Caucus

Termo de origem norte-americana, usado na Inglaterra a partir de 1868, visando qualificar um encontro privado dos membros de um partido político, visando o planeamento de uma determinada ação, nomeadamente para a escolha de delegados para um congresso partidário, pela harmonização de interesses e programas. Designa também na política norte-americana grupos oficiais ou informais do Congresso. Serve também para designar a influência de organizações secretas ou semi-secretas dentro de um sistema partidário. Historicamente, foi o nome dado aos comités de base. O primeiro terá surgido em 1868, em Birminghan, para as eleições locais. A partir de 1877 passou a aplicar-se às eleições nacionais, levando à vitória do liberal Gladstone contra o conservador Disraeli, destruindo o modelo de partidos de notáveis. Um dos impulsionadores do modelo foi Joseph Chamberlain. Tem um número limitado de membros, funciona numa área geográfica bem delimitada, coincidente com a circunscrição eleitoral, e visa a captação de eleitores. Apenas funciona durante o processo eleitoral e, face à direcção do partido, mantém autonomia, obedecendo aos princípios da descentralização. Distingue-se da chamada secção. O primeiro caucus chegou a mobilizar cerca de 10% dos eleitores. Surge assim a primeira máquina política não dirigida por parlamentares, como era timbre do anterior modelo de partido de notáveis, gerando a centralização do poder no chefe do partido, principalmente quando surgiu um modelo de democracia cesarista e plebiscitária e o consequente rebanho de votantes bem disciplinado, conforme a expressão de Max Weber. Deste modo, quando existe um chefe partidário todo poderoso com um poder de discurso demagógico, a máquina do caucus deixou de ter princípio algum e os parlamentares eleitos quase passaram a ser prebendados políticos que fazem parte do séquito do líder.