1923 – 1926



1923

Janeiro - Liberais e reconstituintes na oposição, dizem-se, então bloco republicano.

Prosseguem os conflitos com a Igreja. Leonardo Coimbra, Ministro da Instrução Pública, entre 30 de novembro de 1922  e 9 de janeiro de 1923, é obrigado a demitir-se por pressão da ala jacobina quando tenta nova legislação estabelecendo que o ensino será neutral em matéria religiosa, o que permitiria a reinstalação do ensino religioso. Leonardo é apoiado por Raul Brandão, Guerra Junqueiro e Teixeira de Pascoaes. Ao facto não é estranha a atitude colaboracionista do CCP com os trabalhos parlamentares.

Dia 4 de janeiro - António José de Almeida impõe o barrete cardinalício ao novo Núncio Apostólico, Monsenhor Acquille Locatelli. Choques entre revolucionários e polícias em Lisboa e no Porto.

Dia 15 de janeiro - Apresentado orçamento para 1923-1924 .

Dia 27 de janeiro – Por decreto de 27 de janeiro é regulamentada a lei fiscal de 21 de setembro.

Nos começos do ano de 1923 recrudescem os atentados bombistas.

Dia 2 de fevereiro – Os ânimos exaltam-se com o julgamento dos outubristas no Tribunal de Santa Clara (de 24 de novembro de 1922 a 1 de junho de 1923). Na sessão de 2 de fevereiro, um dos réus proclama: o meu crime foi ser revolucionário. Intervenção dos advogados de defesa Cunha e Costa, Ramada Curto e Amâncio Alpoim.

Dia 9 de fevereiro – Na sessão do dia 9, Ramada Curto considera que a nação e todos os poderes do estado vivem hoje à sombra da revolução de 19 de outubro.

Dia 5 de fevereiro – Os diretórios dos partidos liberal e reconstituinte decidem organizar novo partido conjunto.

Dia 17 de fevereiro – É publicado o manifesto do novo partido nacionalista, redigido por Júlio Dantas.

Dia 19 de fevereiro – Álvaro de Castro comunica oficialmente ao Congresso a constituição do novo partido.

Dia 27 de fevereiro - Bombas em Lisboa por causa do regime do horário de trabalho dos metalúrgicos.

Março - As moagens compram O Século, nomeando Cunha Leal com diretor.

Manifesto da Seara Nova defende uma união cívica à margem das querelas partidárias. Apelo a uma obra de reorganização nacional através de uma governação excecional indispensável, com o apoio e cooperação de todos os portugueses.

Dia 9 de março - Interrompidas negociações com a Sociedade das Nações, tendo em vista a obtenção de um avultado empréstimo. Considera-se que o mesmo poria em jogo a soberania e a independência nacionais.

Dia 27 de março - Nova pauta aduaneira.

Greves dos metalúrgicos e padeiros.

Abril - Congresso do partido democrático. Contra a linha oficial, as candidaturas de Vitorino Guimarães e José Domingues dos Santos. Chega a propor-se a criação de uma religião laica visando substituir o catolicismo.

Dia 25 de abril - Bombas em Lisboa na rua da Imprensa Nacional.

Dia 27 de abril - Bombas em barbearias na Rua Augusta e na calçada do Combro.

Greves dos corticeiros, dos trabalhadores das moagens e dos têxteis.

Dia 13 de maio - Carta de Pio XI de 13 de maio apoia a pastoral coletiva do episcopado português que apoiava o CCP.

Dia 15 de maio – Lei nº 1424 de 15 de maio estabelece o chamado empréstimo rácico. Destina-se a cobrir o défice. Condições bastante favoráveis. Juro annual de 6 ½ pagável trimestralmente, isenção de impostos. Liberado em libras esterilinas.

Dia 20 de maio - Norton de Matos cria em Angola uma missão civilizadora laica.

Dia 1 de junho – Julgamento dos outubristas - Leitura da sentença dos implicados na noite sangrenta.

Dia 7 de junho - Novo contrato entre o Estado e o Banco de Portugal. Aumento da circulação fiduciária relacionado com o empréstimo.

Dias 9 a 11 de junho – Primeiro congresso do novo Partido Radical. Aliança entre outubristas, como Procópio de Freitas, Camilo de Oliveira, Orlando Marçal, António Arez e Veiga Simões, e os restos do partido popular. O grupo começou por chamar-se Partido Republicano de Fomento Nacional.

Dia 14 de junho - Carmona pede escusa do cargo de promotor do tribunal de Santa Clara e regressa ao comando da 4ª região militar.

Dia 22 de junho - Nacionalistas regressam ao parlamento, depois de um mês de ausência.

Dia 29 de junho - A Batalha alerta para o perigo de uma conspiração fascista.

Dia 4 de julho - Cunha Leal, enquanto sublíder dos nacionalistas, critica o governo.

Ataques da Imprensa da Manhã e de A Pátria à política dos ministros das finanças, Vitorino Guimarães, e da agricultura, Abel Fontoura da Costa.

Dia 7 de julho - Morte de Guerra Junqueiro.

Dia 11 de julho - Partido democrático, por influência de Afonso Costa, apresenta a candidatura de Manuel Teixeira Gomes à presidência da república.

Dia 16 de julho - Demite-se o ministro da guerra Fernando Freiria. Conflito com o oficial avidor António Maia que também era deputado.

Dia 17 de julho – Protestos contra a censura feita à peça de António Ferro, Mar Alto. Subscrevem o protesto, entre outros, Fernando Pessoa, António Sérgio, Raul Brandão, Jaime Cortesão e Aquilino Ribeiro.

Dia 2 de agosto - Votada favoravelmente moção de confiança ao governo.

Dia 3 de agosto – Cerca de um milhar de manifestantes em Lisboa, numa movimentação das juntas de freguesia contra o inquilinato, apoiada pela CGT.

Dia 6 de agosto – Teixeira Gomes é eleito presidente da República contra a candidatura de Bernardino Machado, apoiada pelos nacionalistas. Afonso Costa que tinha prometido apoiar Bernardino, acabou por inverter a sua posição naquilo que foi considerada uma incursão afonsista, vinda de Paris.

Dia 16 de agosto – Fim definitivo do pão político - Novo regime ceralífero em 16 de agosto, pelo decreto nº 9 060. O governo põe fim, de forma definitiva, ao regime do pão político. Aumento do preço do pão de 3ª em cerca de 50%. Aumento do preço do trigo à produção. Seguem-se 30 agitados dias de protestos, promovidos pela União Sindical de Lisboa, dirigida por Manuel de Figueiredo.

Comício promovido pela CGT contra o fim do pão político. Pró-soviéticos acusam de traição a direção da central. Decretada a greve geral. Bombas em Lisboa, Beja, Alhos Vedros e Montijo. A maioria das greves cessa em 25 de agosto. No dia 28, já se retoma o trabalho na generalidade.

Dia 23 de agosto – Surge o primeiro número da revista Ideia Nova, dirigida por Raul de Carvalho, também diretor de A Ditadura.

Dia 29 de agosto – Em A Batalh já se critica o pão político que só avantajava a moagem e alguns intermediários, defendendo-se a importação livre de trigo exótico.

Dia 7 de setembro - Duplicadas as dotações para o Fundo de Fomento Agrícola.

Dia 10 de setembro – Crise de autoridade - Carta de André Brun a João Chagas, de 10 de setembro de 1923: por aqui chegámos a uma admirável situação: não há Governo. Cada um faz o que lhe apetece. A primeira coisa que se faz em face de qualquer medida de governação é declará-la inexequível e idiota. Passados dias ou se põe de parte oficialmente a medida, ou, o que é mais fácil ainda, não se cumpre. Em resumo: a nossa crise é de estupidez por parte de quem governa e de velhacaria por parte de quem lucra com governos assim.

Dia 12 de setembro – Dá-se uma explosão de uma bomba que estava a ser fabricada na sede do Partido Radical, no Porto, morrendo três militantes.

Dia 13 de setembro – Primo de Rivera toma o poder em Espanha - Pronunciamento do general Primo de Rivera em Espanha.

Dia 26 de setembro – O Congresso é extraordinariamente convocado para tratar de problemas financeiros.

Crítica ao controlo estadual das subsistências – Como dizia Ezequiel de Campos em 26 de setembro, em O Primeiro de Janeiro, o governo pôs tabelas a tudo; andou a farejar os negócios ilícitos; proibiu o jogo; e fez o pão político. Mas a vida teimou em encarecer, a libra a subir em escudos, e a gente em concorrer à s festas e romarias, como nunca.

Dia 28 de setembro - Etiópia torna-se membro da Sociedade das Nações. Tumultos na Aldeia da Ponte, com intervenção da GNR. Cinco mortos.

Pessoal disponível na função pública - António Maria da Silva propõe a criação de uma Comissão Central de Economias e de uma Repartição de Pessoal Disponível.

Dia 3 de outubro - Teixeira Gomes desembarca em Lisboa, vindo de Londres.

Dia 5 de outubro – Teixeira Gomes tomava posse como Presidente da República.

Dia 15 de outubro - Visita o Tejo um navio soviético, o primeiro desde 1917. A tripulação do mesmo visita a sede da CGT. No dia 1 de novembro, com a visita de outro navio soviético, o governo já proíbe que a tripulação se desloque a terra.

Dia 21 de outubro – Lino Neto declara que o centro não é um partido político, embora represente uma influência de natureza política. Não pretendemos instalar-nos no poder nem confundimos legislação com regime.

Dia 31 de outubro - Edital do Comissariado Geral dos Abastecimentos de 31 de outubro declara livre o trânsito dos géneros alimentícios, à exceção das zonas raianas, onde continuam sujeitos ao regime de guias.

Cunha Leal ataca o governo por este não satisfazer as reivindicações dos católicos, no que é apoiado por Moura Pinto.

