1911 – 1914



1911

Dia 2 de janeiro - Sampaio Bruno começa a publicar no Porto o jornal Diário da Tarde.

Dia 6 de janeiro - António José de Almeida apresenta no conselho de ministros, projeto sobre o horário de trabalho, que não é aprovado. Ameaça demitir-se. Multiplicam-se as greves e surgem conflitos violentos entre sindicalistas e republicanos. Greve dos ferroviários do Sul e Sueste, pelas 8 horas de trabalho, com o governo a mandar ocupar militarmente a estação do Rossio.

Dia 8 de janeiro - Jornais monárquicos assaltados. Saqueados jornais monárquicos Correio da Manhã, Diário Ilustrado e O Liberal. Fica imune O Dia, afecto a José Maria de Alpoim. Greves rurais. Tumultos de trabalhadores rurais em Campo Maior, Crato, Elvas e Arronches.

Dia 10 de janeiro - Publicado o decreto sobre o descanso semanal obrigatório ao domingo. Será substituído por decereto publicado em 9 de março que atribui o poder de regulamentar a matéria à s câmaras municipais. Regulamento de Lisboa sai logo a 10 de março. Tarda a aparecer regulamentação no resto do país.

Dia 11 de janeiro – Caixeiros, greves e António José de Almeida. Manifestação dos caixeiros no Terreiro do Paço diante do gabinete de Teófilo Braga. Caixeiros tinham assembleia geral do Ateneu, estando em greve. Esteve presente Machado Santos e chegou António José de Almeida. Anuncia que se iria demitir, dando a entender oposição de Costa e Camacho. Caixeiros vão ao Terreiro do Paço dando vivas a Almeida. Teófilo responde aos manifestantes, anunciando a permanência de Almeida no governo, em face da atitude do povo.

Dia 13 de janeiro – Greve da companhia de gás. Governo manda ocupar militarmente as instalações.

Dia 15 de janeiro - Começa a publicar-se o jornal República. Voluntários contra as greves. Parada na Rotunda dos batalhões de voluntários da república, organizados pelo jovens turcos, contra as greves. Descem para o Terreiro do Paço, na presença do próprio ministro da guerra.

Dia 17 de janeiro - Brito Camacho considera que o povo despertara, com as manifestações contra as greves, e que assim os grevistas prestaram um serviço à República.

Dia 21 de janeiro - Suprime o culto religioso na capela da Universidade de Coimbra, atendendo a que as ciências entraram definitivamente no período da sua emancipação de todos os elementos estranhos à razão, e atendendo também a que estão destinadas a imperar pelo poder incruento e irredutível da verdade demonstrada, a qual acabará com as dissidências das escolas dogmáticas que têm até hoje dividido os indivíduos e os povos.

Dia 1 de fevereiro – Assalto à sede do CADC. Ataques às sedes de movimentos católicos. CADC interrompe a respectiva actividade. A sede do centro, na Rua dos Coutinhos, em Coimbra, será assaltada no dia 1 de fevereiro.

Dia 13 de fevereiro - Decreto sobre o crédito agrícola de Brito Camacho (aprovado em 13 de fevereiro e publicado em 1 de março). Na respetiva propaganda colaborará D. Luís de Castro, antigo ministro da monarquia.

Dia 15 de fevereiro - Revogados os artigos do código penal de 1886 que estabeleciam crimes contra a religião. oão Chagas demite-se da junta consultiva do partido republicano, considerando que esta e o diretório deixaram de ter qualquer influência no governo provisório. O que aconteceu com a elevação a ministros de José Relvas (12 de outubro) e Brito Camacho (22 de novembro). O governo provisório transformava-se numa espécie de primeiro parlamento da República. Criada uma comissão para a reforma ortográfica, com Adolfo Coelho, Carolina Michaelis, Cândido de Figueiredo e Leite de Vasconcelos.

Dia 16 de fevereiro - Morte de Fialho de Almeida.

Dia 18 de fevereiro - Decreto sobre o registo civil obrigatório.

Dia 22 de fevereiro - Divulgação da Pastoral do episcopado. No dia 22, pastoral colectiva dos bispos, nascida da reunião de S. Vicente de Fora de novembro, é mandada ler nas missas do domingo, dia 26, sem prévia autorização do governo, onde se fala dafeição não só acatólica, mas anticatólica das reformas republicanas. Da autoria do arcebispo de Évora e datada de 24 de dezembro de 1910, mas apenas tornada pública então. Fala na existência de cinco milhões de católicos, partindo da declaração nos boletins de recenseamento, onde apenas  cinquenta mil pessoas se declararam não católicas.

Dia 28 de fevereiro - Obrigam-se os serviços dependentes do ministério da justiça, nomeadamente o notariado, bem como os tribunais, a deixarem de usar a referência de formulário à era, desaparecendo o tradicional no ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Destruído o jornal católico de Viseu. Suspenso O Povo de Aveirode Homem Christo que é preso e conduzido a Lisboa. Sampaio Bruno, depois de receber ameaças, suspende a publicação do Diário da Tarde no Porto. Declara-se, então, completa e absolutamente enojado da política portuguesa e retira-se. Contra ele, protestam carbonários. É defendido por Machado Santos e José Relvas. Paulo Falcão manda comparecer Bruno numa esquadra de polícia, no dia 17 de janeiro, acusando-o de alarmar o espírito público por ter escrito que a cidade se achava numa situação intolerável. Bruno parte para o exílio de Paris.

Dia 3 de março - Reação enérgica de Afonso Costa contra a pastoral dos bispos tornada pública em 22 de fevereiro. Manda telegrama a todos os bispos onde declara negar o beneplácito à pastoral Bispos impõem silêncio ao respetivo clero à exceção de D. António Barroso no Porto, dizendo que o beneplácito diz apenas respeito à publicação de documentos da Santa Sé.

Dia 6 de março - D. António Barroso, no dia 6, é intimado a comparecer em Lisboa no dia seguinte.

Dia 7 de março - Bispo do Porto é chamado a Lisboa, sendo apupado na Rua do Ouro. Nesse dia são interrogados no Porto 30 sacerdotes. É afastado da dioceses por decisão do Conselho de Ministros e desterrado em Cernache do Bonjardim, em 8 de março. Mandara distribuir na diocese a pastoral coletiva dos bispos criticando a política do governo.

Dia 13 de março - Greve em Setúbal. Forte repressão policial de greve ocorrida em Setúbal. Mortos dois trabalhadores pela GNR. Como vai assinalar o periódico anarquista Terra Livre, uma semana depois, o 13 de Março é pois uma data que marca o divórcio da República com o proletariado.

Dia 14 de março - Decreto eleitoral. Para desespero dos monárquicos adesivos, nomeadamente dos dissidentes progressistas, não se mantem a lei eleitoral de 1884, como esperavam. Pelo contrário, a nova lei mantém o estilo proteccionista do poder governamental introduzido pela ignóbil porcaria de 1901. Nos círculos onde não aparecessem oposições não haveria acto eleitoral. Depois de vários protestos, entre os quais, o de Machado Santos, o governo determina que o ato eleitoral se realize em Lisboa. Afonso Costa submete-se a provas de concurso para professor da Escola Politécnica de Lisboa (de 14 de março a 6 de abril), sendo internamente substituído no ministério da justiça por Bernardino Machado.

Dia 15 de março - Carta de Pio X aos bispos portugueses, congratulando-se com a pastoral coletiva. Ambiente de conspiração. Conspira-se no Porto. Fala-se numa intervenção espanhola. Querem fazer uma barcelonada.Fervem os boatos. Guerra Junqueiro diz, sobre o provisórios: esta gente tem a habilidade de pôr toda a burguesia contra nós… à República falta idealismo e grandeza. Sobre a intervenção espanhola, Junqueiro observa que a Espanha não digere Portugal vivo; a Espanha só pode digerir o cadáver de Portugal.

Dia 17 de março - Proibição de cerimónias religiosas fora dos recintos dos templos sem autorização especial.

Dia 20 de março - Decretada uma greve geral.

Dia 22 de março - Criação das universidades do Porto e de Lisboa.

Dia 26 de março - Afonso Costa e a eliminação do catolicismo. Afonso Costa numa reunião da maçonaria, dizendo que o Estado é maior do que a Igreja e que esta contabilizou como católicos as crianças que nem falavam, os idiotas, os presos da Penitenciária, os doidos de Rilhafoles, os vadios, quantos por falta de domicílio, de posição ou de consciência não tinham tido intervenção no detalhe dos boletins. Afonso Costa, numa reunião do Grémio Lusitano, terá declarado, sobre o projeto de lei da separação, que está admiravelmente preparado o povo para receber essa lei; e a ação da medida será tão salutar que em duas gerações Portugal terá eliminado completamente o catolicismo, que foi a maior causa da desgraçada situação em que caiu … Saiba ao menos morrer quem viver não soube. Tal discurso foi anunciado pelo jornal O Dia.

Dia 29 de março – Reforma da instrução primária. Criadas as escolas normais primárias. Determina-se, contudo, que será proibido o exercício do magistério primário particular aos cidadãos que ensinarem doutrinas contrárias à s leis do Estado, à liberdade dos cidadãos e à moral social. Carta dos bispos a Afonso Costa protestando e exprimindo mágoa pelos acontecimentos recentes.

Dia 1 de abril – Bernardino tenta desculpar Costa. Em 1 de abril, Bernardino Machado diz que Costa falou como simples particular e não como ministro. Costa, em conferência de 11 de abril tenta acalmar a primeira impressão deixada.

Dia 2 de abril – Banco de Portugal. Inocêncio Camacho Rodrigues, secretário-geral do ministério das finanças e irmão de Brito Camacho, é nomeado governador do Banco de Portugal em 2 de abril de 1911. Manter-se-á em tal posto até 30 de junho de 1936, apesar do escândalo Alves dos Reis em que foi ludibriado.

Dia 11 de abril - Conselho Superior da Administração Financeira do Estado. Decreto de 11 de abril cria o Conselho Superior da Administração Financeira do Estado. Transformado em Conselho Superior de Finanças em 8 de maio de 1919.

Dia 18 de abril - Ensino do direito. Criada uma comissão para a reorganização do ensino do direito, composta por Álvaro Vilela, Marnoco e Sousa e José Alberto dos Reis. Dela surgirá o regulamento de 21 de agosto de 1911. Destituição do Bispo de Beja.

Dia 19 de abril -Decretada a Constituição Universitária. Atribuída à Universidade de Lisboa uma Faculdade de Ciências Económicas e Políticas, depois dita Faculdade de Estudos Sociais e Direito (1913) e Faculdade de Direito (1917).

Dia 20 de abril – Lei da Separação do Estado das Igrejas. Os respetivos defensores chamar-lhe-ão lei intangível, os adversários, lei celerada. Magalhães Lima chama-lhe lei basilar da República. O decreto foi inspirado pela legislação republicana francesa (1905) e brasileira. Mais moderada que a lei mexicana. Abrange pela primeira vez o clero secular, ao contrário da legislação anticlerical da monarquia liberal. O Estado deixa de subsidiar o culto católico. São extintas as côngruas. Criadas associações cultuais, de que os párocos são excluídos. Nacionalizadas as propriedades eclesiásticas. Atribuídas as clérigos pensões vitalícias anuais. Proibição do uso público de vestuário eclesiástico aos padres portugueses (os inglesinhos continuaram a usar as respetivas vestes). Estabelecido o beneplácito para os documentos emitidos por Roma e pelos bispos. A maioria dos padres mantém-se fiel à hierarquia episcopal. Em 7 de agosto, só 217 deles tinha aceite pensões do Estado (cerca de 20%). Este diploma vai levar ao rompimento das relações com a Santa Sé.

Dia 20 de abril - Diploma eleitoral. Divisão dos círculos eleitorais.

