1915 – 1918



1915

Janeiro

Discurso de Bernardino Machado no Senado sobre a lei eleitoral no dia 8 de Janeiro.

Dia 11 de Janeiro – Apresentado o orçamento (Álvaro de Castro). Publicada nova lei eleitoral. São marcadas eleições para 7 de Março. Dá-se a interrupção dos trabalhos parlamentares até 4 de março.

Dia 15 de Janeiro – Pela lei nº 292 de 15 de janeiro é prorrogada a Lei de 8 de agosto de 1914.

Dia 17 de Janeiro – Decreto remodela a comissão de subsistências criada em 17 de agosto de 1914.

Dia 22 de Janeiro – Leis do horário de trabalho. 7 horas para pessoal dos escritórios e da banca;8 a10 para fábricas e oficinas; 10 para lojas, mas com descanso de duas horas para almoço. Já nos começos de 1911 o ministro António José de Almeida propusera a regulamentação do horário do trabalho, mas apenas se determinou o estabelecimento do descanso semanal ao domingo. O novo diploma não estabelece, contudo, sanções para os infratores, nomeadamente multas ou encerramento do local de trabalho.

Dia 22 de janeiro – Movimento das Espadas. Major Craveiro Lopes havia sido demitido por denúncia do comité democrático das forças armadas. Segue-se movimento de resistência liderado pelo capitão Martins Lima. Marcha de numerosos oficiais de Cavalaria 2 pela calçada da Ajuda a caminho de Belém, onde pretendem entregar as espadas a Arriaga. São presos e enviados para bordo da fragata D. Fernando e Glória. Democráticos acusam o movimento de manobra monárquica. Mas na tarde desse mesmo dia é Machado Santos que vai a Belém entregar a espada da Rotunda. No próprio dia 22 o governo de Azevedo Coutinho manda encerrar A Luta.

Dia 23 de janeiro – Manuel de Arriaga consulta os partidos. Escreve carta a Pimenta de Castro pedindo-lhe para formar governo no próprio dia 23. Diz querer Freire de Andrade nos estrangeiros e reserva a presidência a Pimenta de Castro, admitindo que nas restantes partes os apartidos se ajustariam em bases sólidas.

Dia 24 de janeiro – Governo de Vítor Hugo de Azevedo Coutinho pede a demissão, depois de Arriaga lhe recusar a assinatura de um decerto suspendendo as garantias.

Dia 25 de janeiro, Pimenta de Castro é nomeado ministro de todas as pastas. Diz querer pegar na lei e andar para diante. É preciso acalmar os espíritos; para isso é necessário haver ordem e haver liberdade.

No dia 28, já são distribuídas as pastas. Apoio de António José de Almeida, Brito Camacho e Machado Santos. Coronel Manuel Maria Coelho, ligado a António José de Almeida, também apoia Pimenta de Castro (será nomeado presidente do Conselho Superior de Finanças).

Camacho começa por indicar Santos Viegas para as finanças, mas depois recua.

Governo diploma leis formais por decretos ao abrigo da lei de 28 de agosto de 1914.

Segundo António Cabral, os ministros eram, na sua maioria, uns lunáticos. Honestos, dignos, mas ingénuos.

O democrático Alexandre Braga chama-lhe uma ditadura de pigmeus.

Dia 27 de janeiro – Cunha Meneses, ajudante de Pimenta de Castro visita a legação alemã no dia do aniversário de Guilherme II. Mas logo a seguir o próprio Pimenta de Castro declara ao plenipotenciário inglês que era sua intenção prosseguir a mesma política externa do gabinete anterior.

Fevereiro

Dia 2 de fevereiro – Autorizada a importação de 100 000 toneladas de trigo exótico.

Dia 10 de fevereiro – Novos tipos de pão e de farinha, pelo decreto nº 1 309.

Dia 18 de fevereiro – Por decreto de 18 de fevereiro, modifica-se o sistema das comissões cultuais da Lei da Separação, determinando-se que das mesmas façam parte católicos praticantes. Ao mesmo tempo, alguns templos que haviam sido encerrados ou secularizados são devolvidos ao culto. Dá-se a reabertura espetacular da Igreja da Graça em Lisboa.

Dia 21 de fevereiro – Afonso Costa é alvo de um atentado no Porto.

Dia 24 de Fevereiro – Por decreto de 24 de fevereiro é revogada a lei eleitoral de 11 de janeiro de 1915 e restabelecida a de 3 de julho que permitia o direito de voto aos militares.

126 deputados a eleger pelas maiorias e 37 pelas minorias. Pimenta de Castro não consegue convencer os ministros das suas teses de 1884 e de 1890, sendo especialmente hostil Herculano Galhardo. Em 1908, num folheto intitulado Remédio aos Males Pátrios, Pimenta de Castro defendera um círculo eleitoral único, listas uninominais, sendo eleitos os indivíduos mais votados até um número pré-fixado. A nova lei eleitoral baseia-se tradicional no sistema da lista incompleta plurinominal. Marcadas eleições para o dia 6 de Junho. Apoio de António José de Almeida e Brito Camacho.

Ditadura consentida ou ditadura assumida? - Num artigo publicado em A Luta questiona se o governo de Pimenta de Castro ainda é uma ditadura consentida pela lei de 28 de Agosto ou estava a tornar-se numa ditadura assumida.

Dia 27 de fevereiro – 600 militares fazem manifestação de apoio a Pimenta de Castro. Jornal O Mundo aparece trajado de preto. Norton de Matos é demitido de governador de Angola.

João Chagas publica o folheto A Última Crise, sobre a posição de Pimenta de Castro no governo de 1911.

A eventual caducidade dos mandatos de 1911 – Afonso Costa queria que o parlamento se reunisse a 4 de março, conforme a decisão do Congresso de 11 de janeiro, mas Pimenta de Castro considera que os poderes dos eleitos de 1911 tinham caducado há nove meses.

Dia 28 de fevereiro – Assassinado o deputado democrático Henrique Cardoso quando se dirigia para uma reunião na sede do partido em Lisboa, no largo do teatro de S. Carlos.

Março

Dia 1 de Março – Reaparecem jornais monárquicos – Aparece o jornal monárquico O Nacional. Nele colabora o antigo ministro da monarquia José de Azevedo Castelo Branco. Voltam também a publicar-se O Dia e o Jornal da Noite.

Dia 2 de Março – João Chagas demite-se de ministro de Portugal em Paris, em protesto contra a ditadura. Regressa a Portugal no dia 23 de março e passa a residirem Rio Tintonos arredores do Porto.

Dia 4 de março – Congresso da Mitra … e gaita - Deputados democráticos reúnem-se em Santo Antão do Tojal e declaram o governo fora da lei. Foram impedidos de reunir em São Bento por forças policiais, comandadas pelo coronel Paulino de Andrade. A Luta  fala congresso da Mitra e gaita. 

Dia 4 de março – O ministro das finanças, Herculano Galhardo, apresenta a demissão.

Dia 6 de março – Aumento do preço do pão, seguido de assalto a onze padarias de Lisboa. São organizadores da revolta a formiga branca e sindicalistas.

Sai o primeiro número de Orpheu.

Dia 7 de março – Defesa das eleições em 7 de março - Os democráticos queriam as eleições em 7 de março e não em 3 de junho, conforme o decreto de 24 de fevereiro.

Dia 14 de março – Comícios em Lisboa e Almada contra a carestia de vida. Proprietários alentejanos são acusados de açambarcamento de trigo.

Dias 28 e 29 de março – Congresso dos democráticos no teatro Politeama. Afonso Costa  diz que Pimenta de Castro é um demente. Acrescenta: este governo de insignificantes, presidido por um doido e guiado por um traidor, o Sr. Camacho. Vários gritos de viva a guerra.

Dia 30 de março – Os democráticos apresentam queixa judicial contra os atos do governo. Governo responde mandando instaurar processo ao presidente da reunião da Mitra, Manuel Monteiro, então juiz do Supremo Tribunal Administrativo. Monteiro é demitido de juiz.

Afonso Costa vai à Suíça, entre 30 de março de 19 de abril. Aí está doente um seu filho.

Tumultos em Aveiro.

Abril

Brandura, prelúdio de chacina? - Nos começos de abril, Machado Santos diz recear que a brandura do governo possa vir a ser prelúdio de uma chacina forçada.

Dia 6 de abril – Criadas comissões concelhias reguladoras dos preços dos géneros alimentícios pelo decreto nº 1 483.

Dia 7 de abril – Primeira conferência sobre a questão ibérica promovida pelo Integralismo Lusitano na Liga Naval. Sardinha defende, então, a aliança peninsular.

Dia 9 de abril – Governo determina que os governadores civis substituam as câmaras municipais e as juntas insubordinadas. A Câmara de Lisboa declarara não cumprir os decretos ditatoriais e o movimento de resistência propagou-se, com o apoio de 49 das 298 câmaras municipais do país.

Dias 10 e 11 de abril – Congresso dos evolucionistas, com apoio ao governo. Até então eram menos pimentistas que os unionistas, melhor representados no governo.

Dia 11 de abril – Manifestação de apoio ao governo.

Dia 12 de abril – Conferência de Bernardino Machado no Ateneu Comercial de Lisboa sobre O Exército e a Nação,. Bernardino encarara com certa benevolência a primeira fase do governo de Pimenta de Castro. Agora passa-se para o campo dos democráticos.

Dia 20 de abril – Governo decreta ampla amnistia, alargando aquela que havia sido decretada no tempo do governo de Bernardino Machado em fevereiro de 1914. Paiva Couceiro e Azevedo Coutinho regressam.

Dia 30 de abril – Venda obrigatória de cereais – Obrigados os produtores, os comerciantes ou os indivíduos por qualquer título detentores de cereais panificáveis a venderem todo o excedente das suas necessidades familiares.

Greve geral em Viana do Castelo. Tumultos nas Caldas da Rainha, bombas sobre uma procissão.

