Competição política

jean lecaJean Leca (na imagem) salienta que a política é “a atividade pela qual um grupo pretende impôr pela força ou propôr pela influência numa competição, um conjunto de soluções aos problemas de uma sociedade”. Também M. G. Smith salienta que a ação política se distingue da ação social quando entra no domínio da competição para o controlo ou a influência nas decisões respeitantes aos negócios públicos. Considera, assim, que a ação política reveste um caráter segmentar dado exprimir‑se por grupos de pessoas em competição, ao contrário do caráter hierárquico da ação administrativa Samuel Eisenstadt acentua o facto do Estado como um mecanismo auto‑regulador dos recursos políticos permanentes, porque estão ao abrigo da competição política que propiciam Reinhard Bendix assinala o facto da construção do Estado ser inseparável do processo de burocratização, na circunstância de passar a existir uma Administração Pública com controlo sobre o recrutamento do respetivo pessoal e que tende a ser independente tanto da competição política como dos próprios interesses privados. Aron Raymond Aron prefere, no entanto, a expressão “regime constitucional‑pluralista” para designar a mesma realidade, dado considerar que o poder “é objeto de uma competição, permanente e organizada, entre partidos que têm como fim ganhar tão frequentemente quanto possível, e de assegurar o enjeu desta competição (o exercício do poder) a título transitório”, acrescendo o facto do subsistema político não só se diferenciar relativamente ao conjunto social como também dentro de si mesmo, dado que o Poder é distribuído entre funcionários ou administrados e homens políticos, estes, direta ou indiretamente, eleitos Breton, neoliberal “a competição política leva a uma espécie de seleção natural” Mollinari, “a ideia de submeter os Governos ao regime da concorrência ainda é encarada, em geral, como uma quimera. Mas, neste ponto, os factos talvez precedam a teoria. O direito de secessão, que hoje abre caminho em todo o mundo, terá por necessária consequência o estabelecimento da liberdade de governo. No dia em que este direito for reconhecido e aplicado em toda a sua extensão habitual, a concorrência política servirá de complemento à concorrência agrícola, industrial e comercial” Philippe Schmitter define como “um sistema de representação dos interesses no quadro do qual os atores são organizados num número limitado de categorias funcionais, obrigatórias, disciplinadas, hierarquizadas e ao abrigo de qualquer concorrência; elas são reconhecidas e admitidas (senão criadas) pelo Estado e beneficiam dum monopólio de representação na medida em que eles conseguem como contrapartida em controlar a seleção dos seus dirigentes o tipo de procuras que se exprimem e o apoio que recebem” Adriano Moreira, por seu lado, sugere três modelos: o Estado Árbitro, marcado pela concorrência e pelos direitos individuais; o Estado Coordenador, pela planificação indicativa e pelos direitos sociais; o Estado Gestor, pela planificação imperativa e pelos deveres. Bourdieu, “o campo político é… o lugar de uma concorrência pelo poder que se faz por intermédio de uma concorrência pelo monopólio do direito de falar e de agir em nome de uma parte ou da totalidade dos profanos”.