Contrarrevolução

Joseph de Maistre é autor da célebre frase segundo a qual nous ne voulons pas la contre-révolution mais le contraire de la révolution. Respondia assim a Condorcet que definia a contrarrevolução como une révolution au sens contraire. Naquele slogan de Maistre funda-se o pensamento reacionário puro que pretende utilizar a violência para o regresso à anterior ordem do trono e do altar, isto é da monarquia de direito divino, acompanhada pela restauração do poder do papa. O pensamento contrarrevolucionário tem algumas coincidências com o pensamento tradicionalista e ligações ao pensamento conservador. Trata-se de um conceito altamente controverso. Em primeiro lugar, os próprios revolucionários vão inventando os contrarrevolucionários, conforme a marcha do processo revolucionário, enquanto ele está em curso. Os jacobinos, durante o regime da convenção, consideraram os seus companheiros de revolução, os girondinos, como contrarrevolucionários. Depois da Revolução Francesa, os novos revolucionários não se coibiram em considerar como contrarrevolucionários os adeptos da Revolução Inglesa e da Revolução Norte Americana. Hannah Arendt chega mesmo a considerar esta como o contrário de uma revolução. E Edmund Burke, com as suas reflexões sobre a Revolução Francesa, em nome dos princípios da Revolução Inglesa, não deixa de ser o cerne teórico em torno do qual vão girar todos os futuros tradicionalistas, contrarrevolucionários. Reacionários e conservadores.

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