Maio

Dia 2 de maio – José de Castro contra Manuel de Arriaga – O Mundo publica carta de José de Castro a Manuel de Arriaga contra a ditadura. Insinua que o governo está ao serviço de uma corrente reacionária alemã.

Dias 2 e 3 de maio – Congresso dos unionistas, declarada a oposição ao governo. Os unionistas justificam a viragem com o decerto da amnistia de 20 de abril.

Dia 3 de maio – Pimenta de Castro pior que D. Miguel… – Conferência de Afonso Costa no Porto, no Teatro Nacional considera o governo uma organização maléfica, uma conjura para assassinar a República … Estamos em face de um crime de traição. Corresponde ao golpe miguelista de 1823 ou ao de 1828… A  queda do Governo é, pois, uma necessidade urgente, assim como o é a ascensão ao Poder de um Governo de velhos republicanos. Diz que, para ir para a guerra, haveria de governar contra tudo e contra todos ainda que fosse necessário encerrar-se numa casa blindada.

Dias 6 a 9 de maio – Afonso Costa percorre o Norte de automóvel em campanha eleitoral. Já então se misturam os proclamados objetivos da campanha com a organização da desobediência, prestes a transformar-se em insurreição.

Dia 7 de maio – Jornais democráticos começam a apelar para a insurreição nos fins de abril, começos de maio. Se O Povo fala expressamente em insurreição, já o monárquico O Dia apela: vista a farda, sr. General. Pimenta de Castro, enquanto exercia funções governamentais nunca usou a farda. Um submarino alemão afunda o navio britânico Lusitania, a sul da Irlanda, com 124 cidadãos norte-americanos a bordo.

Dia 10 de maio – Tiroteio em Alcântara por ocasião da inauguração de um centro monárquico. O primeiro centro monárquico havia sido inaugurado em Lisboa em 17 de abril, sucedendo-se dezenas deles na capital e na província.

Dias 12 e 13 de maio – Reuniões no ministério do interior discutem feitura das listas para deputados, com a participação de evolucionistas e unionistas. Estes últimos rompem as negociações. Participam, pelos unionistas, Tomé de Barros Queirós e Nunes de Oliveira; pelos evolucionistas, Mesquita de Carvalho e Júlio Martins; pelos reformistas, Machado Santos; pelos governamentais ou independentes, Egas Moniz e Afonso de Melo.

Dia 13 de maio – Constituída uma junta revolucionária para o derrube do governo. Integram-na António Maria da Silva, Sá Cardoso e Álvaro de Castro. A junta é dominada pelos jovens turcos, tem o apoio da marinha e conta com a colaboração militar de dois antigos franquistas, Leote do Rego e Norton de Matos, que o mesmo grupo fizera aderir à república.

Dia 14 de maio – Unionistas declaram ruptura face ao pimentismo - O jornal A Luta de 14 de maio comunica que desde ontem a União Republicana não tem a mínima solidariedade com o governo; não renega as responsabilidades que lhe cabem, mas não quer outras.

Dia 14 de maio – Desencadeado o movimento em 14 de maio (sexta-feira). Capitão de fragata Leote do Rego assalta o cruzador Vasco da Gama, morrendo o respetivo comandante, o capitão de mar e guerra Assis Camilo. As operações navais são dirigidas pelo capitão-tenente Freitas Ribeiro. Distribuídas armas aos civis no arsenal. Revolucionários civis assaltam esquadras de polícia. Governo refugia-se no quartel do Carmo. Leote do Rego lança ultimato: se, dentro de algumas horas, o sr, Pimenta de Castro se não demite, libertando o país dessa opressão tremenda com que os dois meses do seu governo o têm esmagado. Leote tinha sido um apoiante do franquismo. No fim do golpe, 102 mortos e 250 feridos graves. Conforme observa Júlio Dantas, um ato revolucionário mais impetuoso e mais sangrento que o 5 de outubro.

Junta revolucionária toma posse desde 14 de maio.

Dia 15 de maio - A chamada de João Chagas – Governo nomeado por Manuel de Arriaga. Utiliza-se o modelo defendido pelos jovens turcos, isto é, um um governo nacional, não partidário, visando a restituição da República aos republicanos. Escolhem João Chagas que desde 1914 se tinha transformado no mentor dos mesmos. Chagas tinha-se demitido do cargo de ministro de Portugal em Paris e regressara à pátria, em março, tendo emitido dois folhetos antipimentistas. Portugal perante a Guerra e A Última Crise, ambos editados no Porto. Álvaro de Castro entrara em conflito com o partido democrático, desde que em maio de 1914, no congresso, propusera um aumento dos impostos para se custear o rearmamento. A Junta procura juntar no governo Costa, Camacho e Almeida. Todos recusam.

O governo reúne um democrático, Manuel Monteiro e um unionista, Barros Queirós, ambos em representação dos respetivos partidos. Fernandes Costa, embora membro do partido evolucionista, não é representante oficial do partido que está claramente na oposição ao gabinete, pelo que logo se retira no dia 17. Basílio Teles e Alves da Veiga pedem escusa e não chegam a tomar posse.

Dia 16 de maio – A segunda implantação da República - Revolução vitoriosa no dia 16. Da varanda da câmara municipal de Lisboa, Sá Cardoso proclama: o Exército, a Marinha e o elemento civil acabam de proclamar pela segunda vez a República Portuguesa. O senador João de Freitas tenta assassinar  João Chagas no comboio Porto-Lisboa, perto do Entroncamento. Este fica gravemente ferido e perderá um dos olhos. O agressor é linchado pela multidão. João Chagas estava, então, de visita a Portugal.

Prisão de Pimenta de Castro e Machado Santos.

Dia 17 de maio – José de Castro substitui interinamente João Chagas e proclama a necessidade de pacificação da família republicana. Magalhães Lima assume a instrução: a rápida passagem pelo ministério da Instrução não me deixou saudades. Um Governo saído duma revolução pertence aos revolucionários e não aos ministros … Convenci-me de que há uma grande diferença entre as ideias que pregamos na oposição e a realidade ministerial. Preferi, pois, e prefiro continuar na oposição, na pureza do meu ideal e na elevação do meu espírito. O escritor Teixeira de Queirós que vai para os estrangeiros foi por este proposto a Sá Cardoso e António Maria da Silva. Lima, começando por recusar ser ministro, aceitou a tarefa quando soube do atentado do Entroncamento e começou a circular que uma esquadrilha espanhola se aproximava das nossas costas. É preciso que até à meia noite se possa dizer que há Governo em Portugal.

Assaltos a vários centros monárquicos, à Liga Naval, à Igreja de S. Paulo, à Escola de Guerra e ao jornal O Dia.

Dia 27 de Maio – Reabertura do Congresso em 27 e 29 de maio. Quase a mesmo composição da reunião na Mitra. Os evolucionistas não comparecem. Para além dos democráticos, o socialista Manuel José da Silva, o independente Luz de Almeida, chefe da Carbonária, e os três deputados unionistas que não tinham resignado. Mas estes logo declaram que a sessão é ilegal. É imediatamente anulado o decreto de 24 de Maio.

Dia 29 de maio – Manuel de Arriaga renuncia formalmente perante o parlamento. Apenas Aresta Branco o homenageia.

Eleição de Teófilo Braga – Segue-se a eleição de Teófilo Braga, por 98 votos num total de 102 (1 voto para Duarte Leite e três votos em branco) que no discurso de posse refere o caráter imperialista da ditadura.

Nesse dia 29 de maio são aprovadas uma lei de amnistia para os crimes cometidos até 20 de maio, incluindo os atos dos ministros de Pimenta de Castro; uma autorização legislativa ao governo, permitindo que este pudesse revogar por decreto atos legislativos do governo anterior; outra lei sobre saneamento de funcionários, dita então lei de separação dos funcionários, proposta pelo deputado democrático Pereira Vitorino. Todos estes atos são publicados no dia 5 de junho. A lei do saneamento será imediatamente abolida nos primeiros dias do governo seguinte, com o apoio do próprio proponente, nunca tendo sido cumprida.

Aprovada nova lei eleitoral que vem a ser publicada no dia 2 de junho, com a data de 30 de maio. Adiadas as eleições de 6 para 13 de junho.

Dia 31 de maio – Governo envia nota ao ministro alemão em Lisboa, Rosen, queixando-se do torpedeamento do vapor Douro e do veleiro Cisne.

Junho

Sai o segundo e último número de Orpheu.

Dia 5 de Junho – Pelo decreto nº 1 612 de 5 de junho é mantida a proibição de exportação de géneros alimentícios, acrescentando-se a de muitas matérias primas para a indústria.

Dia 6 de junho – O democrático Alexandre Braga, num discurso pronunciado na sede dos democráticos, no largo de S. Carlos,  acusa o exército de não querer ir para a guerra. Resposta do coronel Gomes da Costa no dia seguinte, dizendo que o exército está disposto a bater-se, mas não está preparado com adequados meios por culpa dos governantes, monárquicos e republicanos: cumpriremos ordens

Dia 11 de junho – Já depois da amnistia, Machado Santos parte para o desterro em Ponta Delgada, a bordo do navio 5 de Outubro, juntamente com Xavier de Brito e Goulart de Medeiros. Conforme observa António José de Almeida, na cumplicidade de uma madrugada silenciosa é enviado para o desterro em nome da República, o homem que a fez. E no propósito do escárnio ser maior, escolheram … o barco que se chama 5 de Outubro.

Dia 11 de junhoO jornal O Povo clama contra o governo, exigindo que este cumpra o mandato da revolução.

Dia 13 de junho – Eleições.

Não é aceite o imediato pedido de demissão apresentado por José de Castro. Evolucionistas e unionistas declaram que não querem participar em governos mistos com os democráticos.

Nota oficiosa do Partido Democrático: a política de paixões tem de acabar. Não podemos pensar senão nos altos interesses do País e da República.