Rocha Martins acusa figuras democráticas de continuarem a proteger José Júlio Costa, o assassino de Sidónio Pais.

Novembro - Votada moção de confiança ao governo por 43-42 e António Maria da Silva apresenta a demissão.

Dia 6 de novembro – Chega a Lisboa Afonso Costa: não trago ódios. É indispensável a união de todos. Apesar de convidado para formar um governo de salvação nacional, recusa a tarefa no dia 7. Os nacionalistas recusam, então, participar num governo presidido por Costa. Convidado Catanho de Meneses, acaba por desistir por não conseguir agrupar democráticos e independentes.

Dias 10 a 12 de novembro – Realiza-se o I Congresso do PCP. Eleito um comité central dominado por Carlos Rates. Foi apresentada uma tese, não discutida, sobre a venda das colónias à Inglaterra para se resolver o défice do Estado. Participa Jules Humbert Droz, delegado da Internacional Comunista.

Dia 10 de novembro – Mudança de orientação em A Batalha, com abandono das teses anarco-sindicalistas e do mito da greve geral, a partir de 10 de novembro. Em vez de forças vivas, passa a usar-se a expressão burguesia.

Dia 15 de novembro – Governo minoritário nacionalista, presidido por Ginestal Machado, com Óscar Carmona, na pasta da guerra – o único não partidário ­–, e Cunha Leal nas finanças. Durará pouco mais de um mês esta experiência da direita republicana. Fernando Medeiros chama-lhe intentona putchista.

Dia 19 de novembro - Apresentação parlamentar. Recepção fria segundo Cunha Leal. O líder dos nacionalistas na Câmara dos Deputados é Álvaro de Castro. Prioridade ao problema financeiro, com reforma do contrato entre o Estado e o Banco de Portugal. Anexo ao programa, um relatório alarmante sobre a situação financeira do país. Álvaro de Castro se, no seu papel de líder parlamentar expressa um inequívoco apoio institucional, logo declara em termos de opinião individual, que discorda da metodologia usada para a superação do impasse, dado que prefere um ministério de concentração.

Golpe nacional socialista de Munique. Hitler será preso.

Dia 21 de novembro - Cunha Leal tenta adotar o modelo de liberalização do comércio e propõe o estabelecimento de novas reformas financeiras. É criticado no parlamento por Velhinho Correia e Vitorino Magalhães.

Dia 23 de novembro - Tenente-coronel Ferreira do Amaral é nomeado comandante da polícia e vai destacar-se na repressão da Legião Vermelha. Emitido edital do Comissariado Geral dos Abastecimentos estabelecendo ampla liberdade de comércio.

Dia 24 de novembro – António Lino Neto, em  de 24 de novembro, toma posição sobre o governo de Ginestal Machado: é necessário que a atmosfera de confiança que por toda a parte se vem desenvolvendo contra os políticos se não se acentue mais nem torne possível entre nós movimentos como os que lá for a determinaram a ascensão ao poder de Mussolini em Itália e de Primo de Rivera em Espanha.

Dia 28 de novembro – Lei nº 1 601 de 28 de novembro: possibilidade de novo alargamento da circulação fiduciária. Depois de aprovado na Câmara dos Deputados, é promulgado novo contrato com o Banco de Portugal e aprovado relatório financeiro do governo.

Dias 28 e 29 de novembro de 1923 – Léon Duguit profere conferências na Faculdade de Direito de Lisboa: Les Grandes Doctrines Juridiques et le Pragmatisme. Em 7 de dezembro, o deão de Bordéus transforma-se no primeiro doutor honoris causada escola. Sérgio há-de chamar-lhe um conferente de filosofia superficial, sem uma profunda compreensão dos problemas da filosofia, não conseguindo assentar o seu discurso numa noção suficientemente exata do conceito.

Dia 29 de novembro – Cunha Leal apresenta novas propostas financeiras: agravamento da contribuição predial, comparticipação do Estado nos lucros das sociedades anónimas, redução dos quadros do funcionalismo. Propõe também o despedimento gradual do pessoal adido.

Dias 1 a 4 de dezembro – Congresso das Associações Comerciais e Industriais. Apresentadas comunicações de António de Oliveira Salazar e Armindo Monteiro. Liderança do congresso cabe a Moses Bensabat Amzalak.

Dias 1 e 12 de dezembro – Saem os dois números únicos da revista Homens Livres. Uma revista organizada por António Sérgio e Afonso Lopes Vieira, juntando seareiros e integralistas: Livres da Finança & dos Partidos. Tenta juntar-se o novo direitista com o novo esquerdista, visando uma ditadura de salvação nacional.

Dia 8 de dezembro – Carlos Rates em O Comunista de 8 de dezembro de 1923 defende uma ditadura das esquerdas contra a ditadura das direitas. Os comunistas são então partidários de uma revolução imediata, porque o povo português, na sua maior parte, é uma massa apática e indiferente. Quem dominar em Lisboa, domina o país inteiro. Prevê a instalação de uma ditadura das direitas e que no dia seguinte à instalação desta toda a população está com os vencedores, do mesmo modo que, três meses depois todos estarão contra a ditadura, considerada uma prova pela qual teremos de passar.

Carta de Alfredo Pimenta a Aires de Ornelas em 8 de dezembro, pedindo para integrar a Causa Monárquica, tentando misturar o apoio a D. Manuel II com as doutrinas tradicionalistas. É então criada a Acção Realista Portuguesa, independente da Causa, mas subordinada ao lugar-tenente. Integram o novo grupo António Cabral, ex-ministro da monarquia, e Caetano Beirão, dissidente do Integralismo Lusitano.

Dia 10 de dezembro, novo golpe revolucionário radical liderado pelo capitão de fragata João Manuel de Carvalho, a bordo da Douro, antigo ministro da guerra nos governos de Maia Pinto e Cunha Leal. Implicados no golpe Agatão Lança e Nuno Simões. Participam vários membros do PCP. Insinua-se que Teixeira Gomes foi o inspirador do golpe, contido energicamente por Carmona, o único ministro que não estava no Porto. Almoçara com o revoltoso em 8 de dezembro. Ginestal Machado, no dia 10, pede ao Presidente da República a dissolução parlamentar. Carvalho declarará: faltou tudo! Faltaram todos! Só eu cumpri o meu dever e honrei os meus galões.

Dia 11 de dezembro – Nos dias seguintes, sucessivos ataques dos democráticos à política do governo, através de João Camoesas e António Maria da Silva. Carmona vai ao parlamento no dia 11 e perante os pedidos de esclarecimento de Agatão Lança e Nuno Simões, retira-se, porque tenho mais que fazer.

Dia 11 de dezembro - Vitória dos trabalhistas nas eleições britânicas.

Dia 13 de deembro – Já era rejeitada uma moção de confiança ao governo, proposta por Álvaro de Castro, por 53 contra 42.

Dia 14 de dezembro – Pedindo o governo a demissão ou a dissolução parlamentar, Teixeira Gomes considera que o parlamento era quem tinha de resolver o problema do país. Governo demite-se no dia 14.

Dia 15 de dezembro – Reaparece o jornal Novidades, agora como órgão da hierarquia católica, em apoio do CCP. O A União cessa a sua publicação em abril de 1924.

Álvaro de Castro afasta-se dos nacionalistas. Aprovada numa reunião da junta consultiva dos nacionalistas, por 57-18, uma moção repudiando ministérios de concentração e pseudo-ministérios nacionais. No dia 16, juntamente com três dezenas de deputados e senadores nacionalistas, funda o Grupo Parlamentar de Acção Republicana. No dia 14 aceitara formar governo de caráter não exclusivamente partidário, contra a opinião do seu diretório.

Dia 17 de dezembro – Cunha Leal faz uma conferência na Sociedade de Geografia, ladeado por Júlio Dantas e Ginestal Machado, proclamando a ditadura salvadora para Portugal há-de vir, trazida pela força das circunstâncias. Diz que o Exército é o símbolo máximo da Pátria e que só ele pode salvar Portugal.

Teixeira Gomes, numa carta datada do mesmo dia declara: sentia que a atmosfera se ia tornando, a pouco e pouco, favorável a um regime de força.

Nova experiência de governo. A liderança vai caber a Álvaro de Castro que, poucos dias antes, constituíra um Grupo Parlamentar de Acção Republicana, uma dissidência dos nacionalistas.

No dia 17, Alberto Xavier comunica na Câmara dos Deputados a constituição do grupo.

Dia 18 de dezembro - Constituído o governo com três alvaristas, três democráticos, dois seareiros, um afeto aos seareiros, um nacionalista e um independente.

Dia 21 de dezembro – O presidente logo declara que o problema financeiro era o único do governo. Na declaração ministerial de 21 de dezembro promete-se estabelecer a ordem e o equilíbrio nas finanças e no Estado.

Dia 22 de dezembro - Novo acordo com o Banco de Portugal. O banco era uma sociedade privada onde nem sequer havia supremacia do governo.

Dia 22 de dezembro

Dia 31 de dezembro - João Chagas abandona, por aposentação, o cargo de ministro de Portugal em Paris.

1924

Explodem bombas em 7, 10, 13, 14 e 22 de janeiro.

Dia 7 de janeiro - Reabre o parlamento.

Apoios e oposições ao governo - Democráticos prometem a cooperação necessária  para a execução do programa. O alvarista Carlos Olavo dá apoio firme, decidido e completo. Cunha Leal e Jorge Nunes, pelos nacionalistas, criticam o processo de queda do anterior ministério. Cunha Leal faz, a este propósito, uma contundente crítica a Teixeira Gomes. Jorge Nunes aos democráticos: aquilo que se fez ao partido nacionalista, o mesmo se fará ao partido democrático.

