Cronogramas Bibliográficos Século XX (1950-1999)



1951

Álvaro Ribeiro, Os Positivistas

Luís Craveiro da Silva, A Idade do Social

Adriano Moreira, Lições de Direito Corporativo

Talcott Parsons, The Social System

Hannah Arendt, The Origins of Totalitarianism

Hans Welzel, Naturrecht and materiale Gerechtigkeit

Maurice Duverger, Partis Politiques

Albert Camus, L’Homme Revolté

Hannah Arendt, The Burden of Our Time

Gasthon Bouthoul, Les Guerres

1952

Marcello Caetano, Lições de Direito Constitucional e Ciência Política

João Ameal, A Revolução Tomista

Eric Voegelin, The New Science of Politics

Mircea Eliade, Images et Symboles

Tchakhotine, Viol des Foules par la Propagande Politique

Toynbee, World and the West

Duque de Maura, La Crisis de Europa

Salvador Madariaga, Portrait de l’Europe

Édouard Bonnefous, L’Europe en face son Destin

Friedrich von Hayek,  The Counter-Revolution of Science. Studies on the Abuse of Reason

John Kenneth Galbraith, American Capitalism. The Concept of Countervailling Power

Norbert Wiener, Cybernetics and Society. The Human Use of Human Beings

Marcello Caetano, Manual de Ciência Política e Direito Constitucional

Encontros Internacionais de Genebra, O Homem perante a Ciência

1953

Joaquim de Carvalho, Compleição do Patriotismo Português

Joaquim de Carvalho, na sequência das teses de Renan, fala na existência de uma “alma dos povos”: a História dá-nos assim, simultaneamente, o testemunho real e as dimensões existenciais da compleição da alma dos povos, da capacitação, qualidades e defeitos que a constituem, da hierarquia de valores que a singularizam, das tradições que a mantêm, das aspirações que a alentam e das vicissitudes dos ideais que a orientam.

José Régio, A Salvação do Mundo

Jorge Dias, Os Elementos Fundamentais da Cultura Portuguesa

J. Silva Saraiva, O Pensamento Político de Salazar

David Easton, The Political System

Herbert Marcuse, Eros and Civilization

Obra de Herbert Marcuse de 1953, onde, retomando-se as perspetivas de Freud, se considera que na origem da história da humanidade há sempre um pai primitivo, transformado em déspota absoluto, que impõe a sua dominação sobre os restantes membros da horda, proibindo a utilização da mulher e monopolizando o direito à posse.

Marcello Caetano, Introdução ao estudo do Direito Político

Nélson de Sousa Sampaio, Ideologia e Ciência Política

Alasdair Macintyre, Marxism, An Interpretation

Karl Deutsch, Nationalism and Social Communication

Leo Strauss, Natural Right and History

Robert Nisbet, The Quest for Community

Robert Schuman, Origines et Élaboration du Plan Schuman

Henri Contamine, L’Europe est derrière nous

Paul Reuter, La Communauté Européenne du Charbon et de l’Acier

José Sebastião da Silva Dias, Portugal e a Cultura Europeia. Séculos XVI a XVIII

Gilberto Freyre, Aventura e Rotina. Sugestões de uma Viagem à procura das Constantes Portuguesas de Carácter e Acção

Emmanuel Mounier, L’Espoir des Desesperés

L. Baudin, L’Aube d’un Nouveau Libéralisme

Encontros Internacionais de Genebra, A Angústia do Tempo Presente e os Deveres do Espírito

1954

Francisco Inácio Pereira dos Santos, Capitalismo ou Comunismo? Resposta da Sociologia Cristã

Obra de Francisco Inácio Pereira dos Santos, onde se considera que o homem é um corpo vitalizado por um espírito, servido por um corpo que é parte essencial de todo o ser humano, uma pessoa criada por deus à sua imagem e semelhança. Critica-se o liberalismo económico e o mito do progresso ilimitado, mutilador do homem, porque ambos se insurgiram contra a antiga conceção teocrática e dissociando o natural do sobrenatural, a natureza da Graça, a razão da Revelação, o político e o económico dos ditames morais e da influência religiosa. Recorda, para o efeito, que a metafísica precedeu a astronomia e esta precedeu a física e considera-se a primazia da técnica como o velho sonho dos insensatos construtores da Torre de Babel.

Hannah Arendt, Between Past and Future 

Obra de Hannah Arendt subtitulada Eight Exercises on Political Thought, com edição definitiva de 1968. Reúne oito ensaios: a tradição e a época moderna; o conceito de história, antiga e moderna; autoridade; liberdade; crise na educação; crise na cultura; verdade e política; a conquista do espaço e a estatura humana. Defende o conceito grego de compreensão que não é compreender um ao outro como pessoas individuais, mas a olhar sobre o mesmo mundo do ponto de vista do outro, a ver o mesmo em aspetos bem diversos e frequentemente opostos. Analisa o declínio da trindade romana da religião, tradição e autoridade, salientando a semelhança entre Maquiavel e Robespierre. Considera que a razão de ser da política é a liberdade. Critica a ideia de soberania, porque se os homens desejam ser livres é precisamente à soberania que devem renunciar. [trad. fr. La Crise de la Culture, Paris, Éditions Gallimard, 1972; trad. port. Entre passado e futuro, São Paulo, Editora Perspectiva, 1972, com prefácio de Celso Lafer].

José Régio, A Salvação do Mundo

Heidegger, Vortrge und Aufstze

François Perroux, L’Europe sans Rivages

Charles de Gaulle, Mémoires de Guerre, I, L’Appel

Carl Friedrich, The Totalitarianism

Encontros Internacionais de Genebra, O Novo Mundo e a Europa

1955

António Alves de Campos, Filosofia e Existencialismo

Álvaro Ribeiro, A Arte de Filosofar

Rogério Soares, Interesse Público, Legalidade e Mérito

Bertrand de Jouvenel, De la Souverainité. À la Recherche du Bien Politique

George Friedmann, Industrial Society

Terrou, Information et l’État

Maurice Duverger, Institutions Politiques et Droit Constitutionnel

Pierre Vergnaud, Idée de Nationalité

Schumpeter, Imperialism and Social Classes

Jacques Leclercq, La Philosophie de Saint Thomas devant la Pensée Contemporaine

Erich Fromm, The Sane Society

Jean Monnet, Les États Unis-de l’Europe ont Commencé. La Communauté Européenne du Charbon e de l’Acier. Discours et Allocutions. 1952-1954

Raymond Aron, L’Oppium des Intelectuels

Raymond Aron e Daniel Lerner, La Querelle de la CED. Essais d’analyse sociologique

Herbert Marcuse, Eros and Civilization

Teilhard de Chardin, O Fenómeno Humano

Maurice Merleau-Ponty, Les Aventures de la Dialectique

Paul Ricoeur, Histoire et Verité

Encontros Internacionais de Genebra, Está a Cultura em Crise?

1956

António Alves de Campos, A Teoria Marxista do Valor e Plus-Valor

Adriano Moreira, Política Ultramarina

Robert Dahl, A Preface to Democratic Theory

Eric Weil, Philosophie Politique

Clifford Geertz, A Study in Processes and Allur Society     

W. Ross Ashby, Introdução à Cibernética      

Álvaro Pinto, Ideologia e Desenvolvimento Nacional

Mircea Eliade, Le Sacré et le Profane

Charles de Gaulle, Mémoires de Guerre, II, L’Unité. 1942-1944

Wright Mills, The Power Elite

Dusan Sidjanski, Fédéralisme Amphicthgonique

Encontros Internacionais de Genebra, Tradição e Inovação

1957

José Carlos Moreira, Do Direito,do Estado e das suas Relações

Álvaro Ribeiro, A Razão Animada

Henrique Barrilaro Ruas, A Razão Animada A Moeda, o Homem e Deus

Joel Serrão, Sampaio Bruno e o Positivismo

Anthony Downs, An Economic Theory of Democracy

Obra de Anthony Downs onde se procura o conceito de eleitor racional e calculador. Os candidatos a uma eleição fazem uma espécie de oferta de bens, quando estabelecem programas e formulam promessas. O eleitor procura maximizar a sua utilidade, tentando obter com o seu voto uma incidência ótima sobre as suas condições concretas de existência. O que supõe uma identificação dos respetivos interesses e a colocação dos mesmos dentro de uma escala de preferências, bem como a fiabilidade das promessas dos candidatos.

C. Q. Christo, Introduction to Political Science

José D. Domingues, Nacionalismo Luso-Árabe

Hans Welzel, Naturrecht und Rechtpositivismus

Sérgio Buarque de Holanda, Visão do Paraíso 

Teilhard de Chardin, La Vision du Passé 

Bertrand Russell, Why I am not a Christian and Other Essays

Max Beloff, The Europe and the Europeans

Denis de Rougemont, L’Aventure Occidentale de l’Homme

Milovan Djilas, The New Class

Hans Kohn, Is the Liberal West in Decline?

Encontros Internacionais de Genebra, A Europa e o Mundo de Hoje

1958

Aquilino Ribeiro, Quando os Lobos Uivam

J. K. Galbraith, The Affluent Society

Obra onde, analisando-se a evolução norte-americana, se considera que se atingiu uma era da opulência, um estádio de desenvolvimento económico onde o objetivo já não deve ser o da produção de mais bens de consumo, mas antes o do aperfeiçoamento dos serviços públicos. Uma sociedade afluente tem uma alta média de rendimentos, abundância de bens de consumo e um largo sector dos serviços. Contudo, gera uma crise de valores que ameaça paralisar a sociedade, principalmente quando os jovens recusam os modelos de participação oferecidos. A sociedade da abundância, depois dita sociedade de consumo, constitui uma espécie de crise de luxo, quando, para manter a crescente procura de bens de consumo, gera uma criação artificial de necessidades.

Gilberto Freyre, Integração Portuguesa nos Trópicos

Pablo Lucas Verdu, Introduccion al Derecho Politico

Milovan Djilas, Land without Justice

Jaguaribe, Nacionalismo na Atualidade Brasileira

Harry Eckstein, S. Ulam Beer, Spiro Adam e N. Wahl, Patterns of Government. The Major Political Systems of Europe

Ernst Bernard Haas, The Uniting Europe. Political, Social and Economic Forces

Jean-Albert Sorel, Le Destin de l’Europe

Hannah Arendt, The Human Condition

Encontros Internacionais de Genebra, O Homem e o Átomo

1959

Dir. de Fernando Guedes, Revista Tempo Presente

Maurice Duverger, Méthodes de la Science Politique

Kenneth Waltz, Man, the State and War

B. F. Skinner, Verbal Behaviour

Leo Strauss, What is Political Philosophy?

Ernest Gellner, Words and Things 

Alexandre Marc, L’Europe, Terre Décisive

Charles de Gaulle, Mémoires de Guerre, III Le Salut 1944-1946

Louis Althusser, Montesquieu, la Politique et L’Histoire

Ludwig Dehio, Germany and World Politics in the Twentieth Century

Gilberto Freyre, Ordem e Progresso

Encontros Internacionais de Genebra, O Trabalho e o Homem

1960

Francisco da Cunha Leão, O Enigma Português

Luís Cabral de Moncada, Para a História da Filosofia em Portugal no Século XX

Henrique Barrilaro Ruas, Ideologia. Ensaio de Análise Histórica e Crítica

General Maxwell Taylor, Incertain Trompet

Gadamer, Wahreit und Methode. Gründzüge einer philosophischen Hermeneutik

Erich Fromm, You Shall Be as Gods

Maurice Allais, L’Europe Unie, Route de Prosperité

Daniel Bell, The End of Ideology. On the Exhaustion of Political Ideas in the Fifties

Eric Weil, Philosophie Moral

Jean-Paul Sartre, Critique de la Raison Dialectique

Gabriel Almond e James Coleman, Politics of Developing Areas

Encontros Internacionais de Genebra, A Fome

1961

Luís Cabral de Moncada, Da Essência e do Conceito de Político

Orlando Vitorino, Introdução Filosófica à Filosofia do Direito de Hegel

Robert Dahl, Who Governs? Democracy and Power in an American City

Frantz Fanon, Les Damnés de la Terre

Frantz Fanon considera, numa perspetiva de análise psiquiátrica, que a descolonização é sempre um fenómeno violento, a expressão de uma necessidade psicossociológica, preenchendo uma dupla função: libertação em face do opressor e reconhecimento de si mesmo. Porque, para o colonizado, a vida só pode surgir do cadáver em decomposição do colono, dado que o colonialismo significou a morte da sociedade autóctone. Abater o colono é matar o opressor e o oprimido. As reflexões resultam da respetiva experiência profissional no Hospital de Blida, em Argel, em 1952, considerando que os distúrbios mentais que tratava eram uma consequência do colonialismo nos colonizados. Salienta que não podiam mudar-se os indivíduos sem que antes se mudasse o sistema. Assumindo a perspetiva leninista do imperialismo, defende a importância do subproletariado originário das massas rurais, e critica os partidos burocratizados e burgueses dos Estados pós-coloniais, ao mesmo tempo que defende a secularização dos novos Estados islâmicos bem como o modelo socialista. Considera que o verdadeiro inimigo é o imperialismo norte-americano situado no topo da pirâmide da exploração. Refere que tal imperialismo não é uma entidade dotada de faculdade para raciocinar. É a violência nua e crua e só cederá quando for confrontado com uma violência ainda maior. A violência revolucionária liberta o nativo do seu complexo de inferioridade, do seu desespero e inação. Faz com que ele se torne valente e restitui-lhe o amor-próprio. Acrescenta que a reivindicação da não-violência é uma fraude, dado que apenas se apregoa quando as vítimas são os brancos.

