Coimbra, Leonardo (1883-1936)

Leonardo_CoimbraLidera a greves dos estudantes republicanos do Porto em 1907. Professor de liceu. Membro do partido democrático. Funda a Renascença Portuguesa com Pascoaes. Entra em polémica com António Sérgio. É discípulo de Bergson. Ministro da instrução pública do governo de Domingos Pereira, de 30 de março a 30 de junho de 1919.  Rejeitado num concurso para professor da Faculdade de Letras de Lisboa em 1921, onde apresenta o livro Criacionismo. Aí critica os excessos de positivismo e de cientismo e aproxima-se do vitalismo de Bergson, antecipando o personalismo e o existencialismo. Ministro da instrução pública no governo de António Maria da Silva, de 30 de novembro de 1922 a 9 de janeiro de 1923. Obrigado a demitir-se pela ala jacobina dos democráticos, quando tenta restaurar o ensino religioso. Professor da Faculdade de Letras do Porto desde 1921, cria um importante grupo de discípulos, donde se destacam José Marinho, Sant’anna Dionísio, Álvaro Ribeiro, Delfim Santos e, de certa maneira, José Régio e Casais Monteiro. Converte-se ao catolicismo em 24 de dezembro de 1935. Morre pouco tempo depois num acidente de viação. Considerando que a sociedade portuguesa não era dominada pelo catolicismo, mas por um cepticismo superficial, estéril e esterilizador, Leonardo tentou, sem êxito, lançar as sementes para um renovação espiritual democrática. Em 1926 atacava a escorregadia tendência dum regresso a formas dogmáticas de imposição pela violência, criticando o facto da democracia não ser assumida como uma atividade espiritual e como uma instituição, mas antes como um estado e como um método. Dois anos depois, defende a democracia como o império racional e consentido da lei, em vez do domínio violento e irracional de qualquer caprichoso imperialismo individual ou de grupo, e como o governo da maioria por intermédio dos seus representantes diretamente escolhidos, onde a pedra angular é o valor social da maioria. Moncada chama-lhe uma espécie de Junqueiro da filosofia.

Bibliografia

O Pensamento Criacionista, Porto, 1915

A Razão Experimental, Porto, 1923

O Problema da Educação, Porto, Marânus, 1926

A Rússia de Hoje e o Homem de Sempre, (Porto, Livraria Tavares Martins, 1935)