Comemoração

Do lat. cum mais memorari, lembrar-se com. Solenidade coletiva onde se recorda uma pessoa, uma data ou um acontecimento. O ato de recordação de um evento ligado à vida de uma pessoa, de um lugar ou de uma entidade política, nomeadamente de uma nação. Cada Estado tende, por exemplo, a ter o seu dia nacional. Vivemos aliás num sociedade comemorativa, onde, do passado, selecionamos uma data simbólica, interpretada retroativamente, tendo em vista a justificação do poder atual. Comemorar significa reforçar a autoridade de um determinado regime político, dado que a mesma repousa fundamentalmente num ato fundador. As pátrias são, aliás, uma sucessão de atos de fundação, refundação ou regeneração que obedecem sempre a uma espécie de Idade do Ouro, na procura da pureza das origens, entendida como a fonte da revivificação. Mesmo os regimes que têm o progressismo e o revolucionarismo como principal imagem do poder, não deixam de assumir esta forma de cultura funerária, instrumentalizando a história, na procura de um mito conveniente para os tempos presentes. No sistema português, há até um órgão de soberania especialmente vocacionado para a rememoração, o Presidente da República, pleno de autoridade, mas quase vazio de poderes, assumindo-se como uma espécie de supremo celebrante das cerimónias da república, recordando o velho dito de Aristóteles quando assinala dois dos principais elementos unificadores da polis: o palácio do chefe político e o altar da pátria.