Futurismo

Movimento literário lançado por Marinetti em 20 de fevereiro de 1909, quando emitiu a partir de Milão o Manifesto Futurista. Aí se invoca o amor pelo perigo, o hábito da energia e a temeridade, com coragem, audácia, revolta. Saúda-se a beleza da velocidade e que só há beleza na luta.

Também proclama: encontramo-nos no promontório extremo dos séculos! Como olhar para trás, num momento em que é necessário rasgar os véus misteriosos do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. Vivemos já no absoluto, porque já criámos a eterna velocidade omnipresente. Queremos glorificar a guerra, – a única higiene do mundo – o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos anarquistas, as belas ideias que matam, e o desprezo da mulher. Queremos demolir os museus, as bibliotecas, combater o moralismo, o feminismo e todas as cobardias oportunistas e utilitárias. A Arte não pode ser senão violência, crueldade e injustiça. De pé, sobre os pináculos do mundo lançamos mais uma vez o desafio das estrelas. Influencia o modernismo português. Primeiro através do heterónimo de Pessoa, Álvaro de Campos, nos números 1 e 2 de Orpheu, de 1915, e, depois, com José de Almada Negreiros: A Cena do Ódio, no nº 3 da mesma revista.

Este último destaca-se no Manifesto Anti-Dantas, de 1916, onde se afirma Poeta d’Orpheu, futurista e tudo.

Em 14 de abril de 1917, o mesmo Almada, juntamente com Santa-Rita Pintor (1890-1918) numa sessão realizada no Teatro República, lança o Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX. Em novembro desse mesmo ano de 1917 começa a publicar-se a revista Portugal Futurista, onde também se destaca António Ferro, e onde se publica o Ultimatum de Álvaro de Campos.