Erich Fromm, Marx’s Concept Of Man

João XXIII, Mater et Magistra

François Châtelet, Naissance de l’Histoire

Léopold Sédar Senghor, Nation et Voi Africaine du Socialismo

Denis de Rougemont, Vingt-huit Siècles d’ Europe

Bonneville, Prophètes et Témoins de l’Europe

Henri Brugmans, L’Europe prend le large

Encontros Internacionais de Genebra, As Condições da Felicidade

1962

António José de Brito, O Destino do Nacionalismo Português

Yves Guyot, The Galaxy Gutenberg

Zbigniew Brzezinski, Ideology and Power in Soviet Politics

Erich Fromm, Beyond the Chains of Illusion

Samuel E. Finer, Man on Horseback

Umberto Cerroni, Marx e il Diritto Moderno 

C. Wright Mills, The Marxists  

Raymond Aron, Paix et Guerre entre les Nations

Oakeshott, Rationalism in Politics

Gaston Bouthoul, Sauver la Guerre 

Denis de Rougemont, Les Chances de l’Europe

Pierre Duclos e Henri Brugmans, Fédéralisme Contemporain

C. B. Macpherson, The Political Theory of Possessive Individualism

Marshall McLuhan, The Gutenberg Galaxy

Raymond Aron, Dix huit Leçons sur la Societé Industrielle

Hans Kohn, The Age of Nationalism. The First Era of Global History

Milton Friedman, Capitalism and Freedom

Hannah Arendt, On Revolution

Encontros Internacionais de Genebra, A Vida e o Tempo

1963

Adriano Moreira, Ideologias Políticas

Luís Cabral de Moncada, Problemas de Filosofia Política

António Alçada Baptista, Revista O Tempo e o Modo

Bertrand de Jouvenel, The Pure Theory of Politics

Bertrand de Jouvenel (n.1903) em Teoria Pura da Política considera que a política é a ação que desencadeia aquele movimento que leva à agregação de outros, em torno do projeto ou da ideia de um determinado autor, sendo definida como o comportamento dos homens nos seus postos de autoridade e pelo movimento que inserem nos negócios políticos, como todo o esforço sistemático levado a cabo em qualquer parcela do âmbito para mover os outros em prol de algum projeto desejado pelo autor do mesmo, o que requer a manifestação de um facto que virá a relacionar-se com um acontecimento futuro, porque o futuro está sempre presente na mente do homem que atua. Neste sentido, refere que o político procura produzir um certo evento solicitando a ação de outros. Procura provocar ações cooperantes adequadas e, para obtê-las, orienta-se de maneira a que estas se produzam. Jouvenel aceita, deste modo, a perspetiva de Proudhon para quem a ação é a ideia, considerando que agimos suficientemente desde que espalhemos na atmosfera intelectual os germes da sociedade futura, porque a ação é política tanto pela sua matéria como pela sua forma(…) A ação de política pura é necessariamente agregativa(…) Onde a ação de agrupar tem por objetivo final a existência do grupo, há política pura. Considera mesmo que parece legítimo definir a atividade política como a atividade construtiva, consolidadora e conservadora dos agregados humanos.

Gabriel Almond e Sidney Verba, Civic Culture

Obra de Gabriel Almond e Sidney Verba, subtitulada Political Attitudes and Democracy in Five Nations. Consideram a cultura como orientação psicológica relativamente aos objetos sociais, isto é, a interiorização, por cada um, do sistema político” e a congruência de uma cultura política com uma estrutura política, estabelecem três modelos de cultura política ‑ a cultura paroquial, a cultura de sujeição e a cultura de participação. A estas três formas de cultura política corresponderiam três modelos de estrutura política: a tradicional, marcad pela descentralização; a autoritária, marcada pela centralização; e a democrática. salientam, no entanto, que qualquer cultura política efetivamente existente assume forma mista, equilibrando harmonicamente as três referidas componentes [reed., Boston, Little, Brown & Co., 1965].

Hannah Arendt, Eichmann in Jerusalem

Obra subtitulada um relatório sobre a banalidade do mal, onde se analisa a vida e o julgamento de um criminoso nazi, Adolf Eichman (1906-1962), polícia encarregado da solução final que, depois de refugiado na Argentina, onde vivia sob o nome de Ricardo Clemente, foi capturado em 1960 por Israel e submetido a um processo em Jerusalém, de Abril a Dezembro de 1961, que o condenou à morte. A obra irritou a comunidade judaica, dado que Hannah Arendt considera que os atos de Eichmann resultaram, não da perversidade do autor, mas da estupidez burocrática.

Harry Eckstein, Internal War

Maurice Duverger, Introduction à la Polique

Jean-Baptiste Duroselle, Idée d’Europe dans l’Histoire

Desqueyrat, Igreja e Política

Chaim Perelman, Justice et Raison

Carl J. Friedrich, Justice 

Carl Joachim Friedrich, Man and His Government

John Plamenatz, Man and Society. A Critical Examination of Some Important Social and Political Theories, from Machiavelli to Marx (ver ed. em 2 vols., Harlow, 1986)

Michel Foucault, Naissance de la Clinique. Une Archéologie du Regard Médical

Karl Deutsch, Nation Building

João XXIII, Pacem in Terris

Robert R. Alford, Party and Society. The Anglo-American Democracies

Theodor Adorno, Quasi una Fantasia

Jacinto Ferreira, Para um Verdadeiro Governo do Povo

Jean Blondel, Voters, Parties and Leaders

Robert Schuman, Pour l’Europe

Achille Albonetti, Pré-histoire des États Unis de l’Europe

Pierre-Henri Teitgen, Les Étapes de l’Idée Européenne

François Cardis, Fédéralisme et Integration Européenne

Encontros Internacionais de Genebra, Diálogo ou Violência?

1964

Bernard Crick, Defence of Politics

Bernard Crick considera que só há política quando se atinge um sistema político estável marcado pelas seguintes características: uma sociedade que reconheça ser complexa, composta de indivíduos e onde existam instituições representativas; onde a elite governante não exclua a participação política de outros grupos; onde exista uma classe média considerável; onde o governo exerça uma atividade predominantemente secular; onde o conflito social seja admitido como normal e institucionalizado; onde o crescimento económico não crie extremos de riqueza; onde a sociedade possa defender-se de forma normal, pelos meios diplomáticos e militares, mas onde também possa controlar os seus militares; onde haja uma tradição de especulação política, levando a que a elite governante tenha o desejo de atuar politicamente In Defence of Politics, Harmondsworth, Penguin Books, 1964 [trad. port. Em Defesa da Política, Brasília, Editora da Universidade de Brasília, 1981].

Roger Caillois, Instincts et Societé

Carlos Ferrão, Integralismo e a República

Erik Allardt, Institutionnalized versus Diffuse Support of Radical Political Movements

David Apter, Ideology and Discontent

Gilbert Durand, Imagination Symbolique

Raymond Aron, Power

Bendix, Nation-Building and Citizenship

Giovanni Sartori, Partiti e Sistemi di Partiti (1964-1965)

Óscar Soares Barata, Questão Racial

Charles Tilly, The Vendée

P.Farine, L’Europe en Devenir

Bernard Voyenne, Histoire de l’Idée Européenne

Ernst B. Haas, Beyond the Nation-State. Functionalism and International Organization

Álvaro Cunhal, Rumo à Vitória

Raymond Aron, La Lutte de Classes. Nouvelles Leçons sur la Societé Industrielle

James Burnham, Suicide of West. An Essay on the Meaning and Destiny of Liberalism

Adriano Moreira, Ideologias Políticas

Encontros Internacionais de Genebra, Como viver amanhã?

1965

ISCSPU, Colóquio A Unidade do Género Humano

ISCSPU, Antologia do Pensamento Político Português

António Alberto Banha de Andrade, Antologia do Pensamento Político Português 

Obra organizada por António Alberto Banha de Andrade, a partir do Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina, in Estudos Políticos e Sociais, vols. 2-3, ISCSPU, 1965. Inclui os seguintes textos:

  • Lourenço de Cáceres, «Doutrina ao Infante D. Luís», vol. 2, pp. 548-604.
  • Frei António de Beja, «Breve Doutrina e Ensinança de Príncipes», vol. 2, pp. 605-658.
  • Diogo de Sá, «Dos Reis e Principes Seculares e do que a seus Estados pertence», vol. 3, pp. 869-941 (estado terceiro do Tractado dos Estados Eclesiásticos e Seculares. Em que que por muy breve e claro stillo se mostra como em cada hum delles se pode o christã salvar).
  • Manuel de Sousa, «Parecer de 1 de Janeiro de 1535», vol. 3, pp. 942-953.
  • Frei Jerónimo de S. Bernardo, «Prática que fez e disse um lavrador a el-rei Arsano de Pérsia», vol. 3, pp. 954-977.
  • Gil Vicente, «Romance pela aclamação de D. João I», vol. 3, pp. 978-984.
  • Sá de Miranda, «Carta a El-Rei D. João», vol. 3, pp. 984-995]..

Antologias do pensamento político

  • FERNANDO CAMPOS- Os Nossos Mestres ou Breviário da Contra-Revoluço, Lisboa, Portugália Editora, 1924. O Pensamento Contra-Revolucionário em Portugal (Século XIX), em 2 vols., Lisboa, Edição de José Fernandes Júnior, 1931-1933.
  • UMBERTO CERRONI – O Pensamento Político. Das Origens aos Nossos Dias [1966], trad. port. em 7 volumes, Lisboa, Estampa, 1974-1975.
  • LUÍS WASHINGTON VITA – Antologia do Pensamento Social e Político no Brasil, São Paulo, Grijalbo, 1968
  • ROBERT DAHL/ D. H. NEUBAUER (org.) – Readings in Modern Political Analysis, Englewood Cliffs, 1968.
  • JOEL SERRÃO – Antologia do Pensamento Político Português. I.Liberalismo, Socialismo, Republicanismo, Porto, Inova, 1970 (Textos de Silvestre Pinheiro Ferreira, Manuel Fernandes Tomás, Mouzinho da Silveira, Almeida Garrett, António Feliciano de Castilho, José Estevão, Alexandre Herculano, Henriques Nogueira, Ramalho Ortigão, D. Pedro V, Júlio Dinis,, Antero de Quental, Teófilo Braga, Eça de Queirós, Oliveira Martins, Basílio Teles,, Sampaio Bruno, Fialho de Almeida, Raul Brandão, António Sérgio, Raul Proença)
  • GIOVANNI SARTORI (org.)- Antologia di Scienza Politica, Bolonha, Il Mulino, 1970.
  • ROMEU DE MELO- Sobre a Liberdade, Lisboa, Estúdios Cor, 1973.
  • PAUL T. MASON – O Totalitarismo, trad. port. de Nuno de Carvalho Santos, Lisboa, Delfos, s.d., incluindo textos de Carl J. Friedrich, Zbigniew Brzezinski, N.S. Timasheff, Karl Popper, Franz Neumann, George Orwell, Hannah Arendt, Arthur Koestler, T.W. Adorno, Edward Shills, J. J. Talmon, Erich Fromm, Ortega y Gasset, Teilhard de Chardin, Raymond Aron.
  • MÁRIO SOTTOMAYOR CARDIA – Seara Nova. Antologia. Pela Reforma da República 1921-1926, Lisboa, Seara Nova, 1971-1972, 2 vols.
  • ADRIANO MOREIRA e outros – Legado Político do Ocidente. O Homem e o Estado [1978], coordenação de Adriano Moreira, Alejandro Bugalho e Celso Albuquerque, Lisboa, Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1987
  • MANUEL BRAGA DA CRUZ – Teorias Sociológicas, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1984.
  • ANTÓNIO MANUEL HESPANHA – Poder e Instituições na Europa do Antigo Regime. Colectânea de Textos, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1984

Bertrand de Jouvenel, L’ Art de la Conjecture 

Obra de Bertrand de Jouvenel onde se critica a perspetiva monolinear da evolução da humanidade, naquilo que o autor qualifica como a teoria do caminho de ferro, segundo a qual nos grandes carris da humanidade, as nações são comboios que se sucedem, passando pelas mesmas estações, com mais ou menos atrasos face ao horário estabelecido.