Dia 15 de junho – Decreto nº 1 645 autoriza as sociedades anónimas a emitirem ações privilegiadas. Será suspenso em 30 de julho de 1917, mas reposto em vigor por decreto de 18 de abril de 1918.

Dia 16 de Jjunho – Lei nº 319, de 16 de junho: autorizado o governo a afastar os funcionários que não dão uma completa garantia da sua adesão à República e à Constituição.

Entram novos ministros, quase todos afetos ao partido democrático. Só Ferreira da Silva e Catanho de Meneses são independentes.

Dia 21 de junho – Reabre o novo parlamento. Críticas dos democráticos a Pimenta de Castro.

Dia 24 de junho – Discussão do programa de governo. Oposição tenaz, formal e intransigente de António José de Almeida, que elogia Pimenta de Castro. Diz querer prestar atenção ao problema das reivindicações operárias e à conservação e valorização das riquezas nacionais, tanto no território continental da República, como nos domínios coloniais.

Dia 25 de junho – O deputado Eduardo de Sousa chama ao 14 de maio um tumultuário arruído. No jornal República, António José de Almeida diz de Afonso Costa: réu de crimes sem nome, será condenado para todo o sempre, a trabalhos forçados nas galés da história.

Julho

Dia 4 de julho – Afonso Costa fratura o crânio. Ia de elétrico para Algés, mas o clarão e estampido de um curto-circuito, que ele temia ser de uma bomba, fazem-no saltar do veículo, batendo com a cabeça no chão,em plena Avenida24 de Julho.

Dia 7 de julho – A Câmara dos Deputados, por 57-21, aprova lei segundo a qual a designação de vinho do Porto não se restringe à região do Douro, cedendo à pressão dos viticultores do Sul. Tumultos em Lamego e Santa Marta de Penaguião. Já um tratado anglo-luso entendia por vinhos do Porto, os produzidos em Portugal.

Dia 9 de julho – Temendo um eventual movimento revolucionário, o governo manda prender várias pessoas, entre as quais Lomelino de Freitas, considerado o inspirador do golpe.

Dia 13 de julho – Deputado católico Castro Meireles protesta contra a perseguição a párocos.

Dia 15 de julho – A agitação parlamentar prossegue animada, sobretudo, por causa da questão duriense e da defesa feita pelos evolucionistas de Pimenta de Castro. O democrático Ribeira Brava chamara-lhe pimenta da índia e bandido.

Dia 18 de julho – Inaugurado em Lisboa o Centro Republicano Leote do Rego. Participa o próprio, bem como Estevão de Vasconcelos e Ribeira Brava. Fala-se na necessidade de expurgar a República.

Dia 20 de julho – Novos tumultos por causa da questão do vinho do Porto. Catorze mortos em Lamego.

Dia 22 de julho – Remodelação governamental – Norton de Matos passa das colónias para a guerra, onde substitui José de Castro.

Dia 22 de julho – Começa a discussão da nova lei cerealífera.

Dia 27 de julho – José de Castro discursa na Câmara dos Deputados sobre a questão das subsistências. Diz ter criado um conselho consultivo com associações agrícolas e operárias.

Agosto

Dia 6 de agosto – Encalha em Peniche o cruzador República (ex- Rainha Dona Amélia). Dá-se a eleição do Presidente da República. Sai vencedor Bernardino Machado, à terceira volta, com o apoio dos evolucionistas nesta última fase da votação.

Dia 7 de agosto – Leote do Rego renuncia ao mandato de deputado, considerando Bernardino nefasto à República. No dia 28 de julho, em plena Câmara dos Deputados, o chefe da armada nomeado depois do 14 de maio, dissera que o governo de Bernardino Machado em 1914 havia sido marcado por uma cordialidade viscosa,  peganhenta que chegava para amigos e inimigos.

Dia 17 de agosto – Regulamento do Conselho Superior da Administração Financeira do Estado, criado por decreto de 11 de abril de 1911.

Dia 18 de agosto – Derrota dos cuanhamas – Batalha de Mongua no Sul de Angola de18 a20 de agosto. General Pereira de Eça, depois de 10 horas de combate vence os rebeldes cuanhamas chefiados pelo régulo Mandune e entra em N’Giva.

Dia 27 de agosto – Surge uma tentativa revolucionária monárquica no Porto. Prisões em Braga (onde foi atacado um quartel), Guimarães e Santo Tirso. Morte do preso Miguel Sotto Mayor em Braga, suspeita de tortura praticada pelas forças da ordem.

Presos conduzidos para o Porto são atacados.

Nos preparativos da revolta terão participado Egas Moniz, José Maria de Alpoim e Rodrigues Nogueira, bem como sindicalistas de Lisboa.

Dia 31 de agosto – Aprovado o orçamento de Vitorino Guimarães.

Dia 30 de agosto – Lei nº 371, reguladora da produção e comércio de cereais. Manutenção Militar passa a ter o monopólio da compra do trigo nacional.

Setembro

Dia 1 de setembro – O verdadeiro 14 de maio contra os democráticos – Artigo de Lopes de Oliveira em O Povo, em nome do verdadeiro 14 de Maio, contra o governo e os marechais do partido democrático.

Dia 2 de setembro – Lei nº 373 de 2 de setembro concede facilidades aos executivo em matéria económica.

Dia 4 de setembro – Lei nº 392 de 4 de setembro. Novo regime cerealífero. Será regulamentado em 14 de setembro. Discussão parlamentar sobre a reforma da polícia em 4 de setembro. Lei publicada em 17 de setembro.

Dia 9 de setembro – Proibida a exportação de beterraba.

Proteção dos revolucionários do 14 de maio – Lei de 9 de setembro equipara os revolucionários de 14 de maio de 1915 aos de 5 de outubro de 1910. Regulamentada por decreto de 22 de setembro, sobre a concessão de pensões.

Dia 10 de setembro – Arrolamento de trigo, milho, arroz, feijão e grão de bico pelo decerto nº 1 874 de 10 de setembro. João Chagas retoma o lugar de ministro de Portugal em Paris.

Dia 18 de setembro – Pelo decreto nº 1900 de 18 de setembro são criadas comissões de subsistências em todos os concelhos. Alargada a todos os géneros alimentícios a obrigatoriedade de venda, quando detidos para além das necessidades próprias. Torna obrigatória a afixação de preços em todos os bens postos à venda.

Dia 24 de setembro – Proibida a exportação de gado.

Dia 27 de setembro – Morte de Ramalho Ortigão.

Outubro

Dia 1 de outubro – Embarque de nova expedição para Moçambique.

Dia 2 de outubro – Saneamento de funcionários – Lei nº 468 de 2 de outubro determina: as vagas que ficarem existindo, por virtude da aplicação de lei de 16 de junho de 1915, serão providas por indivíduos reconhecidamente competentes que tenham prestado à República serviços comprovados…

Dia 5 de outubro – Posse de Bernardino Machado. Falava-se na véspera de um golpe de Leote do Rego. Este atacava o governo pelo facto do mesmo não promover o saneamento dos funcionários. Leote começa a assumir-se como um novo Machado Santos. Editorial de A República, em 5 de outubro, critica a partidarite: um bando esfaimado e criminoso que só cuida de satisfazer os apetites insaciáveis que servem.

Dia 7 de outubro – Alargamento da lista de matérias primas cuja exportação é proibida.

Dia 15 de outubro – Alemães penetram em território angolano.

Dia 31 de outubro – Alemães conquistam o posto de Cuangar no Sul de Angola.

Várias medidas financeiras e de controlo dos abastecimentos. Começam a partir expedições militares para África. Mas em 21 de outubro deu-se uma primeira revolta dos abastecimentosem Cacilhas. Segue-seuma greve da construção civil no Porto, mobilizando cerca de 30 000 pessoas. Greve geralem Setúbal. Grevede ruariasem Palmela. Grevede tipógrafos em Braga.

Novembro

Dia 1 de novembro – Mais um cargo professoral para Afonso da Costa – Afonso Costa toma posse de um lugar de professor no Instituto Superior de Comércio, no dia 1. De2 a14 de novembro volta a deslocar-se à Suíça, onde está gravemente doente França Borges.

Novo regime cerealífero, pelo regresso ao modelo de 1899. Elevação dos preços do trigo nacional.

Dia 11 de novembro – Morte de Sampaio Bruno.

Greve dos trabalhadores portuáriosem Lisboa. Dosmineirosem S. Pedroda Cova . Dos estucadores e da construção civil no Porto. Dos ferroviários no Barreiro. De rurais em Braga.

Dia 18 de novembro – Proibida a venda de peixe no mar e incremento da cultura do arroz.

Dia 18 de novembro – Governo de José de Castro apresenta a demissão - Governo apresenta a demisssão na sequência da tomada de posse do novo Presidente da República que pretendia exercer o chamado poder moderador e for a eleito com os votos evolucionistas. Mas é 18 de novembro que se acelera o processo, quando José de Castro pediu a demissão a Bernardino Machado sem dar prévio conhecimento aos restantes membros do governo, invocando o facto de não ter sido referendado um decreto sobre a reforma da polícia (acumulava com a pasta do interior). Havia vários conflitos entre o ministro da marinha e o parlamento, dado que o governo não concordava com as propostas de saneamento de militares feita pelo parlamento. Aliás, o governo apenas afastou 8 funcionários e 20 oficiais.

Dia 19 de novembro – Funerais de França Borges.

Preparativos para a formação de um novo governo – Bernardino Machado, temendo ser intervencionista como Manuel de Arriaga queria um governo organizado por indicações parlamentares e só chamou Afonso Costa depois das declarações formais de unionistas e evolucionistas, a partir das quais reconhece ser impossível constituir um governo representativo de todos os agrupamentos políticos.

Dia 2 de dezembro – O novo governo fez a sua apresentação parlamentar. Afonso Costa já estava restabelecido da fratura craniana que o afetara em 3 de julho.

Governo partidário a querer fazer política nacional - Apesar de retintamente democrático considerou-se um governo nacional, declarando pretender abster-se de praticar a chamada política partidária.