António Lino Neto em A União de Janeiro considera que o governo de Álvaro de Castro é um ministério de pessoas categorizadas. Acrescenta que a minoria católica condena e reprova, por fundamentalmente prejudicial ao povo, qualquer facto revolucionário, venha ele dos governantes com o nome de “golpe de Estado”, venha dos governados com o nome de “jornada gloriosa”. Condena todas as ditaduras sejam as de um regime, como a de Mouzinho da Silveira, as de um partido, como a de João Franco, ou as de um homem, como a de Sidónio Pais. Alerta contra os messias porque a solução da crise nacional está em cada um de nós, cumprindo simplesmente, mas inteiramente o nosso dever.

Dia 11 de janeiro - Votada a moção de confiança  (56 votos favoráveis, 27 contra). Criadas comissões de economia em todos os ministérios.

Dia 15 de janeiro - Apresentado orçamento.

Dia 21 de janeiro - Morte de Lenine.

Dia 21 de janeiro - Barros Queirós, da oposição nacionalista, apresenta proposta para a duplicação do imposto de selo que será adotada pelo governo.

Dia 22 de janeiro - Surge o primeiro governo trabalhista britânico.

António Sérgio convida Bernardino Machado para reitor da Universidade de Coimbra. Recusa, considerado que o reitor deve ser eleito.

Explodem bombas em 14, 27 e 28 de fevereiro.

Dia 1 de fevereiro - Funerais de Teófilo Braga.

Jornal A Ditadura, dirigido por Raul de Carvalho, passa de periódico do fascismo português a jornal de ação nacionalista, ligando-se ao grupo da Acção Nacionalista, dirigido por João de Castro Osório.

Dia 11 de fevereiro – Surgem os diplomas de extinção de vários serviços públicos, visando a redução das despesas (são suprimidos cerca de seis centenas de lugares que se achavam vagos e criadas comissões de economia em todos os ministérios), o que provoca uma imediata greve de funcionários (20 de fevereiro).

Continuam as greves (em fevereiro, a dos funcionários; em abril, a dos correios) e os atentados da Legião Vermelha.

Dia 17 e 22 de fevereiro, comícios unitários em Lisboa e no Porto contra o perigo de uma ditadura de direita.

Dia 20 de fevereiro – Cunha Leal na Câmara dos Deputados faz um ataque cerrado a Norton de Matos, por causa do governo de Angola (20 e 21 de fevereiro).

Dia 21 de fevereiro – O diretor da República fala nos democráticos como o partido dos escândalosnão há dia em que não surja um escândalo. Mas ainda não vimos, na cadeia, nenhum ladrão.

Dia 22 de fevereiro – Cerca de 100 000 pessoas manifestam-se contra a vida cara.

Dia 25 de fevereiro - Demissão do ministro da guerra – Ribeiro de Carvalho demite-se por não concordar com um projeto referente à promoção de sargentos. Foi interinamente substituído por Álvaro de Castro.

Seareiros saem do governo – Por solidariedade com o ministro da guerra, Ribeiro de Carvalho, saem do governo os dois seareiros, António Sérgio e Azevedo Gomes. Mas a Seara Nova declara continuar o apoio ao governo.

Ministro do comércio, embaixador em Paris – António da Fonseca, ministro do comércio, foi nomeado ministro de Portugal em Paris. Augusto de Castro é nomeado para Londres.

Dia 28 de fevereiro - Xavier vai a Londres negociar empréstimo – Alberto Xavier parte para Londres. Aí fica até 23 de março, data em que parte para Paris. Regressa a Lisboa no dia 4 de abril. Operação concluída com a casa Baring Brothers em 20 de março.

Março - Bombas nos dias 10 e 29.

Dia 1 de março – Amnistia para os revoltosos de 10 de dezembro de 1923 que estavam presos em S. Julião da Barra.

Lei sobre o aumento do imposto de selo. A lei foi proposta pelo oposicionista Tomé de Barros Queirós e foi apoiada pelo governo.

Dia 15 de março – Numa entrevista a A Tarde, Álvaro de Castro declara que a CGT é um organismo inimigo do Estado.

Alberto Xavier em Londres, em negociações com a casa Baring Brothers. Times publica artigo elogioso sobre as reformas financeiras em Portugal (22 de março). Segue-se Le Temps de Paris. Álvaro de Castro informa o parlamento em 7 de abril.

Dia 20 de março – Abateu em Campolide um prédio de quatro andares por deficiências de construção. Doze mortos.

Dias 31 de março a 3 de abril – CADC promove a constituição de uma União Católica dos Estudantes Portugueses em reunião realizada em Coimbra. Participam, entre outros, Lopes da Fonseca, Pedro Teotónio Pereira, Marcello Caetano e Albano Pereira Dias Magalhães.

Abril - Socialistas no governo da Dinamarca – Partido Socialista forma governo na Dinamarca.

Bombas em 15, 24 e 27.

Congressos Sindicais – Congresso dos metalúrgicos em Coimbra.

Dia 2 de abril - Viagem aérea Lisboa/ Macau – Começa a viagem aérea Lisboa-Macau de Sarmento Beires e Brito Pais.

Dia 7 de abril – Oposição questiona empréstimo obtido em Londres – Álvaro de Castro comunica à Câmara dos Deputados a abertura de um crédito em libras, conforme o acordo conseguido por Alberto Xavier em 20 de março com a Baring Brothers. A oposição questiona e o debate prossegue no dia 8, quando o deputado monárquico Carvalho da Silva apresenta uma moção de deconfiança.

Dia 10 de abril - Discurso de Álvaro de Castro na Câmara dos Deputados sobre as reformas financeiras.

Dias 8 a 28 de abril - Afonso Costa apoia Álvaro de Castro – Afonso Costa vem de férias a Portugal e insiste com o partido democrático para apoiar Álvaro de Castro.

Dia 18 de abril – Retomada a greve dos empregados do Estado em 18 de março, até ao dia 22.

Dias 25 a 27 de abril – Congresso do partido democrático sem críticas ao governo. Contra a linha oficial, Vitorino Guimarães. O governo passa sem críticas. O governo convida Afonso Costa para embaixador em Londres, mas este cargo acabará por seu ocupado por Norton de Matos, depois da recusa daquele. Norton de Matos abandonara o cargo de alto-comissário em Angola, alegando razões de saúde.

Cessa a publicação de A União.

Conferência de Lino Neto no Funchal: O Estado Moderno, Sindicalismo e Congreganismo.

Bombas em 7, 11, 14, 15, 16 e 28 de maio.

Greves e censura a A Batalha - Uma greves dos transportes no Porto leva a que a cidade fique cercada por forças militarizadas. Instala-se o regime de censura prévia ao jornal A Batalha.

Dia 4 de maio - Cartel das esquerdas ganha as eleições em França. Aliança dos radicais, liderados por Herrito, com os socialistas de Léon Blum.

Dia 7 de maio – Gomes da Costa regressa a Portugal de missão de serviço à Índia e a Macau, com uma visita à China. Partira de Lisboa em agosto de 1922. De regresso, em entrevista ao Diário de Lisboa diz que o ministério das colónias é uma súcia de idiotas. A questão é discutida no parlamento no dia 8. Mariano Martins, o ministro repele a insinuação. Gomes da Costa diz que não fará nenhum relatório porque ninguém lê relatórios.

Dias 23 a 27 de maio - Afonso Costa volta a Lisboa. Governo convida-o para embaixador em Londres, mas o posto acabará por ser ocupado por Norton de Matos.

Dia 23 de maio – Decretos nº 9 718 e nº 9 719 remodelam o sistema monetário. Cria moedas de 1$, $50, $20, $10 e $5. Tiragens em 1924, 1925 e 1926.

Dia 24 de maio - Fascistas obtêm a maioria absoluta nas eleições italianas.

Dia 28 de maio - Morte de três operários e de um polícia nos Olivais. Uma cilada armada pela polícia de Ferreira do Amaral, vivamente criticada por Jaime Cortesão.

Dia 30 de maio - Conflito entre o ministro da guerra interino, e a aviação militar, por causa de um decreto de 30 de maio sobre compressão das despesas. O deputado Lelo Portela, que era oficial-aviador, levantou a questão na Câmara dos Deputados.

Junho - Bombas nos dia 1, 4, 7, 25 e 29.

Dia 3 de junho - Associações patronais pedem a profilaxia social contra a Legião Vermelha. Decreto nº 9 761 promove a nacionalização parcial da dívida pública externa. Os juros e as amortizações passam a ser pagos em escudos para os portadores não estrangeiros. Os títulos na posse de estrangeiros, para serem pagos em esterilinos, terão de ser carimbados nas delegações portuguesas de Londres e Paris.

Sublevação dos aviadores na Amadora de 3 para 4 de junho, depois da demissão do respetivo comandante. São cercados por tropas de Queluz. Só no dia 7 de junho aceitam render-se, graças à ação do general Bernardo Faria que entra no campo desarmado, acompanhado por oficiais de várias unidades militares.

Álvaro de Castro aceita entrar num duelo à espada como o aviador Ribeiro da Fonseca. A imprensa mostra fotografia do duelo em 2 de julho.

Convite a Afonso Costa para formar governo – Álvaro de Castro em correspondência telegráfica com Afonso Costa considera inevitável a queda do governo e a necessidade de outro presidido pelo próprio Afonso Costa. Dificuldades de apoio parlamentar quanto às reformas financeiras.

De 6 a 12 de junho – Debate na Câmara dos Deputados sobre o decreto de 3 de junho quanto aos juros dos títulos de empréstimos. Intervenção de vários antigos ministros das finanças, nomeadamente de Cunha Leal e Velhinho Correia.

Dia 16 de junho - Contra a hipótese de um golpe à espanhola - O Mundo prevê e combate a hipótese de um golpe à Primo de Rivera.

Dia 20 de junho – Demite-se Nuno Simões, ministro do comércio, sendo interinamente substituído por Helder Ribeiro, no dia 26. Afonso Costa volta a Portugal e pede ao Presidente da República que apoie o governo.

