Abrilada

julio botelho monizMovimentação de várias personalidades do regime, lideradas pelo ministro da defesa, Júlio Botelho Moniz (na imagem), e apoiadas pelo antigo presidente da república, Craveiro Lopes, visando afastar Salazar através de um golpe palaciano. Chega a falar-se no regresso de Craveiro Lopes à presidência, com Marcello Caetano a chefiar o governo.

Tudo acontece quando acaba de tomar posse John Kennedy como presidente norte-americano (20 de Janeiro) e de começar o terrorismo em Angola (14 de Março), havendo uma votação do Conselho de Segurança da ONU, contra a posição portuguesa. No dia 17 de Fevereiro, avista-se com Elbrick, embaixador norte-americano, informando-o sobre as projetadas movimentações, tendo em vista forçar Salazar a liberalizar a sua política. Nova reunião entre os dois em 6 de Março.

Em 28 de Março, o ministro avista-se com Salazar. Em 5 de Abril tem uma audiência com Américo Tomás. No dia 6, Tomás reúne-se sucessivamente com Soares da Fonseca, Ulisses Cortês, Santos Costa e Salazar. No dia 11, nova reunião de Tomás com Salazar e na noite desse dia volta a receber Botelho Moniz que insiste na demissão de Salazar. No dia 12, Tomás almoça com o ministro do exército e volta a reunir-se com Salazar, Soares da Fonseca e Botelho Moniz. Mas, nesse dia, Kaúlza de Arriaga, dem dar conhecimento ao ministro da defesa, põe várias unidades da força aérea em regime de prevenção. No dia 13 consuma-se o golpe de Botelho Moniz, com uma reunião na Cova da Moura entre os ilustres amotinados.

Entretanto, previamente, Salazar remodelava o governo, assumindo Salazar a pasta da Defesa. Mário Silva, ministro do exército, com Jaime da Fonseca. Novo CEMGFA, Gomes de Araújo. Adriano Moreira assume a pasta do Ultramar. A explicação da remodelação era Angola: andar rapidamente e em força é o objetivo que vai pôr à prova a nossa capacidade de decisão.