Congresso de Viena de 1815

Entretanto, ainda antes do regresso de Elba e dos últimos cem dias de Império, e de acordo com as estipulações do primeiro Tratado de Paris, reunia o chamado Congresso de Viena, entre setembro de 1814 e junho de 1815, a fim de se proceder à distribuição dos territórios abandonados por Napoleão. Acontece que o chamado Congresso nunca se reuniu em sessão plenária. Com efeito, o que aconteceu foi um entendimento global e secreto entre as quatro principais potências vencedoras a Áustria, a Prússia, a Inglaterra e a Rússia, os chamados Aliados, bem como uma série de encontros bilaterais subsequentes, a que tiveram de se submeter os chamados Estados Secundários. De todo este complexo negocial, resultou um feixe de tratados que, reunidos, vieram a constituir a Ata Final do Congresso de Viena, assinada pelas principais potências em 9 de junho de 1815. Contudo, se o Congresso pretendia ser uma forma de consagração do Diretório dos Quatro, a Quádrupula Aliança das potências vencedoras de Napoleão, acabou por ter que admitir a legitimidade da França e que levar a uma Pentarquia. Com efeito, a mestria diplomática de Talleyrand soube constituir, em torno da diplomacia de Paris, uma numerosa clientela de Estados Secundários. Na verdade, o Congresso de Viena vem estabelecer novo mapa político da Europa, ao abrigo de uma balança de poderes que vai garantir a paz global europeia durante cerca de quarenta anos. Talleyrand considerava, então, que no Congresso deveriam estar representados todos os Estados: os mais pequenos e os maiores, inteiramente independentes da força. Contudo, logo reconhecia que só as Grandes Potências têm a ver com o todo, dado que as pequenas apenas deveriam intervir no sistema particular onde se inserissem: les grandes puissances seules, embrassant l’ensemble, ordenneraient chacune des parties par rapport au tout. É deste Congresso que surge o Reino dos Países Baixos, a Confederação Helvética e uma Confederação Germânica (Deutscher Bund), de trinta e nove Estados. É a partir de então que a Rússia obteve mais uma partilha da Polónia e pôde conservar sob o seu domínio a Finlândia e a Bessarábia. Conforme as palavras de Bonnefon, todas as guerras do século XIX estavam antecipadamente inscritas nas decisões do Congresso de Viena: guerra pela unidade alemã sob a preponderância prussiana; guerra franco-alemã; guerra dos ducados dinamarqueses.