Dia 24 de junho - O deputado socialista italiano Giacomo Matteoti é assassinado por milícias fascistas.

Deputado monárquico fala em quadrilha de ladrões no poder - O deputado monárquico Paulo Cancela de Abreu declara na Câmara dos Deputados que o país está entregue a uma quadrilha de ladrões.

Dia 26 de junho – A pasta do comércio passa a ser acumulada por Helder Ribeiro. O assunto desceu ao parlamento e foi, então, rejeitada uma moção de confiança. O governo pediu a demissão.

Dia 27 de junho – 49 toneladas de moeda de prata partiam para Londres para pagamento de compromissos externos, conforme prévia decisão do governo, tomada no dia 11 de fevereiro. Destinavam-se a caucionar o empréstimo de 20 de março. A prata fina era constituída pelas moedas retiradas de circulação.

Diário de Lisboa anunciava: acabaram-se as coroas. Houve uma tumultuosa sessão parlamentar. Os jornais monárquicos lançaram um furioso ataque ao governo.

Dia 28 de junho - No dia seguinte é emitida uma nota oficiosa de Álvaro de Castro sobre a matéria. Não podia ir ao parlamento por estar demissionário.

Dia 30 de junho – Depois de debate parlamentar, Álvaro de Castro telegrafava para Londres a suspender a remessa das moedas.

Vitorino Guimarães apresenta na Câmara dos Deputados uma moção de desconfiança que foi aprovada por 41-23. Moção de  confiança apresentada pelo alvarista Carlos Olavo é reprovada por 33-31.

Novo convite a Álvaro de Castro – Teixeira Gomes convida de novo Álvaro Castro para este formar governo. Desiste. Os democráticos, apesar de prometerem apoio, não querem comprometer-se com as medidas financeiras.

Exército ou guarda pretoriana? – Sarmento Pimentel, num artigo publicado na Seara Nova, nº 36, de junho de 1924, proclamava: Não há Exército Nacional. Há a guarda pretoriana da República burguesa carregando o orçamento com cifras monumentais, roubando ao País os homens bons que trazem da aldeia para na cidade se indisciplinarem, para se desmoralizarem, para se sifilizarem.

Dia 30 de junho – A CGT saúda  a queda do governo de Álvaro de Castro, por causa dos roubos da Finança e da Moagem, dos bárbaros crimes dos Olivais e de Sines.

Partido Socialista elogia o governo - Partido Socialista qualifica a política de Álvaro de Castro como franca tentativa de uma política financeira de esquerda que sucumbiu perante a reação das classes capitalistas. Em junho de 1924 realizou-se no Porto o XI Congresso do PS que continuou a ser dominado por Ramada Curto e Amâncio Alpoim.

Bombas nos dias 7, 13 e 20 de julho.

Conflitos entre os sindicalistas afetos à Associação Internacional dos Trabalhadores, central anarco-sindicalista fundada em Berlim em 1919, e os da Internacional Sindical Vermelha, fundada por Lenine em 1923.

Governo de Rodrigues Gaspar – Afonso Costa recusou formar governo e Álvaro de Castro, apesar de convidado, decidiu não continuar. O novo governo é um cacharolete político com vincante predominância do PRP, como lhe chamou Cunha Leal. Colaboram os membros da Acção Republicana e são mobilizados alguns republicanos independentes.

Moção de confiança passa por 45- 24. Apoio dos democráticos e dos alvaristas; os católicos assumem a neutralidade oposição de nacionalistas e monárquicos.

Dias 2 a 7 de julho – Congresso Eucarístico Nacional em Braga. Conferência de Salazar: A paz de Cristo na classe operária pela S. S. Eucaristia.

Dia 9 de julho – Programa de governo - Leitura da declaração ministerial. Põe acento tónico na reforma financeira, com o controlo das cambiais e a compressão das despesas. Em julho há uma pequena quebra positiva no índice do custo de vida, mas em outubro a inflação volta a disparar.

Dia 14 de julho - Confrontos entre as tropas do exército e a GNR – Prosseguem as tentativas de revolta. Forças do exército e da GNR chegam mesmo a entrar em refrega no Parque Eduardo VII, com cerca de uma dezena de mortos.

Dia 16 de julho - Derrotada moção de desconfiança ao governo proposta pelos nacionalistas por 45-24.

Por indicação de Rocha Saraiva, Abranches Ferrão nomeia Cunha Leal reitor da Universidade de Coimbra (desempenha funções gratuitamente, mantendo o lugar de deputado). Será demitido em abril de 1925. Raul Proença na Seara Nova comentava: estamos de certo no país dos Hotentotes.

Dia 19 de julho – Católicos criticam Mussolini – O Novidades acusa Mussolini de oportunismo e falta de preparação intelectual.

Dia 24 de julho - Bombas em Lisboa. O chefe da Legião Vermelha evade-se da cadeia do Limoeiro. O jornal Ditadura  revela a formação de um novo movimento político, constituído por um grupo de portugueses que querem salvar a pátria; entre os nomes citados, Eurico Cameira, Trindade Coelho, Tamagnini Barbosa, Raul de Carvalho, diretor do jornal, Teófilo Duarte, Duarte e Sousa, Mota Oliveira e Cândido Costa.

Dia 28 de julho - João Franco publica e prefacia Cartas de El Rei D. Carlos.

Dia 8 de agosto - Decreto nº 998 cria uma comissão reguladora da compra e abastecimento de cereais.

Dia 13 de agosto – O jornal A Época anuncia o falhanço de uma tentativa golpista de assalto ao forte da Ameixoeira que teria sido preparada por um comité integrado por Martins Júnior que desejava como chefe Gomes da Costa. Insinua-se que o golpe visava pôr o partido radical no poder e que o futuro ministro do trabalho seria Carlos Rates, secretário-geral do PCP.

Dias 17 de 18 de agosto – Bombas.

Dia 19 de agosto - As soluções financeiras continuam a faltar. O ministro das finanças apoia o empréstimo obtido pelo anterior governo de Álvaro de Castro. Mas, em vez da garantia da prata das moedas, vende a garantia, na soma de um milhão e quinhentos mil libras, quantia conservada intacta nas caixas dos nossos banqueiros de Londres. Converte o valor-prata em valor-ouro.

Surgem protestos parlamentares contra a reforma do contrato entre o Estado e a companhia dos tabacos.

Dia 26 de agosto – Almoço no Louriçal com Afonso Costa – Almoço de líderes democráticos em casa de Ramos Preto. Pressionam no sentido da formação de um novo governo. Participam Afonso Costa, António Maria da Silva, Domingos Pereira, José Domingues dos Santos e Álvaro de Castro.

Dia 28 de agosto - Revolta abortada no castelo de S. Jorge. Presos 8 comunistas e 1 radical.

Setembro - Bombas nos dias 24, 25, 26 e 29.

Dia 2 de setembro - Nova lei do arrendamento.

Dia 9 de setembro - Lei do agravamento fiscal.

Dia 12 de setembro – Novo golpe frustrado: assalto ao ministério da guerra e à central telegráfica combinada na leitaria em frente ao teatro Apolo. O edifício da Alfândega chega a ser tomado pelo major Pires Falcão.

Jornais O Mundo e A Batalha alertam para o perigo de um golpe fascista.

Dia 28 de setembro – Referendo entre sindicalistas - Conforme resolução do Congresso Operário da Covilhã a CGT promove referendo sobre a adesão internacional do movimento sindical português. 104 sindicatos pela Associação Internacional dos Trabalhadores (anarco-sindicalistas) e 6 pela Internacional Sindical Vermelha (marxista-leninista).

Numa reunião de 200 delegados de associações patronais, a pretexto da organização de um boicote ao pagamento do imposto de selo nas bebidas, é criada uma União dos Interesses Económicos. Financiada pela CUF e pelos latifundiários, misturando nomes como os de Martinho Nobre de Melo, Pereira da Rosa, Pequito Rebelo, Nunes Mexia e Filomeno da Câmara. Integram a união, a Associação Comercial de Lisboa, a Associação Comercial do Porto, a Associação Industrial Portuguesa, e a Associação Central da Agricultura Portuguesa.

Dia 2 de outubro – Decreto nº 10 151 cria uma repartição do pessoal disponível.

Dia 3 de outubro – Lei de 3 de outubro de 1924 autoriza o governo a contrair junto da Caixa Geral de Depósitos um empréstimo de 15 000 contos para a reparação de estradas.

Dia 10 de outubro - União dos Interesses Económicos promove o lock out. Responde A Batalha, com a convocação de vários comícios.

Dia 13 de outubro - Comícios de radicais e sindicalistas contra o lock out promovidos pela CGT e pelo Partido Radical.

Dia 14 de outubro – Conflito no Porto entre patrões e sindicalistas, face à intensidade do lock out. Assalto a lojas em Espinho.

Dia 24 de outubro - Edital estabelece liberdade de trânsito para trigos e farinhas. Bombas. A União dos Interesses Económicos anuncia a compra de O Século, tendo em vista a defesa dos interesses do comércio. A mobilização de fundos acaba por não permitir a compra institucional, mas ficam como principais sócios do jornal Pereira da Rosa, Carlos de Oliveira e Moses Bensabat Amzalak.

Dia 31 de outubro - Conservadores vencem as eleições britânicas.

Em outubro e novembro reacende-se o conflito entre os católicos, com o Novidades, afeto ao CCP, a polemizar com A Época, de Fernando de Sousa.

Dia 4 de novembro - Reabre o parlamento. Ministro das finanças diz que regressou a prata.

Dia 7 de novembro - Governo proíbe a realização em Lisboa de uma manifestação comemorativa da revolução bolchevista.

Dia 8 de novembro – É extinto o Comissariado Geral dos Abastecimentos, anunciando-se um processo de liberalização do comércio dos bens de primeira necessidade. O governo seguinte revoga a medida em 20 de dezembro.

