Atos Eleitorais entre 1852-1910




1852

12 de dezembro

35/156 deputados da oposição. As primeiras eleições depois do Ato Adicional. Governamentais aliados aos setembristas ordeiros, dizem-se progressistas. A oposição qualifica-se como conservadora.

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Realizam-se já depois do Ato Adicional à Carta, de 5 de julho, e pouco antes da morte de D. Maria II. A dissolução da anterior câmara ocorre em 24 de julho de 1852 e a nova legislatura entre 2 de janeiro de 1853 e 19 de julho de 1856. Nova vitória dos candidatos governamentais que continuam aliados aos setembristas ordeiros. Um novo decreto eleitoral de 30 de setembro de 1852 fixa o número de deputados em 156, com 48 círculos, situação que vai manter-se durante sete anos.

No governo de Saldanha, continua Rodrigo da Fonseca na pasta do reino. Há 35 deputados da oposição. O situacionismo governamental ainda se qualifica como progressista, enquanto a oposição já se diz de conservadores, marcados pelo cabralismo.

 

1856

 

9 de novembro

162 deputados. Vitória dos históricos (72%). Oposição com 41 deputados, dos quais 5 são miguelistas, mas estes recusam-se a prestar juramento.

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As terceiras eleições da Regeneração e as primeiras sob um governo histórico, o de Loulé, desde 6 de junho de 1856, com Júlio Gomes da Silva Sanches na pasta do reino. São também as primeiras eleições do reinado de D. Pedro V, que assumira a maioridade em 10 de setembro de 1855 e que considerava o governo de Saldanha dominado pela canalhocracia de Fontes e de Rodrigo. Eleição de 162 deputados (mais cinco no continente mais um por Ponta Delgada, segundo o decreto de 29 de setembro de 1856). Vitória dos governamentais, então ditos progressistas históricos (72%), contra os adeptos do anterior governo, ditos progressistas regeneradores, que apenas conseguem 41 deputados (25%). Miguelistas elegem cinco deputados que recusam prestar juramento (3%).

Em Lisboa, grande votação nos regeneradores, que conseguem oito deputados. A anterior unidade entre os setembristas moderados e os homens novos do situacionismo regenerador começou a ser quebrada a partir de 1853, quando começou a publicar-se O Portuguez, bastante crítico de Fontes e que logo em 1854 mobiliza uma reunião do partido histórico, ou partido liberal, conforme a expressão de Alexandre Herculano, grupo que em 1856 se entifica numa Comissão Eleitoral progressista de Lisboa.

A legislatura vai decorrer de 2 de janeiro de 1857 a 26 de maio de 1858. Por ocasião da discussão do discurso da Coroa, surgem discursos oposicionistas de José Maria Eugénio de Almeida e de António Bernardo da Costa Cabral (20 de Fevereiro de 1857). No entanto, em 14 de março seguinte, dois antigos cabralistas, António José de Ávila e Carlos Bento da Silva, passavam-se para os históricos, assumindo funções governamentais.

 

1858

 

2 de maio

162. Vitória dos históricos (85%). Oposição com 24 deputados, dois dos quais miguelistas.

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As segundas eleições realizadas durante o primeiro governo histórico, com o próprio Duque de Loulé a gerir a pasta do reino. Mantêm-se os 162 deputados. Nova vitória dos ministeriais (85%), enquanto a oposição assume uma efetiva aliança entre cartistas e miguelistas, qualificados então como os coligados, que apenas conseguem 24 deputados (15%), dois dos quais miguelistas. A título de curiosidade, refira-se que Alexandre Herculano, eleito deputado histórico por Sintra, recusa exercer o mandato e retira-se para Vale de Lobos.

 

1860

 

1 de janeiro

Novo modelo de lei eleitoral, com 156 círculos uninominais no continente. 179. Vitória dos regeneradores (91%). Oposição histórica com 15 deputados. Eleitos dois miguelistas.

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Estava no poder um governo regenerador presidido por Terceira, desde 16 de março de 1859. Experimentava-se um novo modelo de lei eleitoral, com 156 círculos uninominais no continente e 9 nas ilhas, mantendo-se círculos plurinominais no ultramar, num total de 179 deputados. Vitória dos governamentais regeneradores, que então já integravam os cabralistas (91%). A oposição histórica apenas elege 15 deputados (8%), mas vence em Lisboa. Eleitos dois deputados miguelistas.

 

1861

 

22 de abril

177. Vitória dos históricos. 40 deputados da oposição regeneradora.

17ª eleição geral
9ª eleição da 3ª vigência da Carta
6ª eleição da Regeneração

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Dissolução da CD em 27 de março de 1861, por pressão da oposição regeneradora (as cortes não estavam reunidas). Decreto de 30 de março de 1861 manda proceder a eleições. Legislatura de 20 de maio de 1861 a 18 de junho de 1864. Eleição para a Câmara dos Deputados. Vitória dos governamentais históricos. 179 deputados. Vitória dos históricos. Oposição regeneradora elege 40 deputados.

4 035 330 habitantes no continente e ilhas. Eleição de 177 deputados (152 círculos uninominais no continente, 13 nas ilhas e 12 no ultramar, de acordo com a nova lei eleitoral de 23 de dezembro de 1859). Vitória dos históricos.

Oposição regeneradora elege 40 deputados. Segundo governo histórico desde 4 de julho de 1860 até 1865, sob a presidência de Loulé que acumula a pasta do reino, onde será substituído por Anselmo Braamcamp em 21 de fevereiro de 1862 (1749 dias).

 

1864

 

11 de setembro

177 deputados. Vitória dos históricos com cerca de cem deputados.

18ª eleição geral
10ª eleição da 3ª vigência da Carta
7ª eleição da Regeneração

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4 188 410 habitantes no continente e ilhas. 350 145 eleitores (8,4% da população total). Eleição de 177 deputados. 152 círculos uninominais no continente. 13 nas ilhas. 12 no ultramar. Vitória dos históricos (cerca de 100 deputados). Governo de Loulé. 179 deputados. Decreto de 4 de agosto de 1864 manda proceder a eleições. Legislatura de 2 de janeiro de 1865 a 20 de maio de 1865. Eleição para a Câmara dos Deputados. Vitória dos governamentais históricos, sob o 2º governo histórico presidido pelo duque de Loulé. Vitória dos históricos. 32 deputados da oposição regeneradora.

 

1865

 

8 de julho

Vitória da fusão entre históricos e regeneradores, dita comissão eleitoral progressista. 47 deputados contrários à fusão. As primeiras eleições que provocam a emergência de um governo, o de Joaquim António de Aguiar, a partir de 4 de Setembro.

358 901 eleitores. Eleição de 177 deputados. 152 círculos uninominais no continente. 13 nas ilhas. 12 no ultramar. Uma união de históricos e regeneradores, defendida pelos ministros Silva Sanches e Ávila, com a oposição do chefe do governo, Sá da Bandeira, apresenta-se sob o nome de comissão eleitoral progressista, vencendo o ato eleitoral com ligeira diferença.

