Governo de Duarte Leite Pereira da Silva (1912-1913)

Duarte_LeiteDe 16 de junho de 1912 a 9 de janeiro de 1913 (198 dias - Cerca de seis meses e meio).

4º governo republicano. 3º governo constitucional.

Presidência e Interior:

Presidente, Duarte Leite Pereira da Silva, acumula com o interior. Duarte Leite, lente de matemática e historiador dos descobrimentos, pertencia ao grupo de republicanos do Porto. Tinha sido ministro das finanças do governo de João Chagas de 3 de setembro a 12 de novembro de 1911. Próximo dos unionistas, de quem chegou a ser candidato à presidência. Será embaixador no Brasil.

Justiça:

Na justiça, o democrático Francisco Correia de Lemos (juiz). Tinha sido o presidente da comissão parlamentar que redigiu a Constituição de 1911.

Finanças:

Nas finanças, o unionista António Vicente Ferreira. Coronel de engenharia e professor do Instituto Superior Técnico. Voltará à pasta das finanças com António Granjo, entre agosto e outubro de 1921. Será ministro das colónias, com Ginestal Machado, entre 15 de novembro e 18 de dezembro de 1923. Acabará como apoiante do salazarismo.

Guerra:

Volta à guerra o democrático António Xavier Correia Barreto (coronel). Tinha sido ministro da guerra do governo provisório, de 5 de outubro de 1910 a 3 de setembro de 1911. Voltará a ocupar a pasta da guerra no governo de António Maria da Silva, entre fevereiro e novembro de 1922. Será também presidente do Senado.

Marinha:

Na marinha, o evolucionista Francisco José Fernandes Costa (professor do liceu). Voltará ao governo com a União Sagrada, como ministro do fomento. Será depois ministro da marinha por alguns dias no governo saído da revolução de 14 de maio de 1915. Nomeado presidente do ministério em 15 de janeiro de 1915, nem sequer chega a tomar posse. Será finalmente ministro do comércio nos dois governos liberais de 1921, de 10 de agosto a 12 de outubro.

Estrangeiros:

Nos negócios estrangeiros, mantém-se o  unionista Augusto César de Almeida Vasconcelos Correia, que no governo anterior também assumira as funções de presidente do ministério.

Fomento: 

No fomento, o evolucionista António Aurélio da Costa Ferreira (professor de liceu), que tem como chefe de gabinete Alfredo Pimenta, ex-anarquista e futuro monárquico, então professor no liceu Passos Manuel. Primeira e única experiência governativa.

Colónias:

Nas colónias, mantém-se, desde 29 de janeiro, o democrático  Joaquim Basílio Cerveira e Sousa de Albuquerque e Castro (coronel de engenharia).

Fernando Tomás Rosa Gouveia, Orgânica Governamental…, p. 20 (4º ministério; 3º do mandato presidencial de Manuel de Arriaga); David Ferreira, I, pp. 82 ss.;Jesus Pabón, A Revolução Portuguesa, p. 169.