Raymond Aron, Démocratie et Totalitarisme

Obra de Raymond Aron dividida em três partes: Conceitos e Variáveis (da política; da filosofia à sociologia política; dimensões da ordem pública; partidos múltiplos e partido monopolístico; a variável principal); Os Regimes Constitucionais-Pluralistas (análise das principais variáveis; do caracter oligárquico dos regimes constitucionais-pluralistas; a procura da estabilidade e da eficácia; da corrupção dos regimes constitucionais-pluralistas; será a corrupção inevitável?; a corrupção do regime francês); Um Regime de Partido Monopolístico (fio de seda e fio de espada; ficções constitucionais e realidade soviética; ideologia e terror; do totalitarismo; as teorias do regime soviético; o devir do regime soviético). Nas Conclusões disserta sobre a imperfeição dos regimes e sobre esquemas históricos.

David Easton, A Framework for Political Analysis

David Easton Considera o sistema político como um conjunto de interações de qualquer sociedade pelo qual se decidem e executam alocações obrigatórias ou autorizadas. As decisões e as ações autorizadas dos líderes que influenciam a distribuição de valores como o produto do sistema político. Faz uma distinção entre sistema político (o sistema inclusivo total) e sistemas parapolíticos (dos grupos e organizações) O sistema político como sistema autónomo e aberto mantendo relações de troca com o ambiente. Os inputs: exigências e apoios. As sobrecargas: quantitativa (volume stress) e qualitativa (content stress). As funções de ajustamento das exigências à capacidade do sistema. A expressão das exigências. A regulação das exigências. Os outputs ou produção do sistema político.

Harold Wilensky, Industrial Society and Social Welfare

Stanley Hoffmann, International Systems and International Law

Edgar Morin, Introduction à une Politique de l’Homme

Institut Internationale de Philosophie Politique, Idée de Philosophie Politique

Jacques Ellul, Illusion Politique

David Easton, Systems Analysis of Political Life

David Easton considera o sistema político como um conjunto de transações entre o sistema político e o ambiente. [trad. fr. L’Analyse du Système Politique, Paris, Librairie Armand Colin, 1974].

1966

Martim de Albuquerque, O Poder Político no Renascimento Português

Maurice Duverger, Sociologie de la Politique

Refletindo a moda do final dos anos sessenta, quando em França estava no auge a receção dos modelos empírico-analíticos da politologia norte-americana, Maurice Duverger utilizou a designação de sociologie de la politique para qualificar aquilo que subtitulou como Éléments de Science Politique. Isto é a ciência política assumia-se como sociologia da política (Paris, Presses Universitaires de France, 1966). O manual está dividido em três partes: conjuntos sociais, estruturas sociais e sistemas sociais. Nos conjuntos sociais, estuda por um lado as coletividades e, por outro, as culturas. As estruturas sociais são abordadas de seguida (1 – Poder e autoridade; 2 – Classes sociais). Depois de um confronto entre os modelos formais e os modelos teóricos, faz uma análise dos sistemas políticos numa perspetiva histórica (sistemas das sociedades sem escrita, sistemas das sociedades históricas e sistemas das sociedades em desenvolvimento). Dentro das sociedades em desenvolvimento, parte da distinção entre sociedades subdesenvolvidas e sociedades desenvolvidas, apontando, dentro destas, o confronto entre o sistema soviético e o sistema ocidental.

Gabriel Almond e G. Bingham Powell, Comparative Politics

Obra de Gabriel Almond e G. Bingham Powell, subtitulada A Developmental Approach. Aí se faz uma classificação dos sistemas políticos segundo o grau de diferenciação estrutural e de secularização cultural: sistemas primitivos (estruturas políticas intermitentes); sistemas tradicionais (estruturas governamentais diferenciadas, incluindo sistemas patrimoniais, sistemas burocráticos centralizados e sistemas políticos feudais); sistemas modernos (estruturas políticas diferenciadas). Entre os modelos de sistemas modernos: cidades-Estados secularizadas; sistemas modernos mobilizados (sistemas democráticos e sistemas autoritários); sistemas modernos pré-mobilizados (sistemas autoritários e sistemas democráticos).

  • Boston, Little, Brown & Co., 1966 [trad. cast. Politica Comparada. Una Concepción Evolutiva, Buenos Aires, Ediciones Paidós, 1972; trad. fr. Analyse Comparée des Systèmes Politiques, Paris, Éditions Inter-Nationales, 1972]. Com G. Bingham Powell.
  • Comparative Politics. System, Process and Policy, Boston, Little, Brown & Co., 1978. Com G. Bingham Powell.
  • Comparative Politics. A Theoretical Framework, 2ª ed., Nova York, Harper Collins, 1995. Com G. Bingham Powell.
  • Comparative Politics Today. A World View, 6ª ed., Nova York, Harper Collins, 1995. Com G. Bingham Powell.

Barbara Ward, Nationalism and Ideology

Raoul Girardet, Le Nationalisme Français

Michel Foucault, As Palavras e as Coisas

Robert Ardrey, The Territorial Imperative

Obra marcante do etologismo contemporâneo, da autoria de Robert Ardrey, subtitulada A Personal Inquiry into the Animal Origins of Property and Nations.

David Easton, Varieties of Political Theory

A. A. Banha de Andrade, Vernei e a cultura do seu tempo

Otão de Habsburgo, Europa, Campo de Batalha ou Grande Potência

John Kenneth Galbraith, The New Industrial State

General André Baeufre, L’OTAN et l’Europe

1967

João Ameal, A Ideia de Europa

Georges Balandier, Anthropologie Politique

Anthony Downs, Inside Bureaucracy

J. Pinharanda Gomes, Introdução à História da Filosofia Portuguesa

Carl J. Friedrich, An Introduction to Political Theory

Jean-Yves Calvez, Introduction à la Vie Politique

Van Doren, Idea of Progress

Institut Internationale de Philosophie Politique, Idée de Legitimité

Carl J. Friedrich, The Impact of American Constitutionalism Abroad

Roger Caillois, Les Jeux et les Homme

Noam Chomsky, Language and Mind

Fidelino de Figueiredo, Paixão e Ressurreição do Homem

Lorenzo Caboara, Partidos Políticos no Estado Moderno

James Burnham, The War we are in

G. William Domhoff, Who Rules America?

Robert Lafont, La Révolution Régionaliste

Nicos Poulantzas, Pouvoir Politique et Classes Sociales

Karl Deutsch (coord.), France, Germany and the Western Alliance. Study of Elite Attitudes on European Integration and World Politics

1968

Adriano Moreira, Política Internacional

Zippelius, Allgemeine Staatslehre        

Irving Zeitlin, Ideology and the Development of Sociological Theory

Jose Luis Aranguren, El Marxismo Como Moral

Julien Freund, Qu’est ce que la Politique?

Irving Louis Horowitz, Radicalism and Revolt Against Reason

Alfred Reginald Radcliffe-Brown, Structure et Fonction dans la Societé Primitive

Obra de Alfred Reginald Radcliffe-Brown que está na origem do estruturo‑funcionalismo (structural‑functional analysis). Considera que “a função social de um uso particular é a contribuição que ele traz à vida social considerada como o conjunto do funcionamento do sistema social. Esta definição pressupõe um sistema… tem uma certa unidade que devemos chamar unidade funcional”. A estrutura é um “acordo de pessoas que têm entre elas relações institucionalmente controladas ou definidas, tais como as relações do rei com os seus súbditos ou as do marido e da mulher”. Considera que “a realidade concreta é, não uma entidade, mas um processo, o processo da vida social. O processo em si mesmo consiste num imenso número de ações e interações de seres humanos agindo como indivíduos ou em combinações ou grupos… Os componentes ou unidades da estrutura social são pessoas, e uma pessoa é um ser humano, considerado não como um organismo, mas ocupando uma posição na estrutura social”. Salienta expressamente que “quando se lida com um sistema estrutural, trata‑se de um sistema de posições sociais, ao passo que na organização estamos em presença dum sistema de papéis sociais”. Isto é, a função passa a ser vista em termos teleológicos como a contribuição que uma atividade parcial oferece à atividade total da qual é parte. (cfr. trad. fr. Structure et Fonction dans la Societé primitive, Paris, Éditions de Minuit, 1968)

Habermas, Technik und Wissenschaft als Ideologie

Confronto entre as categorias de técnica e de ciência. Define a técnica como o poder racionalizado cientificamente através de processos objetivados. Analisa dois modelos de relação entre a técnica e a política: o modelo decisionista e o modelo tecnocrático. No primeiro, o mundo dos valores comanda a técnica, transformando esta num meio ao serviço dos fins, dos valores. No modelo tecnocrático, são as lógicas próprias da técnica que impõem as suas escolhas à prática política. Opta pelo primeiro modelo porque há dois tipos de racionalidade, uma para as questões técnicas e outro para as questões práticas.
[1987] Técnica e Ciência como Ideologia, Lisboa, Edições 70

Jean-Pierre Gonzi, Les Pionniers de l’Europe Communautaire

Anthony Sampson, Anatomia da Nova Europa

Louis Armand e Drancourt, Le Pari Européen

Hannah Arendt, Men in Dark Time

Merry e Serger Bomberger, Les Coulisses de l’Europe

1969

Rogério Soares, Direito Público e Sociedade Técnica

Luís de Almeida Braga, Espada ao Sol

Hannah Arendt, Crises of the Republic

Hannah Arendt reuniu três ensaios: A mentira na política; Desobediência civil e Da Violência, acrescentando-lhe Reflexões sobre política e revolução. O primeiro ensaio é uma análise crítica dos chamados Documentos do Pentágono, ou a história do processo norte-americano para a tomada de decisões em política vietnamita, encomendados por Robert McNamara em 1967. Considera-os como embuste, autoembuste, construção de imagem, ideologismo e desfatualização. No segundo ensaio, analisam-se os movimentos de desobediência civil norte-americanos da segunda metade dos anos sessenta, invocam-se as teses de Sócrates e de Thoreau e assume-se a necessidade do regresso a uma visão horizontalista da república norte-americano conforme as perspetivas dos pais-fundadores desembarcados com a Mayflower. Invoca-se a perspetiva do contrato social de John Locke, diverso da perspetiva teocrática do convénio bíblico e da tese verticalista de Hobbes. O contrato social de Locke guia não o governo, mas a sociedade, entendida como aliança. Tal contrato, se limita o poder de cada indivíduo, deixa intacto o poder da sociedade e o governo estabelece-se sobre o firme terreno de um contrato original entre indivíduos independentes. Assenta na reciprocidade, na força das promessas mútuas, pelo que a sociedade permanece intacta mesmo que o governo seja dissolvido. O governo recebe assim a sua força de um consentimento tácito geral e em vez de intimidar todos, une a todos. Há um conteúdo moral deste consentimento, assente no princípio do pacta sunt servanda. Critica o soberanismo, distingue poder e violência, defendendo o federalismo.