Dia 25 de abril – Protestos contra a Lei da Separação. Reunião dos párocos de Lisboa contra a Lei da Separação. Reunião dos padres de Évora em 28 de abril. Protesto coletivo dos bispos em 22 de maio, considerando que a mesma reflete injustiça, opressão, expoliação, ludíbrio. Discurso de Afonso Costa sobre a religião. Polémico discurso pronunciado por Afonso Costa no Porto. Segundo os respetivos adversários, o ministro da justiça terá considerado que as religiões estão condenadas ao desaparecimento. Regressa a Lisboa no dia seguinte e é alvo de manifestações de hostilidade. Segundo os mesmos opositores, Afonso Costa, já em 24 de abril, em Braga, fizera discurso confirmando o de 26 de março, declarando que o catolicismo acabaria em duas ou três gerações. Oliveira Marques considera que se trata de atoarda que o próprio Afonso Costa desmentiu num discurso pronunciado no parlamento em 10 de março de 1914.

Dia 27 de abril - Reorganizado o Conselho Superior de Instrução Pública.

Dia 28 de abril – Marcadas as eleições para o dia 28 de maio. Em abril, tumultos em Carrazeda contra o registo civil e entre os estudantes no Porto. Manifestações em Lisboa de operários sem trabalho.. Populares da Freixianda apredejam propagandistas eleitorais.

Maio - Magalhães Lima proclama em princípios de maio que dentro de alguns anos não haverá quem queira ser padre em Portugal: os seminários ficarão desertos. Diplomas sobre a reforma do ministério das finanças e o aumento dos vencimentos dos funcionários públicos em maio.

Dia 3 de maio - Criada a Guarda Nacional Republicana, alargada a todo o país, com cerca de cinco mil efetivos. Em 1919 o quadro é alargado para 19 000 homens.

Dia 5 de maio - Protesto coletivo do episcopado. Protesto coletivo do episcopado português contra a Lei da Separação.Dia 9 de maio - Criação de Faculdades de Letras. Criadas as Faculdades de Letras de Coimbra (sucede à Faculdade de Teologia) e de Lisboa (sucede ao Curso Superior de Letras) em 9 de maio.

Dia 9 de maio - Criadas as Faculdades de Letras de Coimbra (sucede à Faculdade de Teologia) e de Lisboa (sucede ao Curso Superior de Letras) em 9 de maio.

Dia 10 de maio – Diretório afasta a candidatura de adesivos. Diretório do partido republicano, em 10 de maio, anuncia que só patrocina candidaturas históricas, negando a entrada a adesivos.

Dia 12 de maio – Criadas as Faculdades de Ciências em 12 de maio.

Dia 16 de maio - Criada uma repartição de Turismo no ministério do fomento (16 de maio).

Dia 18 de maio – Nomeada a Comissão Central de Execução da Lei da Separação. Regulamentada em 22 de agosto de 1911.

Dia 21 de maio – Escolas Normais Superiores. Em 21 de maio, junto das Faculdades de Letras, são criadas Escolas Normais Superiores. Contra o jacobinismo postiço Machado Santos em O Intransigente de 21 de maio considera que o jacobinismo que existe é todo postiço e em sujeitos de colarinhos engomados e gravatas de luxo.

Dia 22 de maio - Criação do escudo. Reforma da moeda. Escudo equivalente a 1 000 réis. Reforma tarda em aplicar-se. Só por lei de 21 de junho de 1913 se torna obrigatória a indicação dos escudos na contabilidade pública e nas relações entre particulares e o Estado.

Dia 23 de maio – Doença de Afonso Costa. Afonso Costa acometido de doença grave. Carbonários armados velam à s esquinas das ruas. Só reassume as funções de ministro em 26 de julho seguinte. É substituído interinamente por Bernardino Machado que corrige alguns aspetos da aplicação da Lei da Separação, nomeadamente quando permite aos párocos voto consultivo na administração da paróquia e permite as romarias do Norte. Em 25 de julho chega mesmo a convidar o clero a pronunciar-se sobre a Lei da Separação. Anula também a decisão de transferência para Goa e Luanda dos juízes que despronunciaram João Franco.

Dia 24 de maio – Carta de Pio X. Encíclica de Pio X de 24 de maio Jandudum in Lusitania fala em ódio à Igreja em Portugal e em famílias acossadas.

Dia 23 de maio - Instituto Superior Técnico e Instituto Superior do Comércio. Criados, a partir do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, o Instituto Superior Técnico e o Instituto Superior de Comércio.

Dia 25 de maio – Decreto sobre a assistência pública. Criado um fundo para apoio a indigentes e evitar a mendicidade. Decreto sobre a reorganização do exército. Terá sido inspirado por Pereira Bastos. Quer identificar o exército com a nação armada de maneira a que deixe de ser uma casta à parte. Contra os chamados exércitos permanentes. Tenta-se o modelo suíço, com serviço universal e obrigatório de 15 a 30 semanas e treinos anuais de duas semanas durante dez anos. Visa-se que este seja uma continuação da instrução primária. Criação de oficiais milicianos. O diploma não se aplica.

Dia 26 de maio – Reforma do ministério dos negócios estrangeiros. Os chefes de missão, também ditos enviados extraordinários e ministros plenipotenciários, são equiparados a diretores-gerais.

Dia 27 de maio – Padarias, liberdade de comércio. Decreto sobre a liberdade de venda e fabrico de pão em 27 de maio. Segundo a lei de 1893 existia em Lisboa um limite máximo de 250 padarias que viviam em regime de monopólio de facto, pela Companhia de Panificação. Estabelecidos três tipos de pão. Anunciando-se uma incursão monárquica, são criados os voluntários da República, enquadrados pela Maçonaria e pela Carbonária. Surgem batalhãoes em Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro, Chaves, Mirandela e Santarém. Cada batalhão é comandado por um oficial do exército, sendo-lhes distribuídas armas. Serão a base da chamada formiga branca, dos defensores da República e do grupo dos treze, milícias afetas ao partido democrático. Neste ambiente, o chefe carbonário Luz de Almeida leva 5 000 homens para catequitização do Norte. Sampaio Bruno, Basílio Teles e Machado Santos tentam criar uma Aliança Nacional para eleger homens honrados capazes de pôr fim ao domínio dos provisórios, defendendo uma república ampla e aberta a todos os portugueses com cérebro e coração de portugueses, mas não aos serventuários impudentes da Monarquia. Espancamento de Basílio Teles no Porto. Basílio Teles é espancado e apedrejado nas ruas do Porto por ter criticado a obra do governo provisório. É então adepto do modelo de ditadura revolucionária, defendendo a restauração da pena de morte, a suspensão das garantias por tempo indeterminado e o encerramento dos estabelecimentos de ensino até à sua restruturação republicana.

Dia 28 de maio - Eleições para a Constituinte. Eleições em 28 de maio para as cortes ordinárias e constituintes.

Dia 30 de maio - Abaixo a ditadura dos provisórios! Machado Santos pede o fim da ditadura dos provisórios e a demissão do diretório, em 30 de maio.

Prisões políticas: 106 prisões políticas durante o mês de maio. 37 padres presos pelos carbonários.

Junho – Associação de trabalhadores rurais. Esboça-se a constituição em Évora de uma Associação de Classe dos Trabalhadores Rurais durante o mês de junho.

Dia 6 de junho - Contra a existência de um Presidente e de um Senado. Machado Santos, na Sociedade de Educação Popular de Alcântara, com apoio da assembleia, insurge-se contra a existência de um Presidente da República e de um Senado, considerando que a presidência era uma ideia dos adesivos.

Dia 11 de junho – António José de Almeida promove festa a Manuel de Arriaga no Coliseu.

Dia 14 de junho - Silva assume o controlo dos correios e telégrafos. António Maria da Silva é nomeado administrador geral dos correios e telégrafos.

Dia 15 de junho – Reúne a Junta Preparatória da Assembleia Nacional Constituinte.

Dia 19 de junho – Primeira reunião da Assembleia Nacional Constituinte. Confirma as funções do governo provisório. Decretada a abolição da monarquia. Banimento dos Braganças. Nova bandeira e novo hino.

Dia 20 de junho – Anselmo Braamcamp Freire eleito presidente da Constituinte.

Dia 21 de junho – Relatório do governo provisório.

Dia 23 de junho – Eleita comissão para apresentar projeto de Constituição, formada por João Duarte de Meneses, José Barbosa, José de Castro, Francisco Correia de Lemos e Magalhães Lima, o relator. Esta comissão apresenta projeto presidencialista que é rejeitado (3 de julho). A discussão começa a 6 de julho. Defesa de tribunal especial. Álvaro de Castro propõe a constituição de um tribunal especial para julgar os conspiradores e outros delinquentes políticos.

Dia 26 de junho – Viva o azul e branco e abaixo a Lei da Separação. O deputado Eduardo de Abreu defende a bandeira azul e branca e a revisão da Lei da Separação.

Dia 28 de junho – Almeida acusado de falta de zelo republicano. O deputado Alfredo Magalhães denuncia o avolumar da conspiração monárquica na Galiza, culpando a política de atração de António José de Almeida que, então, considera os exilados em causa como um bando de farsantes sem vergonha. Os jovens turcos também se insurgem contra a falta de zelo republicano do ministro do interior. Mobilização dos reservistas. Ministério da guerra mobiliza 10 000 reservistas e incentiva carbonários a formarem batalhões civis de apoio à s tropas destacadas na província.

Prisões políticas: 120 prisões políticas durante o mês de junho. 32 padres são presos pelos carbonários.

Cerco ao bispo da Guarda: Paço episcopal da Guarda é cercado pela polícia e pela carbonária durante 13 dias, sequestrando-se D. Manuel Vieira Matos.

Julho – Falange Demagógica assalta a Sala dos Capelos em Coimbra. Ramalho Ortigão contra o regime republicano. Ramalho Ortigão, em julho, critica o regime: pretender equiparar o espírito revolucionário da Rotunda com o espírito revolucionário da Revolução Francesa é incorrer perante a sociologia e perante a história em tão imbecil equívoco como seria em zoologia o de confundir uma lombriga com uma cobra cascavel. No dia 5 de outubro, em Portugal, não havia opressão e não havia fome… Os famosos princípio da Revolução Francesa, leit-motiv de toda a cantata revolucionária de outubro último, são, precisamente, os que vigoram em toda a política portuguesa, desde o advento da revolução liberal de 34 até aos nossos dias. 118 prisões políticas durante o mês de julho. 22 padres são presos pelos carbonários.

Dia 1 de julho - Entra em vigor a Lei da Separação.

Dia 6 de julho – Machado Santos promovido a capitão de mar e guerra, por votação da Constituinte de 6 de julho. Comícios de homnagem ao fundador nos dias 7 e 12. No dia 15 é-lhe oferecido um jantar. Parecia uma espécie de Mestre de Avis da República

Dia 23 de julho – Greve dos trabalhadores rurais em Elvas; Barbacena é ocupada por uma força de cavalaria. Greves dos corticeiros e conserveiros de Setúbal. Dos têxteis no Porto e em Braga. Machado Santos contra Bernardino/ Costa. Machado Santos, em O Intransigente de 23 de julho considera que a presidência do Sr. Bernardino Machado com um gabinete de Afonso Costa seria a guerra civil no País.

Dia 24 de julho – Federalistas contra os unitários. Discussão sobre os artigos 1º e 2º do projeto de Constituição. Grupo federalista, defensor do modelo suíço, representado por Teófilo Braga, Maia Pinto, Fernando Botto Machado e Alves da Veiga é derrotado pelo grupo defensor do Estado Unitário, liderado pelos professores de direito Barbosa de Magalhães e Joaquim Pedro Martins, apoiados por António Maria da Silva.

Dia 29 de julho – Morte de Azedo Gneco.

Agosto – Nova greve dos rurais em Elvas no mês de agosto.

Dia 2 de agosto – Manifestação em São Bento da Assembleia Popular de Vigilância Social em defesa de um sistema unicamaral, cercando a Constituinte, vaiando ministros e ameaçando invadir o palácio. Vaiados Brito Camacho e Machado Santos. Aplaudidos Afonso Costa e Bernardino Machado. Intervenção da GNR e batalha campal. 56 presos. Os radicais são acusados por O Mundo de arrastados por agitadores monárquicos. Segundo a observação de Carlos Malheiro Dias, os burgueses do partido roubam a plebe aos que fizeram o 5 de outubro.

Dia 3 de agosto – Constituinte vota a criação do Senado em 3 de agosto e da presidência no dia 4. Maioria de moderados contra os radicais.

