 de julho de 1903, congresso do Partido Nacionalista em Viana do Castelo, onde se vota o programa. Na comissão central do novo agrupamento, o conde de Samodães, o conde de Bretiandos e Jacinto Cândido da Silva. Leão XIII havia falecido em 20 de junho.

Esquadra norte-americana visita Lisboa em 28 de julho.

Greves operárias no Porto em julho de 1903.

Decreto sobre o regime açucareiro da Madeira em 28 de setembro.

Eleições municipais em Lisboa, no dia 1 de novembro.

Greve dos metalúrgicos em dezembro de 1903. Renova-se em fevereiro de 1904.

O governo cai depois de uma discussão parlamentar sobre os contratos dos tabacos e dos fósforos.

O governo de José Luciano esgotou-se no primeiro semestre de 1900. Aliás, o presidente do ministério estava doente desde abril e praticamente governava o país pelo telefone, a partir da sua própria residência, na rua dos Navegantes, em Lisboa, embora com energia suficiente para qualificar João Franco como o chefe de um bando de arruaceiros.Em 26 de junho de 1900, surgiu novo governo de Hintze Ribeiro, com a estrela de Anselmo de Andrade na fazenda. João Franco ficou de fora e Hintze até conseguiu mobilizar um antigo simpatizante franquista, Teixeira de Sousa, para a pasta da marinha.

Eleições de 25 de novembro de 1900

Seguiram-se as eleições de 25 de novembro de 1900, com a inevitável maioria regeneradora, onde não foram eleitos candidatos republicanos, apesar de terem um forte aumento da votação (mais 4 000 votos no Porto e mais 3 500 em Lisboa). O próprio João Chagas foi vencido em Setúbal por Henrique de Burnay. Surgiam, entretanto, alguns deputados independentes, como Mariano de Carvalho, Augusto Fuschini, o visconde de Mangualde e José Dias Ferreira. Como então escrevia este último, o povo não ligava a menor importância a um ato nitidamente falsificado e, portanto, tão nocivo quanto inútil. Contudo, do seio da maioria regeneradora, vai surgir a dissidência franquista, com 25 deputados, em 14 de maio de 1901, semente dos regeneradores liberais. Pouco antes, em 18 de março de 1901, sob o impulso de Francisco José de Sousa Gomes, funda-se em Coimbra um Centro Nacional Académico que, em finais de 1902, passa a designar-se Centro Académico da Democracia Cristã. A partir de Janeiro de 1905, este grupo passa a editar a revista Estudos Sociais. Em junho de 1903, acordo entre Hintze Ribeiro e José Luciano. Os dois comprometem-se a não apoiar os dissidentes do outro. Conforme a caricatura de Rafael Bordalo Pinheiro, os dois encostaram-se um ao outro para não cairem. O acordo terminou apenas em 1906.

Em novembro de 1900 dava-se, contudo, uma remodelação governamental, saindo, nomeadamente Anselmo de Andrade, invocando a circunstância de não ter sido aprovado um projeto de constituição de um banco do Estado. Mas a mais significativa das turbulências que afetou o funcionamento do governo teve a ver com o renascimento da questão religiosa, a partir do incidente Calmon, em 25 de fevereiro de 1901. O governo, querendo manter a tradição anticlerical dos regeneradores, emite então, pelo ministro da justiça Campos Henriques, uma série de diplomas de controlo das congregações religiosas, pressionado pelo aparecimento tanto de uma Liga Liberal, monárquica, presidida por Dias Ferreira, como por uma Junta Liberal, republicana, presidida por Miguel Bombarda. Aliás, no dia 14 de abril desse mesmo ano de 1901, rei D. Carlos, também ele anticlerical, chegou a ser ovacionado na praça de touros do Campo Pequeno.O governo continuava a desgastar-se e em 1 de junho de 1901 saía do ministério dos negócios estrangeiros João Marcelino Arroio.

Dissidência de João Franco em 14 de Maio de 1901, saindo 25 deputados. Vencem as eleições de 6 de outubro de 1901. Vencem as eleições de 26 de junho de 1904.