Coimbra, Leonardo José (1883-1936)

Filósofo. Lidera a greves dos estudantes republicanos do Porto em 1907.

Funda com Jaime Cortesão e Jaime Pinto, em 1908, o grupo alfabetizador, Os Amigos do ABC. 

Professor de liceu no Porto em 1911-1913 e 1914-1918. Maçon e membro do partido democrático, é administrador do concelho da Maia em 1911.

Funda a Renascença Portuguesa com Pascoaes. Entra em polémica com António Sérgio. É discípulo de Bergson.

Ministro da instrução pública do governo de Domingos Pereira, de 30 de Março a 30 de Junho de 1919. Rejeitado num concurso para professor da Faculdade de Letras de Lisboa em 1921, onde apresenta o livro Criacionismo.

Ministro da instrução pública no governo de António Maria da Silva, de 30 de Novembro de 1922 a 9 de Janeiro de 1923. Obrigado a demitir-se pela ala jacobina dos democráticos, quando tenta restaurar o ensino religioso.

Professor da Faculdade de Letras do Porto desde 1921, cria um importante grupo de discípulos, donde se destacam José Marinho, Sant’anna Dionísio, Álvaro Ribeiro, Delfim Santos e, de certa maneira, José Régio e Casais Monteiro.

Adere em 1925 à Esquerda Democrática. Converte-se ao catolicismo em 24 de Dezembro de 1935, mas morre pouco tempo depois num acidente de viação (2 de Janeiro de 1936).

Considerando que a sociedade portuguesa não era dominada pelo catolicismo, mas por um cepticismo superficial, estéril e esterilizador, Leonardo tentou, sem êxito, lançar as sementes para um renovação espiritual democrática. Em 1926 atacava a escorregadia tendência dum regresso a formas dogmáticas de imposição pela violência, criticando o facto da democracia não ser assumida como uma actividade espiritual e como uma instituição, mas antes como um estado e como um método.

Dois anos depois, defende a democracia como o império racional e consentido da lei, em vez do domínio violento e irracional de qualquer caprichoso imperialismo individual ou de grupo, e como o governo da maioria por intermédio dos seus representantes directamente escolhidos, onde a pedra angular é o valor social da maioria.

Moncada chama-lhe uma espécie de Junqueiro da filosofia.

Autor de O Pensamento Criacionista, 1915; A Alegria, a Dor e a Graça, 1916; A Luta pela Imortalidade, 1918; A Razão Experimental, 1923; O Problema da Educação, 1926; A Filosofia de Bergson, 1934; A Rússia de Hoje e o Homem de Sempre, 1935. Ver: Patrício, Manuel Ferreira, A Pedagogia de Leonardo Coimbra. Teoria e Prática, Porto, Porto Editora, 1991.