A maioria dos ministros é favorável à fusão. Há 47 deputados contrários à fusão. Os campos aparecem assim equilibrados e Sá da Bandeira, logo apresenta a demissão do ministério, considerando: é preciso que haja um governo que seja apoiado por uma maioria suficiente. Segue-se em 4 de setembro, o chamado governo da fusão, sob a presidência de Joaquim António de Aguiar.

 

 

1867

4 de fevereiro

As primeiras eleições onde vence a oposição que incluía os futuros reformistas. Derrota dos governamentais da fusão, então dito partido dos melhoramentos materiais.

366448 eleitores. Eleição de 177 deputados. 152 círculos uninominais no continente. 13 nas ilhas. 12 no ultramar. Vitória da oposição. Nesta inclui-se um grupo dito liberal-progressista liderado pelo então conde de Peniche, futuro marquês de Angeja; outro que se diz reformista e recebe o vago nome de partido popular, alinhando-se em torno de Sá da Bandeira e do bispo de Viseu, Alves Martins; na ala direita deste grupo circula António José de Ávila.

Os republicanos do Pátio do Salema, com Oliveira Marreca, Latino Coelho e Elias Garcia são então conhecidos como o grupo dos lunáticos. Os governamentais intitulam-se partido dos melhoramentos materiais e apresentam-se às eleições com o nome de comissão eleitoral do centro.

Está no poder o Governo da fusão entre regeneradores, então chefiados por Joaquim António de Aguiar, e de históricos, chefiados por Loulé, sob a presidência de Joaquim António de Aguiar, de 4 de setembro de 1865 até 1868 (853 dias). Martens Ferrão na pasta do reino desde 9 de maio de 1866.

 

1868

 

22 de março e 12 de abril

Vitória dos avilistas e reformistas, então no governo. 22 deputados da oposição histórica e regeneradora, dos quais apenas 13 são regeneradores.

368 327 eleitores. Eleição de 177 deputados. 152 círculos uninominais no continente. 13 nas ilhas. 12 no ultramar. Vitória dos avilistas e reformistas, obrigando os anteriores governamentais a passarem para a oposição. 142 deputados governamentais no continente e ilhas. 22 deputados oposicionistas no continente e ilhas. Destes, 13 assumem-se como regeneradores. Os restantes, históricos. Sob o Governo de Ávila desde 4 de Janeiro de 1868 com o apoio dos reformistas. Ávila no reino e Dias Ferreira na fazenda (201 dias).

 

1869

 

11 de abril

Nova lei eleitoral de 18 de março de 1869. 107 deputados. Vitória de avilistas e reformistas (79). A oposição com 20 deputados, dos quais apenas cinco são regeneradores.

4 309 081 habitantes no continente e ilhas. 394 377 eleitores (9,1% da população total). Decreto eleitoral de 18 de março de 1869. Eleição de 107 deputados. 92 no continente (em vez dos anteriores 152). 8 nas ilhas. 7 no ultramar. Vitória de avilistas e reformistas. 79 deputados governamentais no continente e ilhas. 20 deputados da oposição (2 nas ilhas). 5 deputados regeneradores.

Sob o Governo reformista de Sá da Bandeira, desde 22 de julho de 1868. Alves Martins no reino (386 dias). Começa a estruturar-se o partido reformista, como forma de apoio ao governo.

 

1870

 

13 de março

Vitória dos governamentais históricos. Dos 89 apoiantes do governo, 14 são regeneradores. 15 deputados reformistas na oposição.

422 642 eleitores. Eleição de 107 deputados. 92 no continente (em vez dos anteriores 156). 8 nas ilhas. 7 círculos plurinominais no ultramar. Vitória dos governamentais, durante o terceiro governo histórico, presidido por Loulé, no poder desde 11 de agosto de 1869, que nas suas listas incluiu regeneradores. 82 deputados governamentais no continente. 89 no continente e ilhas. Destes 14 assumem-se como regeneradores. Oposição de reformistas, liderados pelo bispo de Viseu, e penicheiros vence em 15 círculos do continente. Há sangrentos incidentes no Funchal.

18 de setembro

Vitória dos governamentais reformistas, com 68 deputados. 16 deputados avilistas. 20 históricos. 12 regeneradores.

422 642 eleitores. Eleição de 107 deputados. 92 no continente (em vez dos anteriores 156). 8 nas ilhas. 7 círculos plurinominais no ultramar. Começa o chamado regime dos pequenos partidos. Vitória dos governamentais reformistas. 68 deputados no continente e ilhas. Ávila, ministro da justiça, depois de demitir-se do governo apresentou-se autonomamente nas eleições, conseguindo eleger 16 deputados. 12 no continente e 4 nas ilhas. 20 deputados históricos. 12 deputados regeneradores. Sob o governo reformista de Sá da Bandeira de 19 de agosto de 1870 a outubro de 1870. Alves Martins no reino (62 dias).

1871

 

9 de julho

Governo de Ávila não obtém maioria própria. 31 deputados históricos, 27 avilistas, 22 regeneradores, 14 reformistas, 8 constituintes.

422 642 eleitores. Eleição de 107 deputados. 92 no continente (em vez dos anteriores 156). 8 nas ilhas. 7 círculos plurinominais no ultramar. Governo não obtém maioria própria. Avilistas (27 deputados). Regeneradores (22). Históricos (31). Reformistas (14). Constituintes (8). Sob o governo de Ávila.

 

1874

 

12 de julho

Vitória dos governamentais. 78 deputados regeneradores e avilistas, 16 históricos e reformistas (8 para cada), 6 constituintes.

452 036 eleitores. Eleição de 107 deputados. 92 no continente (em vez dos anteriores 156). 8 nas ilhas. 7 círculos plurinominais no ultramar. Eleições marcadas pelo termo de legislatura, sem prévia dissolução. Vitória esmagadora dos regeneradores aliados a avilistas e constituintes.

O governo tinha uma máquina eleitoral bem montada e não precisou de usar de violências demasiadas, até porque havia bastante indisciplina entre as oposições. 78 deputados regeneradores e avilistas no continente e ilhas. 6 deputados constituintes no continente e ilhas. 3 destes são-no pela Beira Baixa, da facção de Manuel Vaz Preto. Oposição conjunta de históricos e reformistas apenas elege 16 deputados no continente e ilhas. 8 históricos e 8 reformistas. Entre os deputados reformistas eleitos, Mariano de Carvalho, Luís de Campos e Osório de Vasconcelos.

