Comité de Ação para os Estados Unidos da Europa (1955)

Não tarda que constitua o Comité de Ação para os Estados Unidos da Europa, anunciado em 13 de outubro de 1955, depois de Monnet abandonar efetivamente a presidência da Alta Autoridade, no verão. A semente de um núcleo duro de europeístas, liderado por uma minoria que sabia o que queria, conforme a qualificação de Spaak. Depois do falhanço da CED e da instituição de uma comunidade política europeia, na segunda metade de 1954, desde logo os europeístas trataram de projetar um relance do modelo. Com efeito, desfeito que foi o projeto de uma Europa militar e de uma Europa política, restava utilizar a CECA e instituir uma metodologia gradualista e funcionalista. Mais uma vez surge Jean Monnet que, em 9 de novembro de 1954, numa reunião extraordinária da Alta-Autoridade da CECA, anuncia que não tenciona recandidatar-se a um novo mandato na presidência, cujo prazo expirava em 20 de fevereiro de 1955. Aí declara assumir tal atitude a fim de poder participar, com inteira liberdade de ação e de palavra, na realização da unidade europeia. O que está em vias de conseguir-se pelo carvão e o aço dos seis países da nossa Comunidade, é preciso prossegui-lo até à sua realização: os Estados Unidos da Europa… Os nossos países tornaram-se muito pequenos para o mundo atual, à escala dos meios técnicos modernos, à medida da América e da Rússia de hoje, e da China e da Índia de amanhã. A unidade dos povos europeus reunidos nos Estados Unidos da Europa é o meio de aumentar o seu nível de vida e de manter a paz. É a grande esperança e a grande oportunidade da nossa época. Se trabalharmos para isso sem demora e sem desfalecimento, ela é a realidade de amanhã (GERBET, p. 164). O comité que procurava reunir líderes políticos e sindicais chegou a congregar cerca de 65% do eleitorado dos Seis e 10 milhões de trabalhadores, isto é, dois terços do eleitorado e dos trabalhadores sindicalizados, assumia claramente o método corporativo, de estabelecer, através das cúpulas, a unidade de ação das organizações. Depois do abandono da presidência da Alta-Autoridade, Jean Monnet vai criar um grupo de pressão dito Comité d’Action pour les États Unis de l’Europe, cuja criação foi anunciada a 13 de outubro de 1955, participado pelas figuras cimeiras dos partidos socialistas e sociais-democratas, democratas-cristãos e liberais, bem como dos sindicatos não comunistas dos Seis, enquanto representantes institucionais, a que em 1968 se vão juntar os três principais partidos britânicos. Isto é, como referia o mesmo Monnet, juntava no seu grupo de pressão reppresentantes de 65% do eleitorado dos Seis e de 10 milhões de trabalhadores. Poucas são as palavras constitutivas do comité: unidade de ação das organizações que dele são membros para se alcançar, através de realizações concretas, os Estados Unidos da Europa… fazer da resolução de Messina de 2 de junho uma verdadeira etapa para os Estados Unidos da Europa… Uma simples cooperação entre os governos não parece ser suficiente. É indispensável que os Estados deleguem alguns dos seus poderes em instituições federais europeias.. O modelo organizacional é típico do inspirador. Na sede, situada no nº 83 da Avenue Foch, de Paris, uma equipa restrita de colaboradores: o francê Jacques Van Helmont, o holandês Max Kohnstamm e os britânicos Richard Mayne e François Duchene. Muitos contactos com Pierre Uri, Robert Marjolin, Jean Guyot, Bernard Clappier, Paul Delouvrier, bem como uma rede informal com certos jornalistas, como Walter Lippmann, André Fontaine, Marc Ulmann e Roger Massip. Depois são os membros formais, reunidos por 18 sessões, entre 1968 e 1973, cerca de 130 responsáveis por partidos e sindicatos, onde desfilam alemães como Brandt, Schmidt, Kiesinger, Scheel e Strauss; franceses como Pflimlin, Pleven, Giscard d’Estaing, Pinay, Mollet; italianos como Fanfani, Mori, Forlani, Piccoli, Nenni, Saragat, belgas como Tindemans e, depois de 1968, britânicos como Douglas-Home, Heath e Jenkins. A anunciada saída de Monnet da presidência da Alta-Autoridade da CECA, que deveria tornar-se efetiva em 20 de fevereiro de 1955, foi, entretanto, protelada por cinco meses, dado que os ministros dos estrangeiros dos seis, apenas se vão reunir, de 1 a 3 de junho em Messina, na Sicília. O italiano Gaetano Martino, o luxemburguês Joseph Beck, o francês Antoine Pinay, o alemão Walter Hallstein, o holandês Willem Beyen e o belga Paul-Henri Spaak. Estava-se num tempo de encruzilhada quanto à construção europeia. Os franceses, então sob um governo presidido por Edgar Faure, incluindo gaullistas, parecem mais inclinados à mera constituição de novas comunidades setoriais, à semelhança da CECA; alemães e países do Benelux, parecem, por seu turno, apostar no desenvolvimento do modelo de união aduaneira. Em maio os países do Benelux apresentavam um memorando contendo um plano de relançamento  da CECA pela instauração de um mercado comum alargado a vários setores da economia, incluindo a energia atómica. No entanto, a Conferência de Messina vem dar novo impulso à ideia de Europa Unida, insistindo na expressão construção europeia que assim substituía a de integração. Isto é, os Seis consideravam que já não bastava o pool  do carvão e do aço, mesmo que acrescentado por outras integrações setoriais, como a das políticas agrícola ou dos transportes, exigindo-se uma fusão do conjunto das economias nacionais. Os governos dizem acreditar que chegara o momento de se passar para uma nova etapa na via da construção europeia e que esta deve ser realizada primordialmente no domínio económico, considerando que é preciso prosseguir o desenvolvimento de uma Europa unida pelo desenvolvimento de instituições comuns, a fusão progressiva das economias nacionais, a criação de um Mercado Comum e a harmonização progressiva sas respetivas políticas sociais, proclamando-se que se desenvolverão esforços para a criação de uma Europa unida, de modo a permitir à Europa continuar a conservar o lugar que ocupa no mundo, reconquistar a sua influência e o seu poder de irradiação, e para aumentar, de maneira permanente o nível de vida da sua população. Nestes termos, consideram a necessidade de construção de um Mercado Comum Europeu, isento de direitos alfandegários e de qualquer restrição quantitativa, mas por etapas. Na mesma conferência, face à vontade de não recondução de Jean Monnet, era nomeado para a presidência da Alta-Autoridade o antigo presidente do conselho francês René Mayer.