António José Saraiva, Inquisição e Cristãos Novos

José Júlio Gonçalves, Itinerários da Teoria Sociológica

Armando Manuel Marques Guedes, Introdução ao Estudo do Direito Político

Mario Albertini, L’Idée de Nation

Institut Internationale de Philosophie Politique, Idée de Nation

Georges Dumézil, Idées Romaines

Martim de Albuquerque, Jerónimo Osório criticou Maquiavel sem o ler

Herbert Lionel Adolphe Hart, Law, Liberty and Morality

Albert O. Hirschman, National Power and the Structure of Foreign Trade

Karl Deutsch, Nationalism and its Alternatives

Enrique Tierno Galvan, Razón Mecanica y Razón Dialectica

Norberto Bobbio, Saggi sulla Scienza Politica in Italia

Raymond Aron, Sainte Famille à l’Autre, D’ Essais sur les Marxismes Imaginaires

Martim de Albuquerque, Tacitismo Político em Portugal 

Paul-Henri Spaak, Combats Inachevés. De l’Espoir aux Décéptions

Harold Macmillan, Tides of Fortune. 1945-1955

Louise Weiss, Mémoires d’une Européenne

Vitorino Magalhães Godinho, O Socialismo e o Futuro da Península

Raymond Aron, Les Desillusions du Progrès

Mircea Eliade, Le Mythe de l’Eternel Retour

Milovan Djilas, The Unperfect Society. Beyond the New Class

Roger Garaudy, Le Grand Tournant du Socialisme

Carl Joachim Friedrich, Europe: an Emergent Nation?

1970

Joel Serrão, Antologia do Pensamento Político Português. I. Liberalismo, Socialismo, Republicanismo

José Pedro Pinto Leite, Política Nacional e Relações Internacionais

Robert Dahl, After the Revolution?

Obra subtitulada Authority in a Good Society. Está dividida em três partes. A primeira, sobre os três critérios da autoridade, abrange as seguintes matérias: escolha pessoal, competência e economia. Na segunda parte, sobre os diversos tipos de poder democráticos, analisam-se a soberania do povo; o princípio dos interesses afetados; as formas da democracia; a superioridade da democracia; o dilema da democracia direta; a dimensão humana da democracia. Na terceira parte, intitulada dos princípios aos problemas, abordam-se os seguintes assuntos: a desigualdade de recursos; uma firma mastodôntica; a democracia mastodôntica. (cfr. trad. fr. Après la Révolution. L’Autorité dans une Societé Modèle, Paris, Éditions Calmann-Lévy, 1973)

Stein Rokkan, Citizens, Elections, Parties

Obra de Stein Rokkan, com o subtítulo Approaches to the Comparative Study of the Processes of Developmnet, Nova York, McKay/ Oslo Universitets Forlaget, 1970. Considera que os partidos políticos nasceram no século XIX europeu, a partir de uma série de fraturas sociais: sobre a questão do Estado, em torno do antagonismo centralização /descentralização, segundo as marcas dos jacobinos / girondinos; sobre as relações entre a religião e a política (partidos laicistas ou agnósticos contra partidos confessionais ou defensores das liberdades religiosas); sobre a revolução industrial (partidos industrialistas contra partidos agrários); sobre o modo de produção industrial (partidos burgueses ou conservadores, representantes da burguesia, contra partidos operários ou socialistas, mobilizadores do proletariado).

Albert Hirchman, Exit, Voice and Loyalty

Obra de Albert Hirchman onde se considera que cada indivíduo, para maximizar o respetivo interesse pode sair de um grupo (exit), desertar, mudar de Estado, de religião, de classe ou de família. Numa segunda alternativa pode decidir tomar a palavra (voice) para participar no grupo. Finalmente pode permanecer leal (loyalty) ao grupo. Numa sociedade de mercado generalizado como a norte-americana privilegia-se a saída pessoal da classe, através da mobilidade social, ou do território onde se vive, pela mobilidade horizontal. Isto é, o indivíduo, em vez de se comprometer numa estratégia de protesto coletivo, através da mobilização social, tende a maximizar os seus ganhos através da saída individual do grupo.

Cambridge, Massachussetts, Harvard University Press, 1970 [trad. fr. Face au Déclin des Entreprises et des Institutions, Paris, Éditions Ouvrières, 1972; trad. cast. Salida, Voz y Lealtad, México, Fondo de Cultura Economica, 1977].

Charles A. Reich, The Greening of America

Henri Brugmans, Idée Européenne

Louis Althusser, Idéologie et Appareils Idéologiques de l’État

John Plamenatz, Ideology

António José Saraiva, Maio e a Crise da Civilização Burguesa

Jean-Marie Benoist, Marx est mort

Raymond Aron, Marxismes Imaginaires

Erik Allardt e Stein Rokkan, Mass Politics

Norbert Elias, Qu’est-ce que la Sociologie  

Hannah Arendt, On Violence

Haas, The Web of Interdependence

Ted Robert Gurr, Why Man Rebel

Alberto Pinheiro Xavier, Portugal e a Integração Económica Europeia

Denis de Rougemont, Lettre Ouverte aux Européens

Robert Lafont, Décoloniser en France. Les Régions face à l’Europe

Walter Hallstein, L’Europe Inachevée

Charles de Gaulle, Mémoires d’Espoir, I, Le Renouveau. 1958-1962 (o segundo volume, em 1971)

Walther Hofer (ed.), Europa und die Einheit Deutschlands. Eine Bilanz nach 100 Jharen

1971

Henrique Barrilaro Ruas, A Liberdade e o Rei

Fernando Pacheco de Amorim, Na Hora da Verdade

Pedro Soares Martinez, Manual de Direito Corporativo

Robert Dahl, Polyarchy

D. Vidaal, Essai sur l’Idéologie

Edward Mead Earle, Makers of Modern Strategy

Jean Charlot, Partis Politiques 

John Rawls, A Theory of Justice

Rawls parte da visão de Aristóteles para quem é uma peculiaridade dos homens, que eles possuam um sentimento de justiça e injustiça e que, ao compartilharem um comum entendimento de justiça, constroem uma polis. Do mesmo modo, um comum entendimento de justiça com equidade constrói uma democracia constitucional. O seu objetivo é o de apresentar uma conceção de justiça que generalize e eleve ao mais alto nível de abstração a teoria bem conhecida do contrato social que encontramos em Locke, Rousseau e Kant. Contudo, o contrato em Rawls não é um símbolo produtor de laços sociais, mas antes um processo lógico que deve configurar-se como um mero cálculo: a ordem legal é um sistema de regras coletivas dirigidas a pessoas racionais e os preceitos de justiça associados com o Estado de Direito são aqueles que seriam seguidos por qualquer sistema de regras, que corporificassem perfeitamente a ideia de um sistema legal, dado que há uma noção ideal da qual se supõe que as leis se aproximem. Considerando que a liberdade é um complexo de direitos e deveres definidos pelas instituições, assinala que uma sociedade bem estruturada é aquela que tem como objetivo a promoção do bem dos seus membros, efetivamente regulada por uma conceção pública de justiça. Assim, é uma sociedade em que todos aceitam e sabem que os outros também aceitam os mesmos princípios de justiça, e que as instituições sociais básicas satisfazem – e são conhecidas por satisfazer – esses princípios. Há assim vários graus da sequência do desenvolvimento moral. O primeiro é o da moralidade de autoridade que na sua forma primitiva é a da criança. O segundo é o da moralidade de associação, que poderá até incluir a comunidade nacional como um todo. Se o primeiro é uma coleção de preceitos, o conteúdo do segundo é dado pelos padrões morais adequados ao papel do indivíduo nas várias associações a que pertence. Por seu lado, o terceiro estádio é a moralidade de princípios. A equidade, o seu conceito fundamental, é, assim, o exato contrário da inveja. E uma sociedade bem ordenada assegura um equilíbrio entre o princípio da eficácia e o princípio da diferença, os dois princípios que integram o princípio da justiça. Retomando sementes lançadas por John Locke e Kant, veio considerar que a justiça política tem a ver com a estrutura básica da sociedade, com a maneira pela qual as principais instituições sociais distribuem os direitos e deveres fundamentais e determinam a partilha dos benefícios da cooperação social, proclamando-se que o conceito público de justiça é a carta fundamental de uma sociedade humana em boa ordem. Para Rawls, as pessoas, na sua situação inicial, optariam por um de dois princípios um tanto diversos: o primeiro requer igualdade na atribuição de direitos e deveres básicos, enquanto o segundo pretende que as desigualdades sociais e económicas, por exemplo, desigualdades de riqueza e de autoridade, são justas apenas quando resultarem na compensação de benefícios em favor de todos e em especial dos membros menos privilegiados da sociedade. Neste sentido, haveria dos princípios optados pelo pacto social: primeiro: cada pessoa deve ter um igual direito à mais extensa liberdade compatível com idêntica liberdade para todos; e segundo: as desigualdades sociais e económicas devem ser ajustadas de tal modo que sejam tanto (a) razoavelmente supostas em favor da vantagem de todos e (b) ligadas a posições e cargos abertos a todos. Por outras palavras, contra a demagogia dos ricos que paguem a crise, Rawls adota a posição de considerar que acabar com os ricos pode produzir mais pobres, pelo que a justiça pode significar admitir que se mantenham os ricos nos quadros de um processo de justiça política, aquela que admite desigualdade quando disso resultarem vantagens para todos, através da ocupação de posições não igualitárias, mas abertas a todos. Estes princípios, por ele qualificados como justice as fairness seriam os que pessoas livres e racionais reunidas pelos mesmos interesses adotariam inicialmente quando todos estivessem numa posição de igualdade, para definir os termos fundamentais a associação que estriam fazendo, que ele considera como se cada pessoa tivesse que decidir através de um raciocínio racional, situação que considera meramente hipotética. Esta seria uma posição diversa da adotada pelo utilitarismo, porque a sociedade é ordenada corretamente, sendo, consequentemente justa, quando as suas instituições são organizadas de forma que se tenha o maior saldo positivo da soma de satisfações de todos os indivíduos que a ela pertençam, onde o princípio da escolha, para uma associação de homens é interpretado como a extensão do princípio de escolha a um indivíduo, de adotar para toda a sociedade o princípio da escolha racional de um só homem.

1972

Mário Soares, Le Portugal Bailoné

Vital Moreira, Direito Corporativo

Capitalisme et Schizophrénie

Falam num Urstaat, num “Estado Primordial que se abate sobre a organização primitiva e a reduz à sua mercê”. Este Urstaat, como tal batizado por Nietzsche, equivaleria às “máquinas de guerra” das civilizações nómadas e constituiria o início do Estado Moderno. Para estes autores, portanto, o Estado sempre existiu em todos os lugares e em todos os tempos e sempre muito perfeito e muito formado. Porque “não é apenas a escrita que supõe o Estado, é a palavra, a língua, a linguagem. A autossuficiência, a autarquia, a independência, a preexistência de primitivos comuns é um sonho de etnólogo”.

Raymond Aron, Études Politiques. Recueil d’Essais

Obra de Raymond Aron, destacando-se os seguintes estudos: «De la Verité Historique des Philosophies Politiques» (1964); «A Propos de la Théorie Politique» (1962); «Macht, Power, Puissance: Prose Démocratique ou Poésie Demoniaque?» (1964); «Définition Libérale de la Liberté; Réflexions sur la Politique et la Science Politique Française» (1955); «Remarques sur la Classification des Régimes Politiques» (1965).