Bombas nos dias 11, 16 e 20 de novembro.

Dia 15 de novembro - Desaparece no Mar do Norte, Sacadura Cabral.

Dia 18 de novembro - Mais liberdade para o trânsito dos géneros alimentícios.

Dia 19 de novembro – O governo pede a demissão na sequência da apresentação de uma proposta financeira sobre Angola. O grupo democrático de José Domingos dos Santos considerou que a proposta era da responsabilidade do governo e não do partido. Este grupo vai, depois, aliar-se com a oposição na votação de uma moção de confiança ao governo, apresentada por António Maria da Silva, onde o governo é derrotado por três votos (46-43). Governo cai por desinteligências dentro do próprio partido democrático, a que nem Afonso Costa consegue pôr termo.

Dia 21 de novembro - Reorganização do ministério da agricultura (Torres Garcia).

Dia 22 de novembro – Governo de José Domingos dos Santos - Uma experiência de governo canhoto, desde 22 de novembro de 1924. Mobilizados quatro canhotos e dois seareiros, sendo os restantes alvaristas independentes.

Dia 27 de novembro - Declaração ministerial com apelo à justiça social.

Dia 1 de dezembro - Comício sindicalista em Lisboa contra o desemprego, a vida cara e os salários baixos. O Governo reconhece oficialmente, pela primeira vez, a Confederação Geral do Trabalho.

Dia 6 de dezembro - Aprovada uma moção de confiança apresentada por Álvaro de Castro (63-27). Na Câmara dos Deputados, lidera a bancada democrática de apoio ao governo Sá Pereira. António Maria da Silva, Rodrigues Gaspar, Vitorino Guimarães e Vasco Borges abandonam a sala sem votarem.

Dia 16 de dezembro - Comícios da União Operária Nacional em 1 de dezembro e 16 de dezembro. Contra a crise de falta de trabalho, os baixos salários, as moagens, as forças vivas.

Dia 20 de dezembro – Por decreto mantinha-se em atividade o Comissariado Geral dos Abastecimentos que havia sido extinto em 8 de novembro.

Dia 25 de dezembro - Jornal A Ditadura reclama contra a prisão de pretensos açambarcadores, entre os quais D. Manuel de Mello, sucessor de Alfredo da Silva na direcção da CUF.

Dia 26 de dezembro – Associação Comercial de Lisboa critica o governo - Associação Comercial de Lisboa critica o imposto de selo e a política cambial, insurgindo-se contra as bandeiras desbotadas do partidarismo.

1925

Dia 2 de janeiro – Reconhecimento da URSS - O novo governo aprovou o reconhecimento do atual regime da Rússia.

Dia 5 de janeiro - Nomeado Norton de Matos embaixador em Londres, enquanto se institui um Conselho Económico e Social.

Dia 7 de janeiro - Alerta contra o golpe das forças vivas - Jornal A Internacional denuncia a iminência de um golpe das forças vivas.

Dia 10 de janeiro - Morte de António Sardinha.

Dia 12 de janeiro - Reabertura do parlamento. Cunha Leal discursa sobre Angola.

Dia 15 de janeiro - Apresentação do orçamento.

Dia 17 de janeiro - Decreto bancário - O governo vai ser agitado por um decreto em que se reformava o exercício das atividades bancárias que, entre outras medidas, afetava a independência do banco emissor.

Ezequiel de Campos e a reorganização fundiária - A novidade governamental passa pelo ministro da agricultura Ezequiel de Campos, com Sarmento Pimental como chefe de gabinete, que em 17 de janeiro chega a apresentar uma proposta de lei de organização rural. A Batalha considera-a como burguesa e comedida. Ataques de Nemo em A Época.

Previsto o parcelamento das grandes propriedades agrícolas do Centro e do Sul, visando a constituição, em regime de propriedade privada, de unidades familiares.

Dia 19 de janeiro - Associação de Retalhistas de Víveres ataca o governo pela fiscalização excessiva. 

Oposição dos nacionalistas e das Associações económicas - Logo no dia 19 Cunha Leal no parlamento considerava o decreto inconstitucional e os nacionalistas desencadearam uma guerra ao governo. Associaram-se aos nacionalistas a Associação Comercial de Lisboa e a própria assembleia geral do Banco de Portugal.

Dia 20 de janeiro – Medidas contra o desemprego e a mendicidade - O ministro do trabalho, João de Deus Ramos, em entrevista ao Diário de Notícias de 20 de janeiro, considerava que os graves problemas do país eram a crise do desemprego e a mendicidade nas ruas, referindo até que os prestamistas particulares praticavam juros de 120%. Neste sentido, o governo pôs em funcionamento a fábrica Stephens da Marinha Grande e permitiu a venda direta de stocks de lanifícios da Covilhã.

Dia 23 de janeiro – O governo obtém uma vitória parlamentar quando foi rejeitada uma proposta de suspensão do decreto apresentada pelo bonzo António Maria da Silva, para este baixar para estudo a uma comissão parlamentar (56-51).  Nesse dia o jornal A Ditadura critica a obra bolchevista do Ministro das Finanças.

Dia 24 de janeiro - Determinado o arrolamento de gados no continente.

Dia 25 de janeiro – Apoio ao governo de radicais e sindicalistas - Esboça-se,  a criação de uma frente comum de apoio ao governo, com socialistas, comunistas, CGT e Federação Nacional das Cooperativas.

Dia 29 de janeiro – Resistência do Banco de Portugal ao Governo - Banco de Portugal decide recusar por todos os meios legais as reformas bancárias e cambiais do governo.

Dia 31 de janeiro – Alerta contra golpe das forças vivas - A CGT recomenda ao proletariado de todo o país que se prepare para repelir por todos os meios o ataque das forças vivas. Já no dia 30 A Batalha considera que se vive uma hora de perigo. As forças vivas preparam uma violenta e brutal ditadura. O mesmo jornal em 5 de fevereiro critica a União de Interesses Económicos: a guerra elevou muitos aventureiros à privilegiada situação de ricaços.

Dias 31 de janeiro e 1 de fevereiro – Reúne em Coimbra o congresso Inaugural do Partido Radical.

Dia 2 de fevereiro - Sessão agitada na Câmara dos Deputados, com evacuação de galerias.

Dia 4 de fevereiro – Ezequiel de Campos defende política de irrigação - Ezequiel de Campos afirma no Senado que o problema da irrigação no Alentejo podia resolver-se com 250 000 libras quantia esta que dá para aí a meia dúzia de revolucionários civis.

Dia 6 de fevereiro – O governo dissolve a Associação Comercial de Lisboa, há uma manifestação de apoio ao governo com uma tentativa de assalto a um posto policial em Lisboa. Apoio da CGT, dos socialistas e dos comunistas, contra os manejos das forças vivas. José Domingues dos Santos assiste à manifestação das janelas do ministério do interior e chega a dirigir-se aos manifestantes num discurso onde proclama: o povo tem sido explorado pelo alto comércio e pela alta finança. O Governo da República colocou-se abertamente ao lado dos explorados contra os exploradores. O Governo vai fazer uma grandiosa obra de saneamento moral! Lamento profundamente o acontecimento que se acaba de dar. Não quero que a Força Pública seja para fuzilar o Povo.

Dia 8 de fevereiro – Comício de apoio ao governo promovido pela Federação Nacional das Cooperativas reúne cerca de 20 000 pessoas.

Dia 11 de fevereiro – É aprovada uma moção de desconfiança (45-65), apresentada por Agatão Lança, segundo a qual o governo afetou o prestígio da força pública, a disciplina militar e a ordem pública. A sessão foi agitada, com um deputado a atirar um copo à cara de outro. José Domingues dos Santos declara então: ficámos entendidos – a Câmara quer um governo que esteja ao lado dos exploradores contra os explorados, a Câmara quer um governo que espingardeie o povo.

Dia 13 de fevereiro – Surge em Lisboa uma manifestação de apoio ao governo que terá reunido cerca de 80 000 pessoas, promovida pela União dos Interesses Sociais. Há comícios em Faro, Évora, Figueira da Foz e Cascais. Entregue mensagem ao governo pela sua obra de ataque à s coletividades económicas.

Dia 14 de fevereiro - Os perigos do regresso à monarquia e do bolchevismo – Em entrevista ao Diário de Notícias, proclama Brito Camacho: é preciso republicanizar a república, sob pena  de darmos um passo atrás e cairmos na monarquia, ou um salto em frente e cairmos no bolchevismo.

Bispos apoiam Centro Católico – Os bispos intervêm no confronto entre A Época e o Novidades dizendo que o CCP tem o apoio do episcopado e do próprio papa. Nemo abandona então o CCP e A Época transforma-se em jornal catolico, independente do Centro. Reações contra os bispos: O Correio da Manhã considera a declaração dos bispos como uma impertinência política. O Comércio de Viseu, dirigido pelo visconde de Banho, põe-se ao lado de Nemo. Na Covilhã, um padre centrista chega a ser sovado por membros das Juventudes Monárquicas. O papa recusa receber D. Manuel II.

Dia 15 de fevereiro - Constituído o governo de Vitorino Guimarães.

Os vitorinos que nos governam - O gabinete era constituído por sete democráticos (juntando bonzos e canhotos), dois alvaristas (Xavier da Silva e Sampaio e Maia) e dois independentes (Pereira da Silva e Pedro Martins). Os vitorinos que nos governam, como então se dizia. Um cacharolete de democráticos, alvaristas e independentes, segundo a expressão de Cunha Leal. Até porque Vitorino Guimarães se situava na ala central do partido, não alinhando nem com bonzos nem com canhotos. Ainda era um gabinete concentracionista dirigido por um centrista dentro do partido democrático.

Dia 16 de fevereiro - Decreto sobre a divisão dos baldios.

Dia 18 de fevereiro - Na votação do governo, os dezoito deputados nacionalistas abandonaram a sala, tendo o governo passado, por 63-3.

