Contradição

Para Alain, “A contradição não é um pequeno acidente nos nossos pensamentos, nós não pensamos a não ser através de contradições sobrepostas”. Do mesmo modo, Marcuse assinala que a contradição é uma necessidade “pertencente à própria natureza do pensamento”. Tudo conforme a Hegel que superou a anterior lógica, segundo o qual uma coisa não pode ser ela própria e não ela própria. Neste sentido, podemos dizer que o Estado nasceu e continua, pois, a ser sítio de contradição. Ele foi e será unitarização de parcelas, monoteísmo da laicíssima trindade do povo, do território e do governo, do ius sanguinis, do ius soli e da glória de mandar. Importa, talvez, atentar na lição de Teilhard de Chardin, para quem o motor da história não é a contradição, a antítese contra a tese, mas a atração e o amor. A divergência não é oposição. A convergência é atração. A emergência é uma qualidade nova que permanece ligada à síntese. Por outras palavras, a evolução é continuidade, não é rutura, pelo que as próprias ciências sociais são o prolongamento da física e da biologia.