Conspiração, Teoria da

A ideia de que muitos importantes acontecimentos politicos econonómicos e sociais resultam de conspirações e maquinações desconhecidas do grande público. Considera-se que as autoridades políticas atuam em segredo e desconfia-se sempre das versões oficiais. Quando se dá um magnícidio, a teoria floresce. Em Portugal, ainda hoje não se conhecem os exatos meandros do regicídio de D. Carlos I, em 1908, do assassinato de Sidónio Pais, em 1918 ou da Noite Sangrenta de 1922, quando mataram o chefe do governo António Granjo, bem como o fundador da República Machado Santos. Se para uns tais acontecimentos resultaram das atividades da maçonaria, já para outros, na base do processo estiveram congregações religiosas. Da mesma forma continuam msiteriosas as motivações do assassinato de Humbero Delgado em 1965 ou a morte de Francisco Sá Carneiro e de Adelino Amaro da Costa em 1980, onde a versão do acidente tem sido confrontada com a do atentado. Nos crimes de 1908, 1918, 1922 e 1965 se foi possível detetar o autor material, jamais foi detetado o autor moral e nem sequer está excluída a hipótese dos executantes terem atuado em regime de autogestão, não cumprindo ordens das entidades superiores que os acicataram ou aramaram. Daí que, entre nós, seja inevitável a suspeição face aos posteriores investigadores estaduais de tais eventos.