Questão da intervenção na guerra – Camacho logo questiona Costa sobre se a política externa do governo não era a que ele propusera, em 23 de novembro de 1914, sobre a manutenção do statu quo sem intervencionismo.

Greve geral no Porto. Greve dos carreirosem Braga. Grevede rurais em Fronteira, com mortos e feridos. Tumultos no Barreiro, Seixal, Portalegre e S. João da Pesqueira.

Dia 27 de dezembro – Proibição de exportações para vários géneros.

1916

Janeiro – Começa a construção do Casino do Estoril.

Dia 30 de janeiro - Viagem de Afonso Costa e Bernardino Machado ao Porto para a comemoração do 25º aniversário do 31 de janeiro de 1891 (de 30 de janeiro a 2 de fevereiro). Começam os assaltos a armazéns de víveres. Greve dos carregadores e dos empregados municipais em Lisboa. Greves nalgumas universidades.

Dia 7 de fevereiro – Comissão Central de Subsistências. Pela lei nº 480, de 7 de fevereiro, cria-se uma Comissão Central de Subsistências, destinada consultar e tomar providências sobre o aprovisionamento do país em matérias primas e mercadorias de primeira necessidade. Permite-se que o governo faça requisições de matérias primas e meios de transporte. Criadas comissões distritais de subsistências. Estabelecido o regime geral de preços: tabelas de preços estabelecidas pelas comissões distritais, mas homologadas pela comissão central. Penaliza-se a recusa de venda. Estabelece-se o modelo do manifesto obrigatório.

Dia 21 de fevereiro – Ataque alemão a Verdun. Início do ataque alemão a Verdun em 21 de fevereiro. Dura até 15 de dezembro, com a vitória dos aliados. Franceses acabam por recuperar os territórios ocupados pelos alemães, no fim das operações.

Dia 24 de fevereiro – Primeira apreensão de navio alemão. Em 24 de fevereiro dava-se a primeira apreensão de um navio alemão surto no Tejo (serão abrangidos 70), o que motivou os protestos parlamentares de Brito Camacho no dia seguinte. Os britânicos tinham solicitado que o governo português requisitasse os navios alemães que se refugiaram nos portos portugueses. Apreensão autorizada por decreto do dia 23 e levada a cabo por Leote do Rego. Serão apreendidos 70 navios alemães e dois austríacos. Empréstimo britânico de dois milhões de libras. O governo obtém um crédito do banco central britânico para a compra de trigo e de material de guerra (dois milhões de libras). Greve de tecelões na Covilhã. Tumultos em Lisboa, com bombas e mortos.

Março – Nos princípios de março, o governador civil de Lisboa manda dissolver a União Operária Nacional, a Federação dos Metalúrgicos e da Construção Civil, bem como a União dos Sindicatos de Lisboa, com o pretexto de faltar lei reguladora sobre a matéria. Nas mesmas circunstâncias se encontravam as associações patronais que, no entanto, não receberam idêntica ordem.

Dia 4 de março – Manifesto de cereais

Dia 9 de março - Alemanha declara guerra a Portugal. Surge a declaração de guerra da Alemanha a Portugal. Nota entregue pelo barão Van Rosen.

Dia 10 de março – Apoio parlamentar ao governo. No dia 10 de março, imediato e unânime apoio parlamentar ao governo, por causa da guerra. Sessão parlamentar onde Afonso Costa propõe um governo de unidade nacional.

Dia 11 de março - Camacho defende ministério nacional. Brito Camacho diz só colaborar num verdadeiro ministério nacional, onde também estivessem representados monárquicos e socialistas, pelo que considera que o modelo é apenas de concentração republicana. Os católicos não colaboram sem prévia alteração da Lei da Separação e os monárquicos nem sequer são chamados.

Dia 12 de março – Poderes extraordinários para o executivo. Lei nº 491 concede ao poder executivo as faculdades necessárias para o estado de guerra..

Dia 13 de março - Arrolamento de vinhos e azeites. Preparação de um novo governo. São sondados para a chefia do governo os republicanos independentes Augusto José da Cunha, Guerra Junqueiro e Anselmo Braamcamp Freire. Leote do Rego faz a mediação entre António José de Almeida e Afonso Costa.

Dia 15 de março – Governo da União Sagrada. Nomeado o ministério da União Sagrada.

Dia 16 de março – Pátria em perigo. Apresentação parlamentar do novo governo, sob o signo da pátria em perigo em 16 de março de 1916. Criação do Ministério do Trabalho e Previdência Social. A lei nº 494 cria o Ministério do Trabalho e Previdência Social. A lei foi discutada, aprovada e publicada num único dia. Inclui uma Direção-Geral de Previdência Social e Subsistências. Criação de lugares de subsecretário de Estado. Criados lugares de subsecretário de Estado e de ministro sem pasta.

Dia 28 de março - Instaurada censura à imprensa. Protesto imediato da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto.

Abril - Greve da construção civil em abril. Incêndio na Escola Naval. Mal-estar provocado pela crise das subsistências. Concluída a ocupação do Quionga em Moçambique, território de que tínhamos sido desapossados em 1894. É governador de Moçambique Álvaro de Castro.

Dia 4 de abril - Medidas contra alemães. Proibido o ingresso de alemães em território nacional. Obrigados a sair os existentes, ficando presos os que tinham entre 16 e 45 anos. Sequestro dos respetivos bens (23 de abril).

Dia 14 de abril - Proposta de amnistia. É proposta uma lei de ampla amnistia, abrangendo os responsáveis pelas incursões monárquicas. Esta proposta gera um protesto do próprio Manuel de Arriaga.

Dia 20 de abril - Instaurada a censura postal. Em Paris suicida-se o poeta Mário de Sá Carneiro, nascido em 1890. Proposta no parlamento a cruzada das mulheres portuguesas.

Dia 29 de abril - Controlo das exportações. Pelo decreto nº 2 357 de 29 de abril é regulada a exportação, reexportação e importação de géneros de primeira necessidade. Proibida a exportação para o estrangeiro de lãs, salitre, vitrato de sódio, fios e cordões para instalações elétricas. Proibida a exportação para as colónias de combustíveis, automóveis e genéros alimentícios de que haja escassez na metrópole. Livres de direitos pautais as importações de gados, cerais, à excepçãp do trigo, batatas e carnes.Maio

Dia 1 de maio - Questão das subsistências. Discurso de Afonso Costa na Câmara dos Deputados sobre a questão das subsistências.

Dia 5 de maio - Ministério dos estrangeiros. Decreto de 5 de maio de 1916 transfere o ministério dos estrangeiros do Terreiro do Paço para o palácio das Necessidades. Antecipado o encerramento das aulas. Em 5 e 9 de maio são mandadas encerrar por antecipação as aulas nalgumas escolas oficiais Greve dos metalúrgicos e dos carroceiros em maio.

Dia 14 de maio - Votação do orçamento.

Dia 20 de maio - Propaganda face à participação na guerra. António José de Almeida na Câmara dos Deputados considera que, perante a guerra, a alma portuguesa ainda não encontrar aquela vibração suprema. Jaime Cortesão havia defendido a criação de um sistema de propaganda face à nossa participação na guerra.

Dia 24 de maio - Reinspeção de mancebos. Reordenada a inspeção militar para todos os indivíduos com idade inferior a 45 anos e não apurados.

Dia 31 de maio - Batalha naval da Jutlândia com vitória dos aliados.

Dia 5 de junho - Criados três lugares de Subsecretário de Estado em 5 de junho.

Dia 9 de junho - Circulação fiduciária. Decreto de 9 de junho eleva o limite da circulação fiduciária de 120 para 145 mil contos. Será de 200 mil contos em dezembro desse ano de 1916. Afonso Costa em Paris na Conferência Económica dos Aliados (de 9 a 21 de junho). Segue para Londres (de 21 de junho a 27 de julho).

Dia 19 de junho - Doutores por decreto. A Lei nº 616 de 19 de junho estabelece que as faculdades podem reconhecer o grau de doutor aos professores com três anos de serviço. Ficam abrangidos na faculdade de Estudos Sociais e Direito Alberto da Rocha Saraiva, Albino Vieira da Rocha, Soares das Neves e Barbosa Magalhães, até então bacharéis formados.

Dia 22 de junho - Parada militar em Montalvo, proclamando-se o chamado milagre de Tancos.

Dia 23 de junho - Reorganização administrativa. Lei nº 621 sobre a organização dos corpos administrativos. Altera lei nº 88 de 7 de agosto de 1913.

Dia 30 de junho - Comércio do trigo. Novo regime do comércio de trigo em 30 de junho, pela lei nº 2 488. Manifesto dos cereais. Criados modelos de avaliação do consumo por concelhos.

Dia 1 de julho - Nova expedição militar parte para Moçambique. Embarque de nova expedição militar para Moçambique, comandada por Ferreira Gil. Constitui-se em Tancos o Corpo Expedicionário Português, de 30 000 homens, sob o comando de Norton de Matos (22 de julho).

Dia 15 de julho - Manifestos obrigatórios para vários géneros alimentícios pelo decreto nº 2 515. Afonso Costa visita Londres em julho. Negociado um crédito de 20 milhões de libras que permite estabilizar o câmbio português nos anos de 1916 a 1918. A libra que em 1915 estava a 6$74,8 passou para 7$03,2 em 1916; 7$26 em 1917 e 7$90, 1 em 1918. Providências sobre a circulação de moeda de prata e sobre a emissão de bilhetes de tesouro. Decreto nº 2 511 proíbe a exportação de moeda de prata , dado que esta começou a rarear. A moeda de prata da monarquia foi mandada recolher (15 de julho).

Dia 4 de agosto - Comícios oficiais a favor da guerra. Governo promove comícios junto dos principais monumentos, defendendo a nossa participação na Guerra. No jornal A Capital reconhece-se: em Portugal ninguém desejou a guerra. Aceitou-se esse mal como inevitável, como necessário para mantermos perante o mundo o lugar honrado a que as nossas tradições gloriosas nos dão direito.