Dia 16 de agosto – Esboçam-se as candidaturas de Bernardino Machado e de Manuel de Arriaga para a presidência. Entrevista a O Século de Bernardino Machado.

Dia 17 de agosto – Em entrevista a O Século, Manuel de Arriaga considera que o novo presidente não deve manter em funções os atuais ministros.

Dia 20 de agosto – Governo cede o seminário da Guarda à câmara municipal.

Dia 21 de agosto – Publicação da Constituição.

Dia 23 de agosto - Autonomização do ministério das colónias relativamente ao ministério da marinha.

Dia 25 de agosto – Eleição de Manuel Arriaga como presidente da República. Tem 121 votos contra 86 de Bernardino Machado, 4 para Duarte Leite e 1 para Magalhães Lima e Alves da Veiga. O Mundo considera o bloco como uma coligação de ódios. Chagas tinha confidenciado a Ladislau Parreira: uma República que devia ser viril e que resulta senil. João Chagas, em Paris desde abril de 1911, corresponde-se então com os constituintes José Carlos da Maia e A. Ladislau Parreira. Maia chegou a tentar candidatar Chagas à presidência, contando com o apoio de Machado Santos. Depois de falhar a hipótese de Chagas, Maia tentou lançar o nome de José Relvas também frustradamente. Considerava então que era possível mobilizar os camachistas, mas nunca António José de Almeida, comprometido com Arriaga. Maia revela particular azedume contra Afonso Costa, França Borges e Bernardino Machado.

Dia 25 de agosto – Eleição do Senado. De acordo com a Constituição, os deputados elegem entre eles os senadores (71), constituindo-se assim a segunda câmara. I Congresso dos Trabalhadores Rurais em Évora, secretariado por Carlos Rates (25 e 26 de agosto).

Dia 27 de agosto – Lançado o manifesto da revista A Águia do Porto por Teixeira de Pascoaes.

Dia 29 de agosto – Grupo parlamentar democrático. Constituído em 29 de agosto o Grupo Parlamentar Democrático, liderado por Afonso Costa, que os adversários logo alcunham de grupo dramático. O respetivo programa será publicado em 4 de setembro. São mobilizados 57 dos 152 deputados e 22 dos 71 novos senadores.

Dia 30 de agosto – Convite a João Chagas. Manuel Arriaga convida João Chagas, até então ministro de Portugal em Paris, para formar governo.

Prisões políticas: 138 prisões políticas durante o mês de agosto.

Setembro – Preparativos para a formação do governo. Arriaga depois de procurar um governo de concentração com Duarte Leite, que não conseguiu convencer Almeida, Camacho e Costa, tenta a via extrapartidária, com João Chagas. Escreve-lhe uma carta, mandando como portador Eduardo de Abreu.

Dia 3 de setembro - Constituído o governo de João Chagas. Sobre Chagas, Alfredo Mesquita, João Chagas, Lisboa, Parceria António Maria Pereira, 1930; Afonso Bourbon e Meneses, O Diário de João Chagas. A Obra e o Homem, Lisboa, J. Rodrigues & Cª, 1930; Diário de João Chagas, Lisboa, Parceria António Maria Pereira, 1929-1932. Sobre este período governamental, ver, de João Chagas, A Última Crise, Porto, 1915. Arriaga impõe na guerra Pimenta de Castro, o mais antigo dos generais portugueses que era comandante militar do Norte. A maioria dos ministros é camachista, à exceção do ministro das colónias.

Dia 4 de setembro –  Apresentação parlamentar do governo de João Chagas. Apoioentusiástico de Brito Camacho. Apoio frouxo de António José de Almeida. Bernardino Machado no Senado critica o bloco e os governos extrapartidários. Porque estes não podem fazer obra de união. São governos fatalmente de perturbação, ou, pelo menos de inação. Quanto ao bloco, diz que este no dia seguinte ao da eleição … deveria ter-se desfeito para não criar dificuldades, se não mesmo perigos, à República e ao País.

Dia 7 de setembro - Grupo parlamentar democrático declara-se em oposição ao governo.

Dia 11 de setembro - Política externa. Representantes diplomáticos da Inglaterra, Alemanha, Espanha, Itália e Áustria declaram a continuação das relações com o novo regime.

 Dia 19 de setembro - Conspiração descoberta. Presos 40 suspeitos de uma conspiração dita contra-revolucionária. Jornal O Mundo pede castigos exemplares.

Dia 23 de setembro - Por falta de azeite, autorizada a importação do produto.

Dia 29 de setembro - Tentativa de insurreição monárquica no Porto, a conspiração do Palácio de Cristal.

Prisões políticas: 40 prisões políticas durante o mês de setembro.

Dia 1 de outubro - Assaltados no Porto o seminário e o paço episcopal, sendo encerrada a Associação Católica. Incendiada a sede do Círculo Católico Operário na mesma cidade. Afonso Costa inaugura em Lisboa o primeiro Centro Republicano Democrático.

Dia 2 de outubro - Incendiada a sede da Associação Católica de Braga.

Dia 3 de outubro - Juiz de instrução criminal Costa Santos é encarregado de proceder à investigação dos crimes políticos.

Dia 5 de outubro - De 1 a 5 de Outubro de 1911 deu-se a primeira incursão monárquica de Paiva Couceiro, por Bragança (Soutelinho). Pimenta de Castro não mobiliza tropas para o Norte, sendo criticado por Sidónio e Duarte Leite que se encontravam no Porto. Castro chama aos dois colegas napoleõezinhos loucos. Couceiro chegara à Galiza em Março de 1911 e encontrou uma organização aí montada, desde Janeiro, pelo jesuíta padre Gonzaga Cabral e, depois, pelo capitão Jorge Camacho. Havia uma forte divisão entre os antigos rotativos e novos monárquicos. Do programa da conspiração não constava incialmente a restauração, mas o fim do despotismo dos provisórios e umademocratização progressiva, culminando num plebiscito sobre a forma do regime. Adopta-se mesmo uma bandeira azul e branca sem as armas reais. Na invasão utiliza mil homens, mas apenas um quarto deles está armada.

Dia 7 de outubro - Presos monárquicos do Norte chegam a Lisboa, à estação de Campolide, e organiza-se uma forca caudina, apoiada pelo Mundode França Borges e criticada pelo Intransigente de Machado Santos.

Dia 8 de outubro - Substituição do ministro da guerra. Pimenta de Castro é substituído pelo tenente-coronel Silveira que, apesar de camachista, consegue estabelecer uma aliança com o grupo dos jovens turcos, ligado aos democráticos.

Dia 10 de outubro - Imagens das igrejas de Almada são arrastadas pelas ruas. Greve dos trabalhadores rurais em Castelo de Vide. Tumultos em Coruche e em Sesimbra.

Dia 16 de outubro - Reunião extraordinária do Congresso da República sobre o julgamento dos couceiristas. Afonso Costa defende uma política de intransigência. Chagas acusa-o de dividir os republicanos, mas Afonso Costa é aclamado nas ruas.

Dia 17 de outubro - Governo solicita suspensão das garantias constitucionais. Aprovada a constituição de um tribunal especial, o chamado Tribunal das Trinas. Afonso Costa propõe medidas mais duras. João Chagas observa  que isto não tem precedentes nem nos tempos da monarquia. Os democráticos abandonam o parlamento, sem sinal de protesto. Grandes manifestações em Lisboa de apoio a Afonso Costa.

Dia 19 de outubro - Carbonários promovem manifestação de protesto contra os jornais do Bloco, isto é, contra a República, A Luta e o Intransigente.

Dia 20 de outubro - Núncio apostólico, Júlio Tronti, abandona Lisboa. António José de Almeida é vaiado e sovado no Rossio por afonsistas.Tinha-se declarado independente do Partido Republicano em nota publicada em A República.

Dia 22 de outubro - Brasil e Argentina reconhecem oficialmente a República.

Dia 23 de outubro - Publicada a lei especial sobre o julgamento dos crimes de conspiração.

Dia 17 de outubro - Entre 27 e 30 de outubro de  1911, Congresso do PRP no Coliseu da Rua da Palma, o chamado congresso do Circo dos cavalinhos. António José de Almeida e Brito Camacho abandonam a reunião. A reunião, iniciada com 600 delegados, acaba apenas com 280. Eleito diretório afeto a Afonso Costa. O partido passa a ser conhecido por Partido Democrático, embora Afonso Costa, para simular a unidade do PRP, tenha decidido dissolver o grupo parlamentar com esse nome. Parte dos deputados do bloco passa-se para os democráticos.

Prisões Políticas: Em outubro, 500 presos políticos.

Dia 1 de novembro – Escaramuças entre militares. Escaramuças entre soldados de artilharia e infantaria em Chaves. Reaparece o jornal monárquico O Dia.

Dia 3 de novembro – Camacho reconhece ser impossível a unidade republicana. Camacho em A Luta, reconhece ser impossível restabelecer-se a unidade do Partido Republicano.

Dia 4 de novembro - Rebelião no Sul de Angola.

Dia 6 de novembro – Manifestações contra António José de Almeida. António José de Almeida e Afonso Costa vão de comboio ao Porto em propaganda. Na chegada ao Porto, Almeida é insultado e Costa aplaudido. Repete-se a cena no regresso a Lisboa, no dia 6 de novembro. Manifestantes gritam vários morras e Almeida, em charrette, tem de sacar da pistola para se defender. Costa vai de automóvel e é ovacionado. Como salienta Vasco Pulido Valente a chegada ao Rossio juntou num único dia o 4 de maio de Hintze Ribeiro e o 18 de junho de João Franco.

Dia 7 de novembro – Posse do novo diretório. Como reação Camacho e Almeida, sob a égide de Aresta Branco, decidem criar uma União Nacional Republicana. Almeida pede a demissão de Chagas. António José de Almeida em artigo publicado em A República de 7 de novembro retira apoio ao governo de João Chagas: o governo está em crise total? Não se sabe. No entanto não vemos razão para que o governo abandone o poder. Um só homem tem que sair e deve sair. É o sr. João Chagas. A pasta do interior tem de ser confiada a um homem de critério, mas a quem não faleça o pulso. Ou entramos na ordem, ou este pede imediatamente demissão a Manuel Arriaga.

Dia 9 de novembro – Reconhecimento internacional da República. Representantes da Inglaterra, França, Espanha e Itália são oficialmente recebidos pelo ministro dos estrangeiros.

Dia 11 de fevereiro – Congresso anarquista. Nos dias 11, 12 e 13 de novembro, reunião em Lisboa de um congresso anarquista. Manuel Joaquim de Sousa apresenta tese sobre a juventude. Daqui surgem as Juventudes Sindicalistas.

Dia 12 de novembro – O governo de Augusto Vasconcelos, reúne três democráticos e quatro homens do bloco, dos quais, apenas um é almeidista. Considerado um governo de concentração. Curiosamente, o gabinete reúne três médicos, um dos quais o próprio presidente. Durará cerca de 7 meses. Aliança contranatura. Vasconcelos, politicamente próximo de Brito Camacho, era amigo pessoal de Afonso Costa. Acusado por João Chagas de ser alguém que fazia recados a toda a gente. O governo assume-se como uma aliança contranatura. Aproximação entre Afonso Costa e Brito Camacho. Vivia-se nova ilusão de aproximar Costa de Camacho. O que vai levar António José de Almeida a romper a projetada União Nacional Republicana, logo em janeiro de 1912.

Dia 16 de novembro – Apresentação parlamentar.

Dia 24 de novembro – Carbonários contra o governo. Manifestação de carbonários em Lisboa apoia diretório do PRP contra o governo.

Dia 25 de novembro - Bispo da Guarda. D. Manuel Vieira Matos, bispo da Guarda é entregue ao poder judicial, acusado de desrespeitar a Lei da Separação.

Dia 26 de novembro – A questão das curandeiras chinesas. Tumultos em Lisboa por causa da proibição da atividade de duas curandeiras chinesas, oftalmologistas que tiravam vermes dos olhos, no dia 25 de novembro. O Século noticiara o assunto em 20 de novembro. A agitação é manipulada pela Federação Radical pelo jornal Alvorada, então dirigido pelo advogado Mário Monteiro, um dos discursadores do comício de protesto do dia 26, no Rossio, contra a ordem do governador civil para detenção das chinesas. 18 mortos e 200 feridos. Machado Santos esteve quase para ser linchado.