Dos históricos, destacam-se os nomes de Braamcamp, José Luciano e Barros e Cunha. Entre os independentes, salienta-se Pedro Franco, o futuro conde do Restelo. A sessão parlamentar foi pachorrenta, dada a pequenez da oposição que nem sequer tratava de discutir as propostas governamentais, votando sempre contra. Em 10 de janeiro de 1875 funda-se o Partido Socialista. Contudo, a partir de janeiro de 1876 os constituintes passam para oposição. Destaca-se então o constituinte Manuel Pinheiro Chagas que começa a publicar o jornal A Discussão.

Em 19 de março de 1876 realiza-se um meeting contra o governo no Casino Lisbonense, onde falam Mariano de Carvalho, Emídio Navarro e o republicano João Bonança. Quatro dias depois já o deputado Mariano de Carvalho propõe um inquérito a todas as secretarias de Estado. Naturalmente, essa proposta não foi aprovada e, como forma de protesto, a oposição decidiu não comparecer mais na Câmara, decisão que manteve até 27 de janeiro de 1877. Em julho de 1876 surge o primeiro centro republicano. Em 7 de setembro seguinte, pelo Pacto da Granja, dá-se a unificação de históricos e reformistas, surgindo o novo partido progressista, que se instala em 17 de dezembro.

Sob o Governo regenerador de setembro de 1871 a março de 1877, sob a presidência de Fontes. Rodrigues Sampaio no reino (2001 dias). José Fontana promove a fundação daFraternidade Operária em 1872. República em Espanha em 12 de fevereiro de 1873. Em 10 de janeiro de 1875 era formado o Partido Socialista. Em 1876 estrutura-se um Centro Eleitoral Republicano Democrático. Pacto da Granja de 7 de setembro de 1876 unifica nos progressitas, os históricos e os reformistas.

 

1878

 

13 de outubro

Vitória dos governamentais regeneradores (97 deputados em 149). 22 progressistas. 14 constituintes. 3 aviistas. 1 deputado republicano pelo Porto.

phjVitória dos governamentais regeneradores (97 deputados para um total de 149, 71%). Os progressistas, com 22 (16%). Os constituintes, 14 (10%). Os avilistas, 3 (2%).

Foi eleito pelo Porto o primeiro deputado republicano, José Rodrigues de Freitas, com o apoio dos progressistas. Guerra Junqueiro eleito deputado progressista por Macedo de Cavaleiros. Regeneradores chegam a patrocinar em Lisboa a candidatura do republicano José Elias Garcia, não eleito.

Em Lisboa: 11 regeneradores, 4 progressistas e 1 avilista.
No Porto: 8 regeneradores, 2 progressistas, 1 constituinte e 1 republicano.

Estava no poder o governo de Fontes. Na altura, J. P. de Oliveira Martins emite uma violenta diatribe contra o modelo As Eleições.

 

1879

 

19 de outubro

As primeiras eleições sob um governo progressista. 105 deputados governamentais. com apoio de avilistas (4 deputados). 21 regeneradores, aliados aos constituintes (6). 1 deputado republicano pelo Porto. 1 deputado legitimista.

phjEleições realizadas durante o governo de Anselmo Braamcamp, o primeiro gabinete progressista propriamente dito. Os novos governamentais progressistas vão conseguir 105 deputados (77%). Apresentam-se com o apoio dos avilistas que conseguem 4 deputados (3%).

phjNa oposição, os regeneradores atingem os 21 deputados (15%). Apresentam-se como aliados dos constituintes, com 6 deputados (4%). Estes haviam tentado um prévio acordo eleitoral com os progressistas. os republicanos reelegem José Rodrigues de Freitas pelo Porto. Há também um deputado legitimista, Serra e Prado.

Em Lisboa: 11 progressistas, 3 avilistas e 2 regeneradores. No Porto: 9 progressistas, 2 regeneradores e 1 republicano. O governo promove duas fornadas de pares em 1880 (26 em janeiro e 16 em dezembro). Em 5 de setembro de 1880, há eleições para cinco vagas de deputados, com abstenção dos regeneradores.

 

1881

 

21 de agosto

Vitória dos governamentais regeneradores (Fontes). 122 para 149 no total. 8 constituintes. 6 progressistas. 1 republicano.

841 511 eleitores. 149 deputados no total nacional. 127 círculos uninominais no continente. 10 nas ilhas. Vitória dos governamentais regeneradores. 122 deputados no continente e ilhas. Progressistas reduzidos a seis deputados. Constituintes: 8 deputados no continente e ilhas. Republicanos: 1 deputado por Lisboa. Estava no poder o governo de Fontes.

 

1884

 

29 de junho

169 deputados, de acordo com a lei eleitoral de 21 de maio de 1884. 110 regeneradores. 31 progressistas. 8 constituintes. 2 republicanos.

30ª eleição geral
21ª eleição da 3ª vigência da Carta
18ª eleição da Regeneração
Eleição da Câmara dos Deputados

egh

863 280 eleitores. 169 deputados. 79 por círculos uninominais no continente. 58 por círculos plurinominais no continente, um círculo por cada sede de distrito. 14 por círculos plurinominais nas ilhas. 12 pelo ultramar. 6 deputados por acumulação de votos. Lei eleitoral de 21 de maio de 1884. Vitória governamental. 110 regeneradores no continente e ilhas. 31 deputados progressistas no continente e ilhas. 8 deputados constituintes no continente e ilhas. 2 deputados republicanos em Lisboa (Elias Garcia e Consiglieri Pedroso). Continua governo regenerador.

Dissolução em 24 de maio de 1884, quando não estavam reunidas as Câmaras. Decreto de 24 de maio de 1884 manda proceder a eleições. Legislatura até 24 de maio de 1884. Reúnem as Cortes em 27 de dezembro de 1884. Vitória dos governamentais regeneradores. Apoio dos constituintes. 169 deputados. 79 por círculos uninominais no continente. 58 por círculos plurinominais no continente. 14 por círculos plurinominais nas ilhas.

Regeneradores

110 deputados regeneradores no continente e ilhas
62 por uninominais no continente
38 por plurinominais no continente
10 por plurinominais nas ilhas

Progressistas

31 deputados progressistas
13 por uninominais no continente
15 por plurinominais no continente
3 por plurinominais nas ilhas
Progressistas conseguem todos os deputados por acumulação de votos

Constituintes

8 constituintes
4 por uninominais no continente
3 por plurinominais no continente
1 por plurinominal nas ilhas

Republicanos

Dois deputados republicanos em Lisboa (Elias Garcia e Consiglieri Pedroso), eleitos por círculo plurinominal. Manuel de Arriaga não consegue ser eleito pelo Funchal e há sangrentos incidentes.

Em 22 de agosto de 1884, o ministro Barjona proíbe um cortejo em homenagem a Manuel Fernandes Tomás, mas logo em 4 de setembro, cerca de 50 000 manifestantes prestam-lhe homenagem no cemitério.

Num discurso de 4 de maio de 1885, o deputado Elias Garcia diz que se preza de pertencer ao partido liberal, invocando Fernandes Tomás, Passos Manuel e Sá da Bandeira.