Dia 7 de agosto - Reunião extraordinária do Congresso. Governo expõe as diligências financeiras, diplomáticas e militares. Manifesta-se alguma oposição por parte dos unionistas.

Dia 20 de agosto - Congresso do partido unionista.

Dia 27 de agosto - Itália e Roménia entram na guerra. Itália declara guerra à Alemanha. Segue-se, entre 27 e 30 de agosto, a entrada da Roménia na guerra.

Dia 31 de agosto - Motim em frente a São Bento. Merceeiros reclamam fornecimento de aç úcar e abolição do tabelamento de preços. Proposta a restauração da pena de morte. Nesse dia foi proposta e aprovada a restauração da pena de morte nos campos de batalha para casos de traição. Unionistas e socialistas opõem-se e abandonam a sala.

Dia 12 de setembro - Costa na chefia interina do governo. Afonso Costa substitui interinamente António José de Almeida na chefia do governo e na pasta das colónias (de 5 de setembro a 12 de outubro).

Dia 30 de setembro - Criada a Comissão de Abastecimento em lugar da Comissão Central de Subsistências, pelo decreto nº 2 660 de 30 de setembro. As anteriores comissões distritais passam as respetivas atribuções para os governadores civis.

Dia 8 de outubro - Incidentes no Porto. Batalha campal no Porto. Morto um polícia.

Dia 12 de outubro - Novo regime cerealífero. Decreto nº 2 670 de 12 de outubro, novo regime cerealífero.

Dia 25 de outubro - Pelo decreto nº 2 691 de 25 de outubro, preços do trigo nacional, tipos de farinha e pão. Permite ao governo estabelecer casas de fabrico e venda de pão.

Dia 26 de outubro - Regulamentado o sistema cerealífero. Manutenção Militar passa a comprar a produção nacional e a ter o exclusivo das importações.

Novembro – Juventudes Católicas. III Congresso da Federação das Juventudes Católicas Portuguesas em Braga. Apoio à criação da União Católica proposta pelos bispos.

Dezembro - Agravamento da crise das subsistências. Há faltas de combustíveis, açúcar e pão. Começam protestos na imprensa.

Dia 13 de dezembro - Criada uma comissão de abastecimento de carnes.Revolta de Machado Santos, sob o comando de Machado Santos. Governo suspende jornais monárquicos, bem como A Luta. Presos vários deputados, entre os quais o unionista Moura Pinto. São também detidos Egas Moniz e Alfredo Magalhães. O planeamento coube a Vasco de Carvalho, com a colaboração do capitão Eurico Cameira. Machado Santos sai com tropas de Tomar, mas não passa de Abrantes, onde é detido por Abel Hipólito. Machado Santos passa a ficar detido no palácio do Fontelo em Viseu. Ramificações subversivas a movimentos ocorridos em Castelo Branco e na Figueira da Foz. Os revoltosos, visando convencer autoridades civis e militar chegam a imprimir um Diário do Governo apócrifo. As notícias sobre o golpe são censuradas.

Dia 19 de dezembro - Lei sobre o saneamento de oficiais. Aprovada uma lei sobre o saneamento de oficiais em 19 de dezembro. Proposta apresentada pelo ministro da guerra, Norton de Matos. Ramada Curto, então deputado democrático, chama-lhe burla e monstruosidade jurídica. José Barbosa proclama que a República caminha para um abismo, em que se pode perder, criticando comissões de civis, chamados defensores  das instituições. Jorge Nunes diz: vejo-me regressado a janeiro de 1908, com menos liberdade ainda, porque os ditadores de 1916 excederam, na violência e na sua obra, os ditadores de 1908. Nessa ocasião, dois homens – um rei e um príncipe – pagaram com a vida a obra dos ditadores, que fizeram um decreto que não era mais violento nem mais despótico que esta lei. Estão bem vingados os ditadores de 1908, porque os ditadores de 1916 excederam-nos na maldade da sua obra. Ramada Curto conclui que o governo pode ter a maioria para lhe aprovar essa proposta, mas o que não tem é a maioria das consciências.

Dia 28 de dezembro – Circulação fiduciária. Aumento do limite da circulação fiduciária. De 140 mil contos para 200 mil.

Dia 30 de dezembro – Poupança de energia. Por decreto de 30 de dezembro, regime de poupança de energia, especialmente quanto à iluminação pública e particular. Novo horário das repartições públicas (das 10 à s 16 horas). Guarda Nacional Republicana passa a reforçar o policiamento das ruas. Proibido o abate de vitelas. Submarino alemão ataca o porto do Funchal. Submarino alemão afunda navios ingleses que estavam surtos no porto do Funchal. Lançadas várias granadas sobre a cidade.

1917

Janeiro - Nos princípios de 1917, uma dissidência nos evolucionistas, com 17 deputados a passarem-se para o grupo de Brito Camacho que passa para 30 deputados.

Dia 19 de janeiro - Ordenada a concentração das forças expedicionárias. O primeiro contingente do CEP parte em 19 de Janeiro, tendo saído do batalhão de Infantaria 15 de Tomar, o qual tinha participado na revolta de dezembro de 1916. Hão-de chamar-lhe carneiros de exportação portuguesa. Seguiram ao todo, para a Flandres, 55 000 homens(24 batalhões que formavam duas divisões). 30 000 são enviados para as colónias, onde já existiam 15 000. Ferreira Martins há-de observar: as forças seguiam para o cais de embarque quase às escondidas, não fosse a sua marcha espectacular através da capital despertar as iras daqueles que não se conformavam com a não participação militar na guerraI.

Dia 22 de janeiro - Instrução pastoral coletiva do Episcopado, apela para a acção política da União Católica, donde derivará o Centro Católico Português. Abortada uma tentativa golpista chefiada pelo coronel Botelho de Vasconcelos. Patrões e sindicalistas de Beja impedem a saída de trigo do concelho.

Fevereiro - Conquista de N’Giva, quartel-general do régulo Mandune.

Dia 3 de março – Reúne pela primeira vez o Conselho Económico e Social. A criação oficial é de 18 de abril, data da publicação do decreto nº 3 092.

Dia 6 de março - Funerais de Manuel de Arriaga. Importação livre de cereais. Livre de direitos pautais a importação de trigo e de outros cerais panificáveis.

Dia 8 de março – Crítica dos democráticos ao Conselho. Deputado António da Fonseca critica o governo por este consultar entidades estranhas ao parlamento. Referência ao Conselho Económico. As críticas renovam-se em 20 de março e o governo considera-se demissionário. O ministro do fomento é evolucionista e diz que o diploma teve como propósito chamar as forças vivas.

Dia 11 de março – Lavoura contra o Governo. Numa reunião da ACAP, José Relvas e Aresta Branco defendem ação direta da lavoura contra o governo.

Dia 15 de março – Revolução de Fereiro na Rússia. Termina a revolução de fevereiro na Rússia, iniciada no dia 8, com a queda do regime czarista.

Dia 1 de abril – Afonso Costa desloca-se a Espanha e França (1 a 23 de abril).

Dia 2 de abril – Estados Unidos da América entram na guerra. Conferência de Almada Negreiros no Teatro República e lançamento do manifesto futurista Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX.

Dia 20 de abril – Teses de abril. Lenine publica no Pravda as chamadas Teses de abril onde proclama nada de república parlamentar com um programa de nacionalização da banca e de expropriação de terras. Controlo do gado na raia. Regime de controlo do gado nos concelhos raianos para evitar a exportação clandestina.

Dia 25 de abril - Constituído o ministério de Afonso Costa. Cheio de antigos monárquicos, conta apenas com dois republicanos históricos, Afonso Costa e Alexandre Braga.

Dia 26 de abril - Apresentação na Câmara dos Deputados em 26 de abril e no Senado no dia 27. Salazar toma posse de assitente da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Assalto a padarias e ao mercado do Porto.

Dia 1 de maio - Constituição mexicana de cariz anticlerical.

Dia 12 de maio - Revolta dos abastecimentos em Lisboa de 12 a 31 de maio. Dezenas de mortos e centenas de feridos. Criada uma comissão de distribuição de cereais.

Dia 13 de maio – Primeiras aparições de Fátima. Depois de ter surgido a diocese de Leiria em 1920, eis que as aparições só serão consideradas dignas de crédito em outubro de 1930. Segundo Oliveira Marques, terá ocorrido aparição idêntica no Barral ao pastorinho Armando Severino Alves.

Dia 19 de maio – Surto de greves em lisboa.

Dia 20 de maio – Suspensão das garantias constitucionais.Manifestação de operários da construção civil no Parque Eduardo VII. Governo decreta a suspensão das garantias constitucionais.

Dia 21 de maio – Revolta da batata. Assaltos a armazéns de víveres, com 22 mortos e 50 feridos graves, em 21 de maio. Chamou-se então ao processo a revolta da batata.

Dia 22 de maio – Confirmado o estado de sítio. Sessão parlamentar sobre a matéria, confirma o estado de sítio. Tumultos no Porto causam cerca de duas dezenas de mortos. Discurso parlamentar sobre as subsistências.

Dia 24 de maio – Afonso Costa discursa sobre a questão das subsistências.

Dia 31 de maio – Lavoura contra a importação de trigo. Reunião de lavradores na Associação Central da Agricultura Portuguesa considera que a crise tem a ver com importação de trigo e produtos colonais. Contestação no interior dos democráticos. Reunião do partido democrático revela a forte contestação de um grupo de deputados a Afonso Costa: António da Fonseca, Jaime Cortesão, Ramada Curto, Alberto Xavier, Artur Leitão e Francisco Trancoso. Acusam Costa de ser um falso radical. Cortesão pede um governo nacional, com operários e católicos. Jornal A Montanha do Porto abandona os democráticos e passa a independente. Um grupos de dissidentes de O Mundo, em Lisboa, passa a editar A Manhã. Projetada revolta do grupo de Machado Santos. Governo tem conhecimento que se prepara uma revolta, encabeçada por J. Carlos da Maia e Ladislau Parreira.