Dia 23 de fevereiro – Uma das primeiras medidas do novo governo, logo em 23 de fevereiro, foi a suspensão do decreto bancário de 17 de janeiro, numa cedência às forças vivas.

Março – Primeiro Congresso das Juventudes Sindicalistas.

Dia 2 de março - Motins em Valpaços contra o pagamento dos impostos.

Nesse mês começaram a circular as notas de Alves dos Reis.

Dia 4 de março – O tenente Teófilo Duarte elogia o fascismo italiano e critica o nosso socialismo de Estado, bem como o movimento das forças económicas  que se arrogam a pretensão de substituir as forças políticas na governança do Estado.

Dia 5 de março – Tentativa de revolta – Três oficiais monárquicos (capitão Cal, tenente Mendes de Carvalho e alferes Martins Lima, todos afastados do exército por causa da revolta de Monsanto) tentam apossar-se do quartel general da guarnição militar de Lisboa.

Dias 7 e 8 de março - No Congresso do Partido Nacionalista houve uma integração dos derradeiros sidonistas que permaneciam independentes. Ataques a Teixeira Gomes e ao governo.

Dia 14 de março – O governador civil de Coimbra proíbe o jornalista Homem Cristo, filho, amigo de Mussolini, de realizar uma conferência.

Dia 20 de março - Novo decreto bancário.

Dia 10 de abril - Governo do cartel das esquerdas em França, presidido pelo radical Edouard Herriot, anuncia a intenção do lançamento de um imposto sobre os lucros das empresas e as grandes fortunas.

Dia 18 de abril – Golpe dos fifis – Nova revolta militar, liderada por Filomeno da Câmara e apoiada por Fidelino de Figueiredo (a chamada revolta dos fifis). Outros líderes militares são Raul Esteves, Freire de Andrade, Pedro José da Cunha e Jaime Baptista. 61 oficiais envolvidos. Era a primeira vez, desde 1870, que uma revolta militar era comandada por oficiais generais no ativo. Entre os conspiradores civis, Antero de Figueiredo, Carlos Malheiro Dias, José Pequito Rebelo e Martinho Nobre de Melo. O golpe teve o apoio da Cruzada Nun’Álvares. Tinha algumas semelhanças com o de Primo Rivera em Espanha.

Ocupada a Rotunda pelos revoltosos, com o batalhão de metralhadoras, o batalhão de sapadores de caminhos de ferro e a artilharia de Queluz, a partir das 17 horas do dia 18.

Dia 19 de abril – Sinel de Cordes, emissário dos revoltosos - Sinel de Cordes vai ao quartel do Carmo tentar conciliação. Preso Cunha Leal que não teria qualquer ligação com o episódio. Os jornais O Século e o Diário de Notícias são suspensos. Sinel de Cordes chegou a sugerir a Teixeira Gomes que nomeasse Filomeno chefe do governo. Para o jugular do golpe teve especial destaque o ministro da marinha (Pereira da Silva), dado que o ministro da guerra (Vieira da Rocha) defendia que se parlamentasse com os revoltosos.

Dia 21 de abril – É exonerado o ministro da guerra.

Dia 22 de abril – Os deputados nacionalistas discutem o caso dos deputados presos (Cunha Leal e Garcia Loureiro). O jornal do CCP, Novidades, critica o golpe de Estado em 22 de abril.

Neste mesmo dia era apresentado o primeiro requerimento para a fundação do Banco de Angola e da Metrópole, de Alves dos Reis (o respetivo funcionamento será autorizado em 17 de junho).

Dia 25 de abril – A lei nº 1 770 estabelecia novo regime dos fósforos, acabando com o exclusivo da Companhia Portuguesa de Fósforos e fixando um novo regime de liberdade. Encerrada a fábrica e sendo despedidos cerca de 1 200 operários, eis que o governo seguinte, através do ministro das finanças Torres Garcia, permitiu a reabertura por 90 dias, que terminavam no dia 15 de fevereiro de 1926, embora se autorizasse a importação de caixas de fósforos. O governo começava a enredar-se em fósforos e tabacos, tal como acontecera com os últimos governos monárquicos.

Dia 26 de abril - Hidenburg é eleito presidente alemão.

Dia 30 de abril – Enquanto o parlamento suspendia a sua atividade até fins de maio, continuava o estado de sítio em Lisboa. Segundo Marques Guedes, o governo de Vitorino Guimarães, apesar de ter vencido o 18 de abril, apresentou-se mais como réu do que como vencedor. Começava então a falar-se numa revolução de remorso face à demissão do Exército dos implicados no movimento de 18 de abril.

Salazar, no mês de abril, está no Funchal, onde profere duas conferências: Laicismo e Liberdade e O Bolchevismo e a Congregação.

Dia 1 de maio - CGT realiza comícios em 20 localidades.

Dia 2 de maio – Caso Alves dos Reis - Vitorino Guimarães manda ouvir a Inspecção do Comércio Bancário sobre o requerimento para a constituição do Banco Angola e Metrópole . Criada uma comissão para estudar as causas da subida do custo de vida.

Dia 13 de maio – Mais de cem mil pessoas nas cerimónias de Fátima.

Dia 15 de maio – A Legião Vermelha promove um atentado contra Ferreira do Amaral. Segue-se a prisão de cerca de uma centena de terroristas que foram deportados para África. Um deles, Bela Kun, ao ser deportado, diz aos jornais que a sua ausência seria curta, porque em breve reabriria o parlamento.

Dia 28 de maio – O jornal A Época  fala em ditadura da incompetência. Criação da Bolsa Agrícola pelo decreto nº 10 805 de 28 de maio.

Dia 4 de junho - Congresso do partido democrático.

Dias 14 a 19 de junho – X Congresso da Associação Espanhola para o Progresso das Ciências em Coimbra. Salazar apresenta uma comunicação sobre o Aconfessionalismo do Estado.

Dia 17 de junho - Autorizado o funcionamento do banco de Alves dos Reis - Vitorino Guimarães autoriza o funcionamento do Banco Angola e Metrópole.

Dia 19 de junho - José Domingues dos Santos nega ligação com os extremistas da Legião Vermelha. Responde-lhe o deputado Agatão Lança que recorda a manifestação de 13 de fevereiro quando ele permitiu que à frente dela seguissem 60 homens armados.

Dia 25 de junho - Golpe militar de direita na Grécia, comandado pelo general Pangalos.

Dia 26 de junho – Governo pede a demissão - Vitorino Guimarães pede ao parlamento que lhe permita governar em regime orçamental de duodécimos. Por 52-24, a Câmara dos Deputados apenas lhe permite viver em tal regime durante o mês de julho (votação em 26 de junho). António Maria da Silva não alinha na proposta do presidente do ministério e este pede a demissão. Conforme observa Cunha Leal, esgotadas as soluções governativas democráticas de bonzos canhotes e centristas, ia cimentar-se, até mais ver o consulado de António Maria da Silva.

Dia 31 de junho - Instituído o subsídio de desemprego no Reino Unido.

Dia 1 de julho - Constituído o gabinete de António Maria da Silva. Todos bonzos, à exceção do ministro da marinha, o independente Pereira da Silva.

Termina entendimento entre alvaristas e democráticos - Depois de um governo misto, da simpatia dos canhotos, um governo exclusivamente bonzo que leva ao fim do entendimento existente entre os democráticos e os alvaristas, os chamado bloco.

Dia 6 de julho – Discussão do programa de governo na Câmara dos Deputados. Era um programa limitado, com argumento se estar à beira das férias de Verão. Rodrigues Gaspar, pelos democráticos oficiais, os bonzos, apoia. Sá Nogueira, pelos canhotos, diz que não convém um governo que vem dividir ainda mais os grupos, duma forma cada vez mais grave. José Domingues dos Santos defende a constituição de um governo presidido por um independente, para se garantir a imparcialidade nas eleições. Sá Cardoso, pelos alvaristas, considera que o atual governo não corresponde aos intereses do país.

Brito Camacho vota a favor do Governo - Governo passa na Câmara dos Deputados apenas por um voto, depois de uma moção de desconfiança apresentada pelo alvarista Sá Cardoso (52-51). Uma vitória precária, prenunciadora de uma derrota a curto prazo. O voto de desempate coube a Brito Camacho, que se independentizou do respetivo grupo, havendo uma forte oposição de alvaristas, nacionalistas, esquerdistas e monárquicos.

Dia 11 de julho - Reabertura da Associação Comercial de Lisboa. Havia sido encerrada seis meses antes pelo governo de José Domingues dos Santos.

Dia 15 de julho - O alvarista Sampaio Maia critica o governo. Votada, como urgente, uma interpelação ao governo sobre o problema da ordem pública e apresentada uma moção de desconfiança pelos alvaristas. António Maria da Silva manda convocar todos os deputados democráticos, masmo aqueles que estavam no Norte, as chamadas mulas de reforço.

Dia 16 de julho – amoesas discursa durante nove horas - Na noite de 16 para 17 de julho ocorre um facto curioso, quando o deputado João Camoesas, para garantir a presença de deputados pró-governamentais fez um discurso parlamentar que durou nove horas (das 0 à s 9 horas). Segue-se o deputado Agatão Lança, que começa à s 9 horas e termina à s 13 horas e 30 minutos já do dia 17. Esperava-se a chegada dos deputados democráticos nortenhos no rápido das  14 horas. Mas as chamadas mulas de reforço não chegaram. O governo perde a votação (49-58), sendo aprovada a moção de desconfiança. Aliás, vários deputados democráticos votaram contra o governo do respetivo partido, sendo, depois, irradiados.