Como observa Lopes d’Oliveira, não há verdadeiro republicanos, entre nós, que não seja liberal, nem há verdadeiro liberal que não possa dizer-se republicano. Aliás, é em 1884 que José Falcão publica a Cartilha do Povo. Em 7 de setembro de 1885, os republicanos organizam um comício, dito anti-jesuítico, no Porto, no mesmo ano em que Guerra Junqueiro publica A Velhice do Padre Eterno.

 

1887

 

6 de março

Vitória dos governamentais progressistas (113). 36 regeneradores. 8 da Esquerda Dinástica. 2 republicanos. Um terceiro deputado republicano é eleito posteriormente, em 1888.

31ª eleição geral
22ª eleição da 3ª vigência da Carta
19ª eleição da Regeneração

egh

169 deputados. 79 por círculos uninominais no continente. 58 por círculos plurinominais no continente, um círculo por cada sede de distrito. 14 por círculos plurinominais nas ilhas. 12 pelo ultramar. 6 deputados por acumulação de votos. Vitória dos governamentais progressistas que elegem 113 deputados no continente e ilhas. 36 deputados regeneradores no continente e ilhas. 8 deputados da Esquerda Dinástica no continente e ilhas. 2 deputados republicanos por Lisboa. Em 25 de fevereiro de 1888 era eleito o deputado republicano Teófilo Braga, por vaga.

Estava no poder o governo progressista de José Luciano. 170 deputados. 80 por círculos uninominais no continente. 58 por círculos plurinominais no continente. 14 por plurinominais nas ilhas. 12 pelo Ultramar. 6 por acumulação de votos. Vitória dos governamentais progressistas.

Progressistas

113 deputados
66 por uninominais no continente
39 por plurinominais no continente
8 por plurinominais nas ilhas

Regeneradores

36 deputados
13 por uninominais no continente
17 por plurinominais no continente
6 por plurinominais nas ilhas

Esquerda dinástica

8 deputados da esquerda dinástica
4 por uninominais no continente
4 por plurinominais no continente

Republicanos

2 deputados por Lisboa (José Elias e Zófimo Consiglieri Pedroso
Em 25 de fevereiro de 1888, o republicano Teófilo Braga era eleito deputado, por vaga. São apoiados por o Século em Lisboa e pela Folha Nova do Porto.

Lisboa

14 progressistas (10 uninominais)
1 regenerador (uninominal) e 2 republicanos (plurinominais)

Porto

No Porto, 13 progressistas (10 uninominais) e 3 regeneradores (2 uninominais)

Composição social

39 funcionários públicos
34 proprietários
32 juristas (19 advogados, 10 juízes, 3 conservadores)
14 militares (10 oficiais do exército e 4 da armada)
14 engenheiros
10 médicos
9 lentes
7 professores
6 padres
4 negociantes
3 governadores civis
3 escritores
2 industriais

 

1889

 

20 de outubro

Vitória dos governamentais progressistas. 38 regeneradores. 8 da Esquerda Dinástica. 2 republicanos.

32ª eleição geral
23ª eleição da 3ª vigência da Carta
20ª eleição da Regeneração

egh

Em 1890, 5 049 729 habitantes no continente e ilhas. 1 315 473 cidadãos masculinos maiores de 21 anos. 951 490 eleitores (18,8% da população total; 72,3% da população masculina maior de 21 anos).169 deputados. 79 por círculos uninominais no continente. 58 por círculos plurinominais no continente, um círculo por cada sede de distrito. 14 por círculos plurinominais nas ilhas. 12 pelo ultramar. 6 deputados por acumulação de votos. 104 deputados progressistas pelo continente e ilhas. 38 deputados regeneradores pelo continente e ilhas. 8 deputados da Esquerda Dinástica pelo continente e ilhas. 2 deputados republicanos pelo continente e ilhas. Um por Lisboa e outro pelo Porto. Continua governo de José Luciano.

Eleição em fim de legislatura. 169 deputados. 80 por círculos uninominais no continente. 58 por círculos plurinominais no continente. 14 por plurinominais nas ilhas. 12 pelo Ultramar. 6 por acumulação de votos. Vitória dos governamentais progressitas.

Progressistas

104 deputados

Regeneradores

38 deputados

Republicanos

2 deputados

Esquerda Dinástica

8 deputados

 

1890

 

30 de março

Vitória dos governamentais regeneradores (115), depois do desaparecimento da Esquerda Dinástica, agora apoiante do governo. 33 progressistas. 3 republicanos. Governo de António Serpa, depois do Ultimatum.

33ª eleição geral
24ª eleição da 3ª vigência da Carta
21ª eleição da Regeneração

egh

Em 1890, 5 049 729 habitantes no continente e ilhas. 1 315 473 cidadãos masculinos maiores de 21 anos. 951 490 eleitores (18,8% da população total; 72,3% da população masculina maior de 21 anos). 169 deputados. 79 por círculos uninominais no continente. 58 por círculos plurinominais no continente, um círculo por cada sede de distrito. 4 por círculos plurinominais nas ilhas. 12 pelo ultramar. 6 deputados por acumulação de votos. Vitória dos governamentais regeneradores. 115 deputados pelo continente e ilhas. Esquerda Dinástica desaparece e apoia o governo regenerador. 33 deputados progressistas pelo continente e ilhas. 3 deputados republicanos  (Elias Garcia, Latino Coelho, Manuel de Arriaga), todos por Lisboa, com o apoio dos progressistas, em lista de protesto. No poder, o governo regenerador de António Serpa.

169 deputados. 80 por círculos uninominais no continente. 58 por círculos plurinominais no continente. 14 por plurinominais nas ilhas. 12 pelo Ultramar. 6 por acumulação de votos. Vitória dos governamentais regeneradores. 951 490 eleitores no Continente e Ilhas.

4 660 095 habitantes em Portugal segundo o censo de 1890. Graves incidentes provocam dez mortos e cerca de 40 feridos.

Regeneradores

115 deputados

Progressistas

33 deputados

Republicanos

3 deputados

Lisboa

12 regeneradores

2 progressistas

3 republicanos (Elias Garcia, Latino Coelho e Manuel de Arriaga). Na lista republicana, entra Fernando Palha, o presidente da câmara municipal dissolvida por Lopo Vaz.

 

1892

 

23 de outubro

Sob um governo presidido por Dias Ferreira, apenas com 26 deputados. 52 regeneradores. 33 progressistas.8 independentes. 4 republicanos.