Prisões políticas: 41 prisões políticas durante o mês de novembro.

Dezembro - Projeto sobre acidentes de trabalho. Apresentado no parlamento projeto sobre acidentes de trabalho (ministro Estêvão de Vasconcelos).

Dia 5 de dezembro - Pastoral do episcopado contra Macieira. Pastoral do episcopado critica o ministro da justiça, o democrático António Macieira, em defesa do bispo de Guarda.

Dia 14 de dezembro - Conflitos dentro do governo e dentro dos democráticos. Bernardino Machado é atacado por A Luta. Afonso Costa permitia contactos entre o grupo da Jovem Turquia e o grupo camachista, feitos entre Álvaro de Castro e José Barbosa. Críticas de O Mundo a Bernardino. O jornal República anuncia o suicídio político dos democráticos em 14 de dezembro.

Dia 23 de dezembro - João Arroio é exonerado de professor da universidade.

Dia 28 de dezembro - Patriarca de Lisboa desterrado. D. António Mendes Belo é desterrado da diocese de Lisboa, por dois anos.

Dia 29 de dezembro - Tribunal das Trinas. Reúne, no convento das Trinas o tribunal especial contra os conspiradores monárquicos. Afonso Costa vai para a Suiça, a fim de tratar-se. Só regressa em 18 de março.

Presos políticos: No final do ano já há sete centenas de presos políticos. De agosto de 1911 a julho de 1912 serão 2 383 os presos políticos. 20 prisões políticas durante o mês de dezembro.

1912

Dia 1 de janeiro - Manifestação dos católicos. Manifestação de protesto contra o governo junto ao Patriarcado de Lisboa (S. Vicente de Fora).

Dia 14 de janeiro - Desterro dos bispos de Coimbra e Viseu. Manifestação anticlerical em Lisboa promovida pela Associação do Registo Civil com bandeiras onde podia ler-se Sem Deus nem Religião. Uma delgação dos manifestantes, dirigida por Magalhães Lima, é recebida por Augusto de Vasconcelos: o Papa de Roma é apenas o chefe do sindicato católico universal e não pode ser considerado como um soberano.

Dia 20 de janeiro - Bernardino nomeado para ministro no Rio de Janeiro

Dia 25 de janeiro - Demissão de Freitas Ribeiro. Nota oficiosa do governo revela conflito entre o ministro das colónias Freitas Ribeiro e os restantes membros do gabinete a propósito da questão da Companhia de Ambaca. Ministro queria liquidar dívidas da companhia ao Estado. Freitas Ribeiro abandona o governo, sendo substituído pelo tenente-coronel Cerveira de Albuquerque. O caso for a levantado no parlamento pelos almeidistas.

Dia 26 de janeiro - Bernardino Machado na Sociedade de Geografia de Lisboa. Bernardino Machado toma posse do cargo de presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa. Apenas parte para o Rio de Janeiro em junho, chegando ao Rio no dia 11 de julho.

Dia 28 de janeiro - Greves. De 28 a 30 de janeiro, greves em Lisboa de solidariedade com as greves de rurais no Alentejo, promovidas pela União dos Sindicatos Operários que propõe uma greve geral. Era a primeira em regime republicanos. Em Évora a GNR ataca o sindicato e em Lisboa é assaltada a casa sindical por forças policiais. Elétricos de Lisboa que furam a greve são atacados à bomba no dia 29.

Dia 30 de janeiro - Estado de sítio de 30 de janeiro a 12 de fevereiro. Declarado o estado de sítio na capital. Dura até 12 de fevereiro. Estabelecido também o regime de censura à imprensa. Novas prisões de sindicalistas e monárquicos, entre os quais o ex-ministro José de Azevedo Castelo Branco. O radical Mário Monteiro era advogado dos conspiradores monárquicos no Tribunal das Trinas. Vasconcelos confessa que utilizou o pretexto de greve geral para fazer uma limpeza nos bombistas. Manda deslocar para Lisboa tropas estacionadas em Abrantes.

Dia 31 de janeiro - Assalto à Casa Sindical. Militares e carbonários assaltam a sede da União de Sindicatos, a chamada casa sindical, sita no Palácio Pombal, à Rua do Século, à uma hora da noite do dia 31 de janeiro.

Prisões: Presas 700 pessoas, são conduzidas de barco para Sacavém, Monsanto e Alto do Duque. Censurados os jornais monárquicos. No parlamento, a ação do governo é apoiada por Brito Camacho, António Maria da Silva e José de Abreu. Contudo, é rejeitado o adiamento do parlamento por 92-60.

Prisões políticas:
716 prisões políticas durante o mês de janeiro.

Limpeza de bombistas: Em carta dirigida a João Chagas, Vasconcelos reconhece que a greve geral deu-me horas de incerteza e de inquietação, mas foi boa porque permitiu realizar uma limpeza que doutra forma não se realizaria. Tirámos setecentas e tantas bombas a essa Cambada da Carbonária que ficou quase completamente desarmada. E agora se se fizerem finos, tareia para cima…

Fevereiro - O Mundo critica o governo. São criticadas as medidas de exceção do governo em O Mundo que, desta forma, se alia ás posições de Machado Santos, contra a tática da aproximação dos democráticos com os camachistas, através dos jovens turcos. Falha o plano de Vasconcelos no sentido da destruição da ação dos carbonários.

Dia 5 de fevereiro – Afonso Costa é nomeado professor ordinário da Faculdade de Ciências de Lisboa.

Dia 8 de fevereiro – Fim do regime de estado de sítio. Termina o regime de censura.

Dia 12 de fevereiro – Desterro de bispos. Bispos de Braga, Portalegre e Lamego são desterrados por dois anos.

Dia 17 de fevereiro – Em A República, António José de Almeida considera a União Nacional Republicana mera aliança parlamentar.

Dia 20 de fevereiro – Código de Registo Civil.

Dia 22 de fevereiro - Aparece o Imparcial. Surge em Coimbra o Imparcial, semanário de estudantes católicos, com Francisco Veloso, Gonçalves Cerejeira e Carneiro de Mesquita.

Dia 24 de fevereiro – António José de Almeida anuncia a formação de um Partido Evolucionista.

Dia 26 de fevereiro – Anúncio do partido unionista. Camacho anuncia a criação do partido da União Republicana, constituído definitivamente em 27 de março.

Prisões políticas: 16 durante o mês de fevereiro.

Março - A bomba explosiva. Publicado pela Imprensa Nacional, o livro A Bomba Explosiva, da autoria do anarquista José Nunes.

Dia 5 de março - Proposta de amnistia. António José de Almeida apresenta uma proposta de amnistia para os conspiradores monárquicos. Oposição imediata dos democráticos, através de Alexandre Braga que apresentam moção, aprovada por 63-26

Dia 11 de março - Arguidos de crimes políticos passam a ser julgados em tribunais comuns.

Dia 15 de março - Augusto de Vasconcelos na Câmara dos Deputados comunica não haver tratado algum anglo-germânico sobre a partilha das nossas colónias. Em dezembro de 1911, o jornal socialista francês L’Humanité denunciara acordo, logo desmentido por Berlim.

Dia 16 de março - Bispo de Bragança desterrado por dois anos.

Dia 18 de março - Afonso Costa regressa a Lisboa da Suiça e é alvo em Lisboa de uma grandiosa manifestação de apoio. Exorta à constituição de um governo exclusivamente democrático.

Prisões políticas: 11 durante o mês de março.

Maio – Reativado o CADC.

Dia 24 de maio - Em maio e junho, greve da Carris em Lisboa (começa em 29 de maio e termina em 24 de junho).

Dia 4 de junho – O governo pede a demissão face aos ataques lançados sobre o ministro do interior Silvestre Falcão e a ameaça de uma greve geral. Ataques dos democráticos no Congresso ao ministro do interior unionista Silvestre Falcão. Manuel de Arriaga convida Basílio Teles através do governador civil do Porto, Sá Fernandes. Basílio recusa e aconselha que se forme um governo presidido por Afonso Costa. Governo de Vasconcelos demite-se em 4 de junho: julgo indispensável resolver a crise com a maior rapidez possível. Temos uma greve que ameaça tornar-se geral.

Dia 9 de junho - José Relvas em carta dirigida a João Chagas, teme o pastelão de todos os partidos, considerando: que sossego e confiança pode haver, quando nós verificamos que os homens inteligentes se conduzem como parvos? … o mal está na irredutibilidade da situação criada pelos próprios republicanos. Em carta de 31 de julho, dirigida a João Chagas, Vasconcelos confessa: tive um ministério péssimo, você bem o sabe. Não tinha senão um Ministro da Guerra a trabalhar bem e o da Marinha! A não fazer mal, porque … não há marinha. Dos outros, os melhores, Macieira e Sidónio, entenderam-se, um porque fez de mais, outro porque fez de menos. De modo que estive sete meses a trabalhar e a saltar por cima de complicações e de crises terríveis, dando a toda a gente a impressão que não fazia nada! Preparativos para a formação do governo. Arriaga consulta Camacho que propõe os nomes de Basílio Teles e de Duarte Leite. Almeida indica Alves da Veiga, Nunes da Ponte, Xavier Esteves, Aresta Branco e Pimenta de Castro. Independentes sugerem Aresta Branco. Numa primeira fase convida sucessivamente Augusto de Vasconcelos e Duarte Leite que desistem. Volta a convidar os dois e opta por Duarte Leite, depois de Vasconcelos desistir.

Dia 16 de junho - Governo de Duarte Leite. Constituído em 16 de junho, o novo governo reúne três democráticos (justiça, guerra e fomento), dois unionistas (interior e negócios estrangeiros) e dois evolucionistas (marinha e colónias). Era apenas o de Augusto de Vasconcelos … com uma maior representação almeidista (dois ministros), e os jovens turcos restituídos à sua preeminência no Ministério da Guerra. Segundo Machado Santos, estreou-se com a repressão da greve dos carros elétricos e terminou com um ataque de neurastenia do seu Presidente.

Dia 17 de junho - Apresentação parlamentar. Um programa mínimo, o primeiro da república.

Dia 18 de junho - Granjo em defesa da amnistia. Logo no dia 18 de junho, o evolucionista António Granjo defende a necessidade de uma amnistia. Resposta de Duarte Leite: a amnistia é um estímulo de incitamento contra a república.

Dia 24 de junho - Termina a greve dos elétricos. Termina a greve dos elétricos em 24 de junho. Durou 26 dias. Almeida defende a realização de eleições locais. António José de Almeida defendeu a necessidade de realização imediata de eleições locais, mas a maioria das câmaras municipais disse que não, invocando o facto do eleitorado ser adverso à república ou dominado pelo clero. O ministro da guerra continuava a ser apoiado pelo jovens turcos.

Dia 30 de junho - Oposição dos evolucionistas às propostas financeiras de Afonso Costa. Sessão parlamentar agitadas com bater de carteiras. Algumas ficam partidas, dada a violência dos protestos. Lei orçamental para 1912-1913.

Prisões políticas: 274 durante o mês de junho.

Julho – Francisco Lázaro. Em julho, participação portuguesa nas Olimpíadas de Estocolmo. Morte do maratonista Francisco Lázaro, por insolação.

Dia 3 de julho - Segunda incursão monárquica. A segunda incursão de Paiva Couceiro, agora ajudado pelo legitimista D. João de Almeida (Lavradio), antigo oficial austríaco. Os invasores estão melhor armados e adotam um claro programa de restauração monárquica. Juntam no mesmo esforço os manuelistas e os miguelistas. Há 700 monárquicos em armas no Norte. Tentativa de assalto a Valença do Minho. Ataque a Vila Frade. Ataque de Paiva Couceiro a Chaves.

Dia 6 de julho - Levantamentos monárquicos no interior. A incursão é acompanhada por sublevações monárquicas em Azoia, Leiria, Batalha e Fafe. Surgem as guerrilhas monárquicas do Padre domingos em Cabeceiras de Basto.