Edward Shils, Intellectuals and the Powers

Sérgio Buarque de Holanda, Do Império à República

Djacir Lima Menezes, Ideias contra Ideologias

Pierre Clastres, Chronique des Indes Guyaki

Maurice Duverger, Janus, Les Deux Faces de l’Occident

H. Vedrine, Machiavel ou la Science du Pouvoir

Zeev Sternhell, Maurice Barrès et le Nationalisme Français

Edgar Morin, Le Paradigme Perdu. La Nature Humaine

Domenico Fisichella, Partiti e Gruppi di Pressione

Arthur Koestler, Les Racines du Hasard

Girard, Violence et Sacré

Leo Strauss, Xenophon’s Socrates

Jean Monnet, L’Europe Unie, de l’Utopie à la Realité

Léo Moulin, L’Aventure Européenne

Altiero Spinelli, Agenda pour Europe. Ce qui existe. Ce qui reste à faire

Bertrand de Jouvenel, Du Principat

Carlos Roma Fernandes e Pedro Álvares, Portugal e o Mercado Comum

Paul Binoux, Les Pionniers de l’Europe

Buchanan e Tollison, Theory of Public Choice

1973

Vital Moreira, A Ordem Jurídica do Capitalismo

Francisco Lucas Pires, O Estado Pós-Corporativo

Gilberto Freyre, Além do Apenas Moderno

Georges Balandier, Anthropo-Logiques

Arthur M. Schlesinger Jr., Imperial Presidency

Neil Joseph Smelser, Karl Marx on Society and Social Change

Jean-Pierre Faye, Langages Totalitaires, 1973

Hayek, Law, Legislation and Liberty (1973-1979)

I.Rules and Order, 1973

II. The Mirage of Social Justice, 1976

III-Political Order of a Free People, 1979

David Friedmann, The Machinery Of Freedom

F. H. Hinsley, Nationalism and the International System

Bernard Jaumont, Daniel Lenègre e Michel Rocard, Le Marché Commun contre l’Europe

Roger Massip, Pierre Gerbet e outros, La Greffe Européenne

Raymond Aron, République Impériale

Alexandre Soljenitsine, Arquipélago de Gulag

1974

Martim de Albuquerque, A Sombra de Maquiavel na Ética Tradicional Portuguesa

Martim de Albuquerque, A Consciência Nacional Portuguesa

Robert Nozick, Anarchy, State and Utopia

Obra de Robert Nozick marcada por um estrito neoliberalismo. Está dividida em três partes: Teoria do Estado de Natureza, Além do Estado Mínimo e Utopia. A primeira tem como subtítulo Como recair no Estado sem realmente tentar. O autor parte das seguintes questões sobre a análise das restrições morais e do Estado: se o Estado não existisse, seria necessário inventá-lo? Seria o Estado necessário e teria de ser inventado? A tese de Robert Nozick: associações de proteção mútua (implicam a mobilização permanente dos respetivos membros); agências de proteção em concorrência (há pessoas pagas para o exercício de funções de proteção, oferecendo-se, em regime de concorrência, diferentes políticas de proteção); agência protetora dominante (uma agência de proteção, vencendo a concorrência exerce um monopólio de facto); Estado ultramínimo (monopólio do uso da força, excluindo as represálias privadas); Estado mínimo (o Estado como uma grande companhia de seguros, uma espécie de Estado Guarda Noturno da teoria clássica, mas já com funções redistributivas, quando obriga algumas pessoas a pagar o serviço de proteção).

Jean Blondel, Ideologies and Attitudes 

Pierre Ansart, Idéologies Politiques

Joseph Gabel, Idéologies (1974-1978)

F. Dumont, Idéologies

J. Carlos Vieira de Andrade, Imparcialidade da Administração

Martim de Albuquerque, Jean Bodin na Península Ibérica

Pierre Clastres, La Societé contre l’État. Recherche d’Antropologie Politique

Julien Freund, Pareto. La Théorie de l’Equilibre

Perry Anderson, Passages From Antiquity to Feudalism

Martim de Albuquerque, A paz universal no pensamento português

Cândido Oliveira, Tarrafal. O Pântano da Morte

Martim de Albuquerque, Valor politológico do Sebastianismo

Adriano Moreira, A Europa em Formação

António Spínola, Portugal e o Futuro

Roger-Gérard Schwartzenberg, Sociologie Politique

1975

Jorge Campinos, A Ideologia Política do Estado Salazarista

A. Castanheira Neves, A Revolução e o Direito

Charles Tilly, The Formation of National States in Western Europe

Charles Tilly define o Estado como organização que controla a população ocupando um território definido na medida em que é diferenciada das outras organizações que operam sobre o mesmo território; é autónoma; é centralizada; e as respetivas subdivisões são coordenadas umas com as outras. Porque o Estado nasceu contra uma sociedade tradicional que era marcada pela resistência das estruturas comunitárias, pela ossificação da periferia e pela recusa de integração em novas redes de troca. E também não seriam despiciendos alguns fatores económicos, dado que o Estado protege novas atividades económicas, desencadeia a conversão da agricultura, favorece a procura de mercados e assegura o controlo dos mares.

Cornelius Castoriadis, Institution Imaginaire de la Societé

Gino Germani, International Politics

Fernando Luso Soares, Introdução à Política

Mattei Dogan, Mandarins of Western Europe

Tom Bottomeore, Marxist Sociology

Nazli Choucrie, Nations in Conflict

Roger Garaudy, Parole d’Homme

John Chapman, Participation in Politics

Lorenzo Caboara, Partitocracia Cancrena dello Stato

Harry Eckstein e Ted Robert Gurr, Patterns of Authority. A Structural Basis for Political Inquiry

D. António Ferreira Gomes, Paz em Portugal pela Reconciliação dos Portugueses

Mário Castelhano, Quatro Anos de Deportação

Edward O. Wilson, Sociobiology. A New Synthesis

Edward O. Wilson considera, no sentido darwinista que o organismo não sobrevive por si mesmo. A sua função primária não está na própria reprodução de outros organismos; ele reproduz genes que apenas lhe servem de veículo temporário.

Samuel Finer, State an Nation Building

Obra de Samuel Finer, onde se considera que o Estado surgiu quando ocorreu uma modificação da estratégia das elites periféricas que abandonaram a sua tradicional resistência perante o centro do sistema político e passaram a procurar obter o controlo do mesmo. Tal momento aconteceu com o fim da sociedade feudal e o aparecimento do Estado Territorial, dado que, a partir de então, a relação centro-periferia se fez em termos de dominação.

Michel Foucault, Vigiar e Punir

Harold Wilensky, Welfare State and Equality 

Immanuel Wallerstein, World Economy

Ray S. Cline, World Power Assessment. A Calculus of Strategic Drift

Pierre Birnbaum, La Fin du Politique

Jean Lecerf, La Communauté en Péril

1976

Eduardo Lourenço, O Fascismo Nunca Existiu

Adriano Moreira, A Comunidade Internacional em Mudança

António Quadros, Portugal entre o Ontem e o Amanhã

Orlando Vitorino, Refutação da Filosofia Triunfante

Daniel Bell, The Cultural Contradictions of Capitalism

Daniel Bell analisa impiedosamente a sociedade capitalista, a partir de uma perspetiva neoconservadora. Considera que na base da crise espiritual está o hedonismo que leva à perda da noção de civitas, ao egocentrismo e à indiferença face ao bem comum, com falta de confiança no futuro e a crise de legitimidade das instituições liberais. No capitalismo norte-americano desapareceu o conceito protestante de santificação do trabalho. A crise cultural leva à instabilidade política: é nestas circunstâncias que as instituições tradicionais e os procedimentos democráticos de uma sociedade se desmoronam e que se afirmam cóleras irracionais acompanhadas pelo desejo de ver surgir o homem providencial que salve a situação. Salienta que a legitimidade pode assentar nos valores do liberalismo político se se dissociar do hedonismo burguês.

Erich Fromm, To Have and to Be

Enrique Tierno Galvan, Qué són las Izquierdas

Alvaro Dors, Introduccion al Estudio del Derecho

Samir Amin, Impérialisme et le Développement Inégal

Samir Amin, Impérialisme et Sous-développement en Afrique

Michael Walzer, Just and Injust Wars

Roberto Mungabeira Unger, Law in Modern Society

Norberto Bobbio, Il Marxismo e lo Stato

Dennis Farlie, Party Identification and Beyond Representation of Voting and Party Competition

Ian Budge, Party Identification

Jose Luis Aranguren, Qué son los Fascismos?

Michel Foucault, Volonté de Savoir

José Miguel Júdice, Voluntarismo na Revolução Portuguesa

Martim de Albuquerque, A Paz Universal no Pensamento Português

Jean Monnet, Mémoires

Raymond Aron, Penser la Guerre. Clausewitz

Revista Esprit, Retour de la Politique

Yann de l’Écotais, L’Europe Sabotée

Gaston Thorn, L’Intégration Européenne entre le Dépérissement et l’Espoir

Giscard d’Estaing, Démocratie Française

Alain Peyrefitte, Le Mal Français

1977

Adriano Moreira, A Europa em Formação

Obra de Adriano Moreira (Lisboa, Sociedade de Geografia, 1977) (dissertação de doutoramento em Direito apresentada na Universidade Complutense de Madrid). A obra está assim dividida:

  • Introdução (a plataforma ocidental, a formação do Euromundo, o processo de recuo, a descentralização e a separação);
  • cap. I – Os critérios da unidade (as afinidades laicas; os critérios da reorganização);
  • cap. II – O espaço europeu (história do presente, os modelos, o europeísmo);
  • cap. III – A organização do espaço (os apelos, a Europa militar, a Europa política, a Europa económica);
  • cap. IV – A Europa em formação (a política das fronteiras, a conjuntura internacional portuguesa).

Gomes Canotilho, Direito Constitucional

J. Nogueira Pinto e A. Marques Bessa, Introdução à Política

Ernst Bloch, Aesthetics and Politics 

Milton Friedmann, From Galbraith to Economic Freedom

Bourricaud, Individualisme Institutionnel

Milton Friedman, Inflation and Unemployment. The New Dimension of Politics

Ubiratan Borges de Macedo, Introdução à Teoria dos Valores

Pierre Ansart, Idéologies, Conflits, Pouvoir (1977-1984)

John Kenneth Galbraith, Era da Incerteza

Glucksmann, Les Maîtres Penseurs

Samir Amin, Nation Arabe

Hugh Seton-Watson, Nations and States

Albert O. Hirschman, Paixões e Interesses

René Dumont, Paysans Écrasés, Terres Massacrées

Ronald Dworkin, Taking Rights Seriously

Obra de Ronald Dworkin onde se estabelece a diferença entre lei e direito, bem como entre legalidade (being obliged) e legitimidade (being obligated), salientando que nem toda a legalidade é legítima. Recusa também reduzir o direito a um conjunto de regras (legal rules), considerando que estas são interpretadas e incorporadas no interior de um sistema marcado por princípios gerais, enunciados de objetivos e modelos (standards) de julgamentos, que permitem a aplicação das regras a situações, muitas vezes, não previstas pelo legislador. Os princípios gerais são considerados como enunciados de objetivos, como modelos ou padrões de julgamento. As regras são aplicações segundo o princípio do tudo ou do nada, apesar de nelas poderem existir exceções que apenas as confirmam. Outro é o perfil dos princípios que não pretendem determinar as condições que tornam a sua aplicação necessária, afirmando mais uma razão que favorece uma determinada direção, mas não necessitam de uma decisão particular. Dworkin considera também que o verdadeiro pai do liberalismo não é Bentham… mas Kant, salientando qualquer defesa do liberalismo é também uma defesa da igualdade. E numa posição anti positivista retoma a teoria da experiência de Burke contra o utilitarismo, considerando que injusto nas suas consequências, porque perpetua a pobreza enquanto um meio para a eficiência, e é deficiente na sua teoria da natureza humana, porque vê os indivíduos enquanto átomos egoístas da sociedade, em vez de considerá‑los seres cujo sentido de comunidade é uma parte essencial do seu sentido do ego.