34ª eleição geral
25ª eleição da 3ª vigência da Carta
22ª eleição da Regeneração
Eleição da Câmara dos Deputados

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169 deputados. 79 por círculos uninominais no continente. 58 por círculos plurinominais no continente, um círculo por cada sede de distrito. 14 por círculos plurinominais nas ilhas. 12 pelo ultramar. 6 deputados por acumulação de votos. 52 deputados regeneradores no continente e ilhas. 33 progressistas no continente e ilhas. 26 governamentais apoiantes de Dias Ferreira. 8 independentes. 4 republicanos (obtêm em Lisboa 25%). Eleitos R. de Freitas pelo Porto e Jacinto Nunes por Lisboa. No poder, o governo de Dias Ferreira.

169 deputados. 80 por círculos uninominais no continente. 58 por círculos plurinominais no continente. 14 por plurinominais nas ilhas. 12 pelo Ultramar. 6 por acumulação de votos. Decreto de 15 de setembro de 1892. Suprime a remuneração ou subsídio dos deputados que passam a exercer as respetivas funções gratuitamente.

Nas eleições de Lisboa, Eduardo Abreu, 5 615 votos; Jacinto Nunes, 5 336; José Falcão, 5 178; Filomeno da Câmara, 4 880. O monárquico mais votado, 7 145. Em setembro de 1893 foi preso o jornalista João Pinheiro Chagas, revolucionário do 31 de janeiro de 1891, que se havia evadido de Angola.

Regeneradores

52 deputados regeneradores

Progressistas

33 progressistas

Governamentais

26 governamentais

Independentes

8 independentes

Republicanos

4 republicanos (obtêm em Lisboa 25%). Elegem aqui Jacinto Nunes, com 5 336 votos (25%). Rodrigues de Freitas continuou a ser eleito pelo Porto. Outro deputado republicano eleito foi Teixeira de Queirós por Santiago do Cacém. Finalmente, João Chagas foi eleito por acumulação de votos, conseguindo 18 000.

 

1894

 

15 e 30 de abril

Sob o governo regenerador de Hintze, com João Franco no reino. Vitória esmagadora dos governamentais ditos concentração monárquica. 11 progressistas. 2 republicanos.

35ª eleição geral
26ª eleição da 3ª vigência da Carta
23ª eleição da Regeneração

Eleições realizadas durante o primeiro governo de Hintze Ribeiro, com João Franco na pasta do reino. Os governamentais regeneradores que se apresentam como concentração monárquica obtêm uma vitória esmagadora, reduzindo os progresistas a 11 deputados e os republicanos a dois deputados eleitos por Lisboa.

Um universo de 986 233 eleitores tem de escolher 169 deputados: 79 por círculos uninominais no continente e 58 por círculos plurinominais no continente. Há um círculo por cada sede de distrito. 14 deputados por círculos plurinominais nas ilhas. 12 pelo ultramar. 6 deputados por acumulação de votos. 2 deputados republicanos em Lisboa.

169 deputados. 80 por círculos uninominais no continente. 58 por círculos plurinominais no continente. 14 por plurinominais nas ilhas. 12 pelo Ultramar. 6 por acumulação de votos.

Dissolução em 9 de dezembro de 1893. Vitória dos governamentais regeneradores que se apresentam como concentração monárquica. Progressistas reduzidos a 11 deputados. Os caciques progressistas de Lisboa, como José Pinheiro de Melo e o prior da Lapa ajudaram os republicanos, enquanto outros, como o Conde do Restelo, se passaram para os governamentais regeneradores. 2 deputados republicanos em Lisboa (Eduardo de Abreu e Gomes da Silva).

Governo regenerador de Hintze Ribeiro, a partir de 22 de fevereiro de 1893 até 7 de fevereiro de 1897. João Franco no reino. Dissolvida a CD em 7 de dezembro de 1893. Emídio Navarro colabora com Carlos Lobo de Ávila em 1893.

 

1895

 

17 de novembro

Depois do decreto eleitoral de 28 de março de 1895. 120 deputados no total. Vitória esmagadora dos governamentais. Progressistas não concorrem em muitos círculos. Noutros aliam-se aos republicanos na chamada coligação liberal.

36ª eleição geral
27ª eleição da 3ª vigência da Carta
24ª eleição da Regeneração

As eleições realizadas durante o segundo governo de Hintze Ribeiro, com João Franco na pasta do reino, realizam-se já sob a vigência do decreto eleitoral de 28 de março de 1895 que reduziu consideravelmente o colégio eleitoral, dado que, para 5 237 280 habitantes no continente e ilhas, há apenas 493 869 eleitores (9,4% da população total). Com efeito, segundo o novo diploma a capacidade eleitoral ativa fica reduzida aos cidadãos masculinos, maiores de 21 anos que soubessem ler e escrever e colectados em contribuições não inferiores a 500 réis.

Havia também uma redução para 120 deputados, regressando-se aos círculos plurinominais distritais que elegiam entre dois e catorze deputados, com lista completa e sem proteção das minoriais. Há 104 deputados por 17 círculos plurinominais no continente. 10 deputados por 4 círculos plurinominais nas ilhas. 6 círculos uninominais no ultramar. Mas Lisboa e Porto, cidades com forte votação republicanas, são integradas nos respetivos distritos. Acabam as eleições por acumulação de votos, em vigor desde 1884.

Finalmente estabelece-se um sistema de quotas máximas para certas profissões, limitando-se a 40 os funcionários públicos e a 20 as profissões de médico e de advogado. Vitória dos governamentais regeneradores. Progressistas não concorrem em muitos círculos. Noutros formam com os republicanos uma chamada coligação liberal. Governo de Hintze continua.

120 deputados. 104 deputados por 17 círculos plurinominais no continente. 10 deputados e 4 círculos plurinominais nas Ilhas. 6 círculos uninominais no Ultramar. Vitória dos governamentais regeneradores que pretendem legalizar a ditadura. 863 280 eleitores.

Concentração monárquica

Os governamentais regeneradores apresentam-se em listas ditas desconcentração monárquica.

Oposição

Progressistas não concorrem em muitos círculos. Noutros formam com os republicanos uma chamada coligação liberal. O Partido Republicano decretou a abstenção.

O governo esteve em ditadura de janeiro a abril de 1894. Em novembro desse mesmo ano voltou ao regime de ditadura, apesar da oposição organizar grandes comícios de protesto. O governo é acusado pela oposição de ser o partido dos empregados públicos, os barrigas. À nova câmara eleita dá-se o nome do solar dos barrigas. A ditadura invoca a circunstância de governar contra os intriguistas e contra a política burocrática (João Franco).

O conde de Ficalho dizia então que quem deve governar é quem paga … tudo o mais são histórias. Ramalho considerava então que da eleição popular não sai nunca para o Governo aquele que mais sabe, mas sim aquele que mais intriga. Ato Adicional de 25 de setembro de 1895, por decreto ditatorial, sendo ratificado parlamentarmente em 3 de abril de 1896. Abolidos os pares eletivos, não se restaurando os hereditários. Apenas pares vitalícios nomeados pelo rei.·

As eleições foram precedidas por uma política de controlo de imprensa e quando começava a aplicar-se uma política preventiva contra os anarquistas. As eleições realizaram-se quando Mouzinho de Albuquerque combatia em Moçambique. José Luciano proclama em 5 de maio de 1895: acima da monarquia está a liberdade.