Dia 1 de junho - Criada a Administração dos Abastecimentos junto do Ministério do Trabalho. Junto dela passam a funcionar as comissões de abastecimento de carnes, de cereais e farinhas e uma comissão de abastecimento (decreto nº 3174).

Dia 6 de junho - Conferência operária do Porto. Presentes 71 sindicatos.

Dia 15 de junho – Eleito o primeiro deputado do Centro Católico Português, Diogo Pacheco de Amorim, por vaga de um deputado em Braga, numa disputadíssima segunda volta. A primeira assembleia geral do Centro terá lugar em Braga em 8 de agosto.

Dia 21 de junho - Bispo do Porto, D. António Barroso, é expulso da diocese.

Dia 26 de junho - Desembarcam em França as primeiras tropas norte-americanas.

Dia 3 de julho - Congresso dos democráticos. Reeleição de Afonso Costa, tendo como rival Norton de Matos.

Dia 7 de julho - Greve da construção civil de 7 a 18 de julho. GNR usa violência contra grevistas. Encerramento da sede da União Operária (300 prisões).

Dia 13 de julho - Discurso de Afonso Costa na Câmara dos Deputados sobre o regime de obras do Estado.

Dia 14 de julho - Afonso Costa assume-se como marxista. Afonso Costa discursa na Câmara dos Deputados. Reafirma-se marxista e partidário da luta de classes: entende que devem ser todos pela luta de classes, no sentido marxista da palavra!…

Dia 18 de julho - Sessão secreta do parlamento. Em 18 de julho, sessão secreta do parlamento sobre a participação na guerra.

Dia 22 de julho - Começa a batalha da Flandres. Dura até meados de novembro.

Dia 24 de julho - Lei dos acidentes de trabalho, estabelecendo direito à assistência clínica, medicamentos e indemnização para as vítimas de desastres de trabalho.

Dia 8 de agosto - Fundação do Centro Católico Português. Aprovado o programa redigido por Diogo Pacheco de Amorim e Almeida Correia. Eleita uma comissão central com Alberto Pinheiro Torres, José Fernando de Sousa (Nemo) e Diogo Pacheco de Amorim. Participam 36 leigos e 30 eclesiásticos, a maior parte deles oriundos da diocese de Braga.O II Congresso do CCP terá lugar em 22 de novembro de 1919.

Dia 11 de agosto - Novos tipos de farinha e de pão.

Dia 14 de agosto - Assitência financeira inglesa. Intervenção de Afonso Costa na Câmara dos Deputados sobre a assistência financeira inglesa. Proibida a entrada de gado espanhol. Decreto de 14 de agosto proíbe a entrada de gado espanhol para pastar, enquanto durar o estado de guerra.

Dia 15 de agosto - Faltam trocos e usam-se senhas e bilhetes. Algumas câmaras municipais começam a emitir cédulas. Decreto nº 3 296 de 15 de agosto tenta acelerar a recolha de moeda de prata, retirando de circulação as de D. Luís, D. Carlos e D. Manuel.

Dia 19 de agosto - Greve da Companhia das Águas.

Dia 31 de agosto - Expulsão do patriarca de Lisboa. Greve geral em Espanha contra a carestia de vida.

Dia 1 de setembro - Greve dos Correios e Telégrafos. Imensas prisões. Votada greve de solidariedade, que teve início no dia 8. Censura cinematográfica. Estabelecido o regime de censura às fitas cinematográficas.

Dia 5 de outubro - Subsídio para os funcionários públicos do Estado.

Dia 8 de outubro - Bernardino Machado, Afonso Costa e Augusto Soares visitam expedicionários da Flandres de 8 a 25 de outubro. São acompanhados pelo rei da Bélgica.

Dia 13 de outubro - Aparições de Fátima, o milagre do sol. Jornalista anticlerical Avelino de Almeida relata de forma imparcial, na Ilustração Portuguesa, a manifestação de 50 000 fiéis durante a última aparição de Fátima.

Dia 18 de outubro - Egas Moniz divulga aspirações do novo partido centrista, em entrevista a O Século em 18 de outubro. Programa oficialmente divulgado em 20 de outubro. Apoiado por vários dissidentes do evolucionismo como Vasconcelos e Sá, Malva do Vale, Tamagnini Barbosa e Simas Machado. É também integrado por vários elementos provindos dos dissidentes progressistas. Eleições para a a vaga de um deputado e um sendor no círculo ocidental de Lisboa. Votam apenas 14% dos recenseados. Democráticos obtêm 3 224 votos contra 2 363 para Machado Santos. Nas votações para o senador, 1797 votos para os democráticos e 1 090 para o unionista Barros Queirós.

Dia 25 de outubro - Bernardino regressa a Lisboa.

Dia 4 de novembro - Eleições administrativas. Democráticos com 92 câmaras (tinham 300); oposição republicana com 24 e monárquicos com 25. 89 para independentes.

Dia 7 de novembro - Começa a revolução bolchevista no dia 7 de novembro (25 de outubro segundo o calendário juliano).

Dia 19 de novembro - Afonso Costa e Augusto Soares vão a Paris (de 19 de novembro a 6 de dezembro).

Dia 26 de novembro - Decreto de 26 de novembro cria o conselho de Administração dos Transportes Marítimos do Estado. Durante a guerra tinham sido afundados 80 barcos portugueses, cerca de 45 mil toneladas. O diploma será revogado por Sidónio Pais em 17 de dezembro seguinte. Preços do azeite e do arroz.

Dia 27 de novembro - Decreto da mobilização agrícola de Lima Basto. III Congresso da Federação das Juventudes Católicas em Viseu.

Dia 4 de dezembro - Medidas sobre as subsistências. Determina-se que nenhuma fábrica de moagem poderá adquirir trigo ou milho sem ser através do ministério do trabalho. Controlo do trânsito do feijão. Regime de abastecimento de legumes. Controlo da qualidade do azeite.

Dia 5 de dezembro - Armistício de Brest-Litovski entre a Alemanha e a Rússia bolchevista. Começo da revolta sidonista. Entre fevereiro de 1917 e outubro de 1920, há 27 golpes de Estado vitoriosos na Europa.

Dia 7 de dezembro - Triunfo da revolução dezembrista. Decretado o estado de sítio na zona de Lisboa. A revolução triunfa no dia 7. Há 109 mortos e 500 feridos, quase como no 14 de maio de 1915. Do lado governamental apenas resistem os marinheiros de Agatão Lança. É uma espécie de 14 de maio ao contrário, agora com a vitória de Machado Santos. Face à ausência de Afonso Costa e Augusto Soares, o governo era então comandado por Norton de Matos que tem a colaboração de Leote do Rego.

Dia 8 de dezembro – Declaração da junta revolucionária, composta por Sidónio Pais, Machado Santos e Feliciano Costa, anuncia o triunfo: venceu a república contra a demagogia, prometendo-se o fim da desordem e o império da lei. Machado Santos estava preso em Viseu. Prisão de Afonso Costa no Porto. Regressara de Paris no dia 6, dormindo em Coimbra. Vem para Lisboa no dia 11 e é transferido para o Forte da Graça em Elvas no dia 18. Será posto em liberdade no dia 30 de março de 1918, partindo para França em 25 de abril. Os antecedentes. A revolta começou a ser preparada por um comité ligado aos unionistas de Brito de Camacho que se reunia em A Luta e na farmácia Durão, ao Chiado, de que era proprietário António Ferreira, também unionista. A direção conspiratória era composta por Alberto da Silveira, Alves Roçadas, Vicente Ferreira, Tamagnini Barbosa e Vasconcelos e Sá. Ao grupo liga-se Sidónio Pais. Camacho não apoiou o movimento na fase final. Entretanto, por influência de Augusto Vasconcelos, regressado de Madrid, Camacho deixa de apoiar o movimento. Os conspiradores conseguem financiamento do agricultor alentejano, também unionista, António Miguel de Sousa Fernandes. A procura de um chefe de governo. Depois da vitória, Sidónio tenta encontrar para chefe do governo o unionista Bettencourt Rodrigues, bem como o independente José Relvas. Como observa Rui Ramos, porque os partidos se haviam esfacelado em 1917, eis que Sidónio pode recolher as maravilhas de todos eles, e fazer a manta de retalhos com que se cobriu. O novo governo era apenas a República de 1910 livre dos democráticos.

Dia 9 de dezembro - Primeiras medidas do dezembrismo. O novo ciclo político começa por anular os castigos impostos aos bispos, disolve o parlamento e manda libertar os indivíduos presos por estarem implicados no golpe de 16 de dezembro de 1916. Posição dos sindicalistas. Comício da União Operária Nacional, na praça dos Restauradores em Lisboa apresenta reclamações à Junta Revolucionária. Outros comícios se realizam no Porto, Coimbra, Leiria, Barreiro, Odemira e Parede. Reclama-se, nomeadamente, a utilização imediata de terrenos baldios. Novo diretor das subsistências. Cristóvão Moniz é nomeado diretor das subsistências públicas.

Dia 10 de dezembro - Reintegração dos saneados. Nesse dia são formalmente demitidos os ministros do governo de Afonso Costa.

Dia 11 de dezembro - É destituído o Presidente da República, Bernardino Machado. Constituição de um novo governo. A Junta Revolucionária é substituída por um novo governo. Três unionistas. A maioria do governo é de civis.

Dia 15 de dezembro - Bernardino Machado só abandona o palácio de Belém em 15 de dezembro, onde fica prisioneiro. Reintegração de D. Luís de Castro. Simbolicamente, é reintegrado no Instituto Superior de Agronomia, o antigo ministro da monarquia, D. Luís de Castro. São reintegrados os funcionários afastados depois do 14 de maio de 1915.