Jean-William Lapierre, Vivre sans État? Essai sur le Pouvoir Politique et l’Innovation Sociale

Ian Budge, Voting and Party Competitions 

Dennis Farlie, Voting and Party Identification

Alain de Bénoist, Vu de Droite

Denis de Rougemont, L’Avenir est nôtre Affaire

Raymond Aron, Playdoyer pour l’Europe Décadente

Maurice le Lannou, Europe, Terre Promise

Andre Glucksmann, Les Maîtres Penseurs

Bernard-Henri Lévy, La Barbarie à Visage Humain

René-Gérard Schwartzenberg, L’Etat Spectacle. Essai pour et contre le Star System en Politique

Jean-François Deniau, L’Europe Interdite

1978

Martim de Albuquerque, Jean Bodin na Península Ibérica

Eduardo Lourenço, O Labirinto da Saudade

Armando Marques Guedes, Ideologias e Sistemas Políticos

Manuel Braga da Cruz, As Origens da Democracia Cristã e o Salazarismo

Jorge Miranda, A Constituição de 1976

António Quadros, A Arte de Continuar Português

José Barata Moura, Ideologia e Prática

Perry Anderson, L’État Absolutiste

Bertrand Badie, Le Développement Politique

François Châtelet, Histoire des Idéologies

Henri Lepage, Demain, le Capitalisme

Adriano Moreira, C. Albuquerque e A. Bugallo, Legado Político do Ocidente

Nicos Poulantzas, L’État, le Pouvoir, le Socialisme

Obra de Nicos Poulantzas, onde se desenvolvem as teses de Althusser sobre os aparelhos ideológicos. Numa primeira parte analisa-se a materialidade institucional do Estado. Na segunda parte, abordam-se as lutas políticas, a ideia de Estado como condensação de uma relação de forças. Na terceira parte, o Estado e a Economia hoje, analisando-se os limites do Estado-Moloch. Na quarta parte, o declínio da democracia, sobre o estatismo autoritário. Considera que toda a teoria política, desde Max Weber, ou dialoga com o marxismo ou o ataca. Concorda com Marx, quando este atribui ao Estado uma função global de coesão e considera que o Estado possui esta função particular de constituir o fator de coesão dos níveis de uma formação social. Acentua, no entanto, que numa perspetiva antropológica esta função não é específica da forma histórica particular do poder político que é o Estado. Ela define todo o poder político, incluindo o das sociedades cujo modo de organização política não comporta qualquer aparelho de Estado especializado nesta função. Nestes termos, considera que a unidade nacional torna‑se…historicidade de um território e territorialização de uma história, em suma, tradição nacional de um território materializado no Estado nação que o reconhece quando declara que “não há teoria marxista de nação”, embora os clássicos do marxismo admitam “claramente e explicitamente a permanência da nação mesmo depois da extinção do Estado na sociedade comunista sem classes”. Do mesmo modo, o teórico comunista francês, Roger Martelli, se aceita que Marx e Engels “não elaboraram teoria geral da nação” , não deixa de desculpá‑los, interrogando‑se sobre se ” a ciência do seu tempo” lhes deu “para tanto meios?” o espaço político na Antiguidade ,como assinala Nicos Poulantzas “é um espaço que tem um centro, a polis(que tem, por sua vez, um centro o ágora), mas não tem fronteiras no sentido moderno do termo. É um espaço concêntrico, mas aberto”. E “coloniza‑se para fundar cópias de Atenas e de Roma…as cidades estão abertas aos campos…todos os caminhos levam a Roma no sentido de que Roma está em toda a parte por onde circula o soberano” Já no feudalismo medieval o espaço político é “homogéneo, contínuo, reversível e aberto…as cidades e os domínios feudais estão abertos e voltados, por uma série de epicentros, para esse centro umbilical que é Jerusalém” e “o corpo político de cada soberano encarna a unidade desse espaço como o corpo de Cristo‑Rei e o espaço está assinalado pelas vias do Senhor”. (O Estado, o Poder, o Socialismo, José Saramago, trad., Lisboa, Moraes Editores, 1978).

António Marques Bessa, Introdução à Política

António Marques Bessa, Introdução à Etologia

Jean-Luc Chabot, Idée d’Éurope Unie 

Derossi, Illusione tecnocratica

Paul-Laurent Assoun, Marx Et La Répétition Historique 

Sidney Verba, Participation and Political Equality

G. William Domhoff, Who Really Rules?

Alfred Grosser, Les Occidentaux.Les Pays de l’Europe et les États Unis, depuis la Guerre

Jorge Miranda, A Constituição de 1976

Fernando Pessoa, Sobre Portugal e Da República, antologias de Joel Serrão

Charles Zorgbibe, La Construction Politique de l’Europe

J. Cândido de Azevedo, A Adesão de Portugal à CEE

Robert Pitch, Deutschland-Frankreich-Europa. Bilanz einer schwierigen Partnerschaft

1979

Adriano Moreira, Ciência Política

Francisco Sá Carneiro, Uma Constituição para os Anos Oitenta

Armando Marques Guedes, Teoria Geral do Estado

Manuel Antunes, Repensar Portugal

Vital Moreira, O Renovamento de Marx

Blandine Barret-Kriegel, État et les Esclaves

Obra de Blandine Barret-Kriegel, onde se faz um confronto entre o Estado de Direito e o Estado Déspota. Defende-se a necessidade de juridificar a política e de constitucionalizar o poder, criticando-se os despotismos modernos nascidos do imperialismo e do socialismo e que se exportaram ou importaram com o colonialismo e o totalitarismo. No despotismo, o poder é tudo e a política, nada, havendo uma astenia do político e uma anemia do jurídico. Um regime onde o terror substitui o direito e o medo substitui a legitimidade. Defesa do Estado, considerando que o antiestatismo, paralelo ao antijuridicismo, é o prolegómeno do nacionalismo, tendo sido particularmente desenvolvido pelo romantismo.

Alain de Bénoist, Idées à l’Endroit

Augustin Cochin, L’Esprit du Jacobinisme

Anthony D. Smith, National Movements in the 20th Century

Pierre Birnbaum e Bertrand Badie, Sociologie de l’État

Pierre Birnbaum e Bertrand Badie assumem o regresso do Estado. Na primeira parte analisam o Estado na teoria sociológica, a partir das teses de Marx, Durkheim e Weber, bem como o falhanço da sociologia dominante contemporânea sobre a matéria. A segunda parte é sobre o Estado, as sociedades e a história, analisando-se a divisão do trabalho, o capitalismo, a estrutura social, a cultura, a dissociação e a difusão do Estado. A terceira parte compara o Estado, o centro e o poder, comparando os modelos da França, da Prússia, da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos. Consideram a instituição estadual como uma inovação particular, situada no espaço e no tempo, visando assumir-se como um instrumento de racionalização política, mas que não foi e não tem de ser, em todos os espaços e em todos os tempos, o modo único de governo das sociedades. Há uma segunda edição, Paris, Éditions Bernard Grasset, 1982.

Michel Maffesoli, La Violence Totalitaire. Essai d’Anthropologie Politique

Groupe Cadmos, Rapport au Peuple Européen sur l’État de l’Union Européenne, red. por Denis de Rougement

Charles André, L’Europe à la Croisé des Chemins

Georges Burdeau, La Politique au Pays des Merveilles

Milton Friedman, Free to Choose

Friedrich Hayek, Law, Legislation and Liberty, III, Political Order of a Free People

Roger Garaudy, Appel aux Vivants

1980

J. S. Silva Dias e Graça S. D., Os Primórdios da Maçonaria em Portugal

Francisco Videira Pires, Marx e o Estado

Boaventura Sousa Santos, O Discurso e o Poder

Thomas Fleiner-Gerster, Allgemeine Staatslehre

Bernard Voyenne, Information Aujourd’hui

Pierre Favre, Marxismes après Marx

Paul-Laurent Assoun e G. Raulet, Marxisme Et Théorie Critique

L. Tivey, Nation-State. The Formation of Modern Politics

Michael Walzer, Radical Principles

A. A. Banha de Andrade, Verney e a Projecção da sua Obra

Jean Blondel, World Leaders

Ray S. Cline, World Power Trends and U S Foreign Policy for the 1980s

João Paulo II, Dives in Misericordia

Paul Reuter, La Naissance de l’Europe Communautaire

Alvin Toffler, The Third Wave

Henri Lepage, Demain le Libéralisme

António Barbosa de Melo, Democracia e Utopia

João Mota Campos, L’Ordre Constitutionnel Portugaise et le Droit Communautaire

Jaime Nogueira Pinto (ed.), Portugal no ano 2 000

1981

Martim de Albuquerque, Primeiro Ensaio sobre a História da Ideia de Europa no Pensamento Português

Luís Reis Torgal, Ideologia, Política e Teoria do Estado na Restauração

Paul-Laurent Assoun, Introduction a l’épistémologie freudienne

Emmanuel Todd, Invention de la France

Norberto Bobbio, La Ideologia e il Potere in Crisi

François Châtelet, Idéologies 

João Paulo II, Laborem Exercens

Jacques Ellul, La Parole Humiliée

Vamireh Chacon, História dos Partidos Brasileiros

Jean-Baptiste Duroselle, Tout Empire Périra

Obra do fundador da escola francesa de história das relações internacionais, Jean-Baptiste Duroselle, subtitulada Une Vision Théorique des Relations Internationales, nascida do ensino na Sorbonne. Considerando o império como um excès de puissance, enumera várias formas do mesmo: o império efémero do conquistador, marcados pela combatividade de um povo e pela ambição de um homem, como foi o de Alexandre da Macedónia (1); o império ligado a uma dinastia, mais durável que o primeiro, como foi o império bizantino (2); o império marítimo ou colonial, como os dos fenícios, dos vikings ou da expansão europeia de portugueses, espanhóis, franceses e ingleses (3); o império clandestino do atual imperialismo económico (4). Ver a reed., Paris, Librairie Armand Colin, 1992.

Robert Gilpin, War and Change in World Politics

Régis Débray, Critique de la Raison Politique

OCDE, L’Etat Protecteur en Crise

Pierre Rosanvallon, La Crise de l’Etat Providence

Pascal Fontaine, Une Course sans Retour, Lausanne, Centre de Recherches Européennes

Peter Bender, Das Ende des ideologischen Zeitalters. Die Europaiserierung Europas

António José Fernandes, A Comunidade Europeia e Portugal. Problemática do Alargamento para o Sul

1982

António Quadros, Poesia e Filosofia do Mito Sebástico

Charles Debbasch, Introduction à la Politique

Francis G. Castles, Impact of Parties

John A. Amstrong, Nations before Nationalism

Michael Novak, The Spirit of Democratic Capitalism

Michael Novak defende o capitalismo democrático, assente em três elementos: uma economia de livre concorrência, um regime democrático respeitador dos direitos dos indivíduos, um conjunto de instituições culturais pluralistas animadas pelos ideais de liberdade e justiça para todos. Acentua a necessidade do progresso, da empresa, da interdependência e da cooperação). Considera uma “tragédia” o facto da “incapacidade da Igreja em compreender as raízes ético‑culturais” do capitalismo e dos intelectuais católicos deste século traçarem uma clara fronteira entre a filosofia católica (do personalismo, da comunidade e do solidarismo) e a filosofia anglo‑saxónica (do individualismo, do utilitarismo e do pragmatismo). È que o capitalismo democrático é “um sistema tripartido: económico, moral e político ao mesmo temporais do que um sistema é “um modo de viver” marcado pelo “pluralismo”, isto é, pelo não conhecimento de “um sentido coletivo do que é bom e verdadeiro”, como defendem tanto os tradicionalistas como os socialistas. O que passaria tanto por uma separação entre a economia, a política e a religião, como por “uma das teorias menos moralmente pretensiosas”, o utilitarismo de Bentham. Ora “a própria estrutura do capitalismo democrático tem por alvo a comunidade”, mas “não, evidentemente, na linha nostálgica da Gemeinschaft, mas como uma nova ordem de comunidade, a comunidade de pessoas livres, em associações voluntárias” e que se traduz em quatro ideias estruturais:” a do progresso mundial” ou da riqueza de todas as nações, que é “uma intenção social e universal”; a ideia de empresa que é “um instrumento social novo” de interdependência, privilegiando a cooperação em lugar do protecionismo bem como o ethos da cooperação [trad. port. do padre João Evangelista, com prefácio de Paulo Portas, O Espírito do Capitalismo Democrático, Coimbra, Gráfica de Coimbra, 1985, com patrocínio do Movimento Católico de Empresários e Gestores].

George Gilder, Wealth and Poverty

Mancur Olsen,  The Rise and Declin of Nation

Organização Francesa da Movimento Europeu, L’Europe em Péril

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Joaquim Aguiar, A Ilusão do Poder

Orlando Vitorino, Exaltação da Filosofia Derrotada

António Teixeira Fernandes, O Social em Construção

Editorial Verbo (1983-1987), Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado

John Kenneth Galbraith, Anatomy of Power

John Kenneth Galbraith analisa o poder referindo três instrumentos através dos quais o mesmo se exerce: o poder condigno (condign power), isto é, o que obtém a submissão, infligindo ou ameaçando consequências adversas, que é um poder coercitivo; um poder compensatório, que é aquele que conquista a submissão oferecendo uma recompensa positiva; finalmente um poder condicionado, que é exercido mediante a mudança de uma convicção ou de uma crença. Para o mesmo autor, por trás destes três instrumentos, existiriam, aliás, três fontes do mesmo poder: a personalidade, ou liderança; a propriedade, ou riqueza; e a organização.Anatomia do Poder (1983), trad. port. de Hilario Torloni,Lisboa,Difel,s.d.

