Costa, Afonso Augusto da (1871-1937)

afonso_costaDeputado republicano durante a monarquia em 1899, 1906-1907, 1908 e 1910. Um dos três deputados da peste, eleito em 1899. Agride Sampaio Bruno em 1902. Iniciado na maçonaria em 1905. Preso em 1908.

Ministro da justiça do governo provisório de 5 de Outubro de 1910 a 4 de Setembro de 1911. Anuncia novo programa político do partido republicano em 29 de Agosto de 1911, considerado como o partido único da República.

Presidente do ministério de 9 de Janeiro de 1913 a 9 de Fevereiro de 1914 (acumula as finanças). O primeiro governo partidário da República, integrado por democráticos e pelos independentes agrupados, então liderados por António Maria da Silva. Afonso Costa chega a convidar Marnoco e Sousa. Chama-lhe, então, o João Franco da República. Tem como deputados, o irmão Artur Costa e o cunhado José de Abreu.

Alia-se no governo à família Rodrigues, com Rodrigo a ministro e Daniel como governador civil de Lisboa, a dupla que fomenta a formiga branca. Como líder dos democráticos, vence as eleições parlamentares parcelares de 16 de Novembro de 1913.

Em 2 de Março de 1914 assume o exercício efectivo das funções de professor e director da Faculdade de Direito e Estudos Sociais de Lisboa, até finais de Janeiro de 1915, quando pede licença. Apenas regressa em Novembro de 1915. Em Junho de 1914 desafia António José de Almeida para um duelo. Comanda nos bastidores a revolta militar contra Pimenta de Castro.

Vence as eleições parlamentares de 13 de Junho de 1915, com 69%. Mas não assume a chefia do governo porque em 3 de Julho sofre um acidente de viação, fraturando a cabeça. Entretanto, toma posse de um lugar de professor do Instituto Superior do Comércio no dia 1 de Novembro de 1915. De 2 a 14 de Novembro desse ano vai à Suíça.

Volta à presidência do ministério de 29 de Novembro de 1915 a 15 de Março de 1916, acumulando as finanças, num governo monopartidário, mas considerando-se um governo nacional, declarando pretender abster-se de praticar a chamada política partidária.

Ministro das finanças no ministério da União Sagrada, presidido por António José de Almeida, de 15 de Março de 1916 a 25 de Abril de 1917. Volta à presidência do ministério de 25 de Abril a 10 de Dezembro de 1917, acumulando as finanças. Governo exclusivamente constituído por democráticos, mas com o apoio parlamentar dos evolucionistas.

Sofre contestação de vários deputados democráticos em Maio de 1917, quando é acusado de falso radical, mas vence o congresso de 3 de Julho seguinte, tendo com rival Norton de Matos. Perante estas contestações e face à revolta dos abastecimentos, chega mesmo a invocar o marxismo em 14 de Julho, quando declara que devem ser todos pela luta de classes, no sentido marxista da palavra…

 De 8 a 25 de Outubro, visita as tropas na Flandres, acompanhado por Bernardino Machado. Preso no Porto, no dia 8 de Dezembro de 1917, por ocasião do golpe de Sidónio Pais. Em 12 de Março de 1919 passa a chefiar a delegação portuguesa à Conferência de paz de Versalhes, substituindo Egas Moniz.

Representante português na primeira assembleia da Sociedade das Nações. Recusa formar governo em 1922. Apoia a eleição de Manuel Teixeira Gomes em 1923. Recusa formar governo no final desse ano, por falta de apoio dos nacionalistas.

Apoia o governo de Álvaro de Castro, de Dezembro de 1923 a Julho de 1924. Recusa formar governo em Julho de 1924. Guerra Junqueiro diz que ele é o tipo de bicho de escritório que julga tudo segundo a papelada e mete a vida viva dentro de articulados… é um ciclone e um cronómetro.

Segundo João Chagas, a sua obra política é sempre dirigida contra alguma coisa ou contra alguém. Para Machado Santos, o mais audaz, o mais inepto e o mais imoral de todos os tiranos. Segundo Raul Brandão, faltou-lhe sempre a visão arquitectónica … a compreensão de um plano de conjunto.

  • ·A Egreja e a Questão Social

Coimbra, 1895

  • ·Estudos de Economia Nacional. O Problema da Emigração

Lisboa, 1911

  • ·Discursos Parlamentares 1914-1926

Compilação, prefácio e notas de A. H. De Oliveira Marques, Lisboa, Bertrand, 1977.

  • ·A Verdade sobre Salazar

Paris, 1934. Série de entrevistas concedidas ao jornalista brasileiro José Jobim. O salazarista Henrique Cabrita responde com Esta é a verdade sobre Salazar.

4Marques, A. H. Oliveira, Afonso Costa, Lisboa, Livraria Arcádia, 1972. ¾Afonso Costa. Discursos Parlamentares. 1914 - 1926, Amadora, Livraria Bertrand, 1977.Um Diário Íntimo de Afonso Costa, in Históriam nº 24, Outubro de 1980, pp. 28-40. 4Serrão, Joel, dir., Dicionário de História de Portugal, Lisboa, Iniciativas Editoriais, 1978, II, pp. 207-208.