Carvalho, Mariano Cirilo de (1836-1905)

220px-Mariano_Cirilo_de_CarvalhoFormado em farmácia e em matemática, desde 1863, pela Escola Politécnica de Lisboa, foi depois lente de matemática na mesma instituição. Deputado em 1870-1871, 1871-1874; 1875-1878; 1879; 1880-1881; 1882-1884; 1884 e anos seguintes. Começa como reformista. Funda o jornal Diário Popular. Ministro da fazenda no governo de José Luciano, de 20 de Fevereiro de 1886 a 9 de Novembro de 1889. Comissário português à Exposição de Paris de 1890. Presidente da Câmara Municipal de Setúbla. Comissário régio no Banco Nacional Ultramarino.

Volta a tais funções na segunda fase do governo de João Crisóstomo, de 25 de Maio de 1891 a 17 de Janeiro de 1892. Era então um brilhante jornalista, ligado à ala radical dos progressistas, grande amigo do prior da Lapa que dizia ter planos financeiros para salvar o Estado. Alia-se então a Lopo Vaz e tem como principal inimigo Oliveira Martins. Depois de tomar posse como ministro, parte imediatamente para o estrangeiro, na busca de um grande empréstimo, dizendo que a situação é um poço sem fundo, para onde me lanço de olhos abertos. Mas a quebra da Bolsa de Paris impede essa concretização. Entretanto, tinha feito uma série de adiantamentos à Companhia Real dos Caminhos de Ferro, ao Banco Lusitano e ao Banco do Povo, sem conhecimento dos restantes membros do governo.

Decreta o curso forçado das notas de banco em 9 de Julho de 1891. Entra em conflito com o seu antigo aliado, o ministro do reino Lopo Vaz. Apresenta a demissão em 15 de Janeiro de 1892, declarando: suponho que a minha carreira política está finda. Lopo Vaz, através deste golpe pretendia ser ele a constituir novo governo, tramando José Luciano, o chefe dos progressistas, e António Serpa, o chefe dos regeneradores.

Em Janeiro de 1898, à frente do Popular, promove uma campanha de imprensa contra o governo de José Luciano. Eleito deputado independente em 25 de Novembro de 1900, sob o governo regenerador de Hintze.  Ver Os Planos Financeiros do Sr. Mariano de Carvalho, Lisboa, edição de Mariano Pina, 1893, bem como Maria da Conceição da Cunha Carvalho, Memórias de Mariano de Carvalho. Contadas por sua Filha, Lisboa, 1946.