Louis Dumont, Essais sur l’ Individualisme

Gilberto Freyre, Insurgências e Ressurgências Atuais

Simone Goyard-Fabre, L’ Interminable Querelle du Contrat Social

António Quadros, Introdução à Filosofia da História

João Baptista Machado, Introdução ao Direito

Moses Finley, Invention du Politique

Garcia Pelayo, Idea de Politica

Leonardo Boff, Igreja, carisma e poder

Benedict Anderson, Imagined Communities

Yves Cannac, Juste Pouvoir 

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Jean Defrasne, Pacifisme

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Marcelo Rebelo de Sousa, Partidos Políticos no Direito Constitucional Português

Domenico Fisichella, Rappresentanza Politica

Clifford Geertz, Saber Local, Saber Global

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Giles Lipovetsky, L’Ère du Vide

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Chaim Perelman, Le Raisonnable et le Déraisonnable en Droit. Au-delà du Positivisme Juridique

Niklas Luhmann, Allgemeinen Theorie

Niklas Luhmann tenta aplicar o modelo autopoiético ao mundo do direito, quando admite que a autorreferência e a circularidade constituem um princípio vital tanto de células, sistemas nervosos e organismos, como dos próprios sistemas sociais. Assim, também o direito é entendido como um sistema autorreferencial, dado que os respetivos elementos são produzidos e reproduzidos pelo próprio sistema, através de uma sequência de interação circular e fechada. O sistema jurídico, como subsistema social, radica a sua autonomia num código binário próprio (o legal/ilegal), código que seria o centro de gravidade de uma rede circular e fechada de operações sistémicas. Há até o paradoxo de uma clausura autorreprodutiva, dado que o sistema jurídico é tanto mais aberto e adaptável ao ambiente que o rodeia, quanto mais mantêm intacta a autorreferencialidade das respetivas operações. Desta forma, porque o direito vive em clausura comunicativa, deixa de ter sentido a procura do respetivo fundamento numa ordem superior, pois, quando se proclama que não existe direito fora do direito, está a dizer-se que o direito se reduz ao ordenamento jurídico positivo, não se admitindo a juridicidade do direito natural. Assim, segundo as palavras de Luhman, o sistema jurídico não pode importar normas jurídicas do seu meio envolvente e, inversamente, as normas jurídicas não podem ser válidas como direito for a do próprio direito, havendo a chamada autorreprodução do direito.

Guy Sorman, La Solution Libérale

Pierre Birnbaum, Dimensions du Pouvoir

Claus Offe, Contradiction of the Welfare State

Jean-François Revel, Le Rejet de l’Etat

Hartmunt Bockmann, Mitten in Europa. Deutsche Geschichte

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Diogo Freitas do Amaral, Uma Solução para Portugal

Tom Bottomeore, Interpretations of Marx

Zunino, Ideologia dello Fascismo

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Anthony Giddens, Nation-State and Violence

Ramón García Cotarelo, Partidos Politicos 

Samuel N. Eisenstadt, Welfare State and its Aftermath

Alain Laurent, De l’Individualisme

Guy Sorman, L’Etat Minimum

Joaquim Aguiar, O Pós-Salazarismo

Viriato Soromenho Marques, Europa. O Risco do Futuro

1986

Luís Sá, Introdução Teoria do Estado

Blandine Barret Kriegel, Les Chemins de l’État 

Blandine Barret Kriegel publicou três volumes de Les Chemins de l’État, em 1986 e 1994. O segundo volume intitula-se La Politique de la Raison (1994) e o terceiro Propos sur la Démocratie. Essais sur un Idéal Politique, (1994). No primeiro volume, de 1986, três partes: nas origens do Estado Moderno (Bodin, Hobbes, legistas e filósofos); Estado e cultura (os historiadores e o poder, nascimento do intelectual); problemas da democracia (as origens clássicas das dificuldades da democracia, com destaque para as teorias de Espinosa e as questões do Estado de Direito e do Estado providência). No segundo volume, reunindo estudos publicados de 1990 a 1994, procurando demonstrar o carácter inovador do direito público moderno, depois de uma introdução sobre o fim da Escola dos Annales e o regresso da filosofia política, divide-se em três partes: a política dos filósofos (sobre Descartes, Kant, Fichte e Heidegger); a história política e cultural (nomeadamente sobre a ideia republicana); e o direito político (Declaração dos direitos do homem, Código Civil e crise da cidadania).

François Furet, Gauche et la Révolution Française

Óscar Soares Barata, Introdução às Ciências Sociais

Raymond Boudon, Idéologie

Simone Goyard-Fabre, John Locke et la Raison Raisonnable

R. M. Dworkin, Law’s Empire

Jean-Luc Chabot, Nationalisme

António José de Brito, Para uma Filosofia

Bernard Denni, Participation Politique et Démocratie

Alcir Lenharo, Sacralização da Política 

Thomas R. Dye, Who’s running America?

Robert Marjolin, Le Travail d’une Vie, 1911-1986

François Bourricaud, Le Retour de la Droite

Ramon Garcia Cotarelo, Del Estado de Bienestar al Estado de Malestar

Thadeus Mazowiecki, Une Autre Visage de l’Europe, edição polaca clandestina (trad. francesa de 1989)

Ministério da Defesa Nacional, Livro Branco da Defesa Nacional

Manuel Garcia Pelayo, El Estado de los Partidos

1987

Jorge Reis Novais, Contributo para uma Teoria do Estado de Direito

Francisco Lucas Pires, Na Hora Europeia

G. Mermet, Democratura

Obra de G. Mermet de 1987, subtitulada Comment les Médias Transforment la Démocratie. Nela se fala dum novo sistema social onde os media exercem sobre os atores da vida social e sobre o público uma espécie de ditadura doce, marcada pelos funcionários do pronto a pensar que fornecem aos ouvintes e aos telespectadores verdades pré-digeridas e diretamente assimiláveis.

Luc Ferry, Itinéraires de l’Individu (Individualismo

Ian Budge, Ideology, Strategy and Party Change

Otfried Höffe, Justiça Política

Pierre Fougeyrollas, Nation. Essor and Déclin des Societés Modernes

Samuel N. Eisenstadt, Patterns of Modernity

Hespanha, As Vésperas do Leviathan

Edgar Morin, Penser l’Europe, Paris, Gallimard

Roy Price (ed.), The Dynamics of European Union

Renata Fritsch-Bournazel, L’Allemagne, un Enjeu pour l’Europe

Alain Bénoist, Décoloniser l’Europe

Luís de Sá, Soberania e Integração na CEE

Virgílio de Carvalho, Cumprir Agora Portugal

1988

António Teixeira Fernandes, Fenómenos Políticos. Sociologia do Poder

Francisco Lucas Pires, Teoria da Constituição de 1976

Agostinho da Silva, Dispersos

Jean-Marie Domenach, Des Idées pour la Politique

Ubiratan Borges de Macedo, A Ideia de Liberdade no século XIX. O Caso Brasileiro

Alasdair MacIntyre, Justiça de quem? Qual Racionalidade

Guasp Taberner, Marcuse, Fromm, Reich

Tibor Machan, Marxism. A Bourgeois Critique

Vamireh Chacon, Max Weber. A Crise da Ciência e da Política

Jürgen Habermas, Nachmetaphysisches Denken

Alain Touraine, Parole et le Sang

Immanuel Wallerstein, Race, Nation, Classe

Michael Taylor, Rationality and Revolution

Augusto dos Santos Silva, Entre a Razão e o Sentido

Clifford Geertz, Works and Livres

João Paulo II, Sollicitudo Rei Socialis

Michel Maffesoli, Les Temps des Tribus. Le Déclin de l’Individualisme  dans les Societés de Masses

Pascal Fontaine, Jean Monnet, L’Inspirateur

Pierre Bourdieu, Le Pouvoir ique

Paul Kennedy, The Rise and Fall of the Great Powers

M. Albert e J. Boissonat, Crise, Krach, Boom

1989

Boaventura Sousa Santos, Introdução à Ciência Pós-Moderna

Robert Dahl, Democracy and its Critics

Título de uma obra de Robert Dahl de 1989. Analisa dois tipos clássicos de crítica à democracia: a dos anarquistas e a dos guardianship. Uma ordem política que, segundo Dahl, exige sete condições: cargos eletivos para o controlo das decisões políticas (elected officials); eleições livres, periódicas e imparciais (free and fair elections); sufrágio universal (inclusive suffrage); direito a ocupar cargos públicos (right to run for office); liberdade de expressão (freedom of expression); existência e proteção, dada por lei, da variedade de fontes de informação (alternative information); direito a constituir associações e organizações autónomas, partidos e grupos de interesse (associational autonomy).

Jean Cazeneuve, Hazards d’une Vie

Tibor Machan, Individuals and their Rights

Leo Strauss, An Introduction to Political Philosophy. Ten Essays by Leo Strauss

Amadeu Carvalho Homem, Ideia Republicana em Portugal

Mário Maciel, Ideias Liberais e Realidade Brasileira

Simone Goyard-Fabre, Jean Bodin et le Droit de la République

John Chapman, Majorities and Minorities

Zeev Sternhell, Naissance de l’Idéologie Fasciste

Pierre Favre, Naissances de la Science Politique en France

François Closets, Pari de la Responsabilité

Mattei Dogan, Pathways to Power

Kenneth Boulding, Three Faces of Power

Kenneth Boulding distingue o Threat Power, o poder que assenta na ameaça de destruição ou de produção de um dano, o Economic Power, o poder que se fundamenta na capacidade de produzir e de trocar mercadorias, diretamente relacionado com o direito de propriedade, e o Integrative Power, o que se funda nas relações sociais emocionalmente marcadas pelo respeito, pelo afeto, pela legitimidade, bem como na identidade social e no sentimento de se fazer parte de um determinado grupo.

René Lumeau, Le Rêve de Compostelle, vers la Restauration d’une Europe Chrétienne?

Juliet Lodge (ed.), The European Community and the Challenge of the Future

Michael Burgess, Federalism and European Union. 1972-1987

Robert Keohane e Stanley Hoffmann, European Integration and Neo-Functional Theory