Dia 8 de julho - Os defensores de Chaves. Ataque de Paiva Couceiro a Chaves. Derrotado no dia 9, quando é preso D. João de Almeida, Lavradio. Tribunais militares especiais. Nova lei prevê o julgamento dos crimes políticos voltam a ser feitos em tribunais militares.

Presos políticos: Cerca de 274 presos políticos em junho que, no mês seguinte aumentam para 612.

Dia 12 de julho - Apreensão de jornais. Novas regras sobre a apreensão de jornais subversivos.

Dia 13 de julho: Descoberta conjura monárquica em Évora, dirigida militarmente pelo major Montez.

Dia 16 de julho: Criados três tribunais militares em Braga, Coimbra e Lisboa, para julgamento dos conspiradores monárquicos.

Dia 20 de julho: Lei sobre a mendicidade e a repressão da vadiagem.

Dia 27 de julho: Condenação de D. João de Almeida. Tribunal marcial de Chaves condena D. João de Almeida a 6 anos de penitenciária e a 10 de degredo.

Dia 6 de agosto – Julgamento dos guerrilheiros de Cabeceiras de Basto. Começa o julgamento dos conspiradores de Cabeceiras de Basto, até novembro. Condenados 173 réus e julgados 122 à revelia.

Dia 8 de agosto – Fundação de Nova Lisboa. Norton de Matos funda no Huambo a cidade de Nova Lisboa.

Dia 25 agosto – Congresso dos rurais. Em 25 e 26 de agosto, I Congresso dos Trabalhadores Rurais.

Dia 17 de setembro - Reorganização dos serviços agrícolas. Esta reforma de Costa Ferreira não chega a entrar em vigor.

Dia 29 de setembro - A acção de Carlos Rates no Alentejo. Carlos Rates, em representação da embrionária CGT, desloca-se ao Alentejo em missão de propaganda e inquérito à vida associativa. Em entrevista ao jornal A Fronteira de Elvas, em 29 de Setembro, salienta que os ruaris desconhecem a questão social; que foram enganados pelos republicanos, os quais fizeram apenasuma revolução política sem fazerem uma revolução social…em vez da posse da terra prometida, responderam-lhes com balas e pranchadas; e que o caciquismo permanece como dantes, apenas mudou de nome.

Dia 10 de novembro: Afonso Costa apela à unidade republicana. Discurso de Afonso Costa em Santarém. Apela à unidade do partido republicano e clama pelo restabelecimento das nossas finanças.

Dezembro – Sai o primeiro número de Trabalhador Rural, órgão da Federação Nacional dos Trabalhadores Rurais.

Dia 2 de dezembro - Bloco elege Macedo Pinto. Uma coligação de unionistas e evolucionistas elege Macedo Pinto, evolucionista, como presidente da Câmara dos Deputados. Braamcamp Freire reeleito presidente do Senado. Questão do jogo no parlamento. Unionistas e evolucionistas defendem a respetiva regulamentação, enquanto os democráticos são favoráveis à repressão.

Dia 8 de dezembro – Granjo defende a extinção dos tribunais especiais. O evolucionista António Granjo propunha a extinção dos tribunais marciais que julgavam os conspiradores monárquicos. Arriaga propõe indulto aos bispos. Manuel Arriaga escreve a Duarte Leite propondo indulto aos bispos e a modificação no regime dos presos políticos. O chefe do governo recusa as sugestões. Reabertura do CADC. Em 8 de dezembro dava-se a reabertura solene do CADC, com discursos de Oliveira Salazar e Alberto Dinis da Fonseca.

Dia 21 de dezembro – Redução dos direitos aduaneiros. Lei de 21 de dezembro estabelece redução de direitos aduaneiros para produtos alimentares.

1913

Dia 6 de janeiro – O governo decidiu pedir a demissão depois da formal cisão do Partido Republicano, considerando Duarte Leite, perante a Câmara dos Deputados, que o governo devia ter base partidária e assentar numa maioria parlamentar. O governo formara-se porque nenhum grupo tinha maioria parlamentar e como já não subsistem as razões que influem para formar esse Ministério de concentração, supõe que a sua missão está cumprida. Arriaga convida António José de Almeida para formar governo. Tem apoio dos camachistas, mas não dos independentes que recusam a respetiva proposta de amnistia e acaba por desistir.

Dia 7 de janeiro – Os republicanos enterrando o país… Carta de Manuel Teixeira Gomes a João Chagas: vamos a ver se, depois dos monárquicos fazerem a República, os republicanos não enterram o País…

Dia 8 de janeiro – Jornal A Capital fala na política como a grande porca que alimenta muitos bacorozinhos.

Dia 9 de janeiro - Primeiro governo de Afonso Costa. Governo reúne democráticos e um membro do grupo dos independentes agrupados, António Maria da Silva, o único governante não formalmente filiado nos democráticos, contando com o apoio parlamentar dos unionistas. O apoio destes foi negociado, dentro dos democráticos, pelos jovens turcos, representados no governo por Álvaro de Castro e Pereira Bastos. Trata-se, com efeito, de uma espécie de coligação intrapartidária, até porque O Mundo criticava essa táctica de aproximação aos camachistas, criticando especialmente o ministro da justiça por fazer salamaleques aos conservadores. Oposição frontal dos evolucionistas. Alexandre Braga na Câmara dos Deputados proclama: fechou-se a era da instabilidade e da confusão. Durante este governo vai dar-se um retraimento do movimento sindical; os bispos decidem alinhar dentro das regras do jogo e combater o sistema por dentro; estrutura-se uma polícia política irregular, constituindo-se os batalhões de voluntários da república; os primeiros sinais de estabilidade levam também a uma aproximação com a gente de negócios e com os notáveis da província.

Dia 15 de janeiro - Apresentação do orçamento para 1913-1914, com um saldo negativo de 3 435 884$.

Dia 26 de janeiro – O racha-sindicalistas. Conferência de Afonso Costa no salão da Imprensa Nacional, sobre Catolicismo, Socialismo e Sindicalismo. Os sindicalistas passam a alcunhá-lo de racha sindicatos. Alexandre Vieira considera a conferência como uma ameaça de guerra à organização sindicalista portuguesa.

Dia 13 de fevereiro – Terra Livre. Sai o primeiro número da revista teórica anarquista Terra Livre. Entre os colaboradores, destaca-se Pinto Quartim. Proclama no primeiro editorial: a política deixará de estar monopolizada em poderes e passará a ser exercida directamente pelos indivíduos como uma das suas funções sociais. Deixa de ser poder e passa a ser função … Terra Livre quer pois dizer – terra de libertados e de libertários. A revista será proibida em julho seguinte. Polémica entre o grupo de Manuel Ribeiro e Carlos Rates, então defensores da tese de Sorel, e Emílio Costa.

Dia 15 de fevereiro – Lei de reforma da contribuição predial. Novo código em 5 de junho. Forte descontentamento dos proprietários rurais. Evolucionistas em defesa da amnistia. Moção evolucionista sobre a amnistia é derrotada por 65-28.

Dia 9 de março – I Congresso dos operários da metalurgia.

Dia 15 de março – Protesto colectivo dos bispos. Ofício coletivo dos bispos, dirigido a Manuel de Arriaga, protestando contra a Lei da Separação. Lei travão sobre a contenção de despesas. Greve das peixeiras de Lisboa e assalto à Juventude Católica.

Dia 30 de março – Manifestação de sindicalistas. Estavam então presos 113 operários sindicalistas. Protestam contra o facto do governo os ligar aos conservadores.

Dia 5 de abril - II Congresso Nacional dos Trabalhadores Rurais em Évora nos dias 5, 6 e 7 de abril. Curiosa a intervenção de Lucinda Tavares em defesa da educação operária: educar é revolucionar, porque onde há instrução, a luta é mais intensa. Do mesmo modo assume a luta de classes: um facto da natureza, os trabalhadores vivem-na mais pelo sentimento do que pelo raciocínio.

Dia 6 de abril - Congresso dos operários da indústria do calçado.

Dia 7 de abril - Congresso do partido democrático. Afonso Costa reeleito, tendo como rival Alfredo Magalhães.

Dia 26 de abril – Comemorações do primeiro aniversário da Lei da Separação.

Dia 27 de abril - Revolta radical. O primeiro golpe organizado por republicanos contra um governo republicano. Manifestação de sócios da Federação Radical Republicana, liderada pelo advogado Mário Monteiro, e da Sociedade nº 1 de Instrução Militar, diante do quartel da Infantaria 5, cerca da 2 horas. Saem do quartel o capitão Lima Dias e o tenente Dinis, com meia centena de soldados que juntamente com os civis manifestantes percorrem outros quartéis à procura de adesões. Os líderes militares são presos, juntamente com os oficiais da marinha capitão de mar e guerra Álvaro Soares Andrea e João Cerejo e o general Fausto Guedes. É também preso o civil Mário Monteiro. Alguns dos detidos eram antigos apoiantes e organizadores das manifestações de rua dos democráticos. Na sequência do golpe são suspensos os jornais O DiaA Nação, O Intransigente, O Socialista e O Sindicalista. O jornal O Mundologo havia culpado os monárquicos do sucedido. Encerrada a Casa Sindical pela terceira vez.

Dia 28 de abril - Discussão parlamentar sobre a revolta. No dia 28, Brito Camacho chama bandidos aos revoltosos. Machado Santos logo responde que os deputados devem as carteiras a muitos dos revoltosos. Diz também que o golpe resultou de um plano traçado pelos democráticos durante o governo de Duarte Leite.

Dia 29 de abril – Tiroteio em Lisboa, depois de disparos do cruzador S. Rafael. O governo de Afonso Costa, convertido à moderação sofre os efeitos do radicalismo da canalha que antes açulara. Fala-se em afastar Costa, Camacho e Almeida, com a criação de uma comuna em Lisboa, a ser presidida por Magalhães Lima. O governo desmantela o regimento de Infantaria 5, dispersando os sargentos pela província, depacha cem revoltosos para os Açores. Afasta os navios de guerra do Tejo e pensa em mudar o arsenal para a Margueira. Teme, sobretudo, o quartel dos marinheiros em Alcântara comandado pelo deputado Ladislau Parreira. Isto é, os democráticos, tomam as medidas preventivas usadas pelos anteriores governos monárquicos, contra os mesmos focos de rebelião que, depois de instrumentalizados pelos democráticos se voltavam agora contra os anteriores feiticeiros. Outra das consequências do golpe está na criação da formiga branca, por acção do governador civil de Lisboa, Daniel Rodrigues, e com o apoio do seu irmão, Rodrigo Rodrigues, então ministro do interior. Trata-se de uma rede de espionagem ligada ao partido democrática e infiltrada, sobretudo, entre os chamados radicais. O modelo foi desde logo denunciado por Machado Santos nas páginas de O Intransigente.

Dia 3 de maio - Teixeira Gomes está em Portimão e escreve a João Chagas: o governo, como sabe, tira a sua força unicamente do Afonso Costa e este debate-se numa intrincadíssima rede de compromissos que a mais o vão debilitando. O poder, como é natural, enfraqueceu o partido, e um homem só, por muito que valha e possa, não faz frente aos contrários e aos seus próprios.

Dia 8 de maio - Greve em Vila Boim. Presos vários sindicalistas.

Dia 13 de maio - Lei sobre as rendas de casa.

Dia 25 de maio - Comício contra a carestia da vida em Lisboa. Greve dos soldadores de Olhão com assalto a fábricas.

Dia 10 de junho – Lançamento de bombas sobre o cortejo de homenagem a Camões, quando este passava na rua Nova do Carmo. Um grupo de sindicalistas com bandeiras negras quis incorporar-se no cortejo (um morto e 29 feridos). Represálias das autoridades contra os sindicalistas. Implicados os dirigentes da revista Terra Livre. Pinto Quartim parte para o exílio no Brasil. Alexandre Vieira, então redactor de O Sindicalista, bem como o administrador do mesmo periódico Francisco Cristo ficam presos no Limoeiro. O jornal chega a reaparecer indicando a cadeia do Limoeiro como redacção e administração do mesmo. Afonso Costa discursa na Câmara dos Deputados sobre a reforma eleitoral: se quiserem fazer eleições com analfabetos, façam-nas os senhores, porque eu quero fazê-las com votos conscientes… Indivíduos que não sabem os confins da sua paróquia, que não têm ideias nítidas e exactas de coisa nenhuma, nem de nenhuma pessoa, não devem ir à urna, para não se dizer que foi com carneiros que confirmámos a república.