Consta que estava marcado um golpe de Estado para 18 de junho de 1896, com Fuschini, José Dias Ferreira e Soares Guedes. Alguns chegam a insinuar que se visava instaurar a república, prevendo-se José Luciano como presidente. Segundo Rui Ramos. A ameaça do partido progressita não era a de uma peça de artilharia, mas a de uma casa minada. 

Entretanto, surgem grandes divergência entre os republicanos. Alguns, como João Chagas, opõem-se frontalmente à política de coligação com a oposição monárquica progressista, conforme havia sido proposta pelo progressista Eduardo Abreu, defensor de um rompimento com a coroa.

 

1897

 

2 de maio

Lei de 21 de maio de 1896, com regresso aos círculos uninominais. Vitória dos governamentais progressistas.

37ª eleição geral
28ª eleição da 3ª vigência da Carta
25ª eleição da Regeneração
Eleição para a Câmara dos Deputados 

525 466 eleitores. Lei de 21 de maio de 1896. Regresso aos círculos uninominais no continente. Mantêm-se apenas os círculos plurinominais de Lisboa e Porto. Vitória dos governamentais progressistas. Abstenção dos republicanos. Governo progressista de José Luciano. Ampla vitória dos progressistas, sob o governo de José Luciano. Vitória dos governamentais progressistas. 

Republicanos abstêm-se: até que uma lei regularmente votada em Cortes, dê, pelo menos, as garantias já conquistadas em 1884. Todos os eleitos por Lisboa são progressistas. Em 21 de maio de 1896, os próprios regeneradores adoçaram a lei eleitoral de 1895, regressando-se aos círculos uninominais, restringindo-se os plurinominais a Lisboa e ao Porto.

As eleições são precedidas por alterações dos cadernos eleitorais. Seguem-se as normas constantes da lei de 21 de maio de 1896, com 96 círculos  eleitorais no continente, onde só os de Lisboa e do Porto são plurinominais, agregados aos respetivos distritos  rurais. Governo progressista desde 7 de Fevereiro de 1897, de José Luciano, acumulando o reino.

Eleições suplementares

Em 15 de agosto de 1897, eleição para 10 deputados abrangidos pelas incompatibilidades. Por Carta de Lei de 21 de setembro de 1897, diminuídas as incompatibilidades, com efeito retroativo.

Em fevereiro de 1897 deu-se uma cisão na maçonaria, com um Grande Oriente de Portugal a destacar-se do Grande Oriente Lusitano.

Movimentações partidárias

Grandes comícios republicanos em Lisboa e no Porto entre maio e agosto de 1897.
Congresso do Partido Republicano em Coimbra (25 de setembro de 1897).
Bernardino Machado reeleito grão mestre da maçonaria (18 de março de 1898).
Criado o primeiro Circulo Católico Operário, no Porto, em 1898. 

 

1899

 

26 de novembro

Vitória dos governamentais progressistas. 3 deputados republicanos.

38ª eleição geral
29ª eleição da 3ª vigência da Carta
26ª eleição da Regeneração

5 423 132 habitantes no continente e ilhas, segundo o censo de 1900. 1 367 020 cidadãos masculinos maiores de 21 anos. 551 437 eleitores (10,3 % da população total; 40,3% da população masculina maior de 21 anos). 145 deputados. 118 círculos uninominais no continente. 18 círculos uninominais nas ilhas e ultramar. Círculos plurinominias em  Lisboa e Porto.

Vitória dos governamentais progressistas. 3 deputados republicanos no Porto, com apoio de progressistas e socialistas (Afonso Costa, Paulo Falcão e Xavier Esteves, os chamados deputados da peste). As eleições do Porto foram anuladas em 15 de janeiro de 1900, mas repetidas em 18 de fevereiro, com os mesmos resultados. Continua governo de José Luciano.

145 deputados. 118 círculos uninominais, no continente. 18 círculos uninominais nas Ilhas e Ultramar. Círculos plurinominais em Lisboa e no Porto, sem representação de minorias. Lisboa, por exemplo, agrega Oeiras e Cascais. Vitória dos governamentais progressistas. Eleição sem prévia dissolução. 3 deputados republicanos no Porto, com apoio de progressistas e socialistas (Afonso Costa, Paulo Falcão e Xavier Esteves, os chamados deputados da peste, porque desde agosto que o Porto, com peste bubónica, estava cercado por um cordão sanitário).

Burnay, opositor ao governo, é eleito por Setúbal, depois de grandes tumultos. Acusara o governo de falta de seriedade nas contas. Governo de José Luciano. O Tribunal de Verificação de Poderes, em 15 de janeiro de 1900, anula as eleições do Porto. Estas são repetidas em 18 de fevereiro e voltam a ser eleitos os três candidatos republicanos que, em 13 de março, tomam assento na Câmara de Deputados. Em 5 de novembro de 1898, eleições municipais em Lisboa, com vitória da lista monárquica da oposição, presidida pelo conde do Restelo. VIII Congresso do Partido Republicano em Lisboa, em 18 de novembro de 1898.

1900

 

25 de novembro

Vitória dos governamentais regeneradores. Não são eleitos republicanos.

39ª eleição geral
30ª eleição da 3ª vigência da Carta
27ª eleição da Regeneração

5 423 132 habitantes no continente e ilhas, segundo o censo de 1900. 1 367 020 cidadãos masculinos maiores de 21 anos. 551 437 eleitores (10,3 % da população total; 40,3% da população masculina maior de 21 anos).

145 deputados. 118 círculos uninominais no continente. 18 círculos uninominais nas ilhas e ultramar. Círculos plurinominias em  Lisboa e Porto. Vitória dos governamentais regeneradores. Não são eleitos deputados republicanos. Governo de Hintze. Henrique de Burnay vence o republicano João Chagas em Setúbal. Mariano de Carvalho, Augusto Fuschini e José Dias Ferreira são eleitos como deputados independentes.

145 deputados. 118 círculos uninominais.no continente. 18 círculos uninominais nas Ilhas e Ultramar. Círculos plurinominais em Lisboa e no Porto, sem representação de minorias. Vitória dos regeneradores, sob o governo de Hintze Ribeiro. Mariano de Carvalho, Augusto Fuschini, o visconde de Mangualde e Dias Ferreira são eleitos como independentes. Não são eleitos deputados republicanos apesar de ter havido um forte aumento de votação no PRP. Cerca de 1 000 000 de recenseados. 74% de analfabetos.

