Concórdia

Do lat. concordia, de cum mais cor, cordis, coração. O mesmo que harmonia e equilíbrio. Nome de uma deusa romana, filha de Júpiter e Témis, a qual era representada, tendo na mão um ramo de oliveira. A deusa grega equivalente chamava-se Homonoia. O corpo político é visto como a concórdia das discórdias, como a unidade da diversidade, onde o todo é teleologicamente entendido, dado que a unidade resulta da existência de um fim comum mobilizador, gerando a coordenação de elementos dispersos, uma concórdia dos discordes, onde, em vez da disciplina unidimensional, predomina a harmonia. Onde, em vez de um bloco monolítico hierarquista, tenta imitar-se o pluralismo e a flexibilidade da harmonia cósmica. Com o estoicismo de Marco Aurélio (121-180), destaca-se a concórdia como um reflexo da ordem divina do universo e da lei que o rege, a razão do homem, pelo que as várias pátrias físicas estariam para a comunidade humana como as famílias para a cidade. Santo Agostinho considera-a como o objetivo da política: a paz da cidade é a concórdia bem ordenada dos cidadãos no governo e na obediência. Uma paz relativa, dado que só poderia haver verdadeira paz com justiça, acreditando que a vocação última da humanidade é a paz da cidade de Deus.

A união de vontades produtora da harmonia

S. Isidoro de Sevilha nas Ethimologiae define a civitas como a “multidão humana associada pelo consenso do direito e pela comunhão da concórdia” em Alvaro Pais O reino também deve ser “ordenado” e “unido pela concórdia”, pois que “a multidão sem ordem é confusão. Ora a ordem do reino consiste nisto:que nele haja diversos graus de homens, diversos estados, diversos ofícios, conforme convém, igualmente, à utilidade e honra do reino”. E para o Bispo de Silves “os reis não são proprietários, mas defensores, administradores e aumentadores dos seus reinos”. D. Jerónimo Osório Para ele, o ideal social é a “harmonia”, a “união de todos”, a paz duradoura, a “concórdia firme e duradoura”. E o rei deve “incitar a todos à prática do bem”, deve procurar “a salvação do povo” e o “bem da república”. João Pinto Ribeiro “todas estas Repúblicas particulares concorrerão juntas para que representando‑se nos três estados do Reino… fizessem uma república. Desta República maior, e universal deram ao Principe o governo, e senhorio, pera que lhes administrasse justiça, e os regesse em paz, e concórdia com os melhores deste todo, sobre que havia de reprtir parte do melhor governo, que dele se prometiam, e esperavam”.