Dia 14 de junho - Lei dos adidos.

Dia 15 de junho - Governo dissolve a casa sindical no dia 15. 100 sindicalistas presos, entre os quais Carlos Rates. Os presos, no final do ano, serão transferidos do Limoeiro para o forte de Elvas. As medidas afrouxam a acção de organização do movimento anarco-sindicalista e Afonso Costa, à maneira de D. Manuel II, tenta apoiar a organização do Partido Socialista.

Dia 21 de junho - Lei de 21 de junho remodela o sistema monetário. Torna obrigatória a utilização do escudo na contabilidade pública e nas relações dos particulares com o Estado.

Dia 25 de junho - No Senado, João de Freitas acusa Afonso Costa de não atuar no escândalo de terrenos do Estado em S. Tomé serem ocupados por particulares. Quando outro senador avança para ele puxa da pistola e ameaça dar-lhe um tiro.

Dia 30 de junho - Criada a Faculdade de Estudos Sociais e Direito em Lisboa pela lei orçamental. Conflitos estudantis em Coimbra.

Dia 3 de julho - Novos preços e novos tipos de pão, alterando-se o modelo até então vigente, proveniente da lei de Elvino de Brito. Nova legislação eleitoral, o chamado código eleitoral de Afonso Costa.

Dia 7 de julho - Recriado o ministério da instrução pública. Regulamento em 27 de novembro.

Dia 9 de julho - Lei de 9 de julho estabelece novo modelo de organização dos serviços agrícolas (António Maria da Silva) que vai vigorar até 1918, com 3 circunscrições agrícolas.

Dia 10 de julho - Bispos apelam para a criação de uma União Católica. Apelo do Episcopado aos Católicos Portugueses, o chamado apelo de Santarém, convidando os católicos a agremiarem-se numa União Católica. Extinta a embaixada de Portugal no Vaticano pela lei nº 30 de 10 de julho. Será restabelecida em 1918. Legação no Rio de Janeiro passa a embaixada. Lei nº 31 de 10 de julho eleva a embaixada a legação portuguesa no Rio de Janeiro, em caso de reciprocidade. Concretizada a elevação a embaixada por decreto de 1 de novembro de 1913.

Dia 12 de julho - Mais bomba, menos bomba. Carta de Augusto de Vasconcelos a João Chagas: por aqui., mais bomba, menos bomba, as coisas seguem conforme é possível que sigam com aquele parlamento que nós conhecemos.

Dia 20 de julho - Revolta radical em Lisboa. Tentativas de assalto a vários quartéis de Lisboa, com lançamento de bombas. Implicados os monárquicos, embora a ação tenha sido de radicais. O governo manda fechar a sociedade carbonária Aurora Redentora.

Dia 22 de julho - Bombas abandonadas na via pública geram várias explosões, morrendo várias crianças.

Dia 24 de julho - Legislação sobre acidentes de trabalho. Publicação da lei nº 83 sobre acidentes de trabalho. Estabelece a responsabilidade da entidade patronal sobre acidentes de trabalho nas indústrias fabris. Proibida a revista anarquista Terra Livre.

Agosto – Os Meus Cadernos de Mariotte. Padre Amadeu de Vasconcelos (Mariotte) lança em Paris Os meus Cadernos. Partilha das colónias. Acordo secreto entre a Alemanha e o Reino Unido sobre a partilha das possessões coloniais portuguesas.

Dia 7 de agosto - Reorganização administrativa. Lei nº 88 sobre a organização, funcionamento, atribuições e competências dos corpos administrativos.

Dia 15 de agosto – Lei das binubas. Alterado o artigo 149º do Código Civil, a chamada lei das binubas. Greve dos tecelões em Lisboa. Bombas no Porto.

Dia 4 de setembro – Organização das faculdades de direito. Pelo decreto no 118 de 4 de setembro, organização do funcionamento das Faculdades de Direito, conforme as propostas de uma comissão integrada por Guilherme Moreira, Marnoco e Souza, Machado Vilela, José Alberto dos Reis e Lobo d’Ávila Lima. Casamento de D. Manuel II com D. Augusta Vitória de Hohenzollern. Monteiro Milhões em Lisboa organiza subscrição para um presente de casamento.

Dia 3 de outubro – Fundação das escolas móveis.

Dia 5 de outubro – Reunião em Lisboa do Congresso Internacional do Livre Pensamento. De 5 a 8 de outubro. Participam Tomás da Fonseca, António Aurélio da Costa Ferreira, João Camoesas, Ana de Castro Osório, Teófilo Braga e Augusto José Vieira.

Dia 12 de outubro – Sindicalistas transferidos para Elvas. Sindicalistas presos há nove meses sem culpa formada passam do Limoeiro para o forte de Elvas, onde ficam detidos por mais seis meses.

Dia 21 de outubro – Primeira outubrada. Conspiração em 21 de outubro. Destruído em Lisboa o Museu da Revolução ao Quelhas. Dirigida em Lisboa por João de Azevedo Coutinho e no Porto por Jorge Camacho. Colabora o diretor de O Dia, Moreira de Almeida. Participam também carbonários e sindicalistas. A primeira outubrada. Freitas Ribeiro impede que os marinheiros de Alcântara alinhem no golpe e prende os cabecilhas. Corte de linhas telegráficas e breves levantamentos em Viseu e Viana do Castelo. O governo tinha um infiltrado entre os conspiradores, Homero de Lencastre. Assalto aos jornais monárquicos O Dia e A Nação por membros da formiga branca. Prendem o empresário Monteiro Milhões. Grupos afetos a Machado Santos, a chamada formiga preta impede o assalto a O Intransigente. Nas estradas há barragens de comités de vigilância ao serviço do governo. Abortada a liga das oposições. A outubrada impende que se consume a Liga das Oposições, com a junção do grupo de Brito Camacho a António José de Almeida e Machado Santos, e onde alinhavam o jornal O Rebate, influenciado por Alfredo de Magalhães.

Dia 23 de outubro – Demissão de Lobo de Ávila Lima. Por decreto de 23 de outubro, o professor de direito Lobo de Ávila Lima é demitido. Tumultos em Paço do Bispo no mês de Outuro, provocados por sindicalistas.

Dia 9 de novembro – Concurso de admissão para a faculdade de direito. Constituído o júri de admissão de professores para a Faculdade de Estudos Sociais e Direito em 9 de novembro. Admitidos os candidatos Albino Vieira da Rocha, Fernando Emídio da Silva, Ludgero Soares das Neves, António Abranches Ferrão e J. M. Vilhena Barbosa de Magalhães. Excluído Alfredo Pimenta.

Dia 13 de novembro – Afonso Costa declara, em 13 de novembro, ao embaixador britânico que as finanças tinham sido ordenadas, que estavam a ser construídos caminhos de ferro e que já havia ideias para o desenvolvimento das colónias.

Dia 16 de novembro – Vitória dos democráticos nas eleições suplementares. O comité organizador dos democráticos tinha a dirigi-lo Artur Costa, Rodrigo Rodrigues e Henrique Cardoso.

Dia 30 de novembro - Eleições para os corpos administrativos. Os unionistas acusam os democráticos de colaboração com caciques monárquicos disfarçados de vermelho. Greve dos metalúrgicos no Porto e dos mecânicos na Madeira.

Dia 14 de dezembro - Partido Socialista adere à II Internacional. Vivia na altura em idílio com os democráticos que pretendiam usá- lo para contrabalançar a dominante anarco- sindicalista do movimento operário.

Dia 15 de dezembro – Afonso Costa, diretor da faculdade de direito de Lisboa. O conselho da Faculdade de Estudos Sociais e Direito de Lisboa escolhe o ministro das finanças Afonso Costa para diretor. Escolha confirmada por decreto de 20 de dezembro. Quando recebe os colegas no seu gabinete ministerial, Costa sugere o nome de Basílio Teles para a área das ciências políticas, dado que já estão providas as vagas de ciências económicas. Nesse ano letivo inicial, há 68 alunos inscritos. Artur Montenegro assume as funções de diretor interino. Em janeiro de 1915, Afonso Costa pede licença, ficando a substitui-lo Barbosa de Magalhães. Ainda preside a uma reunião do Conselho em novembro, mas logo passa a presidente do ministério.

1914

Dia 1 de janeiro - Bilhete de identidade - Generaliza-se o uso do bilhete de identidade, nos termos das portarias de 9 de setembro e 8 de dezembro de 1913. O bilhete de identidade havia sido criado em 1907.

Dia 9 de janeiro - Democráticos acusados de favorecimento pessoal - O senador João de Freitas, em 9 de janeiro, ataca pessoalmente Afonso Costa, acusando-o de favorecimentos a antigos clientes do escritório. Democráticos, em protesto, saem da sala.

Deputado socialista passa a democrático - Um dos dois deputados socialistas das eleições suplementares de 1913 passa para os democráticos. Dos independentes, que eram 19, passam 11.

Dia 14 de janeiro - Apresentação do orçamento - Afonso Costa apresenta orçamento em 14 de janeiro.

Dia 15 de janeiro - Greve dos ferroviários (15 de janeiro de 1914) - Começa a greve dos ferroviários, com sabotagens. Dura até 23 de janeiro e envolve cerca de sete mil trabalhadores. Encerramento do sindicato ferroviários e tumultos no Rossio, com mortos e feridos. Lisboa chegou a estar isolada da província.

Dia 16 de janeiro - Camacho defende revisão da Lei da Separação - Brito Camacho requer que a revisão da Lei da Separação entre em imediata discussão (16 de janeiro).

Dia 21 de janeiro - Votada no Senado moção contra o governo - Senado vota moção contra o governo, com apoio de unionistas e evolucionistas (21 de janeiro). Havia sido nomeado um governador da Guiné, sem se ouvir o Senado, violando ao artigo 25º da Constituição.

Dia 24 de janeiro - Carta-programa de Manuel de Arriaga - Manuel de Arriaga, em 24 de janeiro, apresenta aos três principais partidos uma carta programa, pedindo trégua nas lutas políticas e a constituição de um governo extrapartidário, com eleições gerais depois da acalmação. Recebe apoio dos unionistas (em 31 de janeiro) e dos evolucionistas (em 1 de fevereiro). Oposição de Afonso Costa (4 de fevereiro). Como salienta João Chagas no seu Diário, Arriaga, chamado aos oitenta anos a ser árbitro de conflitos humanos, o humanitarista de 48, o paladino da paz universal, o autor de “Harmonias Sociais”! O que vai ele fazer? O que fazem todos os portugueses em presença de conflitos – pedir ordem. A palavra ordem é a expressão máxima da sisudez nacional. Mas em Portugal só há ordem e paz quando não se levantam conflitos de ideias. Quando estes surgem, tudo grita e ninguém se entende…

Dia 25 de janeiro - Governo pede a demissão - Governo pede a demissão em carta datada de 25 de janeiro, mas no dia 26 pede uma moção de confiança ao Congresso que é aprovada por 114-93. Protesto dos deputados e senadores da oposição que abandonam a sala.

Dia 26 de janeiro - Cortejo democrático e desfeito por contra-manifestantes - Em 26 de janeiro, à noite, Afonso Costa promove cortejo de apoio aos democráticos, com foguetes, vivório, filarmónicas e um balão à veneziana; a manifestação é dispersa por oposicionistas ao tabefe, no Rossio. Bandos de formigas pretas chegam a cercar o jornal O Mundo.

Dia 4 de fevereiro –  Manifestação contra o governo de Afonso Costa - Manifestação oposicionista nocturna, do Largo de Camões para Belém, organizada por Machado Santos, Júlio Martins, Carlos da Maia e Rocha Martins exige a queda de Afonso Costa, amnistia para todos os presos políticos e reabertura das associações sindicais encerradas. Entram na manifestação sindicalistas armados de archotes, a partir da Avenida 24 de Julho. Almeida e Camacho recusam participar e os comerciantes de Lisboa não fecharam as portas.