Dia 18 de julho - Governo pede a dissolução parlamentar - É aprovada no Senado uma moção de confiança ao governo por 28-10. António Maria da Silva, com base na decisão do Senado, vai a Belém pedir a Manuel Teixeira Gomes a dissolução parlamentar. Consegue também que o diretório democrático irradie os deputados que votaram contra o governo. José Domigues dos Santos e um grupo de vinte deputados constituem a chamada Esquerda Democrática. Era o rancor do bonzismo contra o justicialismo social do canhotismo, com o manobrador António Maria da Silva a procurar atingir uma falsa aparência de unidade através de uma operação de alta cirurgia.

Dia 19 de julho – Dá-se a revolta de Mendes Cabeçadas e Jaime Baptista. Decretado o estado de sítio. Baptista estava detido em S. Julião da Barra, mas consegue evadir-se e assalta o forte do Bom Sucesso. Cabeçadas revolta o cruzador Vasco da Gama. Batalhão de telegrafistas instala-se no Alto da Ajuda. A revolta é dominada por forças fiéis ao governo comandadas por Agatão Lança.

Dia 20 de julho – António Maria da Silva consuma o pedido de demissão, depois de contido o golpe.

Dia 22 de julho - Não aceitam formar governo o general Bernardo Faria e, depois, o independente Pedro Martins.

Dia 25 de julho – Chegam a Lisboa os presos de Elvas implicados no 18 de abril, a fim de serem  julgados. Filomeno da Câmara declara: os políticos enganaram-se julgando que o problema nacional é um problema de eleições.

Dia 26 de julho – Convite a Domingos Pereira - Domingos Pereira era então presidente da Câmara dos Deputados e encontrava-se em Paris, quando aceitou o encargo de formar governo. Segundo Cunha Leal, o Presidente da República teve de fazer sair da toca de grilos do PRP alguém que, pelos seus dons inatos de simpatia e de aprumo, merecia o respeito de todos os seus correlegionários e, pela sua relativa imparcialidade, não iria pregar a guerra santa contra o canhotismo.

Dia 1 de agosto - Constituído o governo de Domingos Pereira. Entre os membros não democráticos do gabinete, apenas o independente Pereira da Silva, transitando do governo anterior, e a novidade de Nuno Simões, um cheirinho a extrapartidarismo, conforme a expressão de Cunha Leal.

Dia 5 de agosto - O programa de governo, marcado pela sobriedade, é apresentado com a oposição dos nacionalistas e monárquicos. Apoio dos bonzos. Expetativa dos canhotos e alvaristas. Nacionalistas apresentam moção de desconfiança que não é aprovada (29-93).

Dia 15 de agosto – Discurso de Gomes da Costa nos cumprimentos ao M. Guerra - Discurso violento de Gomes da Costa  na cerimónia de cumprimentos ao novo ministro da guerra. Fala no miserável estado do Exército e apela a Vieira da Rocha para este cortar a cabeça a todos os chefes das quadrilhas que, com a maior desvergonha e impunidade, andam há anos a esta parte comprometendo a honra da nação.

Dia 24 de agosto - António Sérgio na Seara Nova de 24 de agosto aceita a possibilidade da ditadura ditadura que se fizesse, não em benefício de uma classe, mas em benefício da Nação; ditadura preparadora de uma verdadeira Democracia, passagem sincera e reformatriz para um regime de maior justiça, – não passagem para mais sólida, mais estável, mais omnipotente oligarquia. Ditadura de reforma, lealíssima, que saiba o que quer e diga o que quer, que queira realmente aquilo que diz, e nos convença pela clara Ideia, antes de vencer pelo canhão.

Dia 1 de setembro – Julgamento do 18 de abril - Começa o julgamento da Revolta de abril, na Sala do Risco do Arsenal da Marinha. O tribunal era presidido pelo general Ilharco. O juiz-auditor, Almeida Ribeiro. O general Óscar Carmona, o promotor de justiça. Cunha Leal e Tamagnini Barbosa são os defensores dos réus.

Dia 15 de setembro – Seara Nova contra os bonzos - Raul Proença, num artigo publicado na Seara Nova, salienta: parece que o problema capital desta República é agora o aniquilamento absoluto dos pequenos agrupamentos partidários. É este o mot d’ordre olímpico dos bonzos eleitos no último congresso democrático.

Dias 23 a 27 de setembro – Realiza-se em Santarém o 1º Congresso da CGT, participando 135 sindicatos.

Dia 26 de setembro – Sentença do 18 de abril. Carmona declara a Pátria está doente, manda acusar e julgar neste tribunal os seus filhos mais diletos. Reações do poder. Carmona é afastado do comando da 4ª divisão militar, de Évora. O general Ilharco é destituído de chanceler da Ordem de Aviz. É demitido o auditor militar, Almeida Ribeiro. Sá Cardoso tentar fundar uma junta para a defesa da República.

O Descontentamento do exército - Segundo Marques Guedes, no julgamento da Sala do Risco, o descontentamento do Exército achou ali o seu tubo de descarga e a revolução jugulada a tiro quatro meses antes no alto da Rotunda, vencia agora sem armas no tribunal da Sala do Risco, proclamando-se a legitimidade da insurreição contra a situação política dominante.

6º Congresso dos rurais.

Dia 3 de outubro – Manifesto de Gomes da Costa contra a classe política - No jornal A Época de 3 de outubro é publicado um manifesto de Gomes da Costa: Portugal tem de reagir para que não o assassinem… um lugar no Parlamento é para estes Catões a garantia da gamela bem cheia, a fartura e o regafobe garantidos… É a isto que chegámos ao cabo de 15 anos de regimen republicanos! Os grandes homens da República – expulsos. O Povo, – miserável. A Nação – na desordem, na anarquia, – escárnio dos estrangeiros. O Exército indisciplinado, esfrangalhado.

Dia 23 de outubro – Decreto nº 11 174, liquida todos os bairros sociais, à exceção do do Arco do Cego. No preâmbulo é feito um longo historial do processo.

Dia 24 de outubro – Ditadura de Reforma - António Sérgio na Seara Nova  de 24 de outubro, analisando o julgamento do 18 de abril,  diz aceitar a possibilidade de uma certa ditadura preparadora de uma verdadeira Democracia e de um governo nacional extraordinário. Uma ditadura de reforma, lealíssima, que saiba o que quer e diga o que quer, que queira realmente aquilo que diz, e nos convença pela clara Ideia, antes de vencer pelo canhão.

Dia 8 de novembro – Eleições para deputados e senadores (82 democráticos, 31 nacionalistas, 9 independentes, 7 esquerdistas, 7 da União de Interesses Económicos, 7 monárquicos, 5 católicos, 2 socialistas).

Maioria curta - Comentando os resultados eleitorais, o jornal O Século, observava: com uma maioria de 12 ou 15 apenas, nenhum partido pode vangloriar-se de ter assegurada uma forte maioria parlamentar. Não pode, tem de entrar em combinações que lhe tolherão os movimentos.

Termina o julgamento dos implicados no 19 de julho. Os réus são absolvidos.

A questão das deportações - Discutida na Câmara dos Deputados a  deportação de elementos da Legião Vermelha para a Guiné. José Domingues dos Santos protesta contra a decisão governamental.  António Maria da Silva responde, informando ter sido descoberto que os agitadores em causa, no tempo do governo de José Domingues dos Santos projetaram atacar à bomba o parlamento se uma moção de confiança a esse governo não fosse aprovada. O deputado Amâncio Alpoim considera que o sr António Maria da Silva ainda hoje é conhecido como o melhor organizador de revolução com bombas e sem bombas.

Dia 21 de novembro – Seara Nova defende um cartel de esquerdas - A Seara Nova de 21 de novembro observa que em Lisboa e no Porto, se se tivesse formado um cartel das esquerdas (Esquerda Democrática, partido radical, partido socialista e representantes de algumas classes), este teria vencido.

Dia 23 de novembro - O Século levanta a questão Alves dos Reis - Primeiro artigo em O Século sobre o caso Angola e Metrópole: O Que Há?

Dia 25 de novembro - Extinção do Ministério do Trabalho.

Dia 5 de dezembro - Prisões no Porto no caso Alves dos Reis. Alves dos Reis é detido no dia 6.

Dia 8 de dezembro – Longas bichas em todo o país nas filiais do Banco de Portugal para a troca das notas de Alves dos Reis.

Dia 10 de dezembro – Por ocasião do recomeço dos trabalhos parlamentares, o presidente da República, Manuel Teixeira Gomes, renuncia ao mandato, sucedendo-lhe Bernardino Machado, eleito no dia 11. Chegou a falar-se na eleição de Gago Coutinho por plebiscito.

Dia 11 de dezembro - Prisão e deportação de inúmeros sindicalistas.

Dia 13 de dezembro - Governo apresenta a demissão.

Dia 17 de dezembro - Teixeira Gomes parte para o exílio voluntário - Teixeira Gomes parte num cargueiro para o exílio argelino: vou enfim libertar-me de 15 anos de cativeiro, arrastados por Londres e Lisboa.

Confessará depois a Norberto Lopes que se libertou da gaiola dourada de Belém e que os políticos eram intoleráveis. Procurei estudá-los mais como romancista do que como homem de Estado … recusei-me a continuar na presidência sem o orçamento votado, porque entendo que um país deve ter as contas em dia. Não quiseram ouvir-me. Foi esta a razão por que me vim embora.

Fica exilado em Bougie, onde acabou por falecer em 18 de outubro de 1941.

Governo de António Maria da Silva - Apesar de Bernardino Machado ainda tentar a hipótese de um governo de concentração, o governo, presidido por António Maria da Silva é democrático bonzo, com a oposição de monárquicos, nacionalistas e esquerdistas. Silva, segundo Cunha Leal, lançou-se sobre o presidente como ave de rapina sobre uma presa. Surgia assim o “de profundis” da república parlamentar no cantochão de António Maria da Silva. Aquele que tinha sido o progenitor da prevalência do Exército na vida da República, quando desarmou a GNR, não desistia da táctica que havia de transformá-lo em seu coveiro. Constituído em 17 de dezembro.