Dia 16 de dezembro - Publicação do programa de governo. Com o parlamento dissolvido, é publicado o programa de governo em separata do Diário do Governo. Aí se proclama que o governo é contra a demagogia, tendo em vista a a harmonia e unidade da pátria.

Dia 17 de dezembro - Extinção da Administração dos Abastecimentos. Extinta a Administração dos Abastecimentos.

Dia 20 de dezembro - Regresso do bispo do Porto à diocese. D. António Barroso regressa ao Porto.

Dia 27 de dezembro - Preços da batata e do arroz. Sidónio assume a presidência da república. Sidónio acumula as funções de presidente do ministério e de presidente da República.

1918

Dia 8 de janeiro - Revolta dos marinheiros no quartel de Alcântara. Sidónio, na parada da vitória, humilhou os marinheiros, quando os fez desfilar desarmados. No dia 9, o Vasco da Gama, revoltado, circula no Tejo. Sidónio assume diretamente a defesa da situação comandando a artilharia do Castelo de S. Jorge que atinge o navio e o faz render.

Dia 9 de janeiro - Dissolução de centros políticos. Determina-se que os governos civis dissolvam todos os centros políticos que na atual conjuntura tenham exorbitado dos seus fins legais, concorrendo para a perturbação da ordem.

Dia 10 de janeiro - Dissolução de corpos administrativos.

Dia 12 de janeiro - Banhos de multidão. Sidónio visita o Norte a partir de 12 de janeiro de 1918. No Porto, nos dias 12 e 13. Em Braga, 14. Em Guimarães e Viana do Castelo, 15. Depois, visita o Sul, entre 15 e 18 de fevereiro. Em Évora, 15;em Beja, 17. Diz que o faz para tatear a opinião pública, porque não se pode governar sem o apoio da opinião e não há força alguma militar que a domine. Dá vivas à república nova.

Dia 14 de janeiro - Governo republicano com apoio de monárquicos. Reconhece o apoio dos monárquicos que são pessoas honestas, mas logo salienta que diga-se o que se disser, agrade a quem agradar, o governo é republicano tendo como intuito acabar com os ódios que dividem a família portuguesa.

Dia 23 de janeiro - Beatificação de D. Nuno Álvares Pereira.

Dia 25 de janeiro - Teixeira Gomes é demitido de ministro de Portugal em Londres. O mesmo acontecerá a João Chagas.

Dia 27 de janeiro - Termina greve dos caixeiros.

Dia 1 de fevereiro - Norton de Matos chega ao exílio de Paris. Fundada Liga de Ação Nacional com António Sérgio, F. Reis Santos e Pedro José da Cunha.

Dia 2 de fevereiro - Por decreto de 2 de fevereiro (Decreto nº 3 929), são autorizados os estabelecimentos de assistência, nomeadamente hospitalares, a aceitarem doações, heranças e legados.

Dia 6 de fevereiro - Egas Moniz, ao inaugurar a sede do Partido Centrista, propõe um regime presidencialista.

Dia 7 de fevereiro - Subsistências. Intervenção do ministério do trabalho. O ministério do trabalho, através da direção de serviços de subsitência pública passa a poder comprar e vender todos os géneros de primeira necessidade (Decreto nº 3 810 de 7 de fevereiro).

Dia 8 de fevereiro - Novo preço para a batata. Camacho contra a Lei da Separação. Discurso de Brito Camacho em Braga, acusando a Lei da Separação de não ser uma lei para a defesa do Estado, mas antes para agravo da Igreja.

Dia 14 de fevereiro - Sidónio e o anúncio de um novo partido. Sidónio inicia visita ao Sul a partir do dia 14 de fevereiro. Em Évora, no dia 15 de fevereiro, falando na vida partidária, critica a rotina dos partidos e diz que um maior haveria de formar-se. Regressa a Lisboa no dia 18. Estas declarações produzem imediatas reações dos unionistas e Sidónio tem de emitir uma nota oficiosa, no dia 19, onde declara que não falou num partido único, mas antes n’ um partido constituído por todos, de homens de bem para servir a pátria. E que é preciso implantar um regime novo em que monárquicos e republicanos possam viver.

Dia 15 de fevereiro - O unionista José Barbosa contra o presidencialismo. Em 15 de fevereiro, o unionista José Barbosa que, na Constituinte fora um dos autores do projeto presidencialista, em artigo publicado em A Luta, aceita o presidencialismo desde que ele nasça de um parlamento, a ser eleito pelo povo antes da própria eleição do Presidente.

Dia 20 de fevereiro -Conselho de ministros opta pela eleição presdiencial. Decidida em conselho de ministros do dia 20 a realização de eleições, nomeadamente do Presidente, por sufrágio direto.

Dia 21 de fevereiro - Greve na Companhia de Gás e Eletricidade.

Dia 22 de fevereiro - Alterada a Lei da Separação. Decreto nº 3 856 do ministro da justiça, o unionista Moura Pinto. O relatório do decreto terá sido redigido por Brito Camacho. Mas algumas das intenções aí referidas acam por não constar do articulado. É suprimido o beneplácito, Devolução dos seminários confiscados desde 1911. As cerimónias de culto podem realizar-se a qualquer hora sem prévia autorização. As associações cultuais podem dedicar-se a outras atividades, para além das de assistência e beneficência.

Dia 24 de fevereiro - Sidónio visita, no Porto, hospitais onde estão doentes com tifo. Camacho contra a eleição presidencial. Brito Camacho em A Luta volta a insistir na tese unionista: primeiro, eleição do parlamento; só depois, a do presidente. Conferência de Alfredo Pimenta na Liga Naval: isto … já não é República porque lhe falta Afonso Costa. Ainda não é monarquia porque lhe falta o rei. Greves em Lisboa: pessoal dos elétricos, gazonistas, carroceiros e engomadeiras.

Dia 3 de março - Novo tratado de Brest-Litovski entre a Rússia e a Alemanha.

Dia 5 de março - Rutura entre Sidónio e a União Operária Nacional. Sidónio Pais recebe em audiência a União Operária Nacional. O intermediário foi o professor Aurélio Quintanilha, antigo aluno de Sidónio em Coimbra. Começa a rutura entre o movimento sindicalista e o sidonismo. Machado Santos chega mesmo a ameaçar com a suspensão do direito à greve. Conselho central da União Operária Nacional mostra desalento com a situação: nada de razoável podem nem devem esperar as classes trabalhadoras de mais esta nova (?) situação política que o operariado acolheu com benévola expectativa.

Dia 7 de março - Ministros unionistas abandonam o governo. Três ministros unionistas abandonam o governo no dia 7 de março, mas um grupo significativo de unionistas abandona o partido em sinal de apoio a Sidónio. Machado Santos sai do ministério do interior. Ascensão de Tamagnini Barbosa. Nobre de Melo é apresentado a Sidónio por Teófilo Duarte. Ao tomar posse diz não ser monárquico nem republicano, mas sim sindicalista.

Dia 8 de março - Sérgio defende concórdia nacional. Entrevista de António Sérgio a O Século em 8 de março, onde defende a concórdia nacional.

Dia 9 de março - Criado o ministério das subsistências e dos transportes (Machado Santos) e o ministério da agricultura (Fernandes de Oliveira), pelo decreto nº 3 902 de 9 de março. O primeiro será extinto em 19 de julho de 1918.

Dia 11 de março - Lei eleitoral (decreto 3 907). Não alfabetos passam a eleitores.

Dia 14 de março - Novos preços dos cereais. Egas Moniz, em meados de março, é nomeado ministro de Portugal em Paris.

Dia 17 de março - Junta de Salvação Pública. Surge nos jornais um manifesto de uma Junta de Salvação Pública em 17 de março. Pede a suspensão dos jornais da oposição, a prisão dos boateiros e chama ao partido democrático uma associação de malfeitores.

Dia 22 de março - Decreto nº 3 966, estabelece novos preços dos cereais.

Dia 30 de março - Constituído o Partido Nacional Republicano em 30 de março. Eleição presidencial por sufrágio direto e universal. Nesse dia, pelo decreto nº 3 997, considerado diploma eleitoral, altera-se a Constituição de 1911, no sentido presidencialista. Eleição do presidente por sufrágio direto, com mandato de quatro anos, com chefia das forças armadas e poder de livre escolha do governo. Câmara de Deputados de 155 membros a eleger pelo sistema de lista incompleta, garantindo-se a representação das minorias. Senado de 78 membros, com 49 eleitos. Segundo Teófilo Duarte, o diploma foi redigido por Martinho Nobre de Melo que se valeu da colaboração de António Sardinha e Hipólito Raposo (era companheiro de mesa de Nobre de Melo com quem coabitava; eram os dois solteiros).Greve dos elétricos em Lisboa.

Dia 31 de março - Congresso dos Trabalhadores Rurais. III Congresso dos Trabalhadores Rurais em Lisboa, em 31 de março e 1 de abril. Debatem-se questões relativas à reorganização fundiária.

Dia 5 de abril - Decreto nº 4 058 reorganiza a Polícia Cívica de Lisboa, Destaca-se uma Polícia Preventiva para os crimes políticos e sociais. O Exército deixa de policiar as ruas.

Dia 8 de abril - Congresso Unionista no Teatro de S. Carlos em 8 de abril. Ataques ao sidonismo. Decidida a não participação nas eleições, por proposta do até há pouco ministro sidonista Moura Pinto. Unionistas repetem aatitude que tiveram durante o consulado de Pimenta de Castro. Deixam de apoiar o governo na véspera da data marcada para as eleições.

Dia 9 de abril - Batalha de La Lys. Morrem 327 oficiais e 7 098 praças, cerca de 35% da 2ª divisão do CEP. Em 21 de março começara uma ofensiva alemã e os ingleses têm de retirar em cerca de 60 km. Em 4 de abril começam motins de tropas portuguesas. Tamagnini pede aos britânicos que substituam as posições de toda a 1ª divisão portuguesa, face à insubordinação de várias brigas desta, que se recusam a ir para a frente. Em 8 de abril, quando o ataque alemão abranda, é retirada a 1ª divisão. Depois do massacre, o CEP é removido para a rectaguarda e utilizado para a abertura de trincheiras para os ingleses.