Dia 9 de fevereiro - Governo de Bernardino Machado - Constituído o governo de Bernardino Machado. Bernardino era embaixador no Rio de Janeiro e tinha pouco antes regressado a Lisboa, a bordo do paquete Avon: caía do céu. Segundo João Chagas ofereceu pastas a toda a gente a dos negócios estrangeiros a meio mundo. Ninguém lhe pegou, nem o Júlio Dantas. O governo bernardizava-se, conforme dizia Guerra Junqueiro.

Convite aos republicanos históricos do Porto - Bernardino, primeiro, tentou chamar para o governo os republicanos históricos do Porto, convidando Basílio Teles, Alves da Veiga, Guerra Junqueiro e Paulo Falcão, mas todos recusaram. Segundo dizia, em nota oficiosa de 7 de janeiro, quer formar o ministério com elementos extrapartidários e elementos conciliadores representantes dos partidos, numa fórmula que, conforme se lia em A Capital, não seria a repetição da concentração partidária.

Dia 10 de fevereiro - Apresentação parlamentar - Apresentação parlamentar do novo governo em 10 de fevereiro. Promete revisão da Lei da Separação e ampla amnistia, falando em congraçamento da família portuguesa e dizendo não ao sectarismo. Apoio formal dos democráticos, aberta oposição dos evolucionistas e expetativa benévola dos 17 deputados unionistas. Os evolucionistas justificam a oposição dizendo que no gabinete há três ministros democráticos, uma agremiação que fomentou a desordem, o tumulto, a guerra civil entre os portugueses e que agasalhou e incitou espiões miseráveis que vitimaram inocentes e desgraçaram famílias inteiras.

Dia 15 de fevereiro - Deputado socialista Manuel José da Silva, entrevistado por O Século, em 15 de fevereiro, propõe a institucionalização dos contratos coletivos de trabalho.

Dia 16 de fevereiro - Proposta de fusão entre evolucionistas e unionistas - Em 16 de fevereiro, 62 parlamentares evolucionistas e unionistas assinam documento onde se propõe a fusão dos dois partidos. Camacho concorda, Almeida põe condições.

dia 19 de fevereiro - Proposta de amnistia - Proposta de lei da amnistia apresentada no parlamento no dia 19 de fevereiro pelo ministro da justiça Manuel Monteiro. Aprovada no dia seguinte por 102-24, será publicada no dia 21. Os presos serão libertados logo no dia 22. Amnistia abrange o desterro dos bispos. Abrange 572 indivíduos presos e 1 700 emigrados. Segundo João Chagas, atira sobre a República dois mil adversários odientos. Brito Camacho terá apoiado a medida, dizendo que conspirar é um direito.

Fevereiro - Reaparece o jornal monárquico O Dia, afeto a José Maria de Alpoim.

Fevereiro - Tumultos em Monção. Chagasobservar greve em Portugal. Comboios descarrilados, bombas, pontes que saltam, comunicações interrompidas.

Fevereiro - Patriarca de Lisboa regressa à dioceseem fevereiro. Odo Porto em 3 de abril.

Dia 2 de março - Afonso Costa assume o exercício efetivo das funções de professor e diretor da Faculdade de Direito e Estudos Sociais de Lisboa em 2 de março. Até fins de janeiro de 1915, quando pede licença. Apenas regressa em novembro de 1915, mas apenas preside a uma sessão do conselho, dado que, depois de julho ter um acidente, passa  a presidente do ministério.

Dia 8 de março - Fernando Pessoa cria o heterónimo Alberto Caeiro em 8 de março.

Dia 9 de março - Morte de José Luciano de Castro na Anadia em 9 de março.

Dia 10 de março - Afonso Costa discursa da Câmara dos Deputados: tenho sido acusado de muitas coisas e, entre elas, a de extinguir o sentimento religioso em duas gerações. Essa calúnia é de tal natureza que merece o sorriso e o desdém que, quase sempre merecem os caluniadores.

Dia 14 de março - Criação da União Operária Nacional - Congresso Operário de Tomar de 14 a17 de março de 1914. Criada a União Operária Nacional. Estão representados 103 sindicatos. Carlos Rates apresenta uma tese sobre A Carestia da Vida que será, depois, publicada em folheto.

Dia 22 de março - Comício católico interrompido em Coimbra (22 de abril de 1914) - Interrompido comício católico na igreja de S. João de Almedina  em Coimbra em 22 de março. Estavam presentes Salazar e Cerejeira.

Dia 24 de março – Católicos protestam junto de Bernardino Machado - No dia 24 desloca-se a Lisboa comissão de católicos de Coimbra para inteirar o governo dos distúrbios. Bernardino Machado toma a salomónica decisão de, em nome da paz académica, mandar encerrar todos os centros académicos.

Dia 28 de março - Decreto sobre as Portas do Ródão - Decreto sobre a central hidro-eléctrica das Portas do Ródão em 28 de março. O diploma vai levar à queda do governo, sendo revogado em 24 de junho.

Dia 3 de abril - D. António Barroso volta discretamente ao Porto em 3 de abril. No dia 7, grande manifestação pública de apoio ao bispo regressado.

Dia 7 de abril - Doutrinação anarco-sindicalista - Sai o primeiro número de O Despertar, dito mensário das juventudes sindicalistas. Na sede destas se reúnem vários militantes sindicalistas, ouvindo conferências doutrinárias sobre o anarco-sindicalismo. Entre os conferencistas o professor Aurélio Quintanilha, adversário da intervenção de Portugal na guerra e que, depois, servirá como intermediário dos anarco-sindicalistas junto de Sidónio Pais, de quem fora aluno.

Dia 8 de abril - O Integralismo Lusitano - Começa a publicar-se em Coimbra Nação Portuguesa, em 8 de abril.

Dia 16 de abril - O parlamento rejeita o regresso a Portugal do jesuíta Pestana da Silva que se encontrava gravemente doente na Galiza. Bernardino fora favorável a um requerimento apresentado pelo pai do mesmo, mas no parlamento apenas teve o apoio de Jacinto Nunes, João de Meneses e do socialista Manuel José da Silva. O governo cede, para não abrir crise.

Dia 20 de abril – Aniversário da Lei da Separação, os republicanos do Porto organizam grande manifestação de resposta à manifestação dos católicos do dia 7.

Abril - Greves de pintores e metalúrgicos em Lisboa e da construção civilem Coimbra. Tumultosem Olhão.

Dia 1 de maio - Congresso das Associações Comerciais e Industriaisem maio. Nodia 1, lei sobre a livre associação e funcionamento das associações de classe.

Dia 2 de maio - Em 2 a 4 de Maio congresso no Porto da Federação das Juventudes Católicas, presidido pelo conde de samodães. Salazar discursa: A Democracia e a Igreja. Tentativa de assalto ao congresso no dia 4.

Dia 23 de maio - Freire de Andrade nos estrangeiros - Freire de Andrade assume a pasta dos estrangeiros, até aí gerida interinamente por Bernardino Machado.

Maio - Greve dos pescadores em Sesimbra.

Junho - Afonso Costa desafia António José de Almeida para duelo, sabendo que este o não aceita, por ser defensor do modelo dos tribunais de honra.

Dia 6 de junho - João Chagas observa: a República continua a sofrer da sua crise de autoridade, que em Portugal ninguém sabe compreender.

Dia 8 de junho - Reforma do ensino primário em 8 de junho.

Dia 17 de junho - Em 17 de junho a questão do decreto de 28 de março é levantada na Câmara dos Deputados pelo deputado evolucionista Celorico Gil. António Maria da Silva chama-lhe canalha. O contraventor insulta-o, qualificando este como tolerado. Bofetões nos Passos Perdidos.

Dia 20 de junho - Mantida a Lei da Separação, depois de votação parlamentar em 20 de junho. Manifestações de católicos e da Associação do Registo Civil. Bernardino Machado lamenta que a República não tenha um cardeal Saraiva ou um D. Alves Martins.

Junho - Concurso para assistentes da Faculdade de Estudos Sociais e Direito. Admitido Martinho Nobre de Melo em detrimento de João Evangelista Campos Lima, Alfredo Pimenta e António Macieira.

Dia 20 de junho – Os ministros democráticos demitem-se, mas Tomás Cabreira, inconformado, apesar de demitir-se pede também a demissão de membro do partido democrático. O Supremo Tribunal Administrativo considerou o diploma inconstitucional. Em 20 de junho os deputados e senadores democráticos votam pela constitucionalidade do diploma e mandam que os ministros do partido não assinem qualquer decreto declarando nulo o diploma.

Dia 22 de junho - Em 22 de Junho, Bernardino Machado pede a demissão por causa do decreto de 28 de março.

Dia 23 de junho - Remodelação governamental por causa das Portas de Ródão - Saem Rodrigues Monteiro e Tomás Cabreira da justiça e das finanças. Bernardino assume interinamente a justiça e Santos Lucas é o novo ministro das finanças.

Dia 24 de junho - Anulado o decreto sobre as Portas do Ródão - Anulado o decreto de 28 de março em 24 de junho. Como observa João Chagas, quando Bernardino Machado está no poder nunca há em rigor uma crise, e é o que sucede … tapou rapidamente os buracos deixados pelos seus três colaboradores e prossegue.

Dia 28 de junho - Atentado de Serajevo em 28 de junho.

Conferências anarquistas - Realizam-se conferências anarquistas em Lisboa (28 de junho) e no Porto.

Dia 30 de junho - Aprovação do orçamento - Aprovado o orçamento e encerrada a legislatura em 30 de junho. Houve falta de quorum nas sessões de 27, 28 e29. A falta de quorum tem a ver com a projetada discussão da lei eleitoral. Os evolucionistas não comparecem e os unionistas retiram-se.

Discussão da nova lei eleitoral - Em 30 de junho discute-se nova lei eleitoral, principalmente no tocante à divisão dos círculos. Admitia-se o sistema de lista incompleta, reservando-se um quarto dos deputados para as minorias. O deputado evolucionista Mesquita de Carvalho considera que o projeto serve para servir os interesses de uma seita e para favorecer a dementada ambição de uma criminosa ditadura parlamentar. O projeto será discutido e aprovado na Câmara dos Deputados, mas nunca chegou a ser votado pelo Senado.

Afonso Costa defende governo extrapartidário - Em 30 de junho, Afonso Costa declara: a República carece de um governo extrapartidário até à s eleições; que o sr. Presidente do Ministério se conserve até lá no seu posto de honra.

Junho - Tumultos na Idanha e na Azambuja. Conflitos estudantis em Coimbra (200 estudantes presos). Greve dos operários das moagens por falta de importação de trigo.

Julho – Aumento do câmbio que passa dos 4$93 de Maio de 1911 para 5$30.

Dia 20 de julho – Lei nº 253 de 20 de julho sobre o regime de fiscalização do vinho do Porto.

Dia 23 de julho – Novos ministros – Sousa Monteiro na justiça e Almeida Lima no fomento.

Ultimato à Sérvia em 23 de julho.

Dia 28 de julho – Declaração de guerra do Império Austro-Húngaro à Sérvia em 28 de julho.

Dia 31 de julho – Ultimato alemão à França e à Rússia, em 31 de julho.

Marcação de eleições para 1 de novembro – Em 31 de julho são marcadas eleições em Portugal para o dia 1 de novembro.

Dia 1 de agosto – A declaração de guerra da Alemanha à Rússia em 1 de agosto.

Dia 2 de agosto – Invasão alemã do Luxemburgo (2 de agosto) e da  Bélgica (3 de agosto).

Dia 3 de Agosto – Em 3 de agosto, proibida a exportação de combustíveis, gado e géneros alimentícios, à exceção do vinho, em Portugal.

Dia 4 de agosto – Declaração de guerra à Alemanha pelo Reino Unido (4 de agosto).

Encerradas as Bolsas de Fundos de Lisboa e do Porto em 4 de agosto. Regime estabelecido pelo decreto nº 797 de 25 de agosto.

Dia 7 de agosto – Bernardino Machado, em 7 de agosto, lê relatório sobre a posição de Portugal em sessão do Congresso. Proclamada a fidelidade à aliança luso-britânica. Aplauso unânime.

