Comércio e política

Do lat. commercium, de cum mais merx, mercis, mercadoria. A troca de mercadorias. Segundo Hegel, a sociedade dos particulares ou sociedade dos burgueses (bürgerlich), apenas tem como objetivo a prossecução dos interesses dos mesmos particulares, dedicando‑se preferentemente a atividades económicas. Está, assim, marcada por laços de profissão e comércio e tem apenas como objetivo a defesa comum dos interesses.

Constant vai preferir uma sociedade mais marcada pelo comércio do que pela guerra. Para ele, com efeito, “a guerra é anterior ao comércio; porque a guerra e o comércio não são senão dois meios diferentes de se atingir o mesmo fim: o de possuir o que se deseja. O comércio não é senão uma homenagem prestada à força do possuidor pelo que aspira à posse. É uma tentativa para se obter gradualmente o que já não se espera conquistar pela violência” (é, “a guerra é o impulso; o comércio é o cálculo”). Para ele “o comércio que foi um acidente feliz é hoje o estado ordinário, o fim único, a tendência universal, a verdadeira vida das nações” (Esta ideia aparece também em Destutt de Tracy em A treatise on political economy, Georgetown, 1817, par quem “a sociedade é apenas uma contínua série de trocas” e “o comércio é o todo da sociedade”).

Hayek: Esse liberalismo que teria nascido da “civilização individualista da Renascença” esteve estreitamente ligado à “expansão do comércio” e corresponde “a uma conceção da vida que surgiu nas cidades comerciais do norte de Itália”, obtendo “pleno desenvolvimento” nos Países Baixos e na Grã Bretanha.

Smith considera que existiram quatro períodos na evolução humana: a caça, a pecuária, a agricultura e o comércio. E este último é que teria gerado uma sociedade civil ou comercial, produto de uma espécie de revolução silenciosa que teria ocorrido na Europa e que minou as anteriores instituições sociais. Mill lei da troca internacional (o país mais pobre e menos industrializado beneficia sempre com a liberdade do comércio).

Protecionismo

List: Esta nação normal “possui uma língua e uma literatura, um território provido de numerosos recursos, extenso, bem delimitado, uma população considerável. Possui forças da terra e mar suficientes para defender a sua independência e para proteger o seu comércio externo”. Adverso à escola Clássica. Para ele esta “admitiu como realizado um estado de coisas a existir. Pressupõe a existência da associação universal e da paz perpétua, e daí conclui grandes vantagens para a liberdade de comércio” confundindo “o efeito com a causa”. Para ele, “no atual estado do mundo, a liberdade de comércio levaria, em lugar da república universal, à sujeição de todos os povos do mundo à supremacia da potência preponderante nas manufaturas, no comércio e na navegação”.