Empréstimo, Grande (1928)

A causa próxima que levou Salazar a assumir a pasta das finanças no governo de Vicente de Freitas em 27 de abril de 1928, está no facto de Sinel de Cordes não ter conseguido obter um grande empréstimo de doze milhões de libras junto da Sociedade das Nações. Contra essa operação, para além dos ataques dos exilados que chegam a formar a Liga de Paris, ergueu-se o próprio Salazar, com uma série de artigos no jornal Novidades, em dezembro, janeiro, fevereiro e abril, alguns dos quais chegaram a receber cortes da censura, então dirigida pelo coronel Pratas Dias.

Um perito da SDN, o economista francês Jacques Rueff, chegou a deslocar-se a Lisboa em janeiro e fevereiro e o ministro das colónias, Ivens Ferraz, foi a Genebra, em substituição de Sinel de Cordes. Tudo fracassa e o próprio Ferraz terá declarado que Portugal não se vende por doze milhões de libras. As condições impostas eram humilhantes, dado que, para além de um agente de ligação se previa a criação de uma comissão internacional para administrar as receitas públicas consignadas ao empréstimo. Face ao fracasso, tem de ser emitido um pacote financeiro restritivo a partir de 15 de março, com a criação de um imposto de salvação pública sobre o vencimento dos funcionários públicos, de um quadro de adidos, do aumento das taxas da contribuição predial e de outros impostos.

É nesta sequência que, a 16 de março, se extinguem várias escolas, como a Faculdade de Direito de Lisboa, a Faculdade de Letras do Porto, a Faculdade de Farmácia de Coimbra, várias Escolas Normais e o Liceu da Horta, tudo sob a chancela de Alfredo Magalhães, ministro da instrução, e com os protestos do ministro da justiça, Manuel Rodrigues, que em 10 de abril, data da aprovação do decreto do Conselho de Ministros que consagra estas extinções, pede a demissão.