Entretanto, o modelo dos dois partidos-sistema entra em dissolução. Na direita dos regeneradores há uma fuga para a organização de um partido católico, com Casal Ribeiro e Jacinto Cândido, organizador do partido nacionalista, entre 1903 e 1910. No centro, João Franco vai constituir os Regeneradores Liberais, entre 1903 e 1908. Na esquerda há as posições centrífugas do antigo apoiante de Barjona de Freitas, Wenceslau de Lima, entre 1908 e 1910, para não falarmos em Bernardino Machado, que aderiu aos republicanos em 1904. O mesmo ambiente de fuga acontece com os progressistas. Barros Gomes passa para os católicos. Emídio Navarro e Oliveira Martins apoiam os regeneradores em 1893 quando o ex-progressista Carlos Lobo de Ávila se tornou ministro de Hintze Ribeiro. Apoiantes de governos regeneradores também foram os progressistas António Enes, em 1895, e Mariano de Carvalho que saiu do partido em 1890. Para não falarmos da dissidência de José Maria de Alpoim (1858-1916), entre 1905 e 1910, e na passagem para os republicanos de Braamcamp Freire e de Augusto José da Cunha em 1907. Mas entre os próprios republicanos, surgiram fortes dissidências com Francisco Martins de Carvalho a passar- se para as hostes franquistas, em 1903, Elias Garcia a colaborar com Barjona de Freitas, em 1887, e José Falcão a ligar- se a Fuschini em 1891.

 

1901

 

6 de outubro

Nova lei eleitoral (Decreto de 8 de agosto de 1901, a chamada ignóbil porcaria). Vitória dos regeneradores de Hintze. Um deputado franquista. Não há deputados republicanos.

5 423 132 habitantes no continente e ilhas em 1900. Decreto de 8 de agosto de 1901 (a chamada ignóbil porcaria). 155 deputados. 148 deputados no continente e ilhas (ratio deputado/ população de 1/36 642). 26 círculos plurinominais no continente (22) e ilhas (4). 17 correspondentes a distritos. 7 círculos uninominais no Ultramar. Restaurada a representação das minorias (35 deputados).

Regime de escrutínio por lista. Vitória dos governamentais regeneradores apoiantes de Hintze. Um deputado franquista por Arganil. Não há nenhum deputado republicano. Continua governo de Hintze.

 

1904

 

26 de junho

Vitória dos governamentais regeneradores, de Hintze. Prévio acordo eleitoral com os progressistas.

41ª eleição geral
32ª eleição da 3ª vigência da Carta
29ª eleição da Regeneração Segundas eleições sob o regime da lei eleitoral de 1901

5 423 132 habitantes no continente e ilhas em 1900. Decreto de 8 de agosto de 1901 (a chamada ignóbil porcaria). 155 deputados. 148 deputados no continente e ilhas (ratio deputado/ população de 1/36 642). 26 círculos plurinominais no continente (22) e ilhas (4). 17 corespondentes a distritos. 7 círculos uninominais no Ultramar.

Restaurada a representação das minorias (35 deputados). Regime de escrutínio por lista. Vitória dos governamentais regeneradores, com acordos eleitorais com os progressistas. Continua governo de Hintze.

157 deputados. Regime de escrutínio por lista. Representação das minorias (37). Vitória dos governamentais regeneradores, com acordos eleitorais com os progressistas. Governo de Hintze Ribeiro, depois da dissidência franquista.

 

1905

 

12 de fevereiro

Vitória dos governamentais progressistas (Luciano). 3 franquistas.

42ª eleição geral
33ª eleição da 3ª vigência da Carta
30ª eleição da Regeneração
Eleição da Câmara dos Deputados

5 667 172 habitantes no continente e ilhas em 1905. 679 926 eleitores (12% da população total). Decreto de 8 de agosto de 1901 (a chamada ignóbil porcaria). 155 deputados. 148 deputados no continente e ilhas (ratio deputado/ população de 1/36 642). 26 círculos plurinominais no continente (22) e ilhas (4). 17 correspondentes a distritos. 7 círculos uninominais no Ultramar.

Restaurada a representação das minorias (35 deputados). Regime de escrutínio por lista. Vitória dos governamentais progressitas. Eleitos 3 deputados franquistas. Republicanos não colegem eleger nenhum deputado por Lisboa. Governo progressista de José Luciano.

157 deputados. Regime de escrutínio por lista. Representação das minorias (37). Vitória dos progressistas. Eleitos 3 deputados franquistas (João Franco, Luciano Monteiro e Fernando Martins de Carvalho). Regeneradores e progressistas parecem estar mais contra os franquistas do que contra os republicanos. Republicanos não colegem eleger nenhum deputado por Lisboa. Vencem na zona urbana (6 991 votos contra 5 980 dos progressistas, 2 978 dos regeneradores e 2 892 dos franquistas), mas perdem na zona rural. João José Sinel de Cordes e conde da Ribeira Grande são eleitos deputados progressistas por Lisboa.

Governo progressista de José Luciano de 20 de outubro de  1904 a 1 fevereiro de 1906. Ministro da justiça José de Alpoim demite-se em 10 de maio de 1905, surgindo a chamada dissidência progressista. Além da dissidência de Alpoim, outros messias desenquadraram-se. Bernardino Machado adere aos republicanos em 5 de fevereiro de 1905 e João Franco sai dos regeneradores. José Luciano, que sofria de hemiplegia, governa o país pelo telefone, a partir da sua casa. Em 1880 haviam sido instalados telefones em Lisboa que atingiram os 3 500 em 1910.

 

1906

 

29 de abril

105 deputados governamentais regeneradores, de Hintze. 17 progressistas. 7 franquistas. 9 dissidentes progressistas. 6 nacionalistas. 2 independentes. 1 miguelistas. Não há deputados republicanos.

19 de agosto

Vitória dos apoiantes do governo de João Franco, os regeneradores liberais e os progressistas. Regeneradores de Hintze na oposição.

 

1908

5 de abril

Depois do regicídio. Sob o governo de Ferreira do Amaral. 63 regeneradores. 59 progressistas. 15 amaralistas. 7 republicanos. 7 dissidentes progressistas. 3 franquistas. 1 nacionalista. Vitória dos apoiantes do governo (aliança de regeneradores e progressistas).

45ª eleição geral
36ª eleição da 3ª vigência da Carta
33ª eleição da Regeneração
Eleição da Câmara dos Deputados

dkl

Pelo decreto de 29 de fevereiro deu-se a dissolução do parlamento. Convocadas as Cortes para 29 de abril. Houve tumultos no Largo de S. Domingos em Lisboa, 14 mortos e uma centena de feridos. Incidentes em Alcântara. Eleições realizadas depois do regícidio, da queda do governo de João Franco e com o governo da acalmação de Ferreira do Amaral. Eleitos 63 regeneradores, 59 progressistas, ainda liderados por José Luciano, 15 independentes amaralistas, 7 republicanos, 7 dissidentes progressistas, liderados por José de Alpoim, 3 franquistas, liderados por Vasconcelos Porto, e 1 nacionalista, Jacinto Cândido. Na lista do governo, apareceu inclusive o médico republicano Manuel Bombarda.