Dia 8 de agosto – Em 8 de agosto, a Lei nº 275 permite ao governo actuar sem peias parlamentares, face ao estado de guerra: concede ao poder executivo as faculdades necessárias para, na atual conjuntura, garantir a ordem em todo o país e salvaguardar os interesses nacionais, bem como para ocorrer a quaisquer emergências extraordinárias de caráter económico e financeiro. É ao abrigo deste diploma que se exercerá a ditadura de Pimenta de Castro. A lei foi prorrogada pela Lei nº 292 de 29 de janeiro de 1915 e renovada pela lei de 5 de junho de 1915.

Agosto – Entre os defensores do intervencionismo está João Chagas, nosso representante em Paris. Teixeira Gomes, em Londres, é mais moderado. Brito Camacho é contra a intervenção no teatro europeu do conflito, defendendo apenas uma intervenção em África. Esta é também a posição dos monárquicos, através de Aires de Ornelas, lugar-tenente de D. Manuel II. O rei chega a propor que os monárquicos colaborem com a República para o efeito. Alguns jornais monárquicos, como a Nação falam mesmo na necessidade de um governo de concentração nacional.

Agosto – Leote do Rego fala num perigo ibérico, referindo-se aos monárquicos.

Dia 10 de agosto – Novas penalidades para comerciantes que elevem os preços dos géneros de primeira necessidade, pelo decerto nº 741 de 10 de agosto. Nesse diploma também se institui um sistema global de fiscalização do preço dos géneros alimentícios.

Agosto – Leis nº 277 e 278. Leis orgânicas das províncias ultrmarinas do ministro Lisboa de Lima.

Dia 17 de agosto – Criada uma Comissão de Subsistências, para géneros alimentícios e combustíveis, pelo decreto nº 767 de 17 de agosto.

Dia 18 de agosto – No dia 18 são instituídos armazéns gerais industriais e criada uma comissão especial junto do ministério do fomento para a aplicação de providências visando o abastecimento do país em géneros alimentícios e combustíveis.

Em 18 de agosto determina-se a organização de duas expedições militares para África.

Dia 21 de agosto – No dia 21, criadas bolsas de mercadorias em Lisboa e no Porto.

Dia 25 de agosto – Ataque alemão ao posto de Maziua em Moçambique no dia 25 de agosto.

Dia 26 de agosto – Circulação fiduciária – Decreto do ministro das finanças Santos Lucas, de 26 de agosto, estabelece em 120 000 contos o limite da circulação fiduciária (limite das notas chamadas de ouro). Limite de 17 de outubro de 1910 foi fixado em 72 000 contos de réis. Era de 86 559 contos em 31 de dezembro de 1913 e de 96 459 em finais de 1914.

Agosto – Greve dos cabouqueiros e dos fabricantes de cal em Lisboa. Tumultosem Lamego (10  mortos). Assaltado o jornal A Liberdade.

Dia 7 de setembro – Ramalho Ortigão declara simpatizar com o Integralismo – Em 7 de setembro é publicada a Carta de um Velho a um Novo, de Ramalho Ortigão, a João Amaral, onde aquele escritor apoia o movimento integralista.

Dia 11 de setembro – Partida das primeiras expedições para África – Partem para África as primeiras expedições militares em 11 de setembro. A de Angola, que segue a bordo do Moçambique, é comandada pelo coronel Alves Roçadas. Desembarca em Moçâmedes no dia 1 de outubro e chega ao Lubango a 17 do mesmo mês. A de Moçambique, que segue a bordo do Durham Castle, e comandada pelo coronel Massano de Amorim. Chega a Lourenço Marques a 16 de outubro.

Dia 18 de setembro – Assaltos a armazéns de víveres no Porto, em 18 de setembro. Intervenção das forças policiais. Greve dos tecelões no Porto. Assaltos a armazéns de víveres em Almada.

Setembro – Anarquia mansa – Observações de João Chagas: aqui falta tudo – autoridade, disciplina, ordem, polícia. Uma só palavra convém ao que vejo: – anarquia – anarquia mansa, lenta, dissolvendo tudo, apodrecendo tudo.

Dia 19 de setembro – Adiamento das eleições sine die – Em 19 de setembro, as eleições são adiadas sine dieatendendo a que persistem ainda os motivos de ordem internacional que aconselharam os partidos republicanos à patriótica suspensão das questões políticas internas. Nesse mesmo dia, o governo publicita um relatório sobre as respetivas atividades.

Dia 24 de Setembro – Fixação oficial das cotações cambiais – Criação de uma Junta Reguladora da Situação Cambial, com delegados das associações privadas, em 24 de setembro, pelo decreto nº 886. Visa a fixação oficial das cotações cambiais.

O Dia suspende a publicação – Jornal monárquico O Dia suspende a publicação, em 24 de setembro, protestando contra o facto de alguns dos seus números terem sido apreendidos.

Setembro – Lançado à água o contratropedeiro Guadiana, construído no Arsenal da Marinha.

Setembro – Greve dos tipógrafos no Porto.

Dia 10 de outubro – Em 10 de outubro, os britânicos convidam Portugal a abandonar a neutralidade.

Dia 13 de outubro – Conselho de Ministros decide criar um corpo expedicionário destinado a intervir em França, em 13 de outubro.

Dia 14 de outubro – Proibida a reexportação de géneros alimentícios e de medicamentos, em 14 de outubro.

Dia 18 de outubro – Incidente de Naulila em 18 de outubro.

Dia 20 de outubro – Segunda Outubrada. Proclamada a monarquia em Mafra em 20 de outubro, com intervenção do germanófilo Rodrigues Nogueira. Os conspiradores monárquicos, quando se dirigiam a Torres Vedras, são derrotados em S. Pedro da Caldeira pelas tropas governamentais comandadas pelo capitão Álvaro Poppe. Incidentes em Bragança. Assalto a vários jornais monárquicos em Lisboa (Jornal da Noite, Restauração e Talassa), bem como ao jornal crítico independente, Ridículos. Criado em 22 de outubro um tribunal militar especial para julgamento dos conspiradores monárquicos.

Dia 28 de outubro – Importação de cereais – Facilitada a entrada na metrópole de cereais produzidos nas colónias, em 28 de outubro.

Dia 31 de outubro – Ataque alemão a Cuangala em 31 de outubro.

Dia 5 de novembro – Novos embarques para África em 5 de novembro, 1, 3 e 10 de dezembro.

Dia 21 de novembro – Congelamento das rendas de casa dos prédios urbanos em 21 de novembro pelo Decreto nº 1 079.

Dia 23 de Novembro – Autorização parlamentar para a entrada na guerra – Governo é autorizado pelo Congresso a intervir na guerra em 23 de Novembro, numa reunião extraordinária do Congresso. Lei nº 283 publicada no dia seguinte.

Dia 25 de novembro – Redução dos custos de armazenagem dos géneros alimentícios no porto de Lisboa em 25 de novembro.

Novembro – Parte para o Brasil Duarte Leite, o primeiro embaixador formal da República no Rio de Janeiro.

Dia 29 de novembro – Carta de Afonso Costa a João Chagas, em 29 de novembro: eu tenho reclamado um governo patriótico, nacional em que os partidos se responsabilizem, solidarizem e concentrem, com um programa de ir à Guerra europeia (e consequente beligerância imediata) e de enérgica defesa republicana, um governo que até não deveria integrar nenhum dos chefes republicanos. Reconhece também que os dois grupos (evolucionistas e unionistas), agora, odeiam-se mortalmente … um só pensa em acabar com o outro, em fazer aproximações connosco que lhe permitam pôr a pão e laranja, nas próximas eleições o concorrente que não serviu para aliado.

Dia 30 de novembro – Instaurada a censura sobre assuntos militares em 30 de Novembro.

Dia 2 de dezembro –  Reabertura do parlamento em 2 de dezembro. Bernardino Machado lê o relatório do governo.

Em 2 de dezembro  o deputado democrático Vitorino Godinho referia insultuosamente o chamado decreto da mobilização.

Dia 4 de Dezembro – No dia 4, Bernardino Machado declarava categoricamente, sem a habitual cordialidade, que se a moção não fosse retirada o governo se demitiria.

Aprovada, por 77-10, moção para interpelação ao governo em 4 de dezembro, por causa do decreto nº 1096 sobre a mobilização, publicado em 25 de novembro.

A votação de 4 de dezembro foi apenas sobre a admissibilidade da moção, dado que o líder dos democráticos na Câmara dos Deputados, Alexandre Braga contrariou os intentos de Bernardino.

Dia 5 de dezembro – Bernardino pede a demissão – Bernardino Machado  apresenta a demissão em 5 de dezembro.

Havia sinais de oposição ao governo dentro dos próprios democráticos e dos unionistas. Entre os primeiros, salientem-se as intervenções de Jaime Cortesão, a partir do jornal O Norte. Entre os segundos, os artigos de Jacinto Nunes em A Luta.

Defendiam o governo, A República, de António José de Almeida, e O Intransigente, de Machado Santos.

Dezembro – Preparativos para a formação de um novo governo – Arriaga convidou Braamcamp Freire, Magalhães Lima e Machado Santos para formarem governo. Todos recusaram. Machado Santos ter-lhe-á dito: Senhor Presidente, apesar de sermos ambos livres pensadores, permita-me V. Exª esta expressão: Deus salve a República!.

Dia 10 de dezembro – Convite a Azevedo Coutinho – Em 10 de dezembro já Manuel de Arriaga convida Azevedo Coutinho para formar governo.

Dia 14 de Dezembro – A crise segundo Bernardino – Em 14 de dezembro, no Senado, Bernardino Machado refere: a crise … estava aberta já há muito tempo; é a crise profunda, que precisava de ser sanada, a crise dos partidos. Não há dúvida de que a formação dos partidos dentro da República foi prematura.

Dezembro – António José de Almeida recusa governo de concentração. Afonso Costa diz que a união é impossível por causa das guerras pessoais. Almeida considera que a questão tem a ver com princípios, nomeadamente com as divergências quanto à Lei da Separação. Brito Camacho está contra o governo de concentração e até contra a hipótese de governo extrapartidário, defendendo um governo de base parlamentar demo-evolucionista ou demo-unionista. Mas põe obstáculos até à concretização deste último.

Dia 10 de dezembro – Recrutou-se para a presidência o então presidente do Senado, convidado no dia 10.

Dia 12 de dezembro – Governo de Vítor Hugo de Azevedo Coutinho – Governo constituído no dia 12 de dezembro. Todos os ministros são do partido democrático, à exceção de Ferreira de Simas. O governo conta apenas com o apoio parlamentar dos democráticos.

Dia 14 de dezembro – Apoio da Câmara dos Deputados, rejeição do Senado - Na apresentação parlamentar, em 14 de dezembro, sem um palavra sobre problemas económicos, sociais e religiosos, quando continua a alta dos preços. Defesa da necessidade da realização de eleições gerais no mais curto prazo em condição da mais perfeita imparcialidade.

Vitória na Câmara dos Deputados por 63-39. Derrota do governo no Senado por 27-26.

Oposição dos evolucionistas e não apoio dos unionistas – Os evolucionistas assumem franca, calma e decidida oposição e guerra sem tréguas, dado não ser possível fazer uma política imparcial com um governo partidário. Os unionistas não apoiam, porque o governo não pode inspirar confiança à nação.

Dia 17 de dezembro – Unionistas renunciam aos mandatos – Os deputados unionistas e Machado Santos renunciam aos mandatos em 17 de dezembro. Senado fica sem quorum. O Congresso, eleito em 28 de maio de 1911, tinha a sua legislatura prolongada por um decreto do governo de Bernardino Machado de 19 de setembro, que adiava as eleições. Chamam ao governo os miseráveis de Vítor Hugo e a adega do Alexandre. Senado fica sem quorum.

Dia 18 de dezembro – Derrota em Naulila - Combate de Naulila em 18 de dezembro. Dura quatro horas. Derrota das forças portuguesas.

Dia 19 de dezembro – Camacho contra a intervenção na guerra europeia – Em 19 e 20 de dezembro, artigos de Brito Camacho em A Luta contra a intervenção bélica no teatro de operações da Europa.