Dia 13 de abril – Restabelecida a censura.

Dia 18 de abril – Direitos aduaneiros pagos em ouro. Decreto nº 4 137 determina que os direitos aduaneiros sobre mercadorias importadas passem a ser pagos em ouro.

Dia 22 de abril - Criação dos celeiros municipais.

Dia 27 de abril – Controlo das cambiais. Decreto nº 4 176 de 27 de abril não permite que as operações a prazo sobre cambiais, desde que não lhes corresponda um ato comercial de exportação ou de importação. Reuniões para a organização da lista sidonista decorrem no governo civil de Lisboa, sob a presidência de Xavier Esteves, participando, entre outros, Egas Moniz, Vasconcelos e Sá e Amâncio Alpoim.

Dia 28 de abril – Eleições paralamentares e presidenciais. Abstenção dos democráticos, evolucionistas, unionistas e União Operária Nacional. Nas presidenciais, Sidónio obtém 69% (510 000 votos). Maioria para os governamentais. Para os deputados, governo obtém as maiorias em todos os círculos, à exceção de Arganil, onde triunfam os monárquicos (eleitos 40 deputados desta filiação). Surge uma minoria católica. 1 deputado socialista, Dr. João de Castro, de raça negra.

Dia 29 de abril – Novo contrato entre o Estado e o Banco de Portugal. Elevado para 350 000 contos o limite da circulação fiduciária (200 000 em dezembro de 1916). Permite-se um aumento annual de 60 000 contos na circulação fiduciária, origem das chamadas portarias surdas.

Dia 30 de abril – Portaria de 30 de abril proíbe a exportação de carnes para o estrangeiro e para as colónias.

Dia 4 de maio - Tentativa golpista no Porto. Prisões.

Dia 8 de maio - Amnistia para crimes políticos e crimes comuns. Leote do Rego e Norton de Matos não são abrangidos, porque considerados oficiais desertores. Nesse dia é estabelecida a ata dos resultados eleitorais. Regime do depósito legal de livros. Instituído a favor da Biblioteca Nacional o regime do depósito legal. Sidónio reafirma-se republicano.   Discurso de Sidónio, reafirmando o republicanismo. Quer ser chefe de todos os portugueses e mandatário da Nação.

Dia 13 de maio - Sidónio toma posse da presidência na Câmara Municipal de Lisboa.

Dia 15 de maio - Secretários de Estado em lugar de ministros. Ministros passam a Secretários de Estado. Remodelação no governo.

Dia 17 de maio - Sidónio desloca-se ao Porto no dia 17 e no edifício do Aljube, no dia 18, liberta presos políticos que tinham sofrido maus tratos. Não recebe o apoio dos partidários da república velha, com críticas do Mundo e de A Luta, mas também não tem aplausos de monárquicos, com críticas de O Dia.

Dia 18 de maio - Ezequiel de Campos profere conferência na Liga Agrária do Norte.

Dia 1 de junho - Decreto nº 4 489 sobre a assistência religiosa a militares em campanha.

Dia 9 de junho - Demissão de Machado Santos. Tinha havido um conflito do ministro com a administração da CP, maioritariamente unionista. O ministro mandou prender os administradores da companhia, por sugestão de Cunha Leal. Mas Sidónio não admitiu a concretização da ordem. Cunha Leal era, então, diretor-geral dos transportes terrestres. Abandonará estas funções em conflito com Fernandes de Oliveira. O ministério do abastecimento e dos transportes, depois de ser gerido interinamente por Fernandes de Oliveira, ministro da agricultura, será extinto por decreto de 14 de julho. V Congresso da Federação das Juventudes Católicas em Santarém.

Dia 20 de junho - Sidónio declara que o equívoco monárquico findou.

Dia 27 de junho - Reatadas as relações diplomáticas com a Santa Sé.

Dia 28 de junho - Instituído um Conselho Económico.

Dia 29 de junho – Estabelecida a obrigatoriedade de venda de géneros que sejam considerados excedentes face ao consumo próprio, individual ou familiar.

Dia 6 de julho - Por decreto de 6 de julho, Decreto nº 4 554, o grau de bacharel formado é substituído pelo de licenciado. Restauram-se as insígnias doutorais. Pode conceder-se o grau de doutor aos professores ordinários e extraordinários que o não possuíssem, bem como a individualidades eminentes, dignas dessa distinção. É abrangido António de Oliveira Salazar, também feito doutor decretino.

Dia 9 de julho - Restabelecida a embaixada no Vaticano. Decreto nº 4 558 de 9 de julho restabelece a embaixada portuguesa junto da Santa Sé que havia sido extinta em 10 de julho de 1913.

Dia 11 de julho - Cruzada Nun’Álvares. Reunião preparatória da Cruzada Nuno Álvares Pereira, na Liga Naval, promovida pelo capitão João Afonso Miranda, em 11 de julho. Fundação do grupo em 18 de julho.

Dia 13 de julho - Decreto nº 4 638 de 13 de julho estabelece novo regime cerealífero.

Dia 14 de julho - Governo contrai empréstimo para a criação de escolas de instrução primária em todo o país. As escolas teriam cantinas e forneceriam alimentação gratuita para os alunos pobres. Extinta a secretaria de Estado das subsistências e dos Transportes, sendo os serviços integrados no interior.

Dia 15 de julho – Reunião das comissões preparatórias do Congresso.

Dia 17 de julho - Ofensiva dos serviços de fiscalização de susbsitências. Encerradas 243 mercearias em Lisboa. União Operária Nacional louva o governo. Protesto dos retalhistas.

Dia 18 de julho - Começa a greve dos ferroviários do Sul e Sueste. Até 23 de julho.

Dia 22 de julho - Inauguração solene do novo parlamento. Trabalhos parlamentares são interrompidos de 6 de agosto a 4 de novembro. Tanto Machado Santos como Cunha Leal, nas suas primeiras intervenções, perguntam quem é o presidente do ministério, defendendo a existência deste cargo, expressamente previsto na Constituição de 1911. A maioria elege Egas Moniz para seu líder parlamentar. Segundo Cunha Leal, até à morte de Sidónio, nunca saíram do casarão de S. Bento nem uma lei, nem um decreto-lei, nem o mais simples decreto regulamentar

Dia 26 de julho - Confronto entre monárquicos e dezembristas. Conflito entre deputados dezembristas e monárquicos por causa da saudação ao Brasil. Confrontos entre Egas Moniz e Tamagnini Barbosa. Esboça-se um conflito no seio dos dezembristas, com Egas Moniz, apoiado pelo Jornal da Tarde, então dirigido por João Henriques Pinheiro, a opor-se a que se consagre na Constituição a dissolução parlamentar pelo Presidente da República. Considera que, no presidencialismo é tão inadmissível essa dissolução quanto a não dissolução em parlamentarismo. Tamagnini Barbosa, por seu lado, assume um extremado anti-parlamentarismo defendendo a dissolução, numa ideia também partilhada por Sidónio Pais. Assalto ao centro evolucionista de Lisboa. Assalto aos jornais A Montanha e O Norte, no Porto. Em julho recomeça a baixa do câmbio. Grande agitação económica provocada pelo aumento da contribuição industrial e pelas novas medidas legais contra o açambarcamento.

Dia 6 de agosto - Interrupção dos trabalhos parlamentares em 6 de agosto. Até 4 de novembro.

Dia 7 de agosto - Decreto de 7 de agosto estabelece o manifesto dos gados na zona fronteiriça.

Dia 8 de agosto - Manifesto do partido democrático. Declara que a república está em perigo com os homens de dezembro tutelados e amparados pelos monárquicos.

Dia 22 de agosto - Comissariado Geral dos Abastecimentos. Organização de um Comissariado Geral dos Abastecimentos (decreto nº 4 753). Regime de senhas de racionamento desde 23 de setembro.

Dia 24 de agosto - General Garcia Rosado assume o comando dos restos do CEP, com o coronel Sinel de Cordes como chefe de estado maior. Gomes da Costa sai da Flandres para África. Crise das subsistências, a anarquia mansa. O Século de 24 de agosto refere a crise das subsistências como uma anarquia mansa, criticando o regime vigente de controlo, com regulamentações avulsas de governadores civis e administradores de concelhos, com preços a variarem de terra para terra e pelo aparecimento de novos negociantes e transportadores clandestinos de géneros alimentícios.

Dia 31 de agosto - Estabelecido o regime do racionamento. Regime dos manifestos e das rações individuais fixadas a nível de freguesia pelo regedor e pelos professores oficiais. O regime das senhas de consumo inicia-se em Lisboa logo em 16 de setembro e no dia 23 do mesmo mês no resto do país.

Setembro – No bosque de Paraut, na Flandres, durante o mês de setembro, repressão violenta de batalhões portugueses que se recusam a ir para a frente de combate.

Dia 4 de setembro – Açúcar e petróleo são racionados. Senhas de consumo gratuitas para indigentes.

Dia 7 de setembro - Canto e Castro substitui Carlos da Maia na pasta da marinha.

Dia 14 de setembro - Decreto de 14 de setembro autoriza a divisão dos baldios. Proibida a venda de farinha a granel e limites ao números de refeições em estabelecimentos hoteleiros e similares (decreto nº 4 835 e decreto nº 4 836, de 21 de setembro).

Dia 23 de setembro – Regime de prémios de produtividade para agricultores. Reacende-se a agitação económica face aos diplomas que restringem o comércio cambial e que tributam os lucros excecionais derivados da guerra.

Dia 28 de setembro – Tentativa de golpe em Lamego, descoberta por Sollari Alegro. Nova insubordinação no CEP, quando se pensava em voltar à frente. Pneumónica mata em setembro 31 785 pessoas.