Vitória dos apoiantes do governo da acalmação de Ferreira do Amaral (equilíbrio entre regeneradores e progressistas). Contudo, ainda se registam alguns incidentes de vulto em Lisboa, com 14 mortos e uma centena de ferido no largo de S. Domingos e em Alcântara. Dos 63 deputados regeneradores, 21 acompanharão a dissidência de Campos Henriques. 15 deputados amaralistas. 59 deputados progressistas. 7 deputados republicanos. 157 deputados.

Vitória dos apoiantes do governo da acalmação de Ferreira do Amaral (equilíbrio entre regeneradores e progressistas), na sequência do regicídio. Incidentes em Lisboa. 14 vítimas no largo de S. Domingos de Alcântara. 693 424 eleitores no Continente e Ilhas. 450 260 votantes no Continente e Ilhas.

Regeneradores

63 deputados. 21 deles acompanharão a dissidência de Campos Henriques.

Progressistas

59 deputados

Amaralistas

15 deputados

Republicanos

7 deputados.
Por Lisboa, António José de Almeida, Alexandre Braga e João de Meneses.
Por Setúbal, Estevão de Vasconcelos e Feio Terenas.
Por Évora, Brito Camacho.

Dissidentes progressistas

7 deputados

Franquistas

3 deputados, liderados por Vasconcelos Porto. Além deste Martins de Carvalho e Malheiro Reimão.

Nacionalistas

1 deputado

 

1910

 

28 de agosto

90 deputados apoiantes do governo, o chamado bloco liberal. 30 deputados regeneradores afetos ao chefe do governo, Teixeira de Sousa. 20 regeneradores afetos a Campos Henriques (oposição).

46ª eleição geral
37ª eleição da 3ª vigência da Carta
34ª eleição da Regeneração

dkl

Vitória dos governamentais de Teixeira de Sousa nas últimas eleições da monarquia.
695 471 recenseados.
Dissolução da CD em 28 de junho.

Governamentais

89 deputados governamentais, do chamado bloco liberal. Governo venceu em quase todo o país, à exceção de Lisboa, Setúbal, Viseu e Porto, onde apenas obteve minorias, e de Aveiro, Castelo Branco e Arganil, onde não obteve nem maiorias nem minorias.

Bloco oposicionista

50 deputados do bloco oposicionista (progressistas, franquistas, henriquistas, nacionalistas, católicos e miguelistas). Em Beja foram eleitos dois progressistas fora das negociações do bloco conservador.

Republicanos

14 deputados
15 417 votos em Lisboa
Afonso Costa, Alexandre Braga, Alfredo Magalhães, António José de Almeida, A. Luís Gomes, Cândido dos Reis, João Menezes, Miguel Bombarda, Teófilo Braga e Bernardino Machado por Lisboa. No círculo oriental, o candidato republicano mais votado obteve 10 990 votos, o governamental, 7445 e o do bloco 2 901. No círculo ocidental, o republicano mais votado obteve 10 379, o governamental  7664 e o do bloco, 5 367. Brito Camacho por Beja.  António Aurélio da Costa Ferreira, Estevão de Vasconcelos e Feio Terenas por Setúbal.

Bloco liberal, apoiante de Teixeira de Sousa

30 deputados regeneradores apoiantes de Teixeira de Sousa
8 regeneradores dissidentes

Bloco conservador, das oposições monárquicas

20 deputados regeneradores apoiantes de Campos Henriques
23 deputados progressistas
5 franquistas
3 nacionalistas 

As últimas eleições do constitucionalismo monárquica, pouco mais de três meses antes da instauração da República. Duplicam os deputado republicanos, que passam para 14. Os apoiantes do governo apenas conseguem cerca de 90 deputados. Os regeneradores dividem-se entre os apoiantes de Campos Henriques (20 deputados) e os de Teixeira de Sousa (30 deputados). Os próprios franquistas fragmentam-se. Surge um grupo de Lisboa, com Melo e Sousa e Malheiro Reymão, e os que seguem Vasconcelos Porto, em torno do Correio da Manhã.

Bloco conservador

No Verão de 1910 falou-se num grupo de direita e num grupo de esquerda, ambos supra-partidários. Na direita, então dita bloco conservador, alinharam os progressistas de José Luciano, em torno do Correio da Noite, os regeneradores de Campos Henriques, os franquistas de Vasconcelos Porto, com o Correio da Manhã, e os nacionalistas de Jacinto Cândido, em torno de Liberdade, apoiado em Castelo Branco por Tavares Proença, bem como dos jornais Palavra, dirigido por Francisco Gonçalves Cortez, e de Portugal, dirigido pelos jesuítas do padre Matos.

Bloco liberal

No grupo de esquerda ou bloco liberal, estiveram os dissidentes progressistas de José de Alpoim, ditos os buicidentes, os franquistas de Melo e Sousa e Malheiro Reimão, e os católicos de cariz franciscano, contrários ao partido nacionalista, influenciado pelos jesuítas, com Quirino de Jesus e Abúndio da Silva, defensores da democracia cristã.

Divisão entre os republicanos

Mesmo entre os republicanos, há uma esquerda, com Afonso Costa, que lê o jornal O Mundo, e uma direita, com Brito Camacho, que tanto lê A Lucta, como O Povo de Aveiro, de Francisco Homem Christo.

Grupos em vez de partidos

Confirmava-se assim aquilo que referia Fernando Pessoa sobre a monarquia constitucional que nunca teve partidos separados por ideologias diferentes, mas apenas grupos sem noção diferente das coisas e, portanto, como em todo o caso onde a inteligência não impera, governados apenas pelos instintos e pela politiquice de caciques.

 Ficção

Como observa Raul Brandão, o que resta de pé não passa de ficção. Quem manda, quem governa, mesmo na oposição, são os republicanos … Sucedem-se os governos, mas a força é outra, que se sente por trás do cenário.

A ilusão da ditadura plebiscitária

Em 20 de setembro de 1910 Paiva Couceiro deu uma entrevista a Joaquim Leitão do jornal O Porto onde considerou o país ingovernável, propondo a seguinte solução: Talvez uma ditadura plebiscitária … à qual se incumbisse a execução de um prefixo programa de governo e de providências, de acalmação e policiamento interno, voltando-se ao cabo do prazo limitado do seu exercício ao viver corrente da normalidade constitucional já moldada noutras formas.

A Revolução

Em 22 de setembro António Ferrão na Alma Nacional assinalava: a Revolução com maiúscula se pode, ou antes, se deve considerar como a resultante de várias revoluções com minúsculas: a dos espíritos, a dos caracteres, a dos costumes, a económica, a financeira, a administrativa, a militar – no bom sentido  … enfima mais brilhante, a mais teatral, e por isso aquela em que a maioria pensa, sonha – a revolução das ruas.