Dia 21 de dezembro - Apresentação parlamentar (63 votos favoráveis e 23 votos contra). Oposição de nacionalistas, monárquicos e esquerda democrática. Socialistas, católicos e alvaristas dizem-se na expetativa. São vivos os ataques de José Domingues dos Santos, pelos esquerdistas, e de Pedro Pitta, então líder parlamentar dos nacionalistas.

Silva dizia então: não sou da esquerda nem da direita, sou do partido republicano (10 de junho de 1925). Será o último governo da I República. Derrubado pelo golpe de 28 de maio de 1926.

Dia 22 de dezembro - Governo manda dispersar manifestção de protesto da CGT contra as deportações.

Dia 24 de dezembro - Governo italiano de Mussolini deixa de ser responsável perante o parlamento.

1926

Dia 4 de janeiro – Críticas ao Banco de Portugal. O deputado Amâncio de Alpoim diz que a administração do Banco de Portugal é uma caverna de falsificadores e ladrões.

Dia 11 de janeiro - Um plano soviético? Reflexos parlamentares do caso Alves dos Reis. Um juiz de instrução do processo põe a hipótese do caso estar relacionado com um vasto plano soviético.

Dia 29 de janeiro – O ferrete do estrangeiro. Cunha Leal no parlamento diz que o caso Alves dos Reis é um reflexo do ferrete do estrangeiro.

Dia 1 de fevereiro – Revolução de Almada. Deu-se uma tentativa de revolta radical em Torres Novas. A chamada revolução de Almada. O governo e o presidente da república estavam no Porto a comemorar o 31 de janeiro. A revolta era chefiada pelo construtor civil José Augusto da Silva Martins Júnior, reunindo outubristas, sidonistas, ex-democráticos, formigas pretas e radicais. No comando militar da revolta, o alferes Lacerda de Almeida.

Dia 9 de fevereiro - Proposta de régie para os tabacos. Governo apresenta proposta para régie nos tabacos em 9 de fevereiro, com um exaustivo relatório historiando o processo. O prazo da concessão, estabelecido em 1906 terminava em 30 de abril. Logo se levanta um clamor pela liberdade de exploração, regiem este que, na Europa só era praticado pelos britânicos.

Março - Afonso Costa é eleito presidente da assembleia extraordinária da Sociedade das Nações.

Dia 6 de março – Congresso Nacionalista. Congresso do Partido Nacionalista no Liceu Camões em Lisboa. Cunha Leal foi vivamente criticado por ter aceite o cargo de vice-governador do Banco Nacional Ultramarino. Organiza lista, com o capitão de mar e guerra Vasconcelos e Sá, capitão de mar e guerra Mendes Cabeçadas, Vicente Ferreira, Bissaia Barreto, capitão-tenente Carlos Pereira e João Pinheiro, que enfrenta a lista oficiosa de Tamagnini Barbosa e Pedro Pitta.

Dia 8 de março – Constituída a União Liberal Republicana, no Teatro Nacional, em reunião de 8 de março. Apoio de Rocha Saraiva e de grupo importante dos evolucionistas que têm o acordo de António José de Almeida.

Dia 10 de março – Anuncia-se no parlamento a instituição da União Liberal Republicana.

Dia 27 de março – Seara Nova contra o fascismo. Comício organizado pela Seara Nova contra a hipótese de um golpe fascista. Revista Ordem Nova. Lançada a revista Ordem Nova que tem como redactores-fundadores Marcello Caetano e Albano Pereira Dias de Magalhães. Diz-se revista antimoderna, antiliberal, antidemocrática, antiburguesa e antibolchevista; contrarrevolucionária; reacionária; católica, apostólica e romana; monárquica, intolerante e intransigente insolidária com escritores, jornalistas e quaisquer profissionais das letras, da arte e da imprensa. Outros colaboradores: Pedro Teotónio Pereira, Manuel Múrias, J. A. Vaz Pinto e Nuno de Montemor.

Dia 8 de abril - Discussão parlamentar da questão dos tabacos. Começa a discutir-se na Câmara dos Deputados a questão dos tabacos. Estão contra a proposta governamental de administração direta do monopólio pelo Estado os projetos de lei dos deputados Pestana Júnior, Aboim Inglês e Cunha Leal, todos defendendo a liberdade de exploração.

Dia 14 de abril - Tumultos no parlamento. Nova sessão agitada na Câmara dos Deputados. Durante a discussão de um projeto do deputado Manuel José da Silva, uniformizando o subsídio parlamentar dos deputados que são funcionários públicos, António Maria da Silva chama epiléticos aos deputados esquerdistas. Cadeiras e cadeiras partidas pelos protestos.

Dia 28 de abril - Manifestações contra o governo. Manifestações contra o governo por causa dos tabacos nos dias 28, 29 e 30 de abril. O contrato de exclusivo terminava a 30 de abril.

Dia 30 de abril - Governo assume a posse da Companhia dos Tabacos. Despacho do governo de 30 de abril, apenas publicado em 19 de maio seguinte, determina que funcionários governamentais tomem posse da Companhia. Congresso sindical. Realiza-se o 2º congresso das Juventudes Sindicalistas.

Dia 1 de maio - Agitação na rua e no parlamento por causa dos tabacos. Incidentes sobre a questão dos tabacos prosseguem em 1, 12, 17, 20 e 22 de maio. Grita-se abaixo a ditadura democrática e morra o governo. Os apoiantes da Esquerda Democrática usam flores vermelhas na lapela. Em 4 de maio, Marques Guedes discursa na Câmara dos Deputados sobre a matéria. Apresentada moção que determinava o encerramento da fábrica.

Dia 12 de maio – Regime autoritário na Polónia. Pilsudski toma o poder na Polónia.

Dia 13 de maio - Monumento ao Marquês de Pombal. É lançada a primeira pedra do monumento ao Marquês de Pombal na Rotunda, em Lisboa.

Dia 25 de maio – Governo deixa de representar-se no parlamento. O governo decide deixar de representar-se na Câmara dos Deputados. Com a questão dos tabacos, o governo sofria mais do que os governos monárquicos em 1905 e 1906. Como observa Marques Guedes: o governo, inegavelmente, saía mal ferido da contenda, porque diminuído no seu prestígio. Mas o parlamento dir-se-ia quisera suicidar-se.

Dia 27 de maio - 22h – Gomes da Costa (tinha cabeça de galinha e era sempre da opinião da última pessoa com quem falava) chega a Braga.

Dia 28 de maio - 6h – Inicia-se o movimento em Braga. Manifesto da Junta de Salvação Pública. Em Lisboa uma Junta de Salvação Pública lança manifesto. Mendes Cabeçadas entrega manifesto a Bernardino Machado. Braga, Congresso Mariano, propaganda de Cunha Leal e Gomes da Costa. Congresso Mariano em Braga no dia 28 de maio. Cunha Leal está na cidade, almoçando com apoiantes. Discursa no Bom Jesus, criticando o partido democrático, outrora obediente à ameaça do chicote de nove rabos do Dr. Afonso Costa, mas que agora nem sequer tem um chefe. É um instituto tresmalhado…, e o restante do partido nacionalista: nem toda a mole ambição do sr. Ginestal Machado, nem todas as intrigas do sr. pedro Pita, nem todo o maquiavelismo do sr. Tamagnini Barbosa são suscetíveis de inspirar confiança à nação…é um organismo parasitário. Chega à cidade, pelas 22 horas, o general Gomes da Costa.

Dia 29 de maio - António Maria da Silva demite-se Governo de António Maria da Silva apresenta demissão. Cabeçadas em Lisboa. Guarnição de Lisboa adere a Gomes da Costa. Lidera o movimento Mendes Cabeçadas. Carmona em Elvas. Carmona que estava em Elvas assume o comando da 4ª divisão em Évora.

Dia 30 de maio - Cabeçadas forma governo. Bernardino Machado convida Cabeçadas a formar governo. Este aceita e assume as funções de M. Marinha e de presidente do Ministério acumulando interinamente todas as outras pastas. Gomes da Costa dá ordem a todas as forças militares para avançarem sobre Lisboa.

Dia 31 de maio – O dia seguinte… O major Ribeiro de Carvalho, ainda apelava a que se repetisse o modelo da Regeneração de 1851, com uma política ampla e de generosa conciliação nacional, reconhecendo que o movimento pode ser útil. Salientava que a vitória da revolução é, antes de mais nada, um triunfo da opinião pública. Os revoltosos venceram porque ninguém estava disposto a sacrificar-se por um governo que não traduzia os votos da nação. Encerramento do Congresso. Ministro da Guerra manda encerrar o Congresso da República. Demissão de Bernardino. B. Machado apresenta a demissão a Cabeçadas.

Dia 1 de junho – Gomes da Costa em Coimbra. O triunvirato Gomes da Costa em Coimbra anuncia triunvirato com Cabeçadas e Armando Ochoa. Ochoa retira-se.

Dia 3 de junho – Gomes da Costa em Sacavém Gomes da Costa em Sacavém. Novo governo de Cabeçadas Cabeçadas em Lisboa organiza novo governo, entregando a Gomes da Costa as pastas da Guerra, das Colónias e da Agricultura. Nas Finanças, Salazar; na Instrução, Mendes dos Remédios; na Agricultura, Ezequiel de Campos; na Justiça, Manuel Rodrigues.

Dia 4 de junho –  Gomes da Costa na Amadora Gomes da Costa na Amadora. A Tuna de Coimbra De Coimbra vêm Remédios, Rodrigues e Salazar. Avistam-se na Amadora com Gomes da Costa. Remédios e Rodrigues tomam posse, Salazar volta para Coimbra no dia 5.

Dia 7 de junho – Gomes da Costa no Terreiro do Paço Gomes da Costa toma posse como M. da Guerra e interino das Colónias. Parada da vitória Parada da Vitória na Avenida da República, com 15 000 homens.