Francisco Sarsfield Cabral, Autonomi Privada e Liberdade Política

Vaclav Havel, Écrits Politiques

1990

Ensaio sobre o Problema do Estado

Foi esta a linha de força da nossa dissertação de doutoramento de 1990, Ensaio sobre o Problema do Estado, onde, depois de abordarmos o percurso que vai da aldeia à república universal, inventariámos as tentativas de superação da razão de Estado pelo Estado-razão. Continua a ser este o alento que nos leva a aderir àquele europeísmo que não ofende a autonomia das nações, entendidas mais como povos do que como Estados. Julgamos pertencer àquele grupo de pensamento político que não considera o Estado soberano como o fim da história do político. Com esse já antiquado Estado moderno, consolidado com o absolutismo, que pratica o culto da religião secular do soberanismo, dizendo que um qualquer centro político tanto deve ter uma soberania externa, a puissance absolue et perpétuelle d’une république, conforme as teses de Jean Bodin, implicando a definição de fronteiras e a definição de nacionalidade, como uma soberania interna, o poder absoluto de um soberanodentro de uma república, conforme o ideologismo leviatânico de Thomas Hobbes, implicando o ius tractum, o ius legationis, o ius iurisdictionis e o ius bellum. Como Francisco Vitória, consideramos que o Estado como sociedade perfeita é a comunidade que não é parcela de outra comunidade, mas que dispõe de leis próprias, de um conselho próprio e de autoridades suas (). É uma comunidade perfeita e integral. Por conseguinte, não está submetida a nenhum poder exterior, pois, neste caso, não seria integral (). Da mesma maneira, na senda de Vasquez de Menchaca, aceitamos um ius maiestatis, reconhecendo que a razão e a natureza condicionam o poder ao serviço da comunidade, pelo que aquele não é absoluto face ao direito, nem ilimitado, constituindo mero poder preeminente e universal, para dispor de tudo quanto conduza à conservação e saúde da alma e do corpo da república. Consideramos assim como Francisco Suárez, que há um poder supremo, uma suprema potestas, em cada república, um poder que não reconhece acima de si nenhum poder humano da mesma ordem ou da mesma natureza, isto é, que prossiga o mesmo fim. Um poder que, contudo, não se confunde com o dominium, devendo entender-se como um officium, dado que apenas existe por causa do regnum e não do rex (). Isto é, não admitimos a existência de um poder supremo, de natureza diferente dos restantes poderes que lhe estão por baixo, de um tipo de poder que, a si mesmo, se decreta como fonte de todos os poderes, como detentor de uma competência das competências, e como insuscetível de limitação pela moral e pelo direito. Foi assim que surgiu a soberania dita una, inalienável, indivisível e imprescritível. Com efeito, consideramos que entre um agrupamento de homens nos limites de um Estado e o agrupamento de homens na totalidade do planeta não há diferença de natureza, mas apenas de extensão. Da mesma maneira, sufragamos a ideia de que, entre o Estado e outras formas políticas ditas infraestaduais, há mais distâncias de quantidade do que de qualidade. Sentimos por isso algumas reais afinidades com todos aqueles que, depois do holocausto e dos gulags, apelaram às profundidades do libertacionismo cidadanista e à consequente autodeterminação da polis, entendida como autonomia de autonomias, onde a pedra viva da construção é o indiviso do cidadão-homem livre, esse tal ser que nunca se repete. Essa polis que é sempre comunhão de cidadãos em torno das coisas que se amam e, onde, por sua vez, o cidadão é aquele que participa na decisão, aquele que dá o consentimento, isto é, o exato contrário do mero súbdito de um soberano, do escravo de um dono ou da parcela fungível de um todo, seja ele uma nação, um Estado ou a própria humanidade. Não podemos, pois, deixar de comungar com todos aqueles que, reagindo contra o absolutismo, tentaram, pela via consensualista, institucionalizar formas de controlo do poder, estabelecendo travões ao mecanismo autofágico do Leviatã soberanista. Porque no soberanismo absolutista, o poder supremo não só não admite o controlo fáctico, da divisão e separação de poderes, como o próprio controlo normativo, nomeadamente pela não admissão do conceito de abuso do poder, esse poder supremo que, em nome de um terrorismo da razão, foi a fonte primordial do próprio terrorismo de Estado. Deste modo, não subscrevemos a propositada confusão feita entre um Estado soberano e uma nação autodeterminada, mesmo quando aquela decreta assumir-se como Estado-nação. Assim, pretendemos sufragar a ideia-força que foi proclamada pelo Professor Adriano Moreira, para quem está em crise o Estado Soberano, mas não está em crise a Nação (). Glosando este tópico, sempre poderíamos salientar que está em crise o Estado a que chegámos, dado que o mesmo tanto está sujeito ao desafio do unificacionismo mundialista, como ao do small is beautiful, isto é, aos desafios centrífugos. Aquilo que, Adriano Moreira, na esteira de Teilhard de Chardin, qualifica como a lei da complexidade crescente nas relações internacionais, que é acompanhada por idêntica complexidade crescente na reconstrução da polis. Há divergências e convergências que só podem ser superadas, não pelo ecletismo ou pela síntese, mas apenas por aquilo que Chardin qualificava por emergência, por aquela energia que lança para cima e para dentro, na direção de um estado cada vez mais complexo e mais centrado.

Emmanuel Todd, Invention de l’Europe

António Pedro Ribeiro dos Santos, Imagem do Poder no Constitucionalismo Português

Samuel N. Eisenstadt, Japonese Models of Conflict Resolution

Otfried Höffe, Kategorische Rechtsprinzipien

Pierre Favre, Manifestation

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José Rubio Carracedo, Paradigmas de la Política. Del Estado Justo al Estado Legitimo 

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William Wallace (ed.), The Dynamics of European Integration

Jean-Baptiste Duroselle, L’Europe. Histoire de ses Peuples

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Allan J. Cigler, Interest Groups Politics

Jean-Baptiste Duroselle, Introduction à l’Histoire des Relations Internationnales

Jean-Luc Chabot, Introduction à la Politique

Philippe Braud, Jardin des Délices Démocratiques 

Anthony D. Smith, National Identity

Gil Delannoi, Théories du Nationalisme

Eric Voegelin, The Nature of the Law

Robert Reich, The Work of Nations (O Trabalho das Nações)

John Pinder, European Community. The Building of an Union

Revista Esprit, Europe, une Communauté Politique

Pierre Uri, Penser pour l’Action. Un Fondateur de l’Europe

João Paulo II, Centesimus Annus

Robert Lafont, Nous, Peuple Européen, Paris, Kimé, 1991

Dominique Moisi e Jacques Rupnix, Le Nouveau Continent. Plaidoyer pour une Europe Renaissante

Alexander King e Bertrand Schneider, The First Global Revolution

1992

João Carlos Espada, Dez Anos que mudaram o Mundo

Mário Sottomayor Cardia, Ética

Francis Fukuyama, The End of History and the Last Man

Obra de Francis Fukuyama, marcada por um exacerbado etnocentrismo. Citando Howard Wiarda (Toward a Framework for the Study of Political Change in the Iberio-Latin Tradition, de 1973), fala numa tradição ibérica autoritária, patrimonial, católica, estratificada, corporativa e semi-feudal. Num quadro cronológico sobre as democracias liberais, considera que Portugal e Espanha não tiveram democracias liberais de 1790 a 1990 (sic), colocando-nos, a Portugal e à Espanha, abaixo da Turquia, da Alemanha e da maioria dos países sul-americanos (pp.49-50). Nem o facto de escolher, para o quadro diacrónico, os marcos de 1790, 1818, 1900, 1919, 1940, 1960, 1975 e 1990 justifica o erro e o preconceito. Em 1900 e 1919, Portugal até era hiperliberal, tanto na Constituição como na prática, como o fomos de 1820 a 1824, de 1826 a 1828 e de 1834 até 1926. Aliás, um bom democrata-liberal até nem deve esquecer que a palavra liberal deriva do castelhano, numa importação que os britânicos fizeram do termo a partir da experiência de Cádis, de 1811-1812, entre nós imitada em 1820. Este mesmo etnocentrismo levou, por exemplo, muitos soviétologos a dizer que o comunismo soviético grassou num povo que tinha uma tendência inata para regimes de despotismo oriental. No caso concreto do etnocentrismo de Fukuyama, este considera que a democracia-liberal autêntica nasceu das conceções do mundo e da vida do protestantismo, pelo que é natural que manifeste obsidiantes preconceitos relativamente às sociedades marcadas pelo catolicismo e pela religião ortodoxa, acusando-as de não terem permitido tanto a secularização como a auto-organização de sociedades civis:catholicism was hel to be an insuperate obstacle to democracy in Spain, Portugal, and any number of Latin American countries, as was Orthodoxy in Greece and Russia (sic, p. 221) Fukuyama, na sua perspetiva sobre Portugal e Espanha, trata de extrapolar incorretamente a partir das consequências que observa na América Latina, considerando que esta região herdou muitas das instituições feudais dos séculos XVII e XVIII de Portugal e da Espanha (p. 104), dando como exemplo de feudalismo, o mercantilismo, ponto de partida para o intervencionismo estatal latino-americano. Aqui talvez importe referir que o tal mercantilismo, na qual se deve inserir a ditadura modernizadora do Leviatão pombalista quanto à unitarização do Brasil, pouco tinha de católico. Basta recordar o enfrentamento entre o iluminismo absolutista que Pombal perfilhou e o consensualismo tradicionalista que os jesuítas, como epígonos da Contra-Reforma, tentaram conservar. Outro erro básico da perspetiva de Fukuyama, está na ligação que faz entre o processo desenvolvimentista da urbanização, com o consequente abandono da agricultura, e o pluralismo democrático (pp. 109-110). Com efeito, em Portugal, nos anos de 1974-1975, foi na urbanização destribalizadora que enxamearam os adeptos do comunismo, enquanto nos campos do Norte e do Centro, com o apoio da Igreja Católica, é que surgiu a resistência democrática e liberal da primeira revolução de veludo anticomunista consequente da Europa. Uma terceira observação sobre as teses de Fukuyama a respeito de Portugal, tem a ver com a ligação que o autor faz entre a democracia e a existência de uma forte e alargada classe média. Ora, acontece que no Portugal anterior a 1974 existia mais isonomia social do que no desenvolvido capitalismo norte-americano e nunca o salazarismo abalou uma plurissecular democracia da sociedade civil, para utilizarmos uma expressão tão cara ao professor Adriano Moreira. Pelo contrário, foi o desenvolvimentismo modernizador da jovem democracia, na sua fase pós-revolucionária, que gerou o fenómeno do novo riquismo e dos descamisados. Olhar Portugal através de algumas pretensas heranças mercantilistas ibéricas da América do Sul, esquecendo que grande parte da crise desta região do mundo também tem a ver com a maneira como o free trade anglo-americano fomentou e instrumentalizou os regimes sul-americanos desde as independências é, de certo, uma perspetiva deformadora. Se Fukuyama conhecesse diretamente a realidade portuguesa, que tantas vezes cita (pp. 13, 47, 51, 104, 110, 112 e 113), para além do estudo de Philippe Schmitter de 1975 (Liberation by Golpe. Retrospective Thoughts on the Demise of Authoritatianism in Portugal), veria que aquilo que considera como as condições para a democracia (sentido da identidade nacional; religião; igualdade social; propensão para a sociedade civil e a experiência histórica de instituições liberais), e com que concordamos na generalidade, talvez estejam mais enraizadas em Portugal do que em muitos pretensos paradigmas anglo-saxónicos e germânicos de democracia. Mesmo comparando a experiência portuguesa com a norte-americana, talvez o interregno autoritário-paternalista não democrático, de 1926-1974, seja menos violento que a peculiar institution da marginalização dos não brancos, tanto através da escravatura como da segregação racial.

Jean-Marie Denquin, Introduction à la Science Politique

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Simone Goyard-Fabre, Qu’est ce que la Politique?

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Manuel Jacinto Nunes, De Roma a Maastricht

António Fernando Dias Teixeira, A Natureza das Comunidades Europeias

Alvin e Heidi Toffler, War and Anti-War

Zbigniew Brzezinski, Out of Control

Paul Kennedy, Preparing the World for the Twenty-First Century

Jean-Marie Guéhenno, La Fin de la Démocratie

1994

Margaret Canovan, Hannah Arendt

René Girault, Identité et Conscience Européenne au XX me Siècle

Jacques Chevalier, Identité Politique

Roberto Campos, Lanterna na Popa

Ian Budge, Parties, Policies and Democracy

Alain Touraine, Qu’est ce que la Démocratie?

1995

Almerindo Lessa, No Tempo do Meu Espaço. No Espaço do Meu Tempo

Varoufakis, Game Theory

António José Fernandes, Introdução à Ciência Política

António José de Brito, Introdução à Filosofia do Direito

Vernon Van Dyke, Introduction to Politics

Terence Ball, Ideals and Ideologies

Jacques Séguélla, Parole de Dieu

François Furet, Passé d’une Illusion

Leonard Champney, Introduction to Quantitative Political Science

James S. Fishkin, The Voice of the People. Public Opinion and Democracy

1996

Adriano Moreira, Teoria das Relações Internacionais

João Carlos Espada, Social Citizenship Rights

Blandine Kriegel, Cours de Philosophie Politique

Obra de Blandine Kriegel. Um curso professado no Colégio Universitário Francês de Moscovo. Aborda os seguintes temas: Estado de Direito, Direitos do Homem, República e Democracia; Nações e Nacionalismo; a liberdade moderna., Paris, Librairie Générale Française, 1996.

Dominique Chagnollaud, Introduction à la Politique

Samuel N. Eisenstadt, Japonese Civilization

Gérard Ferreyrolles, Justice et Force

Immanuel Wallerstein, Para Abrir as Ciências Sociais

Otfried Hoffe, Vernunft und Recht

Ives Gandra da Silva, Visão do Mundo Contemporâneo

1997

A. M. B. Hespanha, Panorama Histórico da Cultura Jurídica Europeia

Jean-Pierre Faye, Qu’est ce que la Philosophie

Jean-Marie Denquin, Vocabulaire Politique

1998

António Pedro Barbas Homem, Judex Perfectus

Simone Goyard-Fabre, Qu’est ce que la Démocratie?

Luc Ferry, Sagesse des Modernes

1999

Simone Goyard-Fabre, Jean Bodin (1529-1596) et sa Politique Philosophique 

Simone Goyard-Fabre, Jean Bodin