Crise

Do grego krisis, ação de separar, de romper, bem como a ideia de julgar, de discernir o bem do mal, o falso do verdadeiro. O mesmo nome grego tanto deu crise, quando é objetiva coletivamente assumido, tendo mais a ver com rutura do que com julgamento (kritérion), como crítica, a atitude individual, ou subjetiva, de separação, mais próxima da ideia de julgamento. No entanto, em Aristóteles, krinein era uma das formas de decisão que caracterizavam a cidadania, ao lado de kratein, governar. Em qualquer circunstância, a crise aparece sempre disfarçada de crítica, porque o julgamento tem sempre tendência para ser polémica, guerra (polemos), luta pela existência e, consequentemente, luta pelo poder. Crise, em sentido etimológico, tem, assim, a ver com juízo, entendido como decisão final de um processo, num sentido mais amplo do que aquele que tem sido adotado pela medicina e pela ciência da estratégia, as quais restringem a ideia de crise àquele momento de viragem em que tem lugar a decisão fundamental sobre a vida ou a morte, ou sobre a vitória ou a derrota. Assim, dizer crise também não significa defendermos a perspetiva positivista de Saint Simon e de Comte, para quem as épocas críticas se oporiam às épocas orgânicas, isto é, àquelas que assentam num sistema de crenças bem estabelecidas e que se desenvolvem de acordo com uma hierarquia sistémica.