Governo de Gomes da Costa (1926)

Gomes_da_costaDe 17 de junho a 9 de julho de 1926 (22 dias).

2º governo da ditadura.

De 17 a 19 de junho, Gomes da Costa assume todas as pastas.

A partir de 18 de Junho:

  • António Claro no interior.

Em 19 de junho e até 6 de julho:

  • Filomeno da Câmara acumula a justiça, as finanças, a guerra, a marinha, os estrangeiros e o comércio;
  • Artur Ricardo Jorge, na instrução pública e na agricultura;
  • Armando Gama Ochoa nas colónias.

De 6 a 9 de julho:

  • Gomes da Costa assume interinamente as pastas do interior, da justiça, das finanças, da guerra e da marinha;

  • Martinho Nobre de Melo assume os estrangeiros e o comércio;
  • João de Almeida nas colónias, instrução pública e agricultura.

Gomes da Costa que, segundo Raul Brandão, tinha cabeça de galinha e era sempre da opinião da última pessoa com quem falava[1], iniciou o movimento revoltoso em Braga, às 6 horas da manhã do dia 28, enquanto em Lisboa, uma Junta de Salvação Pública, liderada pelo Almirante Cabeçadas, lançou uma manifesto. No dia 29, depois da guarnição de Lisboa aderir a Gomes da Costa e de Carmona, que se encontrava em Elvas, assumir o comando da 4ª divisão, instalada em Évora, já o governo de António Maria da Silva apresentou a demissão. No dia 30, Cabeçadas aceitou o convite de Bernardino para assumir a presidência do ministério e a pasta da marinha, acumulando interinamente todas as outras pastas, enquanto Gomes da Costa determinou que todas as forças militares avançassem sobre Lisboa. No dia 31, por ordem do ministro da guerra, foi encerrado o Congresso da República, enquanto Bernardino apresentou a sua demissão perante aquele que fora obrigado a nomear presidente do ministério, Cabeçadas.

No dia 17 de junho surge um novo governo, de novo sob a presidência de Gomes da Costa, mas sem dois dos membros da tuna de Coimbra, Salazar e Remédio. No interior, António Claro; nas finanças, Filomeno da Câmara; nas colónias, Gama Ochoa; na instrução, Artur Ricardo Jorge na justiça, Manuel Rodrigues; nos estrangeiros, Carmona.

Remodelação de 6 de julho

Em 6 de julho, nova recomposição, com a substituição de Claro, Carmona e Ochoa, logo substituídos por Gomes da Costa, Martinho Nobre de Melo e João de Almeida. Mas os ministros não atingidos pela recomposição, à exceção de Filomeno da Câmara, declaram-se solidários com os restantes e já no dia 8, Gomes da Costa fica prisioneiro no próprio palácio de Belém, sendo posteriormente transferido para Caxias e Cascais, até que no dia 11 é desterrado para Angra do Heroísmo.

[1] RAUL BRANDÃO, III, p. 77. Gomes da Costa, um bravo militar, mas um volúvel político, apresentou ao conselho de ministros de 14 e 16 de junho um programa intitulado Estatuto Político da Revolução Nacional contra aquilo que era qualificado como individualismo e representação partidária. O programa, que terá sido redigido por Rolão Preto, pretendeu a dignificação e a nacionalização da República, enumerando uma série de reformas constitucionais superadoras do demoliberalismo: exclusão do sufrágio individualista e consequente representação partidária, com duas câmaras, a dos municípios e a das corporações. Ver ANTÓNIO CÉRTIMA, O Ditador, Lisboa